sexta-feira, 20 de novembro de 2015

HORÓSCOPO DE MADAME PRECIOSA PARA 2016


Áries (21/03 a 20/04)
A constelação do Urso Gay indica o caminho: vá devagar e pela sombra, cuidado com a blitz do Bolsonaro e seu 2016 será pleno e completo de estrelas iluminando o céu azul de norte a sul e fim, porque senão a rima acaba no seu orifício anal. Lembre-se: as estrelas indicam, mas não obrigam. Dá se quiser.
Touro (21/04 a 20/05)
Sua situação continuará pecuária. Isto é: vida de bovino nos campos do Senhor. Coisa de ter que latir no quintal pra economizar cachorro. Apesar da pobreza de Jó, você terá um sonho, que o sonho é a única coisa que pobre pode ter sem comprar. No seu sonho, a Presidenta Cai Não Cai criará a Bolsa Banco. Cada brasileiro terá direito a um banco. De praça. Você pode morar na parte de cima e alugar a parte de baixo para outra família mais lascada.
Gêmeos (21/05 a 20/06)
O trânsito de Saturno em Sagitário causará o efeito Dilma, que desequilibrará os pratos na balança. Cuidado com o fiscal do Procon. Não seja sociável, aberto e caloroso demais que dá na vista. Negócios podem dar lucros ou não. Dependem da energia cósmica ou da condescendência da polícia.  
Câncer (21/06 a 21/07)
Teremos uma Revolução Solar no Brasil em 2016. Portanto, Câncer, não se exponha muito ao sol, senão dança. Controle suas emoções e só cometa suicídio coletivo se conseguir a adesão de, pelo menos, mais três imbecis em nome de Ala Ursa. 
Leão (21/07 a 22/08)
Amor favorecido, abrindo novas possibilidades de você conhecer uma fêmea madura, arrojada, avantajada, revigorada e amojada para fins de tretas sentimentais, na pessoa da mestra do Tarot que vos aconselha. Sou do signo de Virgem, ardente, apaixonada e, na medida do possível, fiel. (Sonsinho é minha testemunha de alcova).
Virgem (23/08 a 22/09)
Você perderá a virgindade em 2016, conforme prevê o Almanaque Preciosa, e se sentirá livre porque é o hímen mais inútil do que rabo de cabra, que não espanta as moscas nem tapa o cu.
Libra (23/09 a 22/10)
Libra esterlina continuará valorizada na Europa, enquanto seu signo desce a ladeira. Geralmente, librianos pensam que são alguma coisa na ordem do dia, mas só pretensão e água benta. Segundo uma profecia do século XXII, os librianos governarão o mundo através de uma profetisa chamada Sandra Rosa Madalena. Se o seu nome é Sandra Rosa Madalena, pode se preparar pra pegar no cetro, e balançar.
Escorpião (23/10 a 21/11)
Escorpião é um signo muito suspeito porque costuma atacar com o rabo, o que o credencia para ser aluno do curso de mudança de orientação sexual do pastor Malafalsa. Terá muito sucesso ao publicar uma revista de fofocas gospel, “Regras de etiqueta para surubas gospel” e o “Livro de receitas do Mestre”.
Sagitário (22/11 a 21/12)
Se você se empenhar bastante, vai conseguir ter seus dias contados. Devido à sua mega homofobia, poderá sofrer atentado do grupo terrorista Cagay (Comando Armado Gay). Na próxima encarnação, você voltará como Madame Preciosa depois de aposentada por tempo de calçada.
Capricórnio (22/12 a 20/01)
Marte, Netuno, Júpiter e Plutão regerão seu destino em 2016 com os nomes de “esposa”, “patrão”, “governo” e “agiota” respectivamente. Voltaremos em dezembro para lembrar: “eu não disse? Deu merda!” Sua pedra é pedra hume e sua cor é amarelo diarreia.
Aquário (21/01 a 20/02)
Se a vida te deu limões, peça o gelo e a pinga. Sinto muito, mas a verdade é que em 2016, você vai botar a alma à venda e não vai aparecer nem um pobre diabo pra botar preço. Em delação premiada, os astros não mentem jamais.
Peixes (21/02 a 20/03)
Pisciano, você deu errado como se humano, mas pode ainda tentar ser um boto tucuxi. Boto tucuxi é peixe? É possível você se transformar em um “olho que nada vê e tudo sonda”, mas vai doer muito no dia seguinte. Enfim, 2016 será um ano sem vergonha na cara e sem água pra lavar o toba, para a galera de Peixe.


