terça-feira, 26 de julho de 2011

Novas anedotas de Sonsinho e sua turma



MADAME Preciosa foi se consultar com uma colega vidente. (Para quem não sabe, as cartomantes não profetizam em causa própria). A vidente foi sincera:

--- Não posso esconder a verdade a uma colega de profissão: você vai ficar sem seu companheiro. Ele vai morrer logo, logo...

--- Isso eu sei - disse Preciosa. Mas eu vou ser absolvida?


AMEBA arrumou uma namorada. Para impressionar a garota, desmanchou-se em galanteios:

--- Meu amor, por você eu atravesso o mar nadando, subo as montanhas dos Alpes, cruzo os continentes, desço as maiores ladeiras, vou ao fim do mundo.

E ela, prosaica:

--- Pra que eu quero um marido que não pára em casa?


SONSINHO abriu a porta para o Testemunha de Jeová.

--- O senhor conhece Jesus?- perguntou o Testemunha.

--- Não senhor, só por foto - respondeu o lesado.


Aconteceu comigo. Encontrei um exemplar de um dos meus livros em sebo no Recife. Fiquei emocionado. Perguntei o preço.

--- Dez reais - disse o dono do sebo.

Fiquei pensando no desprestígio do autor no Brasil ao imaginar quanto trabalho para escrever aquela obra, para saber que estava sendo vendida a um preço tão vil. Sentindo que eu estava indeciso, o livreiro disse:

--- Ora, está bem, pode levar por cinco reais esta porcaria.


SONSINHO arrumou um emprego. No terceiro dia, faltou ao trabalho. Telefonou para o patrão:

--- Hoje não posso ir. Tou doente.

--- O que houve? - perguntou o homem, preocupado.

--- Estou em coma - respondeu Sonsinho.


SONSINHO no cargo de sinalizador de estradas. No trecho da estrada em obras, ele movia a bandeira para cima, para baixo e de um lado para outro.

--- O que o senhor quer dizer? - perguntou um motorista ao agitado sinalizador.

          ---  Nada, tou só espanando os mosquitos.


            AMEBA fofocando no bar:
           
            --- Sabia que Madame Preciosa confessou ao Sonsinho todas as infidelidades dela?

            --- Corajosa, a Madame! - espantou-se o outro.

            --- A coragem não é nada! A memória dela é que é prodigiosa!


           

Lembranças dos pioneiros

A quadrilha dos perigosos comunicadores populares: Luciano Joaquim, Ricardo Alves, Wagner Ribeiro, Edileide Xavier, Sueli Tereza. Maria Gonçalves e o chefão Fábio Mozart. (Foto: Zezinho do Evangelho)

O sociólogo Michael Löwy definiu que “as fotografias têm uma carga utópica, um potencial subversivo”. Ele considera que quando as classes subalternas conseguem quebrar a opressão, os excluídos transformam-se em protagonistas de sua própria história. Löwy faz um registro dessas histórias de rebeldias numa coletânea de fotografias tiradas nesses momentos que, de alguma forma, mexeram com as estruturas que pareciam imunes a mudanças. 

A foto acima está neste patamar. Essa era a equipe da Rádio Comunitária Araçá, de Mari, em 1999. Como a foto foi tirada no século passado, já é história. Vai para o conjunto dos documentos históricos da emissora, na galeria dos primeiros que abriram os caminhos difíceis, como todo pioneirismo, da comunicação radiofônica comunitária naquela cidade paraibana.

Na época, a rádio não tinha licença para operar. Vivíamos na espectativa de receber visita da Polícia Federal, como de fato nos fizeram a cortesia de invadir o estúdio, só não sequestrando os equipamentos porque dez minutos antes recebi telefonema da Rádio Comunitária Sapé avisando que eles estavam dando busca lá. De Sapé para Mari são apenas dez minutos de automóvel, mas deu tempo para tirar todos os equipamentos e esconder em sítio de um amigo. Quando os policiais chegaram, só encontraram fios pendentes e papéis no chão, entre eles um recibo de apoio cultural da rádio que levaram como prova do crime. 

