sábado, 13 de junho de 2026

TIJOLINHOS DO MOZART

Eu com a amiga Cássia Roque, da equipe que reconstruiu a Sociedade Cultural Zé da Luz em Itabaiana. Ela faz parte de uma galera de voluntários que, há anos, procura manter acesa a vela da cultura na terra de Vladimir Carvalho. 

Hoje, Cássia completa 50 anos. Metade de um século, um tempo de histórias e zero sinais de maturidade definitiva. Continue assim, porque funciona muito bem! E estaremos comemorando o ano todo, porque a Sociedade Zé da Luz também faz festa pelo cinquentenário.

Nessa Copa desavergonhada, o Peru ficou de fora! – (Este trocadilho fescenino eu devo a Lau Siqueira)

A eleição do Peru foi pau a pau. O meme já vem embutido.

“Arte militar é a única arte que destrói, em vez de criar.” – (Leminski)

Leminski foi um poeta que morreu de tanto viver. Lembra o amigo João de Deus Rafael. Não pela poesia, mas pela jornada de festa absoluta pela vida afora.

Um velho perdido no mundo da modernidade: doido pra ouvir a música de Totonho, mas não sei acessar o Spotify.

A vidente búlgara Baba Vanga previu que os Ets vão baixar durante a Copa do Mundo.

Se acontecer a revelação alienígena, vou sortear uma camisa da Rádio Barata no Ar com a galera do disco voador.

Agora Flávio Bolsonaro ganha! A vice da chapa dele será a nazistinha da florzinha, Júlia Zanatta.

“É como ter, como opção, Satanás para presidente e Belzebu para vice-presidente.” – (Muffs, no Bluesky)

Estados Unidos recebem a seleção do Irã para a Copa e mandam bombardear o país dos visitantes. Não é sensacional?

Torcedores mexicanos vaiaram a entrada da bandeira dos Estados Unidos na abertura da Copa. A da Argentina também foi vaiada.

Se a Copa fosse só no México seria muito melhor.

Fale quem falar, mas a melhor transmissão da Copa é da Rádio Barata no Ar. Confere aí, torcedor: https://www.radiodiariopb.com.br/barata-embarca-clandestina-para-a-copa-e-conta-tudo-sobre-a-selecao-canalhinha-programa-radio-barata-no-ar-edicao-de-no-566/

Aviso da turma que mexe com delivery: na hora do jogo do Brasil não façam pedidos. Eles vão cuspir na sua pizza.

O ex-governador Cláudio Castro foi a uma degustação de uísque em Nova York bancada por Daniel Vorcaro. O evento custou mais de R$ 5 milhões. No dia seguinte, o Rioprevidência derramou R$ 80 milhões no Banco Master.

Se o Vorcaro me chamar pra uma degustação de whisky de cinco milhões, na metade do primeiro copo eu já pedia uma Bavaria. Não me ligo muito em uísque não.

Meu toco com Vorcaro seria apenas de uns dois mil pra ajudar na entera de um carro velho que estou a fim de comprar.

As pessoas me olham com uma cara de desespero quando eu conto que não gosto de café nem de uísque. Sofro preconceito.

O deputado Pastor Sargento Isidório disse que, com o fim da escala 6x1, os trabalhadores poderão ter mais tempo para “fazer seu sexo em paz e com mais tranquilidade”.

Esses crentes neopentecostados só pensam naquilo!

Notícia da Barata Press: Lula chegou a um acordo com o Trump de designar o Flamengo como organização terrorista.

Botafogo Futebol e Regatas foi colocado à venda em anúncio de jornal inglês. Sobrevivi para ver essa infâmia. 

Uma das maiores ideias de jerico da raça humana foi a de transformar nossos times em empresas.

Um pensamento maluco que me ocorreu às 3 horas da madrugada: acho que quem dorme demais está roubando o sono da gente que tem insônia.

Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) levou R$ 1 milhão ao assinar acordo com o Itaú.

Na prática, o acordo inviabiliza o acesso dos clientes lesados à devolução do dinheiro.

Banco Central atestou ilegalidade de cobranças do Itaú, mas não adotou qualquer medida para punir o banco.

Banqueiros na cadeia, já!

Quando são presos, não tiram cadeia. Sentenças são anuladas por erros processuais, recursos judiciais se arrastam por anos e decretos de indulto presidencial extinguem as penas.

