segunda-feira, 15 de junho de 2026

TIJOLINHOS DO MOZART

 

Mais falsa do que o riso do velho Mozart, só a gargalhada enganosa do antigo ator cômico Bento Júnior na Rádio Barata no Ar, podcast que figura quase no topo dos rankings brasileiros no Spotify.

Todos nós somos falsos moralistas. Alguns são apenas falsos.

Bento Júnior quer bater o recorde de João Marthins de Ataíde que escreveu mais de mil folhetos, fora os que ele assinou como de sua autoria, sendo de outros autores. Bento já está na casa dos seiscentos.

Hoje, o cordelista Robson Jampa recebe a Comenda Cultural Ariano Suassuna, da Câmara de João Pessoa. Ele é um fenômeno de vendas de folhetos.

Zé Barata espera que no dia dos namorados tenha havido chamego com proteção. Recomendou-se usar máscara, camisinha, calcinha, álcool gel, vaselina, protetor solar e detefon.

Compadre Bento Júnior, com licença que eu vou ali depositar uma grana no Banco de Boston. (Sanitário)

Diante da derrota do Paraguai para os Estados Unidos por 4x1, alguém parafraseou Eduardo Galeano: “As zagas abertas da América Latina”.

Será que ameaçaram as famílias dos jogadores do Paraguai? Tem muito golpista trumpista por lá, ultimamente.

A vidente Preciosa adiantou o placar Brasil 1 X 1 Marrocos, postei no Facebook e Ivaldo Gomes duvidou.

Após o jogo do Brasil com Marrocos, o ex-jogador e comentarista Denilson estava conversando com Fabinho, o camisa 17 da seleção e disse: "... Veja o 17 da sua camisa, esse número lembra o quê? Temos que honrar esse número!".

“Estava se referindo ao bozó que foi eleito com o número 17. Achei muito ridícula e infeliz a fala do Denilson”. – (Torcedora desiludida com a seleção canalhinha)

Meme da Copa: obrigado, Curaçao! O Brasil agora não é mais a última seleção a tomar de 7 a 1 da Alemanha.

O leitor tijoleiro Dalmo Oliveira mandou um tijolo para a “Barata na Kama Surta”: “Locutoras da Mix FM aconselhando para o Dia dos Namorados que, em tempos de Copa do Mundo, o bom jogador tem que beijar o ‘gramado’ antes de botar a bola pra rolar.”

Carta de um leitor: “Já li poesia mais ruim do que a sua. Você não é dos piores. Seus guias espirituais já o devem ter orientado que você não pode esperar muita coisa da vida. Pelo menos no campo minado das letras dissimuladas.”

Sim, porque poesia é isso. Como toda literatura, não passa de leituras farsantes, suposto insight acima da média, fingimentos de pessoinhas fantasiosas deslumbradas, reivindicando todos os papéis da peça.

Acho importante também evitar que as pessoas me chamem de poeta. Por duas razões: primeiro que poeta só pode vestir a camisa de poeta se tiver livro reconhecido e apadrinhado por críticos do naipe de Damião Ramos Cavalcanti ou Kuby Pinheiro.

Segundamente, e não menos importante, o poeta tem que ter aceitação popular. Ou ser apreciado e declamado por todo alcoolista boêmio intelectual que se preze e se sustente em pé, ou sentado na cadeira do botequim, altas horas das noites desregradas e farristas.

Isso fica para Ronaldo Cunha Lima, Manoel Xudu e Augusto dos Anjos. Eu próprio já comecei uma carreira de pseudo poeta, mas consegui ser salvo a tempo. 

Enfim, se você não for um poeta de verdade, furte-se à vergonha suprema de dar um livro seu como presente de amigo secreto e saber do desgosto da pessoa que o recebeu.

O aborto só se tornou pecado a partir de 1869, depois que uma freira abortou quatro vezes em quatro anos seguidos e o padre autor dos fetos brigou com o Bispo, grande amigo do Papa.

Mais cultura inútil: Hipopotomonstrosesquipedaliofobia é o medo de pronunciar palavras grandes.

"Um rim em bom estado pode valer cinquenta mil reais no mercado negro de órgãos. Pra que eu quero dois rins se deixei de beber?"  - (Ameba, o desesperado)

Mulheres guardam segredo por no máximo 32 minutos, aponta pesquisa. Já os homens, nem guardam. Ninguém se engane: marmanjos são os reis do fuxico.

