domingo, 4 de dezembro de 2016

POEMA DO DOMINGO


TOADA DE PILAR 

Meu coração de pateta
deixa a porta entreaberta
Pra poesia adentrar,
ligeiro feito preá,
um poeta altaneiro
Tenta fugir do vespeiro,
escapando como pode,
Veja essa rima pobre,
parece está na espreita
Nem esquerda nem direita
chafurdada nesta lama
És o poder que emana,
nesse Estado de Direito
O povo pede respeito,
é sincero o seu clamar.

Dê licença vou falar;
sou sobrenome sem berço,
Do roçado o esterco,
que aduba a lavoura
O elástico da ceroula,
sustentando os possuídos...
Choro de corno traído,
em plena mesa do bar
Na bodega de preá,
o sangue corre nos zói!
Um Poeta ruim que dói,
sou um quadro mal pintado
Sou matuto requintado,
na boca da mulherada
Rimando nessa tuada,
aqui é só alegria...

O poeta rodopia,
fazendo rima na feira,
Contudo desta maneira,
quero aqui me apresentar:
Eu sou Evanio Teixeira
da cidade de Pilar,
Criado lá nas Figueiras d
e povo ordeiro e lutador
Quem falou foi meu avô:
Terra de Antônio Silvino.
Cangaço lá pediu vista,
No meu tempo de menino,
Orgulho de nordestino,
No meu canto o cancão pia.

Mais deixemos para trás,
e vamos ao que interessa
Pois o poeta tem pressa,
e não pode vacilar,
Sou forró de gafieira
numa sala de reboco,
Passo a bola de primeira
para Odete do coco.
Sua voz firme e terreira,
aqui no mei da ciranda
Toda essa gente bamba,
saudosa dona Nair,
Del Pilar está aqui,
mantendo viva a cultura,
O Xorró é uma figura!
Merece todo respeito,
São de fato e de direito,
menestréis d alma pura.

Voltemos aos castiçais,
desse matuto acabrunhado,
De verso malacabado,
que de maluco se faz,
Que vive correndo atrás,
sonhando em ganhar em dólar
Jogador ruim de bola,
que vive na pindaíba,
Hora embaixo, hora em riba,
tentando se equilibrar...
Nessa crise que não passa
Com o sorriso sem graça,
de um poeta senil,
Que sofre com o Brasil,
e que ama a Paraíba.

Mas pra não perder a rima,
na batida do pandeiro
Aos amigos primeiro,
vou deixando o meu abraço,
Eu me perco me embaraço
com duas taças de vinho,
Ninguém consegue sozinho,
assoviar e chupar cana
Brindamos aos sacanas,
o cálice da hipocrisia,
Cantemos com alegria
sem perder o rebolado:
É rima ruim que dá cria,
num desmantelo amuado,
È folião na folia
o poeta rodopia
no martelo agalopado.

Evanio Teixeira

Nenhum comentário:

Postar um comentário