Como se
dizia dos juízes em Berlim, ainda há historiadores na minha terra adotiva, Itabaiana
do Norte. Para eles, como subsídio para futura reflexão sobre o passado da
cidade, deixo aqui breve anotação a respeito de Joaquim Inojosa, que fez parte
ativa no processo de formação e informação da geração de 1920/1930 em
Itabaiana, como advogado e como jornalista.
Joaquim
Inojosa de Andrade nasceu em 1901 no povoado de São Vicente Ferrer, em
Pernambuco. Foi figura marcante na Revolução de 30, participando ativamente nos
episódios da insurreição que começou com a morte do Presidente da Parahyba do
Norte, João Pessoa. Ele se moveu nos cenários da sedição na Paraíba e em
Pernambuco. No seu livro República de
Princesa, conta detalhes dos fatos políticos ocorridos na Paraíba naquela
época, culminando com a “República Independente de Princesa”, da qual ele foi
idealizador. Redigiu, a pedido do Coronel Zé Pereira, o decreto que criava a
República de Princesa, fato inédito no Brasil. Depois da constituição da
República Independente de Princesa, Inojosa redigiu seu jornal oficial, o “Jornal
de Princesa”, que era impresso clandestinamente numa tipografia do Recife.
A ligação
desse destacado vulto da Revolução de 30 com Itabaiana é similar à minha própria
história de vida, em alguns aspectos. Por motivos políticos, seus pais
transferiram-se para Itabaiana na década de 20, trazendo o futuro
revolucionário ainda nos cueiros. Meus pais também migraram de Pernambuco na
década de 50. Aqui eu cresci, amadureci e aprendi a justapor as letras e artes
com engajamento ideológico e redigi meu primeiro jornal. Findam aí as
analogias.
Joaquim
Inojosa cresceu em meio à fase de ouro da cultura itabaianense, quando a cidade
era servida de jornais diários, cinema e círculos intelectuais de alto nível.
Itabaiana era considerada a Atenas da Paraíba. Atenas, a cidade grega que foi,
no passador remotíssimo, um poderoso centro artístico, estudantil e filosófico da
antiguidade. Adolescente, o futuro insurreto entrou para o Lyceu Paraibano. Em
1919, foi fazer o curso de Direito no Recife. Um ano depois, o prefeito de
Itabaiana nomeou-o advogado dos pobres, quando ainda acadêmico. Nessa condição,
Joaquim Inojosa passou a defender os desvalidos da sorte que enfrentavam a
Justiça. É notório que a Justiça até hoje trata pobres, negros e pessoas sem
prestígio de forma parcial e iníqua. Imaginemos no começo do século XX como seria
desigual esse tratamento. Foi nessa seara que Joaquim Inojosa aprendeu a
quebrar lanças pela equanimidade. Ficou experiente nas batalhas jurídicas e virou
Promotor no Recife quando colou grau, nomeado pelo Governador de Pernambuco,
Sérgio Loreto.
Em
depoimento para o Núcleo de Documentação e Informação Histórica e Regional da
UFPb, em 1980, Joaquim Inojosa confessou que continuou ligado a Itabaiana e
colaborava com os jornais editados na cidade. A cultura itabaianense operou no
jovem jornalista e advogado uma transformação e lhe deu visões de mundo novas e
arrojadas. O autor de “A República de Princesa” foi participante ativo da
Semana de Arte Moderna de 1922. Escreveu “O Movimento Modernista em Pernambuco”,
“No pomar do vizinho”, entre outras obras. Antes de tudo, foi jornalista
combativo pelos ideais que abraçava.
Fazer uma síntese do Inojosa e deixar de citar seu comprometimento nazi-fascista durante a segunda guerra é ser parcial.
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