segunda-feira, 22 de junho de 2026

TIJOLINHOS DO MOZART

 

FOTO MEMÓRIA - Lancei meu livro “Laranja romã” na Rádio Zumbi em 2018. Só apareceram quatro leitores. Marli Sores, líder comunitária, bateu ponto no lançamento, mais esvaziado do que comício de candidato pobre. Difícil não foi escrever o livreto, ruim foi desovar os mil exemplares. E que fique claro: não sou poeta, sou ferroviário.

Que país é esse em que uma coca e um pastel custam R$ 30,00 nos aeroportos e meu livro "Laranja romã" só vale R$ 10 reais?

"Um livro de poesia na gaveta não adianta nada. Lugar de poesia é na calçada." – (Sérgio Sampaio)

"O que gera os fantasmas são as fomes e a funda insegurança dos meninos" – (Reynaldo Jardim)

O jornal comunitário “Olhos abertos”, da Sociedade Posse Nova República, no Conjunto Ditador Ernesto Geisel em João Pessoa, circulava em 2015.

Eu editava, Gilberto Bastos ilustrava e Beto Palhano fazia os contatos comerciais.

A gente operava na contramão da grande imprensa, com propostas, estéticas e públicos-alvo bem distintos. Com o avanço da internet, morreram ambos, a grande imprensa e os nanicos.  

"Mais vale uma safadeza sincera do que uma delação premiada e falsa", declarou Vavá da Luz, autor do livro de poesia fescenina que vai rachar o Brasil ao meio: metade vai gozar e a outra metade vai broxar.

O bicho vai pegar para quem maltrata o meio ambiente, conforme a Bíblia: "Chegou o tempo de julgares os mortos e de recompensares os teus servos, os profetas, os teus santos e os que temem o teu nome, tanto pequenos como grandes, e de destruir os que destroem a terra". - (Apocalipse 11:18)

Malandro é o Neymar que meteu atestado antes de começar a trabalhar.

Investigações da Barata Press indicam que a movimentação financeira do senador Jaques Wagner se destina a produzir o filme Red Horse.

Segal do Forró, de Aracaju, denuncia que os grandes artistas do circuito das festas de São João no Nordeste são donos ou ligados a empresas de apostas online, as famosas Bets.

O jogo entre as Bets, artistas, escritórios e promotores de eventos está dificultando a vida dos artistas independentes e impondo a programação do São João do Nordeste, no entender de Segal do Forró.

Xand Avião, Gustavo Lima, Zé Vaqueiro e Wesley Safadão são donos ou representantes de casas de apostas que patrocinam as maiores festas juninas.

João Gomes é um dos poucos artistas que está fora desse esquema.

Vício em aposta nas bets mata. Em São Paulo, Ana Lúcia Ferreira diz que encontrou o filho de 28 anos morto depois de ele tirar a própria vida por causa de dívida com bet.

O presidente Lula anunciou que vai congelar o dinheiro das casas de apostas ilegais e destinar esses recursos para combater o crime organizado em território nacional.

Os cantores das bets odeiam Lula e apostam na sua derrota eleitoral.

Maria das Graças Barbosa da Silva é uma cordelista de Mari. Ela publicou um longo cordel com o título “A vida sob um olhar poético”. Graça constrói suas sextilhas direitinho, com métrica quase perfeita.

Ela não usa Inteligência Artificial. Prefere o toque puramente humano. Seus textos não têm impressões digitais de algoritmos, o que a torna cem por cento orgânica.

Somos sobreviventes da era analógica, com menos automação e mais conexão real.

Nas curvas serranas do Brejo Paraibano, onde a névoa fria beija o topo das colinas, o café de sombra não é apenas uma cultura agrícola; é um elemento vivo do imaginário popular.

Enquanto o resto do estado ferve no calor do Sertão ou na brisa do litoral, o Brejo se consolidou no inconsciente coletivo como um refúgio místico, onde o tempo corre no ritmo do gotejar de um coador de pano.

Na memória do povo, o café está intrinsecamente ligado à imponência dos antigos casarões de engenho e à riqueza de cidades como Areia, Solânea e Bananeiras. No entanto, longe da opulência dos barões do passado, o que sobreviveu no coração do povo foi a herança afetiva da bebida.

O professor Alexandre Araújo, da UFPB, montou um projeto para apresentar o café brejeiro enquanto elemento cultural e vai levar a torra do café em forma de artes plásticas, teatro, literatura e tapioca, ótimo acompanhamento para um café orgânico.