Daniel Dantas, do Opportunity, teve sua condenação anulada por participação ilegal da Abin nas investigações. Já Salvatore Cacciola e Kátia Rabello, após cumprirem parte da pena, foram beneficiados por indultos assinados, respectivamente, pelas ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer.

Seleção brasileira foi reconhecer o gramado. Alguns até provaram a grama.

Atualizando a frase: Não tem mais bobo no futebol! Só transmitindo futebol.

Deu pra encaixar Copa do Mundo e Rádio Barata. Tudo certinho. Nossa transmissão quase bate com a Globo.

O poeta Glauco Mattoso escuta a Rádio Barata no Ar.

Briga de casal gospel: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, usaria ambas pra manchar sua imagem”.

"Todos os banguelas irão para o céu, porque a Bíblia diz que no inferno haverá ranger de dentes." – (Evangelho segundo Sonsinho)

Biliu de Campina cunhou frase de efeito cruel: “Não sou a favor da pena de morte; sou pela morte sem pena.” No rádio, você já acorda ouvindo o povão rosnar: “Tem que matar, tem que ter pena de morte”.

“Eu não sou esse monstro que eles dizem que eu sou. Eu sou muito pior.” – (De um romance que li, cujo autor esqueci.)

Meu sonho era ser contista. Nunca escrevi um conto que prestasse. Optei por fazer poesia, que é um gênero onde você escreve um monte de besteiras para que um leitor inteligente reinvente e reformule o jogo de palavras.

Meus livrinhos ao alcance de todos no Sebo Cultural: https://lojasebocultural.com.br/?s=fabio+mozart

Onde tem festa de rua patrocinada por prefeitura, tem maracutaia, segundo me disse um empresário de bandas.

Hoje é dia de Santo Antonio, então remeto os tijolinhos para Dom Antonio Joaquim Alves, o Conde da Boa Vista, conhecido nas rodas artísticas como Thiago Alves.

 

VERSO DO DIA

 

Rupturas e feridas no meu tosco ego

Tudo isso eu escondo nesse ponto cego

Sou assim remanescente, salvo por um triz

Da incógnita certeza do um ponto X

 

F. Mozart

 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Rádio Barata no Ar: seis anos de irreverência, humor anárquico e resistência libertária

 

Quando o mundo parou durante a pandemia, muita gente procurou formas de escapar da monotonia, da ansiedade e do isolamento. Foi nesse cenário que nasceu o programa Rádio Barata, uma experiência radiofônica que, seis anos depois, alcança a marca de 566 episódios, consolidando-se como um dos projetos mais criativos e longevos da comunicação independente paraibana.

A ideia surgiu da inquietação criativa do escritor, teatrólogo e radialista Fábio Mozart, que há mais de cinco décadas dedica-se às artes cênicas e à produção cultural, acumulando também mais de quarenta anos de atuação no rádio. Foi dele a proposta de criar um programa capaz de misturar humor, sátira, crítica social e uma boa dose de imaginação.

Mas o Rádio Barata não seria o mesmo sem o trabalho de produção e edição de Sérgio Ricardo, responsável por transformar os roteiros em verdadeiras experiências sonoras. Com a utilização de trilhas, efeitos especiais, ruídos ambientes, sons de torcida, vinhetas e entradas simuladas ao vivo, o programa cria cenários que fazem o ouvinte esquecer que está diante de uma gravação.

Em muitos momentos, quem escuta tem a sensação de que os apresentadores estão realmente em um estádio de futebol, em uma praça pública ou no centro de algum acontecimento inusitado. É o velho poder do rádio em sua forma mais pura: a capacidade de fazer a imaginação viajar.

Ao longo dos anos, o programa foi além da conversa entre apresentadores. Com a participação de um elenco formado por cinco atores e atrizes, muitos episódios transformaram-se em verdadeiras novelas radiofônicas, recheadas de personagens, diálogos e situações absurdas que arrancam risadas e reflexões.

Por trás do humor, no entanto, existe um olhar atento para a realidade brasileira. Entre uma piada e outra, o programa lança provocações, comentários sobre a conjuntura política e críticas bem-humoradas à polarização que marca o país. Tudo isso sem perder a leveza e a irreverência que se tornaram marcas registradas da atração.

O sucesso da fórmula está justamente na combinação de talentos. Fábio Mozart cria os universos, personagens e situações. Sérgio Ricardo dá vida sonora a esses mundos. Juntos, constroem uma narrativa que mistura rádio, teatro e humor popular.