"Advogado recebeu 15 milhões pra defender o senador Rachadinha. Com esse dinheiro, eu defendo Satanás e toda sua família."  - (Ameba, o rábula)

Há mais de 200 anos a Paraíba cultiva a cultura da cantoria, dos violeiros, declamadores e poetas do cordel. Somos maiorais nesta tradição.

Meu compadre Rui Vieira aviva a chama da poética nordestina com seu “Dicionário Temático da Poesia Popular Nordestina”, que já é uma referência.

Meu nome consta na obra de Rui como “poeta de bancada”, aquele sujeito que compõe versos cordelescos, mas sem vocação para o repente.

"Quer ser endeusado e respeitado? Roube”. (Tião Lucena)

"Eu, doido pra fazer delação premiada. Dizer o que sei, o que não sei e o que tenho vontade de saber. Podem quebrar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico. Vão ficar morrendo de pena…"  - (Ameba, o oferecido)

Manoel Calu era um zagueiro perna-de-pau, jogador do segundo time do União Sport Clube de Itabaiana. No vestiário, o técnico terminava a preleção tentando animar o time: “E não esqueçam, são onze contra onze, a bola é redonda para todos. Menos pra Manoel Calu...”

Houve uma época em que o Mangueira Futebol Clube de Entroncamento apresentava a seguinte formação no velho esquema quatro/dois/quatro: Catatau, Fábio Jacaré, Enxuga o Rato, Catoco, Barata e Bolo Fofo; Batata e Camelo; Mão de Onça, Papagaio e Piaba. Na reserva: Caranguejo, Luiz da Gata, Sardinha, Marimbondo e Foguetão. Técnico, Pai Véi. Auxiliar: Calango. Massagista: Cobra. Árbitro: Bodeiro. O dono das camisas do time era Zé de Biu de Nena.

Lilith foi a primeira mulher a querer sexo apenas por prazer, e queria muito! Foi quem inventou 80% das posições do Kama Sutra. Ensinou a Adão os caminhos da roça.

Sua habilidade na cama apavorou Adão. Segundo a versão em hebraico da Bíblia, ela perguntava: "Por que tenho que me deitar sob ti?" Foi, portanto, a primeira feminista a questionar o tradicional "papai e mamãe".

Madame Preciosa, mulher das ciências ocultas e partes pudendas nem tanto. Ela se diz reencarnação de Lilith.

As pessoas têm seus conflitos, reclamam, exigem, cobram, têm suas vaidades, suas preferências. Viver socialmente é estressante.

Hoje, os tijolinhos seguem para Antônia Iranildes, comadre de Dalmo Oliveira de Xangô e madrinha de Davi. Mais conhecida em Tambaú como “Toinha de Orora.”

 

VERSO DO DIA

 

Corrupção é um mal

Que vem de longe, de fato.

Numa pedra está escrito

E aqui eu arremato:

Nas placas continentais

Desviaram muito mais

Do que na tal Lava Jato.

 

Nesse estelionato

Das placas continentais

Comeram o eixo terrestre

E os recursos naturais

Aumentaram o caixa dois

E muito tempo depois

Forjaram as tais leis morais.


(Do folheto "A verdadeira história das pedras do Ingá", de F. Mozart)

 

sábado, 13 de junho de 2026

TIJOLINHOS DO MOZART

Eu com a amiga Cássia Roque, da equipe que reconstruiu a Sociedade Cultural Zé da Luz em Itabaiana. Ela faz parte de uma galera de voluntários que, há anos, procura manter acesa a vela da cultura na terra de Vladimir Carvalho. 

Hoje, Cássia completa 50 anos. Metade de um século, um tempo de histórias e zero sinais de maturidade definitiva. Continue assim, porque funciona muito bem! E estaremos comemorando o ano todo, porque a Sociedade Zé da Luz também faz festa pelo cinquentenário.

Nessa Copa desavergonhada, o Peru ficou de fora! – (Este trocadilho fescenino eu devo a Lau Siqueira)

A eleição do Peru foi pau a pau. O meme já vem embutido.

“Arte militar é a única arte que destrói, em vez de criar.” – (Leminski)

Leminski foi um poeta que morreu de tanto viver. Lembra o amigo João de Deus Rafael. Não pela poesia, mas pela jornada de festa absoluta pela vida afora.