Apesar da ignorância e falta de respeito dos agentes governamentais, ninguém se intimidou. A rádio Araçá continuou viva, fortalecendo-se ainda mais e mantendo a comunicação livre e democrática, graças a esse povo que me acompanhava. Gente de coragem que tornou a Araçá uma referência da Paraíba na resistência contra o modelo de comunicação no Brasil. Dar voz ao povo era e é perigoso neste país tão desigual.
No nosso modelo de rádio comunitária, qualquer pessoa tinha seu espaço para expressar seu pensamento através de músicas, textos, falas, poesia, zumbidos, silêncio e o que aparecesse. Menos politicagem e picaretagem.

O grupo de jovens envolvidos no projeto da rádio comunitária carregava um sonho. Eu aprendi que, mais que fazer funcionar uma estação de rádio precária e sem quase nenhuma estrutura técnica, a aventura acenava com a conquista da liberdade. A rádio comunitária era, na verdade, o símbolo-síntese dos sonhos de se seguir a própria determinação, de superar a opressão e de se auto-afirmar. No cotidiano daquela moçada entraram os elementos da construção de uma verdadeira revolução. O avanço do projeto, apesar das enormes dificuldades, só foi possível por causa do compromisso e da cumplicidade dessa turma, desfazendo e superando tramas e armadilhas do sistema ao longo do proceso de instalação da rádio comunitária. Isso se chama ação transformadora. Valeu, minha gente!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O que esconde um buraco aberto



Inês Mota para a prefeita de Caicó: “você que é experta no tema, nos esclareça: um buraco cheio de água de esgoto (estourado), perde o status de buraco?”

Na cidade de Itabaiana do Norte, agreste da Paraíba, caí num buraco em frente à agência do Banco do Brasil. Quebrou a caixa de câmbio do meu vetusto veículo, respeitável pela idade, mas frágil para enfrentar aberturas naturais ou artificiais tão imorais.

Saindo da cidade, acabei de quebrar a suspensão do carrinho nas crateras entre Itabaiana e Juripiranga. Choveu bastante para derreter o material de terceira que botaram na pista, sob as vistas inconscientes ou cheias de má fé do Departamento de Estradas de Rodagem. Não há mais asfalto com buracos nas estradas de Itabaiana. O que há agora são buracos com alguns pontos de asfalto.

Os buracos são uma problemática social e individual, estética e espacial que incomodam a vista e a suspensão dos automóveis e revelam a forma passiva com que o cidadão se relaciona com os espaços urbanos.

O buraco oficial de Itabaiana ganhou fama por ser o símbolo da gestão mais desastrada dos últimos tempos na terra que viu nascer Abelardo Jurema. Meu compadre blogueiro Marconi revela no seu espaço cibernético, com contundência e verve ácida, a quantas anda a buraqueira em sua cidade. Tem buraco pra todos os gostos. Agora, os habitantes deram para comemorar aniversário dos buracos, com bolo, guaraná, velinhas e tudo. Numa deferência especial para uma cidade que está literalmente no buraco, o dilúvio que caiu na semana passada levou pontes e semeou buracos onde foi possível. Táboa de pirulitos perde pra nossa superfície bombardeada pela inabilidade, falta de sensibilidade e menosprezo pelos cidadãos.

Castigada impiedosamente por buracos de todos os tamanhos e profundidades, Itabaiana do Norte apresenta ruas que não podem ser nem vias carroçais, estradas sem nenhuma condição de tráfego. Um amigo tentou chegar na cidade, voltou do descaminho. Frase do cara, que ficou boiando na minha cabeça: “É inconcebível que uma cidade do tamanho, importância econômica e política, e com os recursos que recebe, ter uma malha viária nessa situação”.

Acho que Itabaiana do Norte possui um “buraco negro”, que é uma região do espaço da qual nada, nem mesmo a luz pode escapar, desafiando teorias científicas. A buraqueira triste e sem fim desta cidade desacata o cidadão e afronta nossa capacidade de lutar pelos nossos direitos.

