sábado, 1 de setembro de 2012

A galinha Rafinha, o cavalo Motor e outros momentos bovinos


Na cidade de Patos, dona Genecina Oliveira entrou em depressão quando encontrou morta sua galinha de estimação, a Rafinha, que dormia com mosquiteiro e ventilador e só tomava banho com sabão de coco. O enterro de Rafinha teve a presença do prefeito da cidade, Nabor Wanderley. Comovido, o prefeito chorou ao pronunciar o discurso fúnebre. O caso repercutiu no país inteiro. Todo mundo riu desse nosso momento bovino, aliás, galináceo.

Uma prezepada puxa outra. Eunice Lemos Jekiel era uma paraibana que passou 22 anos morando nos Estados Unidos. Tanto tempo vivendo longe do paraíso da estupidez, esqueceu de falar a língua portuguesa. No dia 17 de agosto de 1965, a moça chegou em João Pessoa e foi tomar seu uísque no restaurante “Cassino da Lagoa” com algumas amigas americanas. Foi presa pelo delegado da “ordem política e social” por estar falando língua estrangeira em público. Talvez fosse comunista, acusação muito em voga naqueles tempos bovinos. O próprio governador Pedro Gondim teve que ir à delegacia soltar a moça e passar uma descompostura no bovino delegado. 

O inverso ocorreu com o governador Tarcísio Burity, aliás, com sua esposa, Glauce Burity. Consta que um bêbado abusado invadiu o bar de Beata, no bairro dos Novais em João Pessoa, detratando a dona e bebendo sem pagar a conta. Levou dois tiros nos cornos e foi pastar nos campos do Senhor. Beata foi presa e logo solta por força de Habeas Corpus impetrado pelo advogado Arnaud Costa. A mulher da vítima foi se queixar a dona Glauce, de quem era correligionária e amiga. A Primeira Dama não contou história: mandou um recado para que o Secretário de Segurança prendesse imediatamente a acusada, com Habeas Corpus e tudo. Foi necessário outro requerimento dirigido ao Tribunal de Justiça para que a ordem legal fosse restaurada. Beata é irmã do meu compadre maestro Josino Mendes que não me deixa mentir.

Em Itabaiana do Norte, delegado invadiu teatro e interrompeu representação da peça “Hoje a banda não sai”, onde um personagem puxava da perna, defeito físico que atormentava a autoridade policial. Esse nervoso delegado deu tanto tiro e bateu em tantos que a cidade deixou de ter população e passou a ter sobreviventes. 

Na cidade de Juarez Távora, o prefeito nomeou como auxiliar de gabinete seu cavalo de estimação que atendia pelo nome de Motor. No final do seu mandato, o prefeito decretou a aposentadoria compulsória do funcionário cavalar. 

Voltando à estimada cidade Itabaiana do Norte, diz que um juiz de Direito convocou os amigos para uma grande festa para comemorar aniversário de casamento do Meritíssimo no Bar do Carioca, na Rodoviária. No final da farra, pediu a conta e botou no bolso do paletó de João da Padaria, pequeno empresário local. O mestre panificador quitou a dívida em dez prestações e nunca mais passou na porta do Juiz. 

Na cidade de Mari, outro delegado, com sangue de boi nas veias e cheirando a capim, mandou ofício para a Liga de Futebol comunicando que deixava de enviar soldados para garantir os jogos do campeonato local “porque o estádio não oferece segurança à Polícia”.

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