Um velho perdido no mundo da modernidade: doido pra ouvir a música de Totonho, mas não sei acessar o Spotify.

A vidente búlgara Baba Vanga previu que os Ets vão baixar durante a Copa do Mundo.

Se acontecer a revelação alienígena, vou sortear uma camisa da Rádio Barata no Ar com a galera do disco voador.

Agora Flávio Bolsonaro ganha! A vice da chapa dele será a nazistinha da florzinha, Júlia Zanatta.

“É como ter, como opção, Satanás para presidente e Belzebu para vice-presidente.” – (Muffs, no Bluesky)

Estados Unidos recebem a seleção do Irã para a Copa e mandam bombardear o país dos visitantes. Não é sensacional?

Torcedores mexicanos vaiaram a entrada da bandeira dos Estados Unidos na abertura da Copa. A da Argentina também foi vaiada.

Se a Copa fosse só no México seria muito melhor.

Fale quem falar, mas a melhor transmissão da Copa é da Rádio Barata no Ar. Confere aí, torcedor: https://www.radiodiariopb.com.br/barata-embarca-clandestina-para-a-copa-e-conta-tudo-sobre-a-selecao-canalhinha-programa-radio-barata-no-ar-edicao-de-no-566/

Aviso da turma que mexe com delivery: na hora do jogo do Brasil não façam pedidos. Eles vão cuspir na sua pizza.

O ex-governador Cláudio Castro foi a uma degustação de uísque em Nova York bancada por Daniel Vorcaro. O evento custou mais de R$ 5 milhões. No dia seguinte, o Rioprevidência derramou R$ 80 milhões no Banco Master.

Se o Vorcaro me chamar pra uma degustação de whisky de cinco milhões, na metade do primeiro copo eu já pedia uma Bavaria. Não me ligo muito em uísque não.

Meu toco com Vorcaro seria apenas de uns dois mil pra ajudar na entera de um carro velho que estou a fim de comprar.

As pessoas me olham com uma cara de desespero quando eu conto que não gosto de café nem de uísque. Sofro preconceito.

O deputado Pastor Sargento Isidório disse que, com o fim da escala 6x1, os trabalhadores poderão ter mais tempo para “fazer seu sexo em paz e com mais tranquilidade”.

Esses crentes neopentecostados só pensam naquilo!

Notícia da Barata Press: Lula chegou a um acordo com o Trump de designar o Flamengo como organização terrorista.

Botafogo Futebol e Regatas foi colocado à venda em anúncio de jornal inglês. Sobrevivi para ver essa infâmia. 

Uma das maiores ideias de jerico da raça humana foi a de transformar nossos times em empresas.

Um pensamento maluco que me ocorreu às 3 horas da madrugada: acho que quem dorme demais está roubando o sono da gente que tem insônia.

Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) levou R$ 1 milhão ao assinar acordo com o Itaú.

Na prática, o acordo inviabiliza o acesso dos clientes lesados à devolução do dinheiro.

Banco Central atestou ilegalidade de cobranças do Itaú, mas não adotou qualquer medida para punir o banco.

Banqueiros na cadeia, já!

Quando são presos, não tiram cadeia. Sentenças são anuladas por erros processuais, recursos judiciais se arrastam por anos e decretos de indulto presidencial extinguem as penas.

Daniel Dantas, do Opportunity, teve sua condenação anulada por participação ilegal da Abin nas investigações. Já Salvatore Cacciola e Kátia Rabello, após cumprirem parte da pena, foram beneficiados por indultos assinados, respectivamente, pelas ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer.

Seleção brasileira foi reconhecer o gramado. Alguns até provaram a grama.

Atualizando a frase: Não tem mais bobo no futebol! Só transmitindo futebol.

Deu pra encaixar Copa do Mundo e Rádio Barata. Tudo certinho. Nossa transmissão quase bate com a Globo.

O poeta Glauco Mattoso escuta a Rádio Barata no Ar.

Briga de casal gospel: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, usaria ambas pra manchar sua imagem”.

"Todos os banguelas irão para o céu, porque a Bíblia diz que no inferno haverá ranger de dentes." – (Evangelho segundo Sonsinho)

Biliu de Campina cunhou frase de efeito cruel: “Não sou a favor da pena de morte; sou pela morte sem pena.” No rádio, você já acorda ouvindo o povão rosnar: “Tem que matar, tem que ter pena de morte”.

