terça-feira, 2 de agosto de 2011

Zé Américo de Areia


Oi Fábio: 

Deu-me uma alegria imensa a reabertura do Festival de Verão de Areia nos moldes antigos: Oficinas, Palestras, Cursos, Eventos etc. Inicialmente fora programado uma Mesa Redonda sobre grandes nomes da Paraiba, inclusive Zeamérico, Zelins, Augusto dos Anjos. Para encurtar o plano de trabalho, esse parte fora desativada. Como não é aconselhável se fazer nada cultural em Areia sem referência a seu filho mais ilustre, por decisão de Zeotávio direi umas palavras (10 minutos) sobre o grande areiense, na abetura do evento. Mesmo com a restrição de tempo aceitei, porque Areia não iria suportar a desfeita da exclusão de Zeamérico de uma festividade desse porte, em sua terra.

Lourdinha Luna

Por que não acontece nada por aqui?

Jovens praticam balé no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar

“Nesta cidade não acontece nada”, reclama, desolado, um rapaz morador na cidade de Itabaiana, 90 quilômetros da capital João Pessoa, 26 mil habitantes, isolada por péssimas estradas e governantes idem. Fui jovem nesta cidade quando o mundo era analógico e a realidade não era digital. Sem ser saudosista, vejo que o mundo mudou de forma impactante nas últimas décadas, mas a rapaziada está cada vez mais sem orientação. A nova geração que se comunica em redes esqueceu de armar a rede da vivência gostosa, daqueles modos de vida do interior. Olhando com os olhos de ontem, vejo que a rapaziada não faz acontecer.

No meu tempo não se tinha à mão as novas tecnologias da comunicação, mas a moçada era menos apática. Nem sei se naqueles tempos bons existia depressão, síndrome do pânico e outros males modernos. Motivos havia: o medo era “nosso pai e nosso companheiro”, como no poema de Drumond. Também não tenho certeza de que a ausência da massa de informações que se tem hoje, do tipo midiático global, capitalista, ajudava os meninos e meninas da era 70/80 a encontrar sua vocação de cidadãos, mexendo com arte e cultura ao mesmo tempo em que guerreava no front político.

Hoje não acontece nada na cidade e quase ninguém agita a vida social. Tirando os eventos elitizados e restritos como os blocos de cordão de isolamento e as festinhas à base de “paredão” e música infame, as novas gerações e atores sociais ocupam menos o espaço público, ou seja, só se juntam para beber no meio da rua, um bando de gente que tem pouquíssimas opções de lazer. Esse povo são os sem-futuro, por vezes até sem-presente.

A experiência no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar me deu a certeza de que o público tem medo de consumir produtos culturais. Elitizaram tanto os eventos que o cidadão comum só se sente bem no meio da multidão que levanta as mãozinhas no ritmo do forró de má fama e suas letras abjetas. Não temos casas de cultura, e os poucos acontecimentos artísticos são blindados ao público. O jovem da periferia se sente excluído nesses ambientes. Fica bem marcada a hierarquização da sociedade. Não há o prazer do entretenimento, as pessoas têm medo de serem diminuídas. Os jovens, portanto, ficam submetidos ao que está na grande mídia de massa com tudo o que isso representa de maléfico para a formação do cidadão.

O Ponto de Cultura sempre pretendeu ser uma casa que abriga a cultura geral. Não queremos levar cultura à população, restrito a eventos. O povo tem sua cultura, não precisa levar o que já existe, nesse movimento unilateral que sempre caracterizou as raras políticas públicas de cultura neste país. Temos que buscar ampliar o olhar da população através de eventos culturais consumidos pela minoria privilegiada, mas não se pode parar por aí. O básico é que a moçada tenha oportunidade de se expressar artisticamente. Essa é a maravilhosa lógica do Programa Cultura Viva, do Governo Federal: ao invés de chegar com o pacote pronto, incentivar e colocar algum recurso nos movimentos culturais já existentes nas cidadezinhas e periferias, levando em conta as características de cada comunidade.