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Biu Pacatuba foi parar na sala de aula

Ontem, 19 de novembro, dia do poeta de cordel, recebi uma mensagem da professora Valéria Santos, que mora no Recife. Ela conta que no dia 24 de novembro, próxima terça-feira, estará na cidade paraibana de Princesa Isabel para se submeter a concurso para professora do Instituto Federal de Tecnologia. Ela vai ministrar aula sobre literatura de cordel no contexto histórico, e me pede exemplares do folheto “Biu Pacatuba, um herói do povo paraibano”. O tema do folheto será usado para dar respaldo à sua aula sobre camponeses e repressão no campo durante a ditadura civil-militar.

Enviei o material e aqui aproveito a deixa para refletir sobre a importância da literatura de cordel no ensino da história, por exemplo. E mandar meus cumprimentos, com votos de admiração, para meu confrade Pádua Gorrion, professor em Itatuba, mestre cordelista e exemplo admirável de educador que faz integração escola-cultura.

Belchior já dizia: “Não estou interessado em nenhuma teoria”. Nem eu. Quero é saber da prática, do fazer na tora, sentindo que somos responsáveis pela continuidade dessa arte de fazer versos com gostinho da cantiga popular, contando histórias antigas e novas, fazendo rir, mostrando os dentes simplórios e construindo seus marcos imortais. Novos estudiosos estão teorizando sobre o cordel, livros estão sendo escritos e reescritos, perguntas e respostas estão aparecendo, junto com novas questões tais como: se o cordel saiu da feira, por que atracou na nave ultramoderna da internet? Enfim, se a internet é o penico do mundo, como quer o ex-alternativo Fausto Silva, o cordel é a fertilidade nessas quebradas, como uma espécie de poesia newage a fermentar o recheio dessas fezes.

Talvez a maior prova de que o cordel não morreu e, muito pelo contrário, está mais vivo, é uma professora largar seus livros de história e buscar no folheto o reforço didático para falar de nossa história recente. Certamente, ela sabe que ler cordel com os alunos é muito mais aprazível do que estudar súmulas enfadonhas. Eu sei que é difícil de acreditar, mas o mundo do conhecimento não gira só em torno da erudição acadêmica. Pode passar pela literatura de cordel e sua diversidade de ligações entre fatos históricos, culturais e sociais, com a dinâmica com que a linguagem poética se transporta no tempo, na geografia e nas dimensões entre o real e o imaginário.

Enfim, é muita honra para um pobre marquês circular na escola, como instrumento vivo da difusão do saber.

Galera do "faz de conta" vai subir a serra do Teixeira, no alto sertão da Paraíba




“Deus ama a quem contribui com alegria” (Coríntios, 9:7). Assim veio o fecho do convite que recebi de dona Dedinha, espécie de porta-voz do movimento social de Tavares, uma cidade que tem 14 mil habitantes, no alto da serra do Teixeira, distante 429 quilômetros da capital da Parahyba do Norte. É para eu fazer capacitação para jovens que trabalham como voluntários na Rádio Comunitária São Miguel FM nos dias 05 e 06 de dezembro vindouro. Mesmo sem ser corintiano nem católico, aceitei visitar essa terra fundada por um padre, Francisco Tavares, por volta de 1870.

O site da Rádio São Miguel diz que ela tem 17 anos de existência, e que “jamais se deixou subordinar ao domínio, comando ou orientação de qualquer outra entidade, conservando dessa forma sua autonomia e objetivando a efetivação de um jornalismo e de uma programação imparcial, a serviço da vida e da esperança e pautada nos princípios de respeito à pessoa humana e, portanto, da não discriminação de raça, religião, sexo, preferências sexuais ou convicções política-ideológica-partidárias!”.

Foi meu compadre velho baiano Dalmo Oliveira quem me indicou, e lá vamos nós na caravana da Rádio Zumbi dos Palmares para mais uma jornada de treinamento de futuros comunicadores, olhando com espanto essa Paraíba velha de guerra, seus sertões, suas serras, seu povo rico de tradições e de imensa solidão geográfica, social e econômica.

Em Tavares, mostraremos o filme “Feminino plural”, documentário-ficção que aborda as rádios comunitárias do ponto de vista das mulheres. As filmagens foram feitas em locações na periferia de João Pessoa, capital da Paraíba, com direção de Rodrigo Brandão e fotografia de Jacinto Moreno para roteiro de Fábio Mozart. Muitos depoimentos dos que fazem e ouvem as rádios. Uma comunidade luta para não ser calada pela repressão do Governo, que fecha violentamente a rádio comunitária do bairro Jardim Veneza.  


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Somos eternos aprendizes de como fazer versos suportáveis

A vida pode ser um eterno jardim de infância
Não deixamos de ser criança...
Quando passamos á fase adulta
Nela também há muitas dúvidas.

Dançamos conforme a música,
Mas, não tomamos mais, tantos banhos de chuva,
Como nos tempos de outrora,
Também não jogamos mais bola, num campo de areia...