“Eu não sou esse monstro que eles dizem que eu sou. Eu sou muito pior.” – (De um romance que li, cujo autor esqueci.)

Meu sonho era ser contista. Nunca escrevi um conto que prestasse. Optei por fazer poesia, que é um gênero onde você escreve um monte de besteiras para que um leitor inteligente reinvente e reformule o jogo de palavras.

Meus livrinhos ao alcance de todos no Sebo Cultural: https://lojasebocultural.com.br/?s=fabio+mozart

Onde tem festa de rua patrocinada por prefeitura, tem maracutaia, segundo me disse um empresário de bandas.

Hoje é dia de Santo Antonio, então remeto os tijolinhos para Dom Antonio Joaquim Alves, o Conde da Boa Vista, conhecido nas rodas artísticas como Thiago Alves.

 

VERSO DO DIA

 

Rupturas e feridas no meu tosco ego

Tudo isso eu escondo nesse ponto cego

Sou assim remanescente, salvo por um triz

Da incógnita certeza do um ponto X

 

F. Mozart

 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Rádio Barata no Ar: seis anos de irreverência, humor anárquico e resistência libertária

 

Quando o mundo parou durante a pandemia, muita gente procurou formas de escapar da monotonia, da ansiedade e do isolamento. Foi nesse cenário que nasceu o programa Rádio Barata, uma experiência radiofônica que, seis anos depois, alcança a marca de 566 episódios, consolidando-se como um dos projetos mais criativos e longevos da comunicação independente paraibana.

A ideia surgiu da inquietação criativa do escritor, teatrólogo e radialista Fábio Mozart, que há mais de cinco décadas dedica-se às artes cênicas e à produção cultural, acumulando também mais de quarenta anos de atuação no rádio. Foi dele a proposta de criar um programa capaz de misturar humor, sátira, crítica social e uma boa dose de imaginação.

Mas o Rádio Barata não seria o mesmo sem o trabalho de produção e edição de Sérgio Ricardo, responsável por transformar os roteiros em verdadeiras experiências sonoras. Com a utilização de trilhas, efeitos especiais, ruídos ambientes, sons de torcida, vinhetas e entradas simuladas ao vivo, o programa cria cenários que fazem o ouvinte esquecer que está diante de uma gravação.

Em muitos momentos, quem escuta tem a sensação de que os apresentadores estão realmente em um estádio de futebol, em uma praça pública ou no centro de algum acontecimento inusitado. É o velho poder do rádio em sua forma mais pura: a capacidade de fazer a imaginação viajar.

Ao longo dos anos, o programa foi além da conversa entre apresentadores. Com a participação de um elenco formado por cinco atores e atrizes, muitos episódios transformaram-se em verdadeiras novelas radiofônicas, recheadas de personagens, diálogos e situações absurdas que arrancam risadas e reflexões.

Por trás do humor, no entanto, existe um olhar atento para a realidade brasileira. Entre uma piada e outra, o programa lança provocações, comentários sobre a conjuntura política e críticas bem-humoradas à polarização que marca o país. Tudo isso sem perder a leveza e a irreverência que se tornaram marcas registradas da atração.

O sucesso da fórmula está justamente na combinação de talentos. Fábio Mozart cria os universos, personagens e situações. Sérgio Ricardo dá vida sonora a esses mundos. Juntos, constroem uma narrativa que mistura rádio, teatro e humor popular.

Em tempos de transmissões padronizadas e conteúdos cada vez mais parecidos, o Rádio Barata encontrou um caminho próprio. Não disputa espaço com os grandes veículos reproduzindo o que eles fazem. Faz algo diferente: transforma o cotidiano em espetáculo, a notícia em sátira e o rádio em imaginação.

Chegar ao episódio 566 representa mais do que um número expressivo. Significa manter viva uma tradição radiofônica que aposta na criatividade, na participação coletiva e na inteligência do público.

E talvez o maior elogio que o programa possa receber seja justamente aquele que seus ouvintes fazem com frequência: quando a história começa, os efeitos entram e os personagens ganham voz, eles esquecem que estão ouvindo uma gravação e passam a acreditar que tudo está acontecendo de verdade.