Em tempos de transmissões padronizadas e conteúdos cada vez mais parecidos, o Rádio Barata encontrou um caminho próprio. Não disputa espaço com os grandes veículos reproduzindo o que eles fazem. Faz algo diferente: transforma o cotidiano em espetáculo, a notícia em sátira e o rádio em imaginação.

Chegar ao episódio 566 representa mais do que um número expressivo. Significa manter viva uma tradição radiofônica que aposta na criatividade, na participação coletiva e na inteligência do público.

E talvez o maior elogio que o programa possa receber seja justamente aquele que seus ouvintes fazem com frequência: quando a história começa, os efeitos entram e os personagens ganham voz, eles esquecem que estão ouvindo uma gravação e passam a acreditar que tudo está acontecendo de verdade.

Essa é a magia do rádio. E a Rádio Barata continua sabendo como ninguém faze-la acontecer.

 

Por Sérgio Ricardo Santos/Rádio DiárioPB

RÁDIO BARATA NO AR - 566

 

Barata embarca clandestina para a Copa e conta tudo sobre a seleção canalhinha

RÁDIO BARATA NO AR - 566

https://www.radiodiariopb.com.br/barata-embarca-clandestina-para-a-copa-e-conta-tudo-sobre-a-selecao-canalhinha-programa-radio-barata-no-ar-edicao-de-no-566/

TIJOLINHOS DO MOZART

 

Hoje, a partir das 10 horas na Rádio DiarioPB, nova edição da Rádio Barata no Ar. Porque a vida não é somente comer, trabalhar, viver bestamente e dormir, não. A vida também é sorver besteirações supositoriamente sérias. www.radiodiariopb.com.br

“Chegou o Dia dos Namorados e eu solteira por motivos óbvios: ninguém é digno da minha beleza afrodisíaca e atemporal.”  - (Madame Preciosa)

"Virei náufrago na ilha do forró em Campina Grande" - (Rui Vieira)

Só 1% dos brasileiros lê poesia. O poeta W. J. Solha escolhe os leitores e manda seu livro para quem realmente lê. É a busca ativa do leitor.

Dez por cento dos brasileiros escreve poesia.

"O povo gosta é de putaria" – (Rui Vieira)

Em 2015, depositaram R$ 30 mil na conta de um parlamentar paraibano, ele não aceitou e devolveu aos cofres públicos. Quem contou o milagre foi Gutemberg Cardoso.

Ainda em 2015, o então deputado federal, Pedro Cunha Lima destinou emendas parlamentares para a reconstrução do teatro da Juteca (Juventude Teatral de Cruz das Armas), localizado em João Pessoa, e que estava abandonado há quase duas décadas.

Ninguém sabe em que ribalta foi parar a grana do teatro.

O teatro atualmente é uma residência. Não restou nem um sinal do antigo teatrinho comunitário. A verba também sumiu.

Facebook, uma espécie de reality show virtual onde as mal amadas invejam as barangas desinibidas, as carentes metem o pau nas jaburus, os politicamente corretos atacam os “panacas reaças”, os tímidos postam fotos estranhas de remotas fantasias e os puxa-sacos puxam, evidentemente, os sacos de seus respectivos.

O que chama a atenção, mesmo, é o festival de hipocrisia em assembleia permanente em defesa da honra, da moral e dos bons costumes.

Na grande rede cibernética, lemos as cartas coletivas de um Brasil galinha caipira que só cisca pra trás.

Somos todos anti-heróis da canalhice, no fundo.

"O problema de ser jornalista é que você sabe que, a não ser um buraco de rua ou a previsão do tempo, quase tudo é contado mentirosamente." – (Xico Sá)

Estatisticamente, as mulheres dirigem melhor do que os homens. E esteticamente também.

Ouvi de um cabra em Itabaiana: "minha cidade tá encruada". Fui ver no Aurélio, encruado: que não cresce, não progride.

Hoje eu ia dar uma voltinha de bicicleta, mas achei melhor evitar. Não posso me contundir em plena Copa do Mundo.

Brecht escreveu: “Pobre do país que precisa de heróis”. O Brasil precisa do Neymar. É de lascar!

Em 1970, vi a Copa pela primeira vez em uma TV. Os gols daquela Copa eu vejo quase todo dia. Faz parte do imaginário de quem gosta do jogo de bola no pé.

