terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ETC & ETC


AÇÃO TRANSFORMADORA

Na próxima quinta-feira, dia 17, estarei no mini-auditório da Estação de Artes Luciano Agra, prédio anexo à Estação Ciência, em João Pessoa, para o lançamento do livro “Ação transformadora”, do meu confrade Dunga Júnior, que é da Academia de Cordel do Vale do Paraíba. Poderíamos dizer que Dunga Júnior é um sujeito popular e erudito ao mesmo tempo, sendo uma das figuras exponenciais de nossa academia, por isso merece toda consideração e respeito.

AJUSTAR AS VELAS

Pois chegou o dia, a data, a hora, o ano em que tudo deu errado. Sempre chega. Do meu ponto de vista, não existe outro cara no sistema solar que possua as qualidades do velho Leão do Cuiá, mas nem todo jogo se ganha. Tem o dia em que precisamos reconhecer que perdemos a parada e ter a humildade de deixar o campo.

Estou deixando esses mares, já estudando os mapas para novas aventuras, sem frustração, sem indignação. Vou então centrar o astrolábio em novas coordenadas. É só o tempo de ajustar as velas e tocar o barco de novo. Sou um sujeito resiliente.

MUDAR O JOGO

Está em jogo a soberania popular. E mais claro fica para nós a necessidade de superar a democracia parlamentar pelos mecanismos de poder de participação popular. A esquerda brasileira deve parar de fazer alianças com políticos fisiológicos tipo Michel Temer e defender seus projetos que só interessam ao capitalismo monopolista. Razão tem meu compadre Jerry Oliveira: “Estamos contra o golpe, mas  o Governo deve ter a coragem de fazer alianças com os movimentos populares de resistência, como as rádios comunitárias”.

VAZOU

Vazou o nome do estudante que tirou em primeiro lugar no concurso de redação do jornal EVOLUÇÃO, de Itabaiana. Trata-se de Evandro Vicente. O rapaz estuda na 8ª série da Escola Municipal Antonio Batista Santiago. Seu trabalho será publicado no jornal, edição de janeiro de 2016. Tem uma lenda urbana rolando por aí, segundo a qual o estudante atualmente não sabe ler nem escrever direito, por falta de estímulo. A língua escrita realmente é um problema para quem não lê. Mas, sempre tem as tais exceções que justificam a regra. Parabéns ao Evandro.

ESPIRITUALIDADE

Hélio Leite, que é artista plástico, assim explica: “a espiritualidade não está dentro das igrejas, nem dentro das religiões, dentro dos livros e muito menos dentro das latinhas. A espiritualidade está dentro de nós e o caminho é vós.” Esta citação vai para você que teve fé no irmão que deu uns passes e curou seu joelho bichado.

DESIMAGINEM

Um desengraçado palhaço metido a brabo meteu a mão fascista no colega de-puta-do. O palhaço Tiririca, com sua mão leve de palhaço tico-tico, escreveu a carta para dona Dilminha aprender a colher gerânios em jardins improváveis, nesse pantanal cheio de jacarés de sonhos minúsculos.

VAI SAIR

Meu livro “Laranja Romã” ta uma gracinha e vai sair, para o bem de todos e felicidade geral da nação dos improváveis. Está sendo produzido na forma de cooperativa: cada leitor compra seu exemplar antecipadamente e ganha seu nome na folha de rosto do livro. Eu confesso que usei e abusei da boa vontade de meus amigos e amigas, pedindo a colaboração, mas vou retribuir a atenção, convidado a todos para tomarem vinho comigo no lançamento, que será em janeiro vindouro.







sábado, 12 de dezembro de 2015

POEMA DO DOMINGO


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles


Artista mogeirense destaca aniversário da cidade em programa de rádio na capital

O cantor e comunicador Marcos Adriano, natural de Mogeiro e radialista em Itabaiana, estará no programa “Alô comunidade” às 14 horas deste sábado, na Rádio Tabajara da Paraíba AM (1.110 KHZ). Entre os assuntos que serão abordados estão a sua atuação no rádio e na área musical, além da história de sua cidade, Mogeiro, que hoje comemora aniversário de emancipação política.

O programa “Alô comunidade” está prestes a comemorar cinco anos no ar, levando a pauta que vem das comunidades e rádios comunitárias espalhadas no Estado, com produção e apresentação de Fábio Mozart, Dalmo Oliveira, Roberto Palhano e Marcos Veloso.