Essa é a magia do rádio. E a Rádio Barata continua sabendo como ninguém faze-la acontecer.

 

Por Sérgio Ricardo Santos/Rádio DiárioPB

RÁDIO BARATA NO AR - 566

 

Barata embarca clandestina para a Copa e conta tudo sobre a seleção canalhinha

RÁDIO BARATA NO AR - 566

https://www.radiodiariopb.com.br/barata-embarca-clandestina-para-a-copa-e-conta-tudo-sobre-a-selecao-canalhinha-programa-radio-barata-no-ar-edicao-de-no-566/

TIJOLINHOS DO MOZART

 

Hoje, a partir das 10 horas na Rádio DiarioPB, nova edição da Rádio Barata no Ar. Porque a vida não é somente comer, trabalhar, viver bestamente e dormir, não. A vida também é sorver besteirações supositoriamente sérias. www.radiodiariopb.com.br

“Chegou o Dia dos Namorados e eu solteira por motivos óbvios: ninguém é digno da minha beleza afrodisíaca e atemporal.”  - (Madame Preciosa)

"Virei náufrago na ilha do forró em Campina Grande" - (Rui Vieira)

Só 1% dos brasileiros lê poesia. O poeta W. J. Solha escolhe os leitores e manda seu livro para quem realmente lê. É a busca ativa do leitor.

Dez por cento dos brasileiros escreve poesia.

"O povo gosta é de putaria" – (Rui Vieira)

Em 2015, depositaram R$ 30 mil na conta de um parlamentar paraibano, ele não aceitou e devolveu aos cofres públicos. Quem contou o milagre foi Gutemberg Cardoso.

Ainda em 2015, o então deputado federal, Pedro Cunha Lima destinou emendas parlamentares para a reconstrução do teatro da Juteca (Juventude Teatral de Cruz das Armas), localizado em João Pessoa, e que estava abandonado há quase duas décadas.

Ninguém sabe em que ribalta foi parar a grana do teatro.

O teatro atualmente é uma residência. Não restou nem um sinal do antigo teatrinho comunitário. A verba também sumiu.

Facebook, uma espécie de reality show virtual onde as mal amadas invejam as barangas desinibidas, as carentes metem o pau nas jaburus, os politicamente corretos atacam os “panacas reaças”, os tímidos postam fotos estranhas de remotas fantasias e os puxa-sacos puxam, evidentemente, os sacos de seus respectivos.

O que chama a atenção, mesmo, é o festival de hipocrisia em assembleia permanente em defesa da honra, da moral e dos bons costumes.

Na grande rede cibernética, lemos as cartas coletivas de um Brasil galinha caipira que só cisca pra trás.

Somos todos anti-heróis da canalhice, no fundo.

"O problema de ser jornalista é que você sabe que, a não ser um buraco de rua ou a previsão do tempo, quase tudo é contado mentirosamente." – (Xico Sá)

Estatisticamente, as mulheres dirigem melhor do que os homens. E esteticamente também.

Ouvi de um cabra em Itabaiana: "minha cidade tá encruada". Fui ver no Aurélio, encruado: que não cresce, não progride.

Hoje eu ia dar uma voltinha de bicicleta, mas achei melhor evitar. Não posso me contundir em plena Copa do Mundo.

Brecht escreveu: “Pobre do país que precisa de heróis”. O Brasil precisa do Neymar. É de lascar!

Em 1970, vi a Copa pela primeira vez em uma TV. Os gols daquela Copa eu vejo quase todo dia. Faz parte do imaginário de quem gosta do jogo de bola no pé.

Madame Preciosa promete correr nua pelas ruas se o Brasil ganhar a Copa. Torcida canarinha diminuiu muito depois do anúncio.

Dizem que a copa do mundo é como o sexo na vida dos ingleses: acontece de quatro em quatro anos e o resultado nem sempre é satisfatório.

“Quando Lula fala, o mundo se enche de luz”. – (Marilena Chaui, no auge da filosofia chaleirista)

A cantora Joelma passou a cantar música de crente que dá mais dinheiro.

"Professor não deveria fazer greve por aumento de salário. Nós, sociedade, é que tínhamos de fazer essa greve por aumento de salário dos professores. Nós somos os maiores interessados." – (Escritor Pedro Bandeira)

Manoel Gomes, o cantor da caneta azul, será candidato a deputado. E Toinho do Sopão, onde anda?

