terça-feira, 8 de novembro de 2016

Os bons são a maioria

Paulo Seixas ensina poesia de cordel em escola de Itabaiana

Vai aí um Brasil agredido? Uma cidade ultrajada? Uma dor civilizatória para sempre no seu coração? Uma criança sem água na escola? Um poeta falando com seriedade para quatro paredes moucas?

Você conhece a Escola Nossa Senhora das Graças, em Itabaiana? Aposto que não. É uma escola para filhos de pobres. Visitei a escola neste sábado, 5 de novembro. Lá, um sujeito ensinava como produzir poesia de cordel. A escola não tem charme, não tem estrutura, não é climatizada, não é chique. Uma escola para pobres, enfim.

O rapaz do cordel faz com seriedade um trabalho de educação através da poesia, inspirado por forças indefiníveis como a causa impulsora dos santos. Ele não aparece na mídia e nunca será o queridinho dos descolados que mamam na cultura com seus discursos bonitinhos e inócuos. E daí? O rapaz faz seu trabalho, ensina a metrificar versos, unicamente porque ele é compreensivo e bondoso para com a humanidade. Não recebe nada em troca. Vem de Queimadas para levar poesia para as crianças de Itabaiana em uma escola pública que não tem nem água para limpar as latrinas do prédio velho e mal conservado. O prefeito foi expulso da cidade pelas urnas. Vida que segue. Talvez, o próximo prefeito seja um rapaz interessado no deus das pequenas coisas como essa de levar poesia para a escola, dê mais força, respeite e invista nas pequenas escolas da cidade e seus sonhadores como a professora Adelita, uma das que também acham que nem tudo está perdido.

Sim, o nome dele é Paulo Seixas, fã de carteirinha do Raul Santos Seixas, o cara que preferia ser essa metamorfose ambulante e provocar a vida do que “ficar sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar”.

Li não sei onde e passo de graça pra vocês: “a vida não é colorida, é colorível.” Infelizmente somos, de maneira geral, um povo acomodado e calmo feito água de poço estagnado. Tudo indica que será assim por algum tempo. Enquanto isso, pessoas feito Paulo fazem meninos felizes porque conseguiram “fechar” uma estrofe de cordel numa cidade onde cultura jamais foi prioridade. Lembro a frase de Helène Françoise: “Nunca deixe de acreditar que os bons são a maioria, mas faça sua parte e inclua-se também nessa porcentagem.”







segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Livro de Fábio Mozart inspira produção de longa metragem de cineasta paraibano sobre rádio comunitária

Fábio Mozart e Rodrigo Brandão na Rádio Tabajara da Paraíba

O cineasta Rodrigo Brandão está na fase de pré-produção da ficção de longa-metragem que narra a história de comunicadores populares paraibanos que lutam para dividir o espaço com as grandes corporações da mídia radiofônica, operando rádios de baixa potência em pequenas cidades e bairros das periferias dos grandes centros urbanos. O roteiro tem como base o livro “Democracia no ar”, do jornalista Fábio Mozart. Segundo Rodrigo, o filme atualmente encontra-se em estágio inicial de desenvolvimento, por meio da pesquisa, entrevistas com os envolvidos com rádios comunitárias na Paraíba e a roteirização, ao mesmo tempo em que busca parcerias e captação de recursos.

O cineasta acredita que a proposta e mensagem do filme é bastante propícia para o conturbado momento atual político do país: "A população brasileira está muito dividida, intolerante e tensionada atualmente. Há uma falsa impressão (principalmente nas redes sociais) de que as pessoas estão mais politizadas, mas creio que na verdade só estão fortalecendo suas próprias crenças ao encontrarem pessoas que pensam de forma similar. Há uma falta de racionalidade para discutir problemas comuns a todos, mas infelizmente a maioria está mais preocupada em atribuir questões como a desigualdade social, o aborto e o liberalismo econômico a ideologias e partidos políticos”, considera ele. “Uma das funções da narrativa é justamente a formação de comunidades,  e a maior motivação para a realização desse filme é tentar aproximar pessoas de diferentes religiões, classes sociais e ideologias políticas, para a reflexão sobre todo esse processo por meio da natureza democrática das verdadeiras rádios comunitárias”, disse Rodrigo.