“Alô comunidade” é um programa da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares em parceria com a Rádio Tabajara da Paraíba AM – Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, Coletivo de Jornalistas Novos Rumos e Sociedade Cultural Posse Nova República.
Ouça em tempo real às 14 horas pela Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares:
Ou pelo site da Rádio Tabajara da Paraíba AM (1.110 KHZ):

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Comeram a rainha do milho e o suspeito é o Visconde de Sabugosa


Eu aqui lendo “Os grandes julgamentos da História”, um livro capa dura sobre um alto funcionário do rei da França, nos tempos de capa e espada. O rei Carlos VII manda prender o superintendente real, Jacques Couer, o homem mais rico do reino e de toda a Europa daquele tempo. Tipo assim o dono da Odebrecht que foi fazer curso de leão por causa de uns escandalozinhos. O Rei, para se ver livre das dívidas, manda julgar o seu assessor direto que lhe emprestava dinheiro. O pretexto: a amante do Rei morrera de parto, e o bicho cismou que o seu genial agente financeiro foi o responsável. Acusado de bruxaria, o Jacques Couer foi julgado por um tribunal especial escolhido a dedo pelo Rei. O soberano absoluto tinha essa prerrogativa. Claro que o réu foi decapitado e sua riqueza dividida entre os juízes e o próprio Rei Carlos VII.

Tem o caso de dona Dilma que está para ser julgada por ter dado umas pedaladas fiscais, tipo assim tirar grana de um canto e botar em outro, tapar buraco, fazer as tais engenharias financeiras que todo governo fez, faz e fará. Os seus julgadores têm o olho comprido no poder e na possibilidade de deter a máquina da polícia e da Justiça que avança no lamaçal da corrupção, atingindo altas ratazanas de colarinho branco e passado sujo.

Machado de Assis: “A vida é a variação de meia dúzia de situações chaves”. E não é que é mesmo! Pegue os babados de agora e compare com a História do Brasil. Ta tudo lá e continua aqui. Em 1501, um ano após Pedro chegar ao Brasil, navegadores franceses chegam para explorar as quebradas. Exploram o mais que podem e começa a putaria da gente ceder o ouro e receber em troca as miçangas. Em 1530, inventam as capitanias hereditárias, em voga até hoje. Ou você não sabe que apenas seis famílias comandam toda a comunicação do país? E por aí vai. São mais de quinhentos anos com a gente caminhando em círculo. Quando se caminha em círculos, quem vai na frente, quem vai atrás?

Em 1595, o Rei Felipe II assina uma lei que proíbe a escravidão dos índios no Brasil. Dona Princesa Isabel assinou a lei de libertação dos escravos negros sob pressão dos ingleses, donos do mundo naquela época. Os estrangeiros poderosos sempre mandaram nos brazucas. Agora mesmo, falam de um golpe militar. Quem fala? Uns babacas ignorantes, desconhecedores das motivações econômicas e políticas que regem o mundo. Sem aval dos Estados Unidos não tem golpe. E eles estão satisfeitos com a embromação de dona Dilma.

Sim, outra constatação: não existe horário de verão para aposentado. E arroz doce com canela é tão bom! Não sei porque diabo de associação de ideias, me veio esse arroz que não experimento faz séculos. Tem gente que não ta nem aí pra essas pedaladas todas e só pensa num bodezinho assado com cará São Tomé e suco de abacaxi gelado, no que apoio totalmente.

Nota: o título dessa postagem não tem nada a ver. Apenas uma anedota que me passou pela cabeça. Foi mal!

Ainda não recebi nenhum presente de fim de ano. O fato de também não ter planos para dar presentes é o de menos. Presente só tem valor se for de mão única. Não vou te dar um presente, na expectativa de receber outro. “Amigo secreto” é meu ovo direito comprometido. Meus amigos são poucos, mas sinceros e manifestos.
Dito isto, vai a seguir a lista dos presentes que eu receberei de bom grado neste fim de 2015, um ano que vai ser a bússola, o sextante e o GPS de quem quiser ir pras trevas do reacionarismo mais medieval. Pense num ano pra trás!
Esqueçamos 2015, o ano da besta e dos bestas, e foco nas listas de presentes.
01 – Um míssil balístico intercontinental para atingir mortalmente esse vírus que insiste em ocupar meus pulmões e demais vias aéreas;
02 – Uma passagem só de ida para a ilha de Trindade, o lugar mais inóspito do mundo, para meu irmão Eduardo Cunha, o famoso Cunhão, um pé no saco da nação.
03 – Em regime de urgência, uma lei que obrigue todo mundo a saber escrever minimamente para poder postar opiniões no Facebook;
04 - Sou um puro. Ou um otário. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. Como cabeça pensante da turma dos “cabeças de vento”, quero comprar fiado uma impressora para rodar jornal de bairro. Preciso urgentemente de alguém que me convença do erro que irei cometer, comprometendo o futuro já bastante avariado.
05 – Que se rompa o círculo vicioso do crime político e que minha cidadezinha consiga abrir os olhos e eleger um prefeito decente, ou pelo menos minimamente aceitável, nos padrões do político comum.
06 – E finalmente meu presente concreto, que seria o pagamento da primeira parcela do meu projeto “Cordel no rádio comunitário”. A promessa é pra hoje, dia 10 de dezembro. Se sair, amanhã tem festa aqui na Toca!