Por que o título Toca do Leão para meu blog? Sou pernambucano, uma região historicamente combativa e com espírito revolucionário.

Por sua bravura, Pernambuco foi a pedra no sapato da Coroa Portuguesa e de qualquer opressor.

Fizemos a Insurreição Pernambucana de 1645, a Revolução Pernambucana de 1817, a Confederação do Equador em 1824 e a Revolução Praieira de 1848.

O leão, como símbolo de força, bravura e soberania, encaixou-se perfeitamente para descrever uma província que rugia alto contra a tirania.”

“Portanto, quando alguém falar em **Leão do Norte, saiba que o "Norte" é uma herança da geografia antiga, e o "Leão" é o tamanho da coragem de um estado que nunca aceitou baixar a cabeça.” – (Página No Princípio era o Verbo)

Por sinal, hoje é o dia do Papa Leão III.

Esse Papa foi acusado de adultério. Sofreu atentado, tinha muitos inimigos. O Imperador Carlos Magno condenou todos os opositores do papa à morte. No entanto, o próprio Leão III retirou a sentença.

Quando morreu com 66 anos, foi considerado santo.

Matureia é a cidade mais alta da Paraíba, acima de 800 metros de altitude. Preciso visitar Matureia. Lá fica o pico do Jabre, a maior montanha paraibana.

Matureia tem 6 mil habitantes e recebe muitos turistas de aventura. Eu só desejo passear um pouco pelas suas ruas e dormir numa pousada, no frio do lugar.

A origem do nome da cidade deriva de "maturi" (o caju antes de amadurecer), devido à grande quantidade de cajueiros que existiam na região.

Paraíba é meu mundo e eu não conheço nem uma sexta parte dessa nação de cabras da peste.

Tijolinhos para o paraibano de Monteiro, Totonho, que ganhou o Prêmio da Música Brasileira 2026 na categoria Melhor Lançamento de Funk com o disco “Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato”.

 

VERSO DO DIA

   

 

Minha terra tem palmeiras

onde canta o tico-tico.

Enquanto isso o sabiá

vive comendo o meu fubá.

 

Ficou moderno o Brasil

ficou moderno o milagre:

a água já não vira vinho,

vira direto vinagre.

 

Minha terra tem Palmares

memória cala-te já.

Peço licença poética

Belém capital Pará.

 

Cacaso

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Itabaiana: onde a História nunca terminou

 


Existem cidades cuja importância se explica por um acontecimento decisivo. Outras são lembradas pelos monumentos que preservam. Itabaiana pertence a uma categoria diferente. Sua história não se concentra em um único episódio nem se resume ao patrimônio construído ao longo dos séculos. Ela se revela na continuidade de práticas, costumes e referências que permanecem presentes na vida cotidiana.

Situada no Vale do Paraíba, a cidade foi moldada por sucessivas gerações de indígenas, missionários, agricultores, comerciantes, artesãos, artistas e trabalhadores anônimos. As marcas dessa formação podem ser percebidas nas ruas, nas igrejas, nas festas populares e na maneira como seus habitantes se relacionam com o lugar onde vivem. Em cada família sobrevive uma lembrança; em cada geração, histórias que ajudam a compreender a cidade para além dos registros oficiais.

Em Itabaiana, o passado raramente surge como assunto distante. Ele aparece numa celebração religiosa, numa fotografia guardada há décadas, numa narrativa transmitida entre parentes ou numa referência que todos parecem compreender sem necessidade de explicação. A cidade não vive presa àquilo que foi, mas também não rompeu os vínculos com suas origens. É justamente nessa convivência entre permanência e transformação que reside uma de suas características mais marcantes.

Tudo começa pelo nome.

Poucas cidades brasileiras discutem sua origem com tanta persistência quanto Itabaiana. A controvérsia entre “Tabaiana” e “Ita-baiana” ultrapassa a questão linguística e alcança o terreno da interpretação histórica. Para alguns, o nome guarda a herança dos povos indígenas que habitaram a região muito antes da colonização. Para outros, sua origem estaria ligada a uma pedra avermelhada existente às margens do rio Paraíba. Nenhuma das explicações se impôs de forma definitiva. Ambas continuam circulando, alimentando uma discussão que atravessa gerações.

