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MEMÓRIA - Josafá e Fábio Mozart, uma dupla de lascar, na homenagem ao
centenário do Ministro Abelardo Jurema no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, em
2014. O Ministro Abelardo Jurema está no meu livro Artistas de Itabaiana.
Josafá era um garoto problema, metido com coisas ruins, até que foi encaminhado ao Ponto de Cultura Cantiga de Ninar pelo Conselho Tutelar da cidade e lá botou-se pra sonhar em ser um artista, um homem de bem. Fez o curso de violão e recebeu o carinho de todos, como pessoa cordata que era.
Josafá me pediu pra escrever sobre ele. “Fábio, bote meu nome na internet e diga assim: ‘Um garoto sonhador’”. Ele se via como alguém que ainda acreditava que poderia realizar sonhos de ser uma pessoa aceita pela sociedade, sem ser vítima de preconceitos, com chance para ter um futuro.
Pena que não vai poder, agora, ler o que pediu para escrever para ele. Josafá é analfabeto. O Ponto de Cultura teve que fechar. Sem apoio, acolhimento e alternativas saudáveis como a arte, Josafá voltou a buscar refúgio no mundo das drogas.
A primeira e grande lição: Não faça como a jornalista Rachel Sherazade, não vá logo descendo a ripa sem piedade no lombo dos miseráveis e deserdados da terra, mas antes acredite nas pessoas e dê uma chance a você mesmo de superar seus preconceitos e seus ódios de classe.
Como não disse Cecília Meireles: "não sou
poetisa, sou poeta. Não és poeta, és pateta".
A grande maioria dos
órgãos da imprensa são tipo Photoshop: manipulam a realidade.
Mocinha revoltada foi
mandar fazer faixa contra a corrupção. "Quer com nota ou sem nota?",
pergunta o pintor. Adivinha a opção da moça.
Banco Master e a Igreja Lagoinha. Ambos vendem ilusões.
Nos lábios de Manoel Xudu morava o milagre da palavra que era sempre nova, mágica, imprevista e alucinante. Xudu é um gênio do improviso, que é um fenômeno curioso da mecânica mental.
No improviso não há raciocínio, há inteligência em estado bruto. Para o escritor cearense Renato Sóldon, “o improviso é uma ideia instintiva que não sofre o processo lógico das ideias acionadas pela reflexão”. Citando Freud e Ralph, ele acrescenta que o improviso é a subversão cerebral do pensamento pela explosão revolucionária do subconsciente.
No Facebook todo mundo mente, todo mundo é viciado, posta besteiras, passa horas lendo mensagens infames, espera reconhecimento, curte, compartilha, recebe cumprimentos pelo aniversário, atualiza suas banalidades e escreve numa estranha ortografia.
De vez em quando dou uma olhada pra ver se pesco algo interessante, mas com cuidado pra não me enredar no tecmundo da mediocridade.
“Queremos montar um planejamento que contemple todas as linguagens artísticas, reunindo músicos, atores, escritores, artesãos, brincantes da cultura de raiz e outras atividades culturais”, adiantou Sérgio Ricardo Santos, que preside atualmente a Sociedade Zé da Luz.
A Editora Zé da Luz levará seu estande para as escolas, onde serão ofertadas oficinas de cordel, escrita criativa, teatro e artes plásticas.
Meu projeto é juntar todos os ex-presidentes para receber comenda de honra ao mérito cultural, entre eles o professor Zenito Oliveira, primeiro presidente que está com 90 anos de idade e reside em João Pessoa.
Serão convidados os ex-presidentes Sosthenes Costa, Joacir Avelino, Normando Reis, Marcos Veloso, Luiz Bruno Veloso, Eronides Ferreira, Joseilson Antonio, Jean Monteiro, José Ramos e Manuel Batista. O atual Presidente de Honra é o escritor Wolhfagon Costa, de Solânea.
Fundada em 1976, a instituição é a mais antiga em atividade na área de cultura na cidade de Itabaiana. Reconhecida como Utilidade Pública pela Câmara Municipal e com registro no Conselho Nacional de Serviço Social, a Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz mantém a Biblioteca Comunitária Arnaud Costa e o Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana, atuando em várias cidades da Paraíba, a exemplo de Solânea, Campina Grande e Mari.
Leio depoimentos de
leitores de minhas reminiscências de vidas e memórias nas crônicas do livro “A
Voz de Itabaiana e outras vozes”. Vide minha amiga Margaret Bandeira, que
confessou ter começado a ler o livro na boquinha da noite e não deu pra parar.
“Varei a madrugada lendo o livro”, revelou Margaret.
Só por ter deliciado e
satisfeito leitora tão elevada de espírito já me basta. Valeu a pena editar
esse modestíssimo livro com minhas impressões sobre antigos fatos e causos do
lugar onde me criei.
Fui “estrangeiro” que chegou a Itabaiana com cinco anos de idade e, desde então, tornei-me um “natural” pelas vias do coração.
Meu humilde tijolinho
de hoje vai para a doutora Margaret Bandeira.
VERSO DO DIA
As palavras-peixes
Nadavam livres
Em águas claras,
Em rios perenes...
Eu só fiz pescá-las.
Na feira das palavras
Quanta matéria prima!
Comprei metros,
Comprei rimas
E fiz poemas.
Antonio Costta

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