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Fim de festa

Fim de festa da mocidade independente dos sem noção

De Itabaiana do Norte, mandam me informar que já não existe mais a bagaceira da festa. Pelo menos, não com aquele ar de boemia saudável nas suas noites doentias de muita cachaça com caju, papos de antigamente com velhos e bons biriteiros e seresteiros. A bagaceira é uma espécie de relíquia das festas da Conceição que também foi ultrapassada, enodoada por novos e maus hábitos. Nos antigamente, nossa cidadezinha era mais comedida, singela e poética. Tínhamos mais estilo, se é que me entendem. Hoje, ninguém se importa de ver as partes pudendas da mocinha, do prefeito ou da própria cidade, desmanchada em seus prédios históricos por novos e ignorantes ricaços.

No lugar da bandinha tocando no coreto, botaram o paredão com seu som bate estaca. Eu sendo Secretário da ONU, considerada esse bate estaca como arma de destruição em massa de cérebros. A promotora proibiu a detonação do som em massa nas massas alopradas. Tiraram o paredão, substituído por um padre que pega pesado no quesito picaretagem espiritual. Aí foi que a festa se derreteu mesmo. Nossa antiga bagaceira estremece no túmulo.

“Nenhum homem é uma ilha”. Eu era. Aliás, sou. Velhinho de meia idade, pra mim o que era bom já era. Não vejo a hora de mandarem suspender essa festa de rua como anti-higiênica e decadente, como já se trama aqui na capital da Parahyba do Norte, para desgosto de Nossa Senhora das Neves. Sem uma cachaça pra tomar coragem, quem há de enfrentar a realidade rivotril que se abre aos nossos cansados e saudosos olhos? Uma cidade que perde até o jeito de andar, de beber, de falar e de manter suas delicadezas urbanas, ainda quer apagar a tocha olímpica com o extintor de incêndio da desfaçatez e imbecilidade de meia dúzia de políticos chinfrins.
Festa de rua, todo mundo pode fazer. O problema está na receita: um bocadinho mais de sensualidade discreta, uma pitada generosa de bom gosto e respeito à cultura local, a volta sensacional do jornal “O Gafanhoto” de Socorro Costa, o retorno triunfal das louras e das morenas no pavilhão central, roupa nova e velhos boleros no parque, uma vasta dose de harmonia entre o novo e o sagrado. A bagaceira era sagrada, até ficar sem Valdo Enxuto, José Maria Almeida, Solon Almeida, Josué Oliveira e outros monstros sagrados da vetusta e inteligente boemia itabaianense do Norte. Valdo ainda toma sua cachacinha, mas no terraço de casa, relembrando a zoada do Parque São Jorge e suas eternas canções bregas para as eternas namoradas.

Enfim, cada um com seus fins de festa.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O bêbado filósofo




Era um sábio de bar. É dele a frase: “Beber é uma estupidez; saber beber é uma virtude”.  Chato feito gato de pensão, sabia se impor pela inteligência. “O homem é um ser político e o seu lugar é no bar”, dizia.

O garçom Manoelzinho já estava acostumado com a figura. Gostava de roubar no troco, mas descontava no “choro” do uísque ou do conhaque.  “Eu confio mais em Manoelzinho do que em minha mulher”, costumava confessar.

Para os pedantes que reclamam da sorte, da crise e de Dilma, os eternos oposicionistas de mesa de bar, ele sentencia: “Hitler foi apenas o flagelo de Deus para o castigo do seu povo. Nesse caso, temos a permissão de julgar o instrumento divino? Portanto, não fale mal de quem lhe fode a vida. Você pode não saber porque está sofrendo, mas, certamente, não é de graça que botam no seu papeiro”, ironizava o bêbado filósofo.

O etilista insolente e blasfemo dizia que o homem não passa de um instrumento nas mãos de Deus, um meio de demonstrar suas teses nos duelos verbais com o Diabo. “O Deus do pobre sofredor é o Deus de Jó. A riqueza é um presente de Deus para os capacitados. Dos gananciosos é o reino de Deus”, pregava o ímpio. E mais: “A falta de caráter é a coisa mais revolucionária da História, pois todas as vezes em que alguém trai o Rei e desmancha sua Corte, faz história e muda o rumo da vida. E o que é um traidor, senão um mal caráter?”, afirmava, citando o mais recente membro do clube dos traíras, um tal de Michel Temer, “aquele velhote que gosta de se exibir com uma gostosa da bunda grande, para reafirmar sua posição ideológica”. 

Outras frases do grande e vil homem do bar “Esperança, o último que fecha” (Claro que esse não é o verdadeiro nome do bar. O Esperança é o bar do filme de Marília Pêra e Hugo Carvana, que eu revi ontem no Youtube). Ele deixou de fumar e vivia repetindo uma frase de Luiz Fernando Veríssimo: “Quem deixa de fumar fica intragável”. Só que o bicho era intragável em tempo integral, mas atraente pelas tiradas. “Sou um mambembe não remunerado da cultura de rua. Tenho ímpetos homicidas quando vejo um estúpido cagando regras e vomitando o que mal leu de outros idiotas nas tais mídias sociais”.