terça-feira, 14 de agosto de 2018

Cordelista itabaianense lança novo cordel sobre política



O cordelista Fábio Mozart, da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, prepara novo cordel a ser lançado neste mês. O lançamento do folheto “Peleja dos vermelhinhos contra o dragão do atraso” será realizado em diversas cidades paraibanas, durante encontros políticos, já que se trata de exaltação a três candidatos para a próxima eleição: Luiz Couto, Frei Anastácio e Dalmo Oliveira. “Utilizo a linguagem da cultura popular para falar de três amigos que são agentes políticos e possuem uma personalidade íntegra. É meu modo de dizer que acredito na boa política e nos homens de bem que ainda resistem neste meio”, afirmou.

O cordel terá uma tiragem recorde em sua primeira edição, com 20 mil exemplares que serão distribuídos gratuitamente. O número já leva alguns cordelistas a considerarem “Peleja dos vermelhinhos contra o dragão do atraso” como a maior tiragem de um folheto na Paraíba.
A capa do folheto é de autoria de Sérgio Ricardo, o Sérgio Piaba, artista gráfico bastante conceituado na Paraíba pela qualidade dos seus trabalhos, especializado em design gráfico. Sérgio Piaba é responsável pelo site “DiarioPB”, um dos mais acessados da região.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018



Debatedores do MULTIMISTURA dividem-se em direita, esquerda e hospício. O debate foi mais animado do que o confronto dos candidatos na Operação Bandeirante.
BLOCO 1

BLOCO 2
BLOCO 3
BLOCO 4



domingo, 5 de agosto de 2018

POEMA DE DOMINGO




Levemente depravado
levita inconsciente
o anjo enrouraçado

Não era uma vez
um conto de fodas
de extrema gravidez

Desconfiado de Deus e da ciência
morreu com um pé atrás
ponto final com reticência...

Um artista visual
sem visibilidade
não usa bifocal

Envolveu em lã
os restos da noite
que sujam a manhã.

Sem mais literatura
escritor lamenta
sua brochura.

Alheio ao domingo
o céu tristeza
de pingo em pingo.

Na cabeça um estribilho
o poeta espera
no mínimo um filho.

Podridão contida
meretriz moureja
na puta vida.

Santa incoerência:
em casa de saúde
mora a doença.

Dedicou-se à agonia
desfalece à noite
pra morrer de dia.

F. Mozart

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Para que serve uma academia de letras matutas?


 
Poetas reunidos para eleger Marconi Araújo na Academia de Cordel do Vale do Paraíba


Eu e meus compadres Sander Lee e Thiago Alves criamos uma academia para agrupar os chamados poetas de gabinete, escritores da literatura de cordel. “Uma academia é tão inútil quanto astrologia”, garante o despeitado Maciel Caju. Trata-se de uma entidade literária destinada a realçar a vaidade dos seus membros e distribuir medalhinhas a troco de repercussão na imprensa especialista na promoção de futilidades. O técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo e o jogador Ronaldinho Gaúcho receberam a Medalha Machado de Assis, honraria máxima da Academia Brasileira de Letras, deduzindo-se que o “gol de letra” anda mais apreciado do que as letras propriamente ditas na ABL.

Corrigindo aqui um erro histórico: o General paraibano Aurélio de Lira Tavares não foi admitido na Academia Brasileira de Letras por ter apenas escrito o Ato Institucional nº 5, cujo texto apresenta 135 erros de português. O general Tavares é autor de sonetos e quadrinhas publicados na revista Fon Fon, sob o pseudônimo catita de “Adelita”.

Monteiro Lobato era racista e misógino. Escreveu crônica estraçalhando uma academia de letras formada por mulheres no Rio, no começo do século vinte. Certamente “Adelita” não teria sido aceita nessa Academia. Monteiro cita uma tal Madame Linange: “Academia é uma sociedade cômica onde se guarda o sério”. As “damas de letras” eram escolhidas conforme os critérios de um tal Guizot, francês da Academia de Letras da terra de Napoleão: “Voto no senhor X porque ele possui todas as qualidades de acadêmico. Veste-se bem, escova os dentes, conta boas piadas, conhece vinhos, é polido e não tem nenhuma opinião. É verdade que nunca publicou uma obra. Mas, o que querem vocês? Não há ninguém perfeito...”
Voltando à nossa academia matuta, dos quarenta membros efetivos, seis são mulheres. Num universo machista como a literatura de cordel, já é um avanço. 