RELEASE DO PONTO DE CULTURA CANTIGA DE NINAR

Lúcia Giovanna (segunda à esquerda) coordenada Comissão dos Pontos de Cultura

PARAÍBA
Pontos de cultura mudam data de encontro estadual

   Representantes dos pontos de cultura da Paraíba participaram ontem (01) de reunião
   virtual onde ficou decidido o adiamento da TEIA 2011, o encontro estadual que estava marcado para o período de 11 a 14 de setembro. A Comissão resolveu aprovar as datas de 7 a 11 de outubro de 2011 para a realização do evento na cidade de Areia. Como justificativa, argumentou-se que a TEIA não contaria com a estrutura adequada tendo em vista a proximidade do Festival de Areia. “Teríamos que desocupar alguns ambientes para o Festival e a infraestrutura da cidade é muito pequena para assumir dois eventos de grande porte”, fundamentou Lúcia Giovanna, da Comissão de Organização da TEIA. Além disso, a Secretaria de Cultura está com todo seu potencial humano e logístico direcionado para o Festival, completou.

No encontro estadual serão debatidos assuntos que dizem respeito às atividades desenvolvidas por cada ponto. “Será uma ótima oportunidade para um conhecer a produção do outro, saber das dificuldades e acertos de cada e com isso auxiliar com a troca de experiência entre todos os pontos”, disse Giovanna.

Na reunião foi apresentado o site da TEIA 2011, no endereço www.teiapb.com e o catálogo eletrônico dos pontos de cultura da Paraíba.

Trinta e dois pontos de cultura se inscreveram para participar da TEIA 2011, cuja programação prevê três dias de mostra artística e debates sobre o Programa Cultura Viva, além de rodas de conversa sobre Linguagens, Processos Educativos, Gestão e Comunicação. A programação não está fechada, mas contempla Mostra de produtos dos Pontos de Cultura, que acontecerá no Espaço da Arte Horácio de Almeida durante todo o evento.

Fábio Mozart no El Theatro



NOVA EDIÇÃO

PALCO & PLATEIA : PAULO ALVES DA NÓBREGA

"PRISÃO (ENQUADRADO) Sebastião Ayres 


NOVAS OPINIÕES DE: Bráulio Tavares, Elpídio Navarro, Fábio Mozart, Fernando Vasconcelos, Laerte Braga, Luiz Alberto Machado, Maria das Graças Santiago, Walter Navarro e W. J. Solha.  

TEATRO: CONVERSANDO COM ARIANO SUASSUNA - Urariano Mota

PAULO AUTRAN: PATRONO DO TEATRO BRASILEIRO
TOMBAMENTO DO TEATRO OFICINA
 
LITERATURA: CARTA A SATALINGRADO - Carlos Drummond de Andrade
CINEMA: "LOLA" - Crítica de Antonio Carlos Egypto
"ON THE ROAD", DE WALTER SALES

HUMOR: "CENAS DA VIDA MODERNA"  
TELEVISÃO: A CAIXA-PRETA DAS IGREJAS - Eliakim Araújo
ENTREVISTA COM RENATA DIAS GOMES
MÚSICA: O DIZER DA CANÇÃO NO SAMBA DE PAULINHO DA VIOLA
O ÓBVIO ALERTA 


DESTAQUES: "Anjo da Semana"

"Caçuá do Wilmar"


O TRANSPORTE DE CADA UM ...


INCONFIDÊNCIA MINEIRA: UMA FARSA?