Madame Preciosa promete correr nua pelas ruas se o Brasil ganhar a Copa. Torcida canarinha diminuiu muito depois do anúncio.

Dizem que a copa do mundo é como o sexo na vida dos ingleses: acontece de quatro em quatro anos e o resultado nem sempre é satisfatório.

“Quando Lula fala, o mundo se enche de luz”. – (Marilena Chaui, no auge da filosofia chaleirista)

A cantora Joelma passou a cantar música de crente que dá mais dinheiro.

"Professor não deveria fazer greve por aumento de salário. Nós, sociedade, é que tínhamos de fazer essa greve por aumento de salário dos professores. Nós somos os maiores interessados." – (Escritor Pedro Bandeira)

Manoel Gomes, o cantor da caneta azul, será candidato a deputado. E Toinho do Sopão, onde anda?

Por que o título Toca do Leão para meu blog? Sou pernambucano, uma região historicamente combativa e com espírito revolucionário.

Por sua bravura, Pernambuco foi a pedra no sapato da Coroa Portuguesa e de qualquer opressor.

Fizemos a Insurreição Pernambucana de 1645, a Revolução Pernambucana de 1817, a Confederação do Equador em 1824 e a Revolução Praieira de 1848.

O leão, como símbolo de força, bravura e soberania, encaixou-se perfeitamente para descrever uma província que rugia alto contra a tirania.”

“Portanto, quando alguém falar em **Leão do Norte, saiba que o "Norte" é uma herança da geografia antiga, e o "Leão" é o tamanho da coragem de um estado que nunca aceitou baixar a cabeça.” – (Página No Princípio era o Verbo)

Por sinal, hoje é o dia do Papa Leão III.

Esse Papa foi acusado de adultério. Sofreu atentado, tinha muitos inimigos. O Imperador Carlos Magno condenou todos os opositores do papa à morte. No entanto, o próprio Leão III retirou a sentença.

Quando morreu com 66 anos, foi considerado santo.

Matureia é a cidade mais alta da Paraíba, acima de 800 metros de altitude. Preciso visitar Matureia. Lá fica o pico do Jabre, a maior montanha paraibana.

Matureia tem 6 mil habitantes e recebe muitos turistas de aventura. Eu só desejo passear um pouco pelas suas ruas e dormir numa pousada, no frio do lugar.

A origem do nome da cidade deriva de "maturi" (o caju antes de amadurecer), devido à grande quantidade de cajueiros que existiam na região.

Paraíba é meu mundo e eu não conheço nem uma sexta parte dessa nação de cabras da peste.

Tijolinhos para o paraibano de Monteiro, Totonho, que ganhou o Prêmio da Música Brasileira 2026 na categoria Melhor Lançamento de Funk com o disco “Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato”.

 

VERSO DO DIA

   

 

Minha terra tem palmeiras

onde canta o tico-tico.

Enquanto isso o sabiá

vive comendo o meu fubá.

 

Ficou moderno o Brasil

ficou moderno o milagre:

a água já não vira vinho,

vira direto vinagre.

 

Minha terra tem Palmares

memória cala-te já.

Peço licença poética

Belém capital Pará.

 

Cacaso

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Itabaiana: onde a História nunca terminou

 


Existem cidades cuja importância se explica por um acontecimento decisivo. Outras são lembradas pelos monumentos que preservam. Itabaiana pertence a uma categoria diferente. Sua história não se concentra em um único episódio nem se resume ao patrimônio construído ao longo dos séculos. Ela se revela na continuidade de práticas, costumes e referências que permanecem presentes na vida cotidiana.

Situada no Vale do Paraíba, a cidade foi moldada por sucessivas gerações de indígenas, missionários, agricultores, comerciantes, artesãos, artistas e trabalhadores anônimos. As marcas dessa formação podem ser percebidas nas ruas, nas igrejas, nas festas populares e na maneira como seus habitantes se relacionam com o lugar onde vivem. Em cada família sobrevive uma lembrança; em cada geração, histórias que ajudam a compreender a cidade para além dos registros oficiais.

Em Itabaiana, o passado raramente surge como assunto distante. Ele aparece numa celebração religiosa, numa fotografia guardada há décadas, numa narrativa transmitida entre parentes ou numa referência que todos parecem compreender sem necessidade de explicação. A cidade não vive presa àquilo que foi, mas também não rompeu os vínculos com suas origens. É justamente nessa convivência entre permanência e transformação que reside uma de suas características mais marcantes.