Temos apenas um critério para adoção de novos membros: não devem ser gravibundos e meditabundos. Traduzindo: não se levam a sério e apresentam sólida crença de que poeta de folheto de feira  é um senhor de cabeça branca com chapéu de massa, já velho e que nunca saiu da idade pueril. Seu material de trabalho frequentemente é o riso, o motejo e os versos de escárnio. Entretanto, não queremos ser uma instituição inerte, que só serve para promover encontros sociais e distribuir homenagens estéreis. Desejamos ser capazes de promover projetos de valorização do gênero cordel, defender a liberdade de expressão e procurar formar parcerias técnicas e operacionais para editar nossos poetas, assistindo e apoiando seus projetos artísticos. Assim pensa o novo Presidente, Marconi Araújo, eleito neste 27 de julho de 2018. Almejo uma boa gestão, pautando projetos para desenvolver as potencialidades dos artistas que compõem a Academia, uma espécie de sindicato de cordelistas.   







domingo, 29 de julho de 2018

POEMAS DO DOMINGO




Perdi o bonde da história
Cheguei atrasado e mal
Mas fixei na memória:
O destino é pontual

Com conhecimento de causa
O bicho-preguiça
Fez uma longa pausa

Nas minhas retinas
Catarata interrompe
Cenas fesceninas

Nas profundezas do decote em V
Dorme a libido emancipada
Que até cego vê

Sob a blusa côr-de-roda
Há ninfo-literatura
Em verso e prosa

O poeta quase assexual
Vê a ninfa seminua
E não passa mal

Com rara maestria
Eclipse roubou a lua
À luz do dia

Tem o estranho costume
De assentar suas bases
Sobre inacessível cume

Tão fora do normal
Como um galo saudando
A aurora boreal

O popular mirou a populaça
Rangeu os dentes
E saiu à caça

Mistérios da vida
Não autuarem o câncer
Como homicida

Seguro de si
O cão mirou no ditador
E fez xixi


sábado, 28 de julho de 2018

"Laranja romã" foi oficialmente lançada

Eu com a atriz Das Dores Neta no lançamento do livro


No lançamento do meu livro “Laranja romã” eu falei que a obra é da Fundação de Cultura de João Pessoa através do Fundo Municipal de Cultura, que agradeço pela atenção e cortesia de ter escolhido esse meu livrinho pra constar na seleção do edital público de incentivo à cultura na cidade de João Pessoa. A obra foi produzida com dinheiro público e eu repasso de graça, porque já dizia J. Cristo: “De graça recebestes, de graça dai”, tá lá no evangelho de Mateus.

No dia do lançamento, nesta sexta-feira 27, no Centro Cultural Ariano Suassuna, em João Pessoa, eu afirmei que o livro é de Jandira Lucena, que fez a capa e a revisão, parceira em aventuras artísticas há quarenta anos.

Ofereci também o livro à minha vó Joana Cândida da Costa, dona Joaninha, que hoje é nome de rua na cidade de Itabaiana do Norte. Dona Joaninha, minha avó, era analfabeta, mas amava folheto de feira. Toda semana ela mandava comprar um monte de folhetos que eram lidos na calçada, à noite, na Rua Santa Cecília. Reunia os vizinhos, a família, e a gente viajava nas lindezas da literatura de cordel. Eu me alfabetizei lendo folheto, foi minha carta de ABC. Depois que eu aprendi a ler, fui escalado pra ser o ledor dos folhetos. Aí eu já me animava até em efeitos especiais. Nas histórias de cangaceiro, por exemplo, eu dava até uns tiros.. pá...pá...pá... e coisa e tal... Virei amante da literatura de cordel. Eu menino já pensava: um dia vou escrever meus próprios folhetos. De lá pra cá já escrevi uns 500.

Este livro, que é o terceiro de poemas que botei no mundo, eu também quero que seja do meu pai Arnaud Costa, já falecido. Meu pai era operário autodidata, lia muito, escrevia crônicas, poesia. Quando eu tinha uns 10 anos ele me deu um livro pra ler. Lembro que a primeira palavra do livro era “merda”. Aí eu fiquei confuso, meio assombrado. “Pai, que danado de livro é esse que já começa com palavrão?” Aí meu pai disse: “Merda é uma palavra como outra qualquer, eu sei que você inclusive fala muito essa palavrinha e leva tapa na boca quando sua mãe ouve”. Ele explicou sobre o poder da palavra escrita. Escrever te vira ao avesso. E ler mais ainda. Aprendi que o texto tem a força de revelar nossa miopia ideológica e nossa censuras conceituais. O fato é que aquele livro de contos, que nem lembro o autor, foi que despertou em mim o desejo de escrever contos. Passei a vida toda tentando, nunca escrevi um conto que prestasse. Até produzi em mimeógrafo um livro de contos que depois queimei, com medo de morrer e alguém encontrar aquele material imprestável e manchar meu bom nome.

Depois mudei a cabeça pra poesia. Confesso que achei mais fácil escrever as marolas do meu pensamento pela via poética. É só arrumar umas palavrinhas, montar com ritmo o jogo de palavras, articular com certa dinâmica uma pré-ideia que o leitor inteligente vai e completa, e refaz, e até ultrapassa as articulações mentais do autor.

Nesse lançamento eu tive a satisfação de contar com minha amiga a atriz Das Dores Neta e seu marido Carlos, que vieram de Itabaiana especialmente pra cantar a música Pátria Armada, que é um poema meu musicado pelo meu comparsa de rádio comunitária e poeta Hugo Tavares, paraibano radicado no Rio Grande do Norte e faleceu há uns cinco anos. Obrigado, Das Dores Neta, pela consideração, pela lealdade, pela perseverança na arte, com nosso Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana, comemorando 42 anos de fundação.