Talvez seja justamente essa coexistência de versões que torne a questão tão reveladora. Em vez de buscar uma resposta única, a cidade parece acolher diferentes leituras sobre si mesma. Como acontece com tantas localidades antigas, a memória coletiva preserva não apenas certezas, mas também dúvidas, interpretações e histórias que resistem ao tempo.

A presença humana organizada na região remonta ao período colonial, quando os jesuítas estabeleceram a Missão do Pilar, lançando as bases de um núcleo que ganharia importância crescente ao longo dos séculos. A criação da comarca, em 1864, consolidou a relevância administrativa e política da cidade. Mas os documentos e decretos contam apenas uma parte dessa trajetória. A outra encontra-se dispersa nas tradições familiares, nos arquivos religiosos, nas narrativas orais e nos costumes que continuam a ser transmitidos.

Quem percorre Itabaiana percebe rapidamente a força da religiosidade em sua formação social. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição não representa apenas um marco arquitetônico; constitui um espaço de encontro e continuidade. Desde o início do século XX, as celebrações dedicadas à padroeira reúnem famílias, renovam vínculos e reafirmam práticas que atravessaram diferentes épocas. Em torno dessas celebrações, a cidade preserva uma dimensão comunitária que continua a desempenhar papel importante em sua vida cotidiana.

Entretanto, reduzir Itabaiana à sua tradição religiosa seria ignorar outra faceta de sua história.

No início do século XIX, quando as ideias da Revolução de 1817 circularam pelo Nordeste, a cidade não permaneceu alheia às transformações políticas de seu tempo. Embora distante dos principais centros de decisão, absorveu debates que mobilizavam proprietários, comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores. As discussões sobre autonomia, representação e participação política deixaram marcas que contribuíram para formar uma sociedade atenta às mudanças sem abandonar completamente suas referências tradicionais.

Essa combinação entre permanência e renovação também ajuda a compreender a expressiva contribuição da cidade para a cultura brasileira. O cineasta Wladimir de Carvalho levou para as telas histórias que ajudaram a interpretar o país; Sivuca transformou o acordeon em instrumento de alcance internacional; Otto Cavalcanti e Abelardo Jurema destacaram-se na vida intelectual e pública. Tenente Lucena dedicou-se ao estudo e à preservação do folclore nordestino.

Entre todos esses nomes, porém, poucos se aproximaram tanto da experiência cotidiana do povo quanto Zé da Luz. Sua poesia nasceu da oralidade, da conversa comum, do humor, dos afetos e das pequenas observações da vida diária.

“Se um dia nós se gostasse,
Se um dia nós se queresse,
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse...”

A mesma vitalidade pode ser observada nas manifestações populares, nos festejos religiosos, nos encontros familiares e nos costumes que permanecem presentes no cotidiano da cidade.

Há também uma Itabaiana que dificilmente aparece nos registros históricos. Ela se revela na hospitalidade de seus moradores, na preservação dos laços familiares, na familiaridade entre vizinhos e na maneira como antigas referências continuam encontrando espaço em tempos de mudança.

Num período marcado pela rapidez das transformações e pela tendência à uniformização das paisagens urbanas, Itabaiana segue reconhecível para aqueles que a conhecem. Não porque tenha permanecido imóvel, mas porque soube incorporar mudanças sem romper completamente os vínculos com sua própria formação.

Quando a tarde desce sobre o Vale do Paraíba e o movimento das ruas diminui, torna-se mais fácil perceber que a importância da cidade não reside apenas nos fatos que protagonizou ou nas personalidades que revelou. Ela está também na maneira como diferentes gerações encontraram formas de conservar referências comuns enquanto construíam novos caminhos.

O visitante deixa a cidade levando consigo mais do que informações históricas. Leva a percepção de um lugar que atravessou transformações profundas sem perder inteiramente sua fisionomia cultural.

Talvez por isso Itabaiana permaneça na lembrança de quem a conhece. Não por prometer grandezas nem por recorrer a gestos de exaltação, mas pela coerência entre aquilo que foi e aquilo que continua sendo. Enquanto tantas paisagens se transformam a ponto de se tornarem irreconhecíveis, Itabaiana continua encontrando maneiras de permanecer ela mesma. E é nessa continuidade discreta, construída ao longo do tempo por milhares de vidas anônimas e algumas figuras memoráveis, que reside seu valor mais duradouro.

Palmerí H. de Lucena