O resgate do café de sombra, outrora esquecido, ressurge na mente popular não mais como um símbolo de opressão colonial, mas como um emblema de orgulho identitário, sustentabilidade e tradição que se recusa a evaporar.

Lembrando que não sou consumidor de café, mas vou lançar um cordel sobre o tema, no Projeto Caminhos do Frio.

Antigamente eu vivia como se não houvesse amanhã, como todo jovem babaca. Aí, o amanhã chegou...

O Sousa Futebol Clube da Paraíba e o Esporte Clube Internacional de Santa Maria (RS) disputam o dinossauro como mascote.

O mascote da Associação Desportiva Bahia de Feira é Erasmo Carlos.

“Eu quero agradecer ao grande escritor Fábio Mozart pelo carinho que teve em me homenagear no seu grande livro Artistas de Itabaiana, sendo para mim o maior reconhecimento em vida, graças a Deus. Obrigado amigo, e parabéns pelo seu talento.” – (Poeta Biu Salvino)

Poesia é jogo de palavras. É poeta tanto quem escreve quanto o leitor que decodifica a mensagem.

Tijolinhos poéticos para Thiago Alves, Marconi Araújo e Raniery Abrantes, Sander Lee, Chico Mulungu, Chicco Mello, Djanira Meneses, Rubens do Valle, Merlânio Maia, Kydelmir Dantas, Oliveira de Panelas, Bartolomeu Xavier, Cristine Nobre, Gilberto Baraúna, Piedade Farias, Bebé de Natércio, Antonio Marcos Monteiro e Bento Júnior.

 

VERSO DO DIA

 

Gente comendo canjica

com coalhada, leite e mel

gente que a festa adocica

anunciando cordel

 

F. Mozart

 

Desempenhando o papel

Fábio Mozart nos explica

Quem escuta poesia

O gosto na boca fica

Pra festa segue esta dica:

Chame um poeta fiel

Versos com gosto de mel

Do coco da oiticica

Gente que a festa adocica

Anunciando cordel.

 

Thiago Alves


 

 

 

 

sábado, 20 de junho de 2026

TIJOLINHOS DO MOZART

 

Futebol é do povo. A paixão não tem dono. O jogo era simples até aparecerem os executivos e cartolas. A bola não pediu autorização para rolar. Nossa paixão não tem patrocinador. Futebol de raça não passa pano para aprendiz de ditador americano. Fuck FIFA!

Ex-bolsonarista, Julian Lemos se declara: “não estou apaixonado, estou louco por Lula”.

Eu sendo Lula ficaria esperto diante dessas expressões de amor de antigos desafetos.

Puta velha não se engana: quando a promoção é boa demais, o golpe já vem no troco. Quem queria te ver queimado e as cinzas espalhadas no mar Morto, de repente aparece com “oi, sumido”, já acendeu todas as sirenes.

“O Neymar não é um ídolo do futebol, ele é o ídolo da masculinidade. Ele vive o sonho de todo homem medíocre”. – (Lady V)

Pablo Marçal cobrando R$ 500 para ver o jogo do Brasil com ele em Alphaville. Isso se chama testar os limites da imbecilidade humana.

O escritor Palmari Lucena participa de um livro que será lançado em 14 de agosto sobre o empresário José Carlos da Silva Júnior, falecido em 2021.

Em 24 de agosto na cidade de Itabaiana, o Dr. Joacir Avelino será homenageado durante as comemorações dos cinquenta anos de fundação da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz.

Os judeus não acreditam na divindade de Jesus, os cristãos não acreditam nos muçulmanos, os muçulmanos não acreditam que Jesus é Deus, os judeus não acreditam que Maomé é um profeta, os muçulmanos não acreditam que os judeus são o povo escolhido por Deus, e por que eu acreditaria em você?

A partir dessa indagação, vou refletir com meus seis ou sete ouvintes amanhã nos 10 MINUTOS NO CONFESSIONÁRIO, às 10 horas na www.radiodiariopb.com.br

Lembrei de minhas aventuras como jornalista matuto. Nos idos de 1980, tive mais uma ideia maluca: produzir um jornal humorístico, impresso em duas cores, para circular em Itabaiana e cidades vizinhas.

O nome do jornal: “O gafanhoto”. Seria a invasão do gafanhoto, aquela praga bíblica enviada por Deus para pôr à prova seu profeta Joel, ou foi Jó. Achando pouco, Deus mandou o pulgão e a lagarta comer o roçado do pobre Jó, como um grande exército destruidor.

