quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Artista paraibano lança música baseada em obra de Fábio Mozart


O cantor, compositor e poeta Beto Cajá (foto) apresentará em primeira audição pública a música “Abelha de mel”, a partir de poema de Fábio Mozart publicado no livro “Laranja romã”, durante o lançamento da obra neste sábado, 22, em Itabaiana, no Sarau das Almas, às 20 horas. “Inspirei-me no belo poema de Fábio e é uma honra ser seu parceiro nessa empreitada artística, mesmo porque estou construindo meu repertório baseado em textos de poetas paraibanos, transitando pelo que de melhor existe na poesia atual”, afirmou Beto Cajá.

Com a provável presença do Secretário de Cultura da Paraíba, poeta Lau Siqueira, o lançamento do livro “Laranja romã” marcará a posse da nova diretoria da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, cujo presidente, Marconi Araújo, demonstrou a satisfação de assumir três dias depois que o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) reconheceu oficialmente a literatura de cordel como Patrimônio Cultural do Brasil.

O evento programa ainda intervenções artísticas do ator Bento Júnior, poeta Pádua Gorrion e o violeiro Gilmar de Oliveira, de Cajazeiras. A atriz e cantora Das Dores Neta, de Itabaiana, também cantará música baseada nos poemas de Fábio Mozart.

A noitada cultural servirá também para empossar os poetas Bento Júnior, Lino Sapo e Vicente Nascimento como membros efetivos da Academia de Cordel do Vale do Paraíba.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Ninho de rolinha roxa com tons violáceos de poesia natural




O poeta Lau Siqueira confessa que tirou o dia ontem para observar passarinhos. “Cuidar do que há de mais delicado me agrada. Em todos os sentidos...”, disse Lau. Por acaso, também me flagrei nessa atividade nos últimos dias. Um casal de rolinha-roxa começou a construção do ninho na beirada da casa, preparando a próxima geração. O local anda bagunçado, com muitos galhos no chão, folhinhas e outros materiais de construção de ninhos urbanos. Normal num canteiro de obras.

Na qualidade de observador, fui me instruir sobre ninhos de rolinhas. Soube que o casal mantém um território de ninho, afastando as outras rolinhas ou pássaros invasores como os pardais. Os ninhos são pequenas tigelas de ramos e gravetos. Postura de dois ovos, chocados pelo casal entre onze e treze dias. Nossa família emplumada deverá terminar a gestação em treze dias que é um número cabalístico e remete a um time de futebol muito relevante. Depois de duas semanas de vida, os filhotes abandonam o ninho com o único objetivo de iniciar novas ninhadas e pôr um pouco de poesia na vida das pessoas, quando as condições ambientais e emocionais permitem. De quebra, ainda equilibram as coisas com seu papel na cadeia alimentar.

Até recentemente, acreditava-se que a construção de ninhos era uma habilidade inerente, mas estudos recentes sugerem que as aves podem aprender e melhorar. Passarinhos já fazem ocupação de cinzeiros, caixas de correspondência, lamparinas, semáforos, sapatos, em carros parados nos estacionamentos, postes de luz, vasos de jardim, pneus e câmeras de segurança. Notável aquele passarinho que fez seu ninho em cima da casinha preparada para ser o lar do casal. Provavelmente o ninho artificial não passou pelo teste de qualidade.

Enfim, as alegrias da nidificação. De talo em talo, nosso casal de rolinhas vai dando continuidade ao mundo que é grande, as rolinhas voam pra lá e pra cá, e esse casal escolheu nossa biqueira de casa para procriar. Essas criaturinhas, presumidamente com sua inteligência instintiva, perceberam que aqui faz ninho um casal ditoso e bem-aventurado nas aventuras do apego e bem-querença. Lembrei de Sérgio Porto: “Hoje, quem me vê não diz que eu já morei numa casa onde as cotovias fazem ninho. No telhado da varanda, durante anos e anos, elas se hospedavam, para alegria nossa e inveja dos outros garotos da redondeza.” Passarinho não faz ninho onde mora a desafeição. Vide verso do poeta Zé Vicente da Paraíba:

Admiro demais o beija-flor
Que com medo da cobra inimiga
Só constrói o seu ninho na urtiga
Recebendo lição do Criador.


domingo, 2 de setembro de 2018

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Leitor responde poeticamente aos poemetos de domingo



Um pisca-pisca inteligente em cada verso
O texto, eu diria, uma usina de sabedoria
Até tive vontade de fazer um poema
mas descobri, agora, que meu maior problema
é achar a chave, na hora, entre essas sete chaves.
Ah, acho que achei!... Abri caminhos por teu mar semântico...
Vejo mulheres que se banhavam nuas
em suas praias, correndo nas ruas, em pânico.
Vejo que somente homens acompanham e se esfregam
no recém-chegado Bolsatânico,
que vai trocar nosso Atlântico pelo Pacífico,
além de levar todos os negros pra se banharem
somente no Mar Negro.
Isso até dignifico. Uma atrocidade com aparência
de autenticidade, todavia, a paz: negros nunca mais.
O Brasil, assim, ficará bem melhor. ...
Também vai trocar o rio Amazonas por um ensanguentado
Mar Vermelho. Mais um destrambelho.
E, o que é pior, com o seu raciocínio torto,
vai açucarar todo o país com as salgadas lamas do Mar Morto. 
Bandido bom é bandido morto.
Índio bom é índio morto.
Negro bom é negro morto... Quanto à mulher,
ele não se importa, ou não suporta: é folha morta;
é coisa morta; é erva daninha em sua horta...

Fernando Freire (João Pessoa/PB)

POEMA DO DOMINGO



A chave do poema
guardou a sete chaves
bestice extrema

Oh, mente fútil!
vota no Bolsa
inocente inútil

Não te seduz
sonhar comendo em Paris
ovo com cuscuz?

No mar semântico
sou um homem Pacífico
às vezes Atlântico

Compor um poema é animal
pode acender uma usina
ou pisca-pisca de árvore de Natal.

F. Mozart