O livro aborda o processo de criação da Rádio Comunitária Araçá FM, em Mari, a instrumentalização de emissoras do tipo no país e o aprendizado da comunidade em torno de uma comunicação emancipadora. Democracia no ar é um livro importante, que serve de base para estudantes, comunicadores populares e pesquisadores num espaço onde as publicações são raras e, muitas vezes, sem conteúdo crítico em relação às práticas negativas adotadas em muitas rádios ‘comunitárias” do país’”, afirmou o jornalista paraibano Manassés de Oliveira.

domingo, 6 de novembro de 2016

POEMA DO DOMINGO



Maré me leva
maré me traz
cantiga pra Deus
ode ao Satanás

Poeta do arrebol
gestor de lupanar
não quer lugar ao sol
prefere ao luar

Viagem angular
em língua concisa
criando, ao pisar,
o piso em que pisa.

Na sua magnitude
a vida dá banho
e enche de grude

Maldita finitude
de morto secular
não resta o ataúde

F. Mozart



sábado, 5 de novembro de 2016

No dia da cultura, refundaremos uma entidade histórica



HOJE, Dia Nacional da Cultura, o videasta e dramaturgo Marcos Veloso toma posse na Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, em Itabaiana, às 20 horas, na Escola Municipal Nossa Senhora das Graças, em frente à rodoviária.

A associação foi fundada em 24 de agosto de 1977 na cidade de Itabaiana, tendo passado uns tempos em Mari e depois voltou às origens. O primeiro presidente foi Zenito Oliveira. Depois veio meu irmão Sósthenes Costa, eu próprio, Joacir Avelino, o ator Normando Reis, Marcos Veloso em 1983, Sander Lee em 1984, de novo Marcos Veloso para substituir Sander Lee que renunciou com toda diretoria ainda em 1984, Luiz Bruno de Lucena em 1985, Antonio Ferreira em 1986, Alberico de Jesus Gouveia (in memoriam) em 1987, José Octávio da Silva, Eronides da Cunha, Joseilson Antonio da Silva, Jean Monteiro de Oliveira e Assis Firmino da Silva. Em 1994, deu-se a única eleição onde disputaram duas chapas. Depois, assumiram Manuel Batista e Vera Lúcia do Nascimento, cada um em seu mandato. Essa última se encarregou de sepultar a Sociedade Zé da Luz por dezessete anos. Só agora estamos ressurgindo.

A entidade é registrada no Conselho Nacional de Serviço Social e reconhecida de utilidade pública municipal e estadual. Tem uma história de combate pela cultura regional, com seu grupo de teatro, o jornal e as intervenções na sociedade civil para promover a cultura em todas suas vertentes.

Avante, Zé da Luz!

 Ato público promovido pela Sociedade Zé da Luz em Mari, em defesa do direito à comunicação comunitária, com o deputado Avenzoar Arruda



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Brasil é fatal


Em busca de uma certa verdade, ando sempre com o passaporte em dia para o país dos sonhos, casado que sou em terceiras núpcias com a insanidade que eu gosto de chamar carinhosamente de criatividade. Adorando saber que o poeta Pádua Gorrion tem a mania de ler estas crônicas da Toca, fiquei de atualizar o blog só para esse mancebo que conheci na cidade Itatuba, porque o cabra me dá muita força. Acho que é isso.

Bonito, esse negócio da gente ter amigos que compartilham nossos distúrbios literários. Embora satanizada por elementos da qualistria de Maciel Caju, a Toca do Leão nunca foi nem será um canal de esquizofrenia como maldosamente denunciou o falso poeta Caju. Em tempo: a palavra “qualistria” não existe na língua portuguesa, mas eu ouvi muito minha vó Joaninha falar, e se ela usava o termo, claro que ele subsiste na língua dos povos antigos. Sinto-me na obrigação de preservar. Esse Caju, para dizer o mínimo, é um cafuçu de marca maior, sem maiores referências morais.

O que eu quero dizer mesmo? Qual era o tema desta quase crônica? Sim, uma das minhas maiores bandeiras é não dar bandeira pra gente do naipe desse Caju e do vampiro brasileiro Michel de Marcela. Não quero graça com esse povo, banalizadores do mal do quadradismo e do atraso. Veja que o Temeroso quer retardar o Brasil em duas décadas, como se já não fosse a “pátria tão distraída” um poço do passadismo do pior quilate.

Para zombar de quem desdenha de nossa cidadania, criamos um quase programa de rádio web chamado Multimistura que vai ao éter na internet, a partir das nove horas da manhã na Rádio Zumbi (www.radiozumbijp.blogspot.com)

Não sei se foi nesse desfile interminável de besteirol do Multimistura ou em outra cena, eu relatei outro dia o caso do vigilante do Fórum que me chamou em particular:

--- Senhor, essa estante que vocês botaram aqui no Fórum pra troca de livros é uma coisa boa, mas o povo ta tirando livros e não deixa outros no lugar. Eu contei 85 livros e agora só tem 30. Envergonhadamente, tenho que admitir que o Brasil é fatal!