Tudo começa pelo nome.

Poucas cidades brasileiras discutem sua origem com tanta persistência quanto Itabaiana. A controvérsia entre “Tabaiana” e “Ita-baiana” ultrapassa a questão linguística e alcança o terreno da interpretação histórica. Para alguns, o nome guarda a herança dos povos indígenas que habitaram a região muito antes da colonização. Para outros, sua origem estaria ligada a uma pedra avermelhada existente às margens do rio Paraíba. Nenhuma das explicações se impôs de forma definitiva. Ambas continuam circulando, alimentando uma discussão que atravessa gerações.

Talvez seja justamente essa coexistência de versões que torne a questão tão reveladora. Em vez de buscar uma resposta única, a cidade parece acolher diferentes leituras sobre si mesma. Como acontece com tantas localidades antigas, a memória coletiva preserva não apenas certezas, mas também dúvidas, interpretações e histórias que resistem ao tempo.

A presença humana organizada na região remonta ao período colonial, quando os jesuítas estabeleceram a Missão do Pilar, lançando as bases de um núcleo que ganharia importância crescente ao longo dos séculos. A criação da comarca, em 1864, consolidou a relevância administrativa e política da cidade. Mas os documentos e decretos contam apenas uma parte dessa trajetória. A outra encontra-se dispersa nas tradições familiares, nos arquivos religiosos, nas narrativas orais e nos costumes que continuam a ser transmitidos.

Quem percorre Itabaiana percebe rapidamente a força da religiosidade em sua formação social. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição não representa apenas um marco arquitetônico; constitui um espaço de encontro e continuidade. Desde o início do século XX, as celebrações dedicadas à padroeira reúnem famílias, renovam vínculos e reafirmam práticas que atravessaram diferentes épocas. Em torno dessas celebrações, a cidade preserva uma dimensão comunitária que continua a desempenhar papel importante em sua vida cotidiana.

Entretanto, reduzir Itabaiana à sua tradição religiosa seria ignorar outra faceta de sua história.

No início do século XIX, quando as ideias da Revolução de 1817 circularam pelo Nordeste, a cidade não permaneceu alheia às transformações políticas de seu tempo. Embora distante dos principais centros de decisão, absorveu debates que mobilizavam proprietários, comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores. As discussões sobre autonomia, representação e participação política deixaram marcas que contribuíram para formar uma sociedade atenta às mudanças sem abandonar completamente suas referências tradicionais.

Essa combinação entre permanência e renovação também ajuda a compreender a expressiva contribuição da cidade para a cultura brasileira. O cineasta Wladimir de Carvalho levou para as telas histórias que ajudaram a interpretar o país; Sivuca transformou o acordeon em instrumento de alcance internacional; Otto Cavalcanti e Abelardo Jurema destacaram-se na vida intelectual e pública. Tenente Lucena dedicou-se ao estudo e à preservação do folclore nordestino.

Entre todos esses nomes, porém, poucos se aproximaram tanto da experiência cotidiana do povo quanto Zé da Luz. Sua poesia nasceu da oralidade, da conversa comum, do humor, dos afetos e das pequenas observações da vida diária.

“Se um dia nós se gostasse,
Se um dia nós se queresse,
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse...”

A mesma vitalidade pode ser observada nas manifestações populares, nos festejos religiosos, nos encontros familiares e nos costumes que permanecem presentes no cotidiano da cidade.

Há também uma Itabaiana que dificilmente aparece nos registros históricos. Ela se revela na hospitalidade de seus moradores, na preservação dos laços familiares, na familiaridade entre vizinhos e na maneira como antigas referências continuam encontrando espaço em tempos de mudança.

Num período marcado pela rapidez das transformações e pela tendência à uniformização das paisagens urbanas, Itabaiana segue reconhecível para aqueles que a conhecem. Não porque tenha permanecido imóvel, mas porque soube incorporar mudanças sem romper completamente os vínculos com sua própria formação.

Quando a tarde desce sobre o Vale do Paraíba e o movimento das ruas diminui, torna-se mais fácil perceber que a importância da cidade não reside apenas nos fatos que protagonizou ou nas personalidades que revelou. Ela está também na maneira como diferentes gerações encontraram formas de conservar referências comuns enquanto construíam novos caminhos.

O visitante deixa a cidade levando consigo mais do que informações históricas. Leva a percepção de um lugar que atravessou transformações profundas sem perder inteiramente sua fisionomia cultural.