Só que o meu gafanhoto estaria a fim de nova colheita, impedindo que sonhos sejam sepultados, iniciativas estancadas. Quem viver verá e chorará, ou não, anunciei.

“O Gafanhoto”, jornal mensal de caráter popular, irreverente e despojado, só teve uma única edição.

Nesta edição, mandei ver no editorial: “Tou com a imprensa nanica e não abro, mas o Gafanhoto não vai lutar por um mundo melhor, não vai fazer jornalismo livre, íntegro, revolucionário nem questionador.  O Gafanhoto só quer comer sua graminha e dar sua risadinha.”

“Vou contratar um bom repórter que será demitido logo, porque, conforme dizia Millôr Fernandes, “a função do jornalista é trabalhar para ser demitido”.

Em 2018, eu tentei produzir o “Pandemônio”, radiofônico que não respeitaria as estruturas de um programa de rádio comum. Procurei algumas rádios comunitárias para ver se encaixava a ideia na grade de programação, sendo informado de que o formato ficaria muito caro. Nas rádios comerciais, riram de meu projeto.

Aliás, não riram, porque não cruzo os batentes desse tipo de rádio.

Eu seria o editor, apresentador, redator, diretor de arte, office-boy e o rapaz do cafezinho.

Tem gente mais maluca do que eu: o pintor Sandoval Fagundes projetou um programa de rádio onde ele iria ensinar a desenhar através do som.

Seria a aula mais estranha do mundo. O professor não entregaria lápis nem papel. Soltaria o som de um tambor, um apito e uma chaleira fervendo. As linhas retas têm som de trem distante, círculos fazem barulho de ventilador cansado e triângulos estalam como pipoca filosófica.

Sandoval calculava que, no terceiro programa, os alunos já desenhariam girafas ouvindo saxofone e fariam retratos de nuvens a partir do miado de gatos imaginários. Ninguém entenderia nada, mas os desenhos começariam a fazer sentido. Ou talvez o sentido tenha começado a desenhar os alunos.

No fim do curso, descobririam que o segredo nunca foi aprender a desenhar através do som. Era convencer os ouvidos de que eles também sabiam enxergar. E, estranhamente, funcionava, aos ouvidos do bruxo Hermeto Pascoal.

Quando você envelhece, começa finalmente a aprender a lidar com suas fraquezas, falhas e vulnerabilidades. E assim é a vida. Assim está a vida. Assim gira a vida. De modo que, a essas alturas, estou no embalo da paz e serenidade dos idosos.

Reza uma lenda muito antiga que, toda vez que você reza, alimenta uma lenda muito antiga. E muito cruel…

Em tempos ditatoriais, poetas populares que escreveram folhetos “de putaria” tinham muita cautela, porque poderiam sofrer repressão da polícia. Muitos não assinavam os folhetos, temendo a prisão.

Alguns estudiosos do cordel chegam a classificar esses folhetos na categoria de “folhetos de gracejo”, mas, é putaria, mesmo dentro da objetividade ingênua própria da literatura popular.

Lancei um folheto de putaria com o título “Baile de Madame Preciosa na praia de Tambaba”. O cordel foi proibido, tirado de circulação em um salão de artesanato.

"Dicionário Vavá da Luz de Safadeza e Ideias Afins" foi outro trabalho meu que entrou na lista dos folhetos proibidos.

Penso redigir o folheto “Madame Preciosa na suruba milionário de Vorcaro”.

Meu companheiro Luiz Trindade, de Mari, esperando que eu vá receber o título de Cidadão Mariense na Câmara Municipal, aprovado há mais de dez anos.

“Sei que você nunca foi de aceitar bajulação e nem título de cidadão. Mas venha rever os amigos. Lembra de dona Maria Magra? Dona Socorro do Procanor? Farei questão de convidar as lideranças que lutaram conosco para acompanhar esse momento histórico e que nos faz recordar nossas lutas sob sua liderança”. - (Luiz Trindade)

Comovente para mim esses depoimentos dos camaradas marienses que combateram o bom combate comigo.

Tijolinhos cordelescos para a poeta Graziela Barduco, craque no cordel, e pra cordelista Cristine Nobre, que vai assumir cadeira na Academia Cearense de Letras.

VERSO DO DIA

Adentrei com intensidade
Sob a luz de outra estrada
Pois pensei, tão desastrada
Que pra mim pesou a idade
Mas descubro a habilidade
De sentir-me desprendida
Quando o fim virou partida
Pra diversos recomeços
Sem temer tantos tropeços
Para assim gozar a vida.

Graziela Barduco

 

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026