terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Você sabe o que é mangaio?


O Google que tudo sabe garante que mangaio significa órgão sexual masculino. “Um homem bêbado mostrou o mangaio para a moça.” O cabra que negocia com mangaio aparece na famosa toada de Sivuca: "..E Zé saiu correndo pra feira de pássaros e foi pássaro voando em todo lugar. Tinha uma vendinha no canto da rua onde o MANGAIEIRO ia se animar ..."

Mangaieiros são os profissionais do "mangaio", ou seja, são camelôs no Nordeste. Feira de Mangaio é tipo feira popular onde se vende de tudo com preços bem acessíveis”, diz um tal de Enio.

“Mangaieiro é a pessoa que carrega o mangaio, que por sua vez é um tipo de instrumento para carregar, por exemplo, frutas. Compõe-se de uma vara com cordas nas extremidades e nelas são amarrados balaios feitos de cipó onde são colocadas as frutas para serem transportadas e vendidas, apoiados sobre as costas por trás do pescoço”, ensina dona Chica.

Mangaieiro: vendedor de mangaio. Mangaio: produção caseira da lavoura ou de artesanato que é vendido nas feiras-livres. Mangaios são produtos feitos de fibras, madeira, utensílios domésticos artesanais. Urupema, chapéu de palha, colher de pau, corda de aruá, bonecas de pano, cachimbos de barro ou madeira, candeeiros, pavios de lã de algodão, arreio, peneira, cangalha, chapéu de couro. Antigamente se vendia até freio pra gato e bainha pra foice nas feiras de mangaio.

O verbete “mangalho” está no Dicionário Houaiss: “conjunto de produtos de fabricação caseira ou saídos de pequenas lavouras, que são vendidos em feiras e mercados do interior.”

Essa história de mangaio pra dizer da minha sensação de pertencer a um grupo por vínculos culturais e históricos, ao esbarrar num mercado público na cidade Parahyba com o mangaieiro vendendo mangaio de minha terra, Itabaiana do Norte, onde tem até um vereador conhecido por Lula do Mangaio. Nossa feira livre, tradicional e ainda hoje pujante, nos transformou na Capital Paraibana do Mangaio.

Esses pequenos artesãos e comerciantes exerceram importante papel, ocupando um lugar particular e específico no processo histórico e cultural da região. Tema para uma dissertação que jamais escreverei. A barraca do mangaieiro de Itabaiana em pleno mercado de Mangabeira, lugar onde se concentra a maior colônia de itabaianenses na capital, me traz um curioso componente de redescoberta. 



Um comentário:

  1. é impressionante o berço de cultura que se aprende na internet - valeu!

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