Talvez por isso Itabaiana permaneça na lembrança de quem a conhece. Não por prometer grandezas nem por recorrer a gestos de exaltação, mas pela coerência entre aquilo que foi e aquilo que continua sendo. Enquanto tantas paisagens se transformam a ponto de se tornarem irreconhecíveis, Itabaiana continua encontrando maneiras de permanecer ela mesma. E é nessa continuidade discreta, construída ao longo do tempo por milhares de vidas anônimas e algumas figuras memoráveis, que reside seu valor mais duradouro.

Palmerí H. de Lucena

TIJOLINHOS DO MOZART

 

Recebi com satisfação o livro que o estimado escritor Waldemar José Solha gentilmente me enviou. Agradeço imensamente a generosidade da lembrança e a oportunidade de desfrutar mais uma obra de um dos mais importantes nomes da literatura paraibana e brasileira. Minha sincera gratidão, acompanhada da admiração de sempre.

Esperarei o momento em que possa absorver cada página com total entrega e atenção que merece a obra de Solha.

Ascendino Leite viajava com a gentalha. "Atravesso a cidade em ônibus, acabo em Grajaú, no meu anonimato, no meio da mais promíscua das companhias - a gente que usa os coletivos."  - (Ascendino Leite em "Sementes no espaço")

Rádio Barata leva a Copa na esportiva e garante sua participação. Pare, olhe e escute amanhã na www.radiodiariopb.com.br

Na reportagem da Barata, Neymar entrou em campo, mas ninguém viu.

As pessoas tendem a ser mais criativas quando estão bêbadas. Meus melhores poemas foram escritos em mesa de bar. Deixei de beber, minha musa inspiradora deu no pé.

Trump lê meus tijolinhos, mas entra num ouvido e sai no outro. Ele tá de olho é em Madame Preciosa e seus terrorismos sexuais.

Cinco marias no forró: Maria Pata, Maria Peta, Maria Pita, Maria Pota e Maria Xuxa.

Meninas da seleção jogam com garra e os caras da seleção masculina jogam de salto alto.

Em 2019, um deputado paraibano, de Campina Grande, propõe uma “Noção de Parabéns” para o Presidente Jair.

“Ele merece essa ‘Noção’, porque vem armando o povo contra os bandidos, vai liberar acidente de trânsito, vai liberar caça dos animais florestais, vai acabar com concurso público que só tem vagabundo e vai acabar com a farra de velho se aposentar na folga, sem trabalhar”.

O deputado sem noção mal desconfiava do que seja uma Moção de Aplausos.

Damares pretende se casar e tá aceitando currículo. Ela promete ser uma escrava fiel, conforme pede a Bíblia, e garante que é mais virgem do que Eva antes de pegar na cobra.

Irmã Damares garante que será uma esposa retardada e conformada, seguindo os preceitos bíblicos.

Ela defendeu a abstinência sexual, assunto que deve ser discutido nas escolas. Ser donzelo é a moda. Agora, Ameba acha que isso de abstinência sexual não é cem por cento seguro, não é tão eficiente. Na Bíblia mesmo tem o caso de uma moça que engravidou ainda virgem.

Nordestino não cai em depressão. Fica jururu. Ou capiongo.

Galera, Padre Fábio Melo não fez voto de pobreza. Deixem o vigário cobrar 580 mil para cantar pra Jesus!

A profissão mais antiga do mundo é o jornalismo, e não a prostituição. Se bem que, atualmente, as duas andam se confundindo...

Ontem foi o dia do porteiro. Comprou o presente do seu porteiro, madame? Ou vai continuar esbravejando contra a ascensão social dos pobres, com seu racismo/preconceito colado até os ossos?

Hoje é dia da Marinha Brasileira. Marinheiro experiente não reclama do balanço do navio, reclama quando a cama em terra não balança.

Ministério Público da Paraíba quer saber por ordem de quem o cantor Safadão e Efraim Filho estavam fazendo propaganda política antecipada no São João de Campina Grande.

O mesmo Safadão está envolvido em suposto esquema criminoso do deputado Júnior Mano no Ceará.

Safadão, sempre justificando o nome de guerra.

Maria Vergínia, de Maringá, no Paraná, anuncia exposição de cordel de 22 de junho a 3 de julho. Pede-me uma foto, um poema e breve biografia para expor no evento, que será montado no hall da Câmara de Maringá.