“O Brasil é fatal”... Fiquei matutando sobre a frase do vigilante do Fórum. É impressionante como somos cafajestes, sem a menor cerimônia. O cara Testemunha de Jeová pega bons livros que eu disponibilizo nesse projeto Biblioteca Viva e deixa folhetos de sua religião, isso diariamente. O patife nem se toca que não aceitamos esse tipo de proselitismo, mesmo lendo no banner ao lado do expositor de livros. Fatal! Predestinado a ser inevitavelmente safardana, cara de pau. “Brasil só tem tamanho e safadeza”, dizia meu tio Zé do Pão.

Mas, e sempre tem um porém, nesse paraíso do jeitinho malandro, mora gente decente e honrada. Eis que recebo convite do mestre Tião Lucena para pegar livros de sua produção e distribuir em nossos expositores. “Você é um herói”, disse-me Tião. “Sair por aí distribuindo livros é ideia de paladinos, isso deve ser algum tipo de karma, você deve ter tocado fogo em alguma biblioteca em vidas passadas”. Eu replico ao compadre Tião que não sou dado ao budismo, no máximo sou adepto do bundismo. (No sentido de cultuar essa bela anatomia feminina). Isso de espalhar livros é muita falta do que fazer e livro precisa circular. Adoro livros, sou guardador de mais de dois mil exemplares e meu prazer é dar oportunidade para que eles sejam lidos. Haverá o dia em que o livro será obrigatório nas escolas. Não exigido por nenhum decreto escolar, mas induzido por professores leitores, coisa rara. De dez educadores, apenas dois gostam de ler. Um pedagogo deveria carregar dentro de si a responsabilidade inata de promover o encontro dos jovens com esse mundo da leitura, potencializando as ações neste sentido. Infelizmente, continuaremos a ser um país “fatal”, pelo menos por mais vinte anos, se cumprido o desejo da governança farsante e renegada.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016


A mundiça do Multimistura correndo atrás do próprio rabo, discutindo PEC do cão e tomando Pepsi com chimarrão. “Esse programa é muito corrosivo feito ácido muriático no cagador da humanidade”, disse Geraldinho Santos.
Dona Panela disse que não aceita o carrão do gordinho locutor porque “a origem é suspeita”.


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Secretário ecológico vai dar expediente a cavalo


O poeta Vavá da Luz, de Ingá, é o único Secretário de Turismo da Paraíba que vai dar expediente no seu cavalo. “Em vez de dar ‘cavalo de pau’ na rua com carrões envenenados, eu sigo galopando no meu alazão, sem poluir a natureza e curtindo as belezas de minha terra”, disse Vavá da Luz. No caminho para a Secretaria, que fica no complexo turístico da Pedra do Ingá, Vavá passa pela Ponte Preta, construída no século dezenove para escoar o “ouro branco”, o algodão que deu a Ingá o título de segundo maior produtor do mundo.

Amante da natureza e guardião do meio ambiente, Vavá da Luz mora em uma fazenda urbana, a Senzala, na entrada de Ingá, onde cria cavalos e conserva peças históricas do tempo da escravidão. “Se o cavalo passar arriado, eu monto e fundo o museu de Ingá, com o material que já tenho em minha propriedade”, afirmou Vavá, conhecido pelo seu bom humor e seu talento poético. Neste mês de novembro, ele lançará seu primeiro livro de poesias, o “Livro proibido de Vavá da Luz”, que promete reunir amigos e admiradores em sua Senzala no dia do seu natalício.

Com sua verve, Vavá costuma de dizer que, se for candidato a prefeito, seu grito de guerra será um relincho. “O cavalo é o símbolo do meu estilo de vida, só não vou fazer como o prefeito de Sapucaia do Sul, no Rio Grande, que desviou verba da merenda escolar pra comprar um cavalo de raça por nome Merenda”, emendou Vavá.
Em Sapucaia, o caso do cavalo do prefeito tornou-se chacota na eleição. A Justiça mandou apreender uma réplica de cavalo, apelidada de Merenda que andava a reboque pela cidade com um cartaz: "Vendo meu cavalo. Nome: Merenda. Valor: 11.304.000".
A decisão proibiu ainda sons de relinchos no município, pois seriam ofensivos ao prefeito e candidato à reeleição, Marcelo Machado (PMDB), que ingressou com o pedido de confisco do objeto. O prefeito acabou ganhando, o que confirma o ditado: “a cavalo dado não se olha os dentes”. Ou não...