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Conto erótico

Madame Preciosa e seus rituais diabólicos, introduzindo um pênis artificial e hodierno em sua cabeça de bruxa broxante


Li ontem pela primeira vez trabalho da escritora e poeta brasileira Hilda Hils, morta em 2004. Veja no site http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html

Inspirado no pesado erotismo de Hilda Hils, escrevi um conto que descreve coito de Madame Preciosa com seu parceiro Sonsinho. Como este blog encontra-se em plena autocensura, não publiquei na Toca, e sim no site Recanto das Letras. Quem quiser conferir, acesse o endereço:

Previno aos puritanos que a página contém alta pornografia. Tem até um informe:

AVISO: a página a seguir pode apresentar conteúdo impróprio para menores de 18 anos. Caso você seja menor de idade, não prossiga.

Uma leitora por nome Vallerie leu o trabalho e comentou: “Nossa! Nunca li nada parecido. Assustador!”.

Os da beira do rio mandam lembranças

Fabiana Veloso (direita) da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, entrega roupas, lençóis e colchonetes para a campanha de ajuda às vítimas das enchentes

Mestre Zé Marcos (esq.), Wanessa Costa e o blogueiro

“Voz Popular” insiste em sobreviver


Ontem (domingo) fui visitar a comunidade São Rafael, que fica na depressão de terreno do bairro Castelo Branco, às margens do rio Jaguaribe. É lá onde funciona a rádio comunitária Voz Popular. Gravei depoimentos do grupo gestor da rádio para o programa “Alô comunidade” que apresento todo sábado na Rádio Tabajara AM.

Mando então meu alô para o mestre Zé Marcos, o homem que cria dois jacarés na porta da cozinha, fundador da rádio e cabra muito respeitado na ribeira. Saudações para minhas amigas Wanessa Costa e Katiucha, um salve para o MC Pano e para Daniel Mairon, extensivo ao Gilbert, Ramos Marley, Daniel Pereira, Clério Paredes e o pastor Joelson.

Minha comadre Fabiana Veloso acompanhou a visitação de cortesia aos irmãos da Rádio Voz Popular, aproveitando para levar alguns donativos para os flagelados das enchentes na área, cortesia da comunidade do Geisel através da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares.

Wanessa Costa falou do seu irmão, o Wagner, goleiro da seleção brasileira de futebol de areia, bicampeão mundial (08/07), que ainda se recupera de um grave acidente de carro sofrido no fim do ano passado e espera a ajuda das entidades e do governo. Contaram as histórias da rádio e as conquistas da comunidade que se assenta sobre o desemprego estrutural e sofre com a violência e o preconceito.

A rádio teve um refluxo com a pressão da Anatel, saindo do ar o sistema de frequencia modulada. O quadro desanimador atinge todos os projetos de rádios comunitárias da grande João Pessoa. Mas a rapaziada prossegue com a difusora e a rádio web, tudo para não parar a batalha pela inclusão daquele povo na aplicação do direito de se comunicar.

Ponto de Cultura Cantiga de Ninar realiza seminário em setembro


Fábio Mozart é coordenador do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar

O Ponto de Cultura Cantiga de Ninar vai realizar em Itabaiana o I Seminário Cultura e Desenvolvimento, no dia 24 de setembro, às 8 horas, provavelmente no auditório da Câmara Municipal. O objetivo do evento é discutir políticas públicas de cultura para o Município.

A Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba – SARVAP, através do seu coordenador Fábio Mozart, espera que o seminário aprofunde o processo de participação democrática da comunidade na formulação de políticas públicas para o setor. Para Mozart, é importante que os agentes culturais e gestores públicos estejam presentes ao debate. “Vamos convidar os artistas, o Conselho Municipal de Cultura e a Secretaria de Cultura de Itabaiana para o evento”, afirmou.

Basicamente, o público -alvo do Seminário são artistas, produtores, gestores culturais, professores, representantes da Secretaria Municipal de Cultura, associações de classe, sindicatos, instituições culturais, organizações não-governamentais e outros parceiros institucionais nos níveis municipal, estadual e federal. O evento pretende contar com a presença de Chico César, atual Secretário de Cultura do Estado da Paraíba.