Festa das quadrilhas juninas em Pilar



Foi na noite de 23 de julho de 2011 na cidade de Pilar que aconteceu o 8° Festival de Quadrilhas, realizado pela Quadrilha Zé Lins que por sinal é da terra de Zé Lins do Rego. Eu, Edglês Gonçalves, monitor do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, participei do Júri para escolha da Rainha do Milho.

Fico muito impressionado como o povo de Pilar preserva sua cultura junina, com suas quadrilhas e tudo o mais. O evento foi patrocinado pelo comércio local e Sebrae. O povo se fez presente para prestigiar as quadrilhas, dentre elas “Paixão Nordestina”, “Quadrilha Junina Zé Lins”, “Quadrilha Pixilau” e “Quadrilha Cangaceiros do Sertão”.

Há quem diga que para realizar uma noite de cultura é custoso, mas não,  precisa apenas boa vontade e parece que minha cidade Itabaiana não tem mais. Sivuca, filho mais famoso de Itabaiana, recebe um homenagem de Pilar. Temos que construir um projeto cultural para Itabaiana, fazer algo para os artistas que ainda sobrevivem e para imortalizar os do passado para as futuras gerações, algo que os façam respeitados.

Escolhemos um Conselho de Cultura, mas a Prefeitura não nomeia os membros escolhidos. Aí eu pergunto: quando seremos plenos, se nós não temos o direito de escolha?

Parabéns Pilar! Obrigado pelo convite!

Edglês Gonçalves

domingo, 24 de julho de 2011

POEMA DO DOMINGO (1)


Chico Mota

Bom dia, Fábio Mozart.

Recebi com surpresa e comoção, a bela homenagem aqui prestada ao meu pai. Muito obrigada!

Há dois anos, criei um espaço para postar sobre a vida do meu pai, seus poemas, canções, eventos. Não fiz muita coisa enquanto ele estava vivo e isso eu lamento. Agora tentarei dar continuidade.
Já sou freguesa do seu blog.

Um grande abraço.

Inês Mota

Com seriedade eu fiz o que pude 
Deus me concedeu uma longa vida
Deu-me uma prole bastante crescida
Que considero ser minha virtude.
Mas, como a morte é inevitável
Jamais poderei ser inseparável
Daquelas pessoas por quem tenho afeto.
Já que eu não posso ficar entre os meus
Breve deixarei o meu último adeus
A genros e noras, a filhos e netos.

Chico Mota


POEMA DO DOMINGO (2)





FINAL DO CICLO

(Leão moribundo)

Eu estou doente, mas quem não anda enfermo?
Moléstia original, um mal que não tem cura,
Final racional, normal e sem frescura,
Morte sem mistério, levada a bom termo.

Um fim burocrático selará em breve
A vida relativa de um sujeito só
Que no isolamento fechou o paletó
Em busca de repouso, que o pó lhe seja leve.

Aqui descansa em paz um velho e bom ateu
Que desejou morrer vivendo a cada passo
Repleto de incertezas, fugindo do fracasso
De ter que enfrentar a morte jubileu

A morte por velhice, aposentadoria
Caduca e esquecida, malsã e entrevada
Refém de um mal súbito, ou morte anunciada
Angustiante e vã vida de fancaria.

Fábio Mozart

sábado, 23 de julho de 2011

Beto Quirino e Bamidelê no "Alô comunidade" de hoje

Bamidelê e Beto Quirino estão no “Alô comunidade” deste sábado

Apresentando Henrique Ornelas, Gláucia Lima e a banda Star 61.

Sorteio de CD Mostra SESC de Música Paraibana e do livro “Democracia no ar”, de Fábio Mozart.

Programa Alô comunidade

2 horas da tarde – Rádio Tabajara AM – 1.110 KHZ

O espaço das rádios comunitárias na emissora do Estado da Paraíba.

Acesse a Tabajara online para ouvir em tempo real:


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No domingo o programa está no blog da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares: