O artista
plástico Sandoval Fagundes está anunciando curso de pintura abstrata. Há vagas
para apenas quatro pessoas. Um dia por semana para mexer com esse estilo que
não representa a realidade concreta.
O
investimento é de R$ 400 por mês. Fora da realidade? Talvez, se você não for
das raras pessoas que têm cor, forma, linha e textura fora da curva.
Insumos coletivos e experimentais inclusos; material individual e
autoral por conta de cada participante. Cada um que se responsabilize com o que
faz de sua liberdade de expressão.
Nota
da Rádio Mundial FM, do Rio Grande do Norte: a governadora Fátima Bezerra
parece que não é bem-vinda no próprio estado. Neste feriado, a pousada Estação
Bananeiras, no brejo paraibano, apagou uma publicação nas redes sociais em que
a dona do empreendimento aparecia ao lado de Fátima.
A
exclusão ocorreu após uma série de comentários negativos feitos por
internautas, que criticaram a presença da gestora no local. Na postagem
original, seguidores reagiram de forma contrária à visita da petista. Entre as
manifestações, houve ameaças de boicote ao estabelecimento, com usuários
afirmando que deixariam de se hospedar na pousada após a presença de Fátima.
Diante
da repercussão, os comentários passaram a ser ocultados. No entanto, as
críticas continuaram a aparecer em outras publicações do perfil do
empreendimento. O vídeo que registrava a presença da governadora acabou sendo
excluído.
“A
governadora do Rio Grande do Norte saiu pobre da Paraíba, foi morar no vizinho
Estado, trabalhou, batalhou, se fez grande, virou política, foi senadora e
governadora eleita e reeleita. Mas nunca abandonou o jeito de pobre. E foi isso
que ela ostentou na pousada ao dar depoimento sobre sua passagem pela
terra de Ramalho Leite”. – (Tião Lucena)
O que
parece ter ocorrido chama-se homofobia. Isso é crime no Brasil. E preconceito
contra quem sempre se colocou ao lado dos excluídos.
Em
2007, enquanto deputada federal, Fátima foi autora do Projeto de Lei 81/07, que
instituiu o dia 17 de maio como o Dia Nacional de Combate à Homofobia.
Sérgio
Ricardo Corvina, piloto da Rádio Barata no Ar, preparando o vômito da Barata
pra essa galera homofóbica e misógina.
Pousada
Estação de Bananeiras precisando de uma benzedeira pra espantar as energias
ruins de certos elementos que ali se hospedam.
O
Banco Morada teve sua falência decretada após intervenção do Banco Central em
2011. No ano 2009, esse banco fez um empréstimo em meu nome no valor de R$
4.000. Sem olhar os extratos, paguei esse valor, consignado na minha
aposentadoria. Só agora tive conhecimento do roubo.
Sistema
financeiro, onde o roubo e a patifaria
fizeram morada.
"A fotografia é a
maior vitória humana sobre o tempo." – (Gugu Keller)
A
repórter Eliz Santos, do jornal A União, está produzindo uma matéria
sobre a resistência em Itabaiana durante o golpe de 1964, com destaque para a
atuação de meu pai, Arnaud Costa, e do prefeito Hugo Saraiva.
Ela
ligou pedindo detalhes sobre o assunto para a matéria. Leu nos Tijolinhos.
É
muito bom quando seu texto passa a ser guia de trabalho de alguém.
Principalmente em busca da preservação da História.
Tudo
atualmente está sob a suspeita de ser IA. Tecnologia faz a gente desconfiar de
um simples “bom dia”.
O Papa
Leão condena guerra de Trump. Cristãos da extrema-direita atacam o Papa. Ateus
defendem o líder religioso. Sinais dos tempos.
“Talvez
eu nunca seja feliz. Nada é real, exceto o presente, e mesmo assim já sinto o
peso dos séculos a me esmagar”. – (Sylvia Plath, poeta norte-americana, aos 18
anos)
Sindicato
dos aposentados indicou a advogada Ana Carolina para assumir meu BO contra o
Banco Itaú.
É mais
fácil resolver o rolo do banco Master do que esse roubo do Itaú contra o pobre
do aposentado, que sou eu.
Estou
escrevendo minhas memórias. Lembro o momento em que fui preso pela Polícia
Federal e autuado em flagrante por operar rádio comunitária sem licença
oficial, um crime monstruoso levado às barras do tribunal, onde fui condenado a
pagar dez cestas básicas para instituições beneficentes.
Ao ler
a sentença, o Juiz pediu para que eu indicasse uma entidade a ser favorecida
com o resultado do julgamento. “Prefiro que sejam doadas as cestas básicas para
a AFPF. “O que vem a ser isso?”, perguntou o meritíssimo. “Trata-se da
Associação dos Filhos Pobres de Fábio”, esclareci.
Sua
Excelência mostrou-se muito irritado, ameaçando de prisão aquele indiciado
petulante e atrevido. No caso, seria uma reprisão. Não tem essa palavra no
dicionário, acabo de olhar. No fundo, bem lá no fundo, eu senti que sua
excelência estava aberto, galhofando de meu gracejo.
O
livro tem como título “Memorias memoriosas e rememoráveis”. Contém a história
de vida de um sujeito que já viveu muitos anos e se encontra em estado de novo,
mas devidamente etiquetado como elemento do grupo de risco dos idosos.
Convém
registrar meu depoimento para facilitar o trabalho das pessoas que se ocuparem
em falar mal de mim após meu despacho.
Deliberei
espalhar essa narrativa no presente livreto pela ordem e progresso, a partir do
meu aparecimento no mundo até a ordem de despejo, esperando não seja esta
última autorização emitida antes de eu pingar o ponto final nessas minhas
memórias memoriosas.
O locutor Fábio Mozart se destaca pela generosidade com que partilha
méritos, distribui elogios aos colegas e não titubeia em enviar sinceros
agradecimentos a todos ao seu redor. Ele, no caso, eu, sou uma pessoa muito
generosa.
Domingo passado recordei os cinquenta anos de amizade com o poeta
Sander Lee no podcast 10 Minutos no Confessionário. O “homenageado” não
disse que sim nem que não. Preferiu guardar sua opinião para si mesmo.
Passarei a falar mal dos inimigos. Para não cometer nenhuma
injustiça, a ordem será alfabética.
Confesso que eu tenho um consultor imaginário com quem me encontro
todo domingo pela manhã às 10 horas. É psicólogo, historiador e eventualmente
confidente.
Vez por outra é uma mulher madura, essa confidente. Ela costuma
lembrar: o pior mentirosos é aquele que mente para si mesmo. O segundo pior é
aquele que esquece a mentira contada.
Esses entes imaginários me fazem ciente do longo caminho que tenho
para percorrer até chegar à excelência almejada: apagar a chama sem alarde e
discretamente. Mas, antes, deixar para as traças meu relatório de vida perdida.
Portanto, aguardem mais esse crime literário, “Memorias memoriosas e
rememoráveis”.
Tijolinhos
para José Sóter de Brasília, que tolera esses tijolinhos madrugadores.
VERSO DO
DIA
A
arte acorda cedo
Enfrenta
os desafios
Inventa
um novo norte
A
travessia é sem medo
Sandoval
Fagundes