Nem brincamos com pião, carrinho de rolimã e bolas de gude
Tampouco soltamos pipa e, atiramos de baleeira
Ou confeccionamos bonecos de barros, retirados na ladeira.

Lá, na casa de número 09 – antiga residência de minha família,
Na Rua João Feliciano de Luna – beira da linha,
Vivi sem sombra de dúvidas, os melhores anos de minha vida.

Adilson Adalberto


Caro amigo Adilson: essa redação é uma dissertação, não chega a ser um trabalho poético. Você pode também fazer poesia em prosa, mas nesse caso não é também poesia em prosa.

Poesia precisa ter harmonia, ritmo e jogo de palavras. Nos versos livres, o autor não segue nenhuma métrica. O autor tem liberdade para definir o seu próprio ritmo e criar as suas próprias normas. Esse tipo de poesia é também designada por poesia moderna, na qual se destacam elementos do modernismo.

Na poesia, o autor mais sugere do que define as ideias e imagens que ele quer passar. Se quer falar de infância, ele sugere essa ideia, e não descreve como você o fez.

Um grande poeta espanhol, Frederico Garcia Lorca, disse sobre essa arte: "A poesia é a união de duas palavras que ninguém poderia supor que se juntariam, e que formam algo como um mistério". Poesia é você surpreender o leitor com uma ideia nova, unindo palavras e formando frases que sejam impactantes pela forma imaginosa com que você utilizou essas palavras. Enfim, poesia é criatividade em estado puro. Requer muita leitura, não só de poesia. Precisa ler muito e ter sensibilidade para jogar esse jogo de palavras que encanta.

Poesia é metáfora. É a comunicação do artista com seu leitor através de códigos que só as pessoas sensíveis e inteligentes conseguem decifrar. Também pode ser uma poesia dita popular, sem muito refinamento intelectual, mas que possa transmitir beleza com ritmo e inventividade.

É como eu digo e volto a dizer: você tem talento que falta burilar. Um dia vai descobrir o sentido da poesia e vai encontrar um mundo arretado de gostoso de se explorar.





 


 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Cordelista lança folheto no sesquicentenário de Leandro Gomes de Barros em Pombal

O cordelista Fábio Mozart, da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, lançará seu trabalho “A peleja de Fábio Mozart com Sander Lee na feira de Itabaiana” no dia 19 de novembro, quinta-feira, na cidade de Pombal, por ocasião das comemorações dos 150 anos do poeta Leandro Gomes de Barros. Na ocasião, a Empresa Brasileira de Correios estará lançando selo personalizado, comemorativo pelo sesquicentenário de Leandro, pombalense considerado o precursor da poesia de cordel.

Fábio Mozart, pernambucano radicado na Paraíba há mais de 50 anos, é autor de vários trabalhos em cordel, entre eles o “Biu Pacatuba, um herói do povo paraibano”, que recebeu o Prêmio Patativa de Assaré do Ministério da Cultura.

O ano de 1893 é apontado como marco inicial da literatura de cordel no Brasil, com a publicação dos primeiros folhetos de Leandro Gomes de Barros, nascido em 19 de novembro de 1865, na fazenda Melancia, em Pombal, Paraíba. Radicado no Recife, Pernambuco, instalou tipografia e passou a publicar seus folhetos.  Compôs obras-primas que eram utilizadas em obras de outros grandes autores, como por exemploAriano Suassuna, que utilizou a história do cavalo que defecava dinheiro no seu "Auto da Compadecida". Segundo Carlos Drummond de Andrade, "Leandro foi o rei da poesia do sertão e do Brasil".

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Rádio maluco beleza


O Estado Maior dos Sem Noção estará reunido hoje à tarde para mais uma sessão de gravação do Multimistura, uma aula sobre como matar o tempo sem remorso. Trata-se de timecídio em regime de mutirão. (Timecídio é o crime de assassinato do tempo). Bobalhão é meu ovo esquerdo. Já tem fila de gente grande pra participar do programa, sob a batuta do confrade Beto Cigano, rapaz que tem uma líquida carreira pela frente. No comando dos botões da máquina de fazer besteira, o camarada baiano Dalmo, homem de fé, de batuque e de amizade. Na retaguarda com o apoio logístico de casa e comida e mel de tubiba, o coordenador Velosão, um brodão (brode é irmão em inglês, e brodão, claro, é irmãozão).

Trata-se da quintessência do besteirol elevado ao quadrado. “Confessamos que no início ficamos meios neurastênicos”, explicou Beto Cigano, mexendo com o dedo sua dose de Matuta com limão. “Mas quando, finalmente, o aloprado Mozart bateu o centro e começou a grunhir os primeiros acordes de abertura do Multimistura, os locutores debatedores que ainda se encontravam macambúzios levantaram a cabecinha e a besteira comeu no centro”.

Espera-se a presença do músico pernambucano Gilberto Júnior e seu som diametralmente oposto, constituído de ruídos de microfonia com ligeiras batidas de maracatu do baque solto, com os guerreiros de lança correndo atrás da Calunga e de uma lombriga colorida, símbolo de um timeco de subúrbio que é a coqueluche dos descamisados.

O som rasgado dos instrumentos desencontrados dessa banda de metal ouro de tolo disputa na raça o primeiro lugar nas paradas de ônibus do Geisel/Epitácio depois de meia noite, hora do vampiro maluco chupar canudinho de beque central e ver assombrações tipo 200 dançarinas totalmente peladas fazendo lap dance, bundalelê, quadradinho do oito e a dança da boquinha da garrafa nas ruas escuras do conjunto do pastor alemão Geisel que dançava funk pancadão com Dilma e Lula do PT.

Aproveitando a lambança, os cuspidores de microfone de caraoquê da Rádio Web Zumbi vão fazer uma espécie de Halloween radiofônico em que não faltarão monstros sagrados, papangus, vampiros e zumbis. “A ordem é tocar terror com as melhores intenções, discutir bobagens e inventar algumas mentiras de fontes não reveladas, mas tudo com bom humor que o imperativo principal é se divertir”, explicou o médium cardecista anarquista exorcista Dalmo de Ogum.

Sim, e a disque jóquei atende pelo nome de Madame Preciosa, especialista em Rock and rolla.


domingo, 15 de novembro de 2015

POEMA DO DOMINGO

Arnaud Costa, Chico Veneno, poeta Neco Friso e o deputado Teotônio Neto, fundador do jornal Correio da Paraíba)

Chico Veneno, o homem que intoxicou a burguesia - (2ª parte)

Uma pátria igualitária
Sem rico ou pobre de Jó
Cujo espelho era uma ilha
Sem ser a de Marajó
Sendo Chico o comandante
Na guerra de um homem só

Porque poucos se arriscavam
A sonhar com essa porfia
Na terra dos coronéis
Em cuja ideologia
Quem disputar seu poder
Vai morar na cova fria.

Chico entrou para o Partido
Comunista Brasileiro
Com a missão de acender
E espalhar o braseiro
Da doutrina igualitária
Onde era seu terreiro.

Só que nesta região
Do vale do Paraíba
O clã dos Veloso Borges
Mandava em baixo e em riba
“O eleitor pobre apanha,
O rico morre ou arriba.”

Contra tal dominação
Chico levantou a fala
Andava pelos roçados
Carregando numa mala
Os livros do stalinismo
Doutrinando a “senzala”.

Isso despertou o ódio
Do patrão, do usineiro
E do latifundiário
Provocado em seu terreiro
Pelo Chico “agitador”
Espalhador de braseiro.

Em entrevista comigo,
Unhandeijara Lisboa
Disse que a fama de Chico
Entre a massa era boa.
“O rapaz tinha carisma,
Ele não foi líder atoa.”

Portanto, a fera assanhada
Com medo do horizonte
Vendo Chico e os “sem camisa”
No seu tom esquerdizante
Pedindo reforma agrária
Procurou matar na fonte

Aquela grave ameaça
E sua ação abusiva
Foi então que os militares
Assumiram voz ativa:
Implantaram a ditadura
Em ação muito agressiva.

Isso em 64
Veio o verdugo e algoz
Da frágil democracia
Deixando todos sem voz
Quem insistisse na luta
Tinha destino atroz.

Porém Chico, incansável,
Com gênio de carrapato,
Não deixou o seu combate
Ainda andava no mato
Construindo a resistência
Porque a guerra era um fato.

Travando luta constante
Fundou até um jornal
Era o “Evolução”
Para combater o mal
O golpe liberticida
Do gorila general.

Entrou no MDB
Partido de oposição
Brigando com a Arena
Fazendo provocação
Denunciando as mazelas
No jornal “Evolução”.

Foi quando as forças armadas
Prenderam Chico Veneno
Apesar de mil suplícios
Sempre esteve sereno
Jamais delatou alguém
Não fez sequer um aceno.

As torturas suportadas
Não abalaram a moral
Chico voltou para a luta
Com fé no seu ideal
De libertar o seu povo
Da opressão e do mal.

Professor Israelzinho
Que dele foi camarada
Nos conta que Chico, preso,
Foi de uma firmeza danada:
Por mais cruel o suplício
Ele não falava nada.


(Do folheto inédito “Chico Veneno, o homem que intoxicou a burguesia”, de Fábio Mozart – Continua no próximo domingo)