Sinto que esse tipo de reconhecimento do meu humilde trabalho  restaura um tantinho que seja as endorfinas do meu cérebro.  

Enviei para essa exposição um poema cordelesco, “A igreja da poesia”, onde cito Lau Siqueira, Archidy Picado Filho, Humberto Almeida, Sander Lee e outras figuras do mundo da poesia paraibana.

Estou lendo “Uns brasileiros”, de Mário Prata. Fiquei sabendo que D. Pedro I teve dois filhos com duas irmãs, no mesmo ano de 1823. A Marquesa de Santos e sua irmã, Maria Benedita, eram amantes do Imperador.

Também tive notícia de que essa Marquesa de Santos jamais esteve em Santos.

Aos 28 anos, D. Pedro I já era pai de 14 filhos. Se fosse um cidadão comum, a Santa Igreja enviaria esse Imperador para o inferno, onde é mais quente do que a Paraíba.

O livro conta a piada do Papa que ia morrer e só se salvaria se fizesse sexo. Ele concordou, desde que a mulher fosse cega para não ver o Papa nu, e surda, para o caso dele falar alguma besteira duramente o ato.

E outra: o papa queria uma mulher dos seios fartos como Madame Preciosa. Uma fêmea dos peitos grandes era essencial. Para quê, Santo Papa? “Quia unus erit et quiaia placet”.

Tradução: “porque será minha única cópula e eu sempre adorei mulheres dos peitões.”

Mário Prata conta que os escravos, ao chegarem ao Brasil, eram batizados. Os homens passavam a se chamar Francisco e as mulheres Maria. Os de outro navio, podiam ser todos Manoel e as mulheres Ana.

O padre jogava uma aguinha nos pretos que chegavam e dizia: “Eu te batizo Francisco”. A Igreja era sócia no negócio da escravidão.

Amanhã, às 10 horas estarei na Copa e na cozinha, conversando coisas vis com meia dúzia de imbecis. É nós no circo Brasil. Rádio Barata no Ar, na www.radiodiariopb.com.br

Rádio Barata é feito mosca: tem um faro especial pra merda.

A manipulação da Rede Globo no futebol brasileiro iniciada em 1977, deu origem ao documentário "Uma torcida criada pela Globo" de Marizabel Kowalski.

Boa pedida, entre um jogo e outro da Copa.

Tijolinhos de hoje para o marinheiro Welington Costa, de Cabedelo.

 

VERSO DO DIA

 

Vivemos mil infernos nesta vida:

O astral, emocional... E, portanto,

Somos adeptos desse desencanto

Da existência vã, desiludida.

Na chuva dos tormentos, sem guarida,

Nos encharcando de penúria e pranto,

Sonhando pesadelos, sem no entanto

Deixar no ocaso a vida que é vivida.

Quem é da luta torpe e biliosa

Desfaz o choro, vê que é carne e goza

Sem pudicícia e com concupiscência.

Posto que a vida é isso, um momento,

Sem o garimpo do encantamento

Que razão teria a existência?

 

F. Mozart

 

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

TIJOLINHOS DO MOZART

 

A jornalista Fabiana Veloso, vice-presidente da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, esteve presente na leitura e aprovação de Moção de Louvor à entidade pelo cinquentenário, aprovada ontem (9) na Câmara Municipal de João Pessoa, proposta do vereador Marcos Henriques. (Foto: Eudes Hermano)

O poeta Damião Ramos Cavalcanti ligou para uma breve conversa sobre nossos antigamentes nas cidades de Pilar e Itabaiana, seu universo originário.

O poeta ficou sabendo que o outro poeta de Pilar, Evanio Teixeira, estava formando a Academia Pilarense de Letras e teria a maior honra em inscrever Damião na nova entidade, ele que é imortal da Academia Paraibana de Letras.

Damião ficou mais agradado ao saber que seu amigo Frutuoso Chaves e a diva Zezita Mattos estarão compondo a futura Academia Pilarense de Letras.

Cavalcanti recomendou os nomes de Lenilda Melo, filha do senhor Hélio, que morava perto da cadeia. Atualmente mora em Campina Grande. Falou em Zezita Mattos e Hélida Brito, filha de Zé Augusto de Brito.

Sugeriu ainda como um dos patronos Padre Manoel Gomes, que era amigo de José Lins do Rego, e Domício Pontes, general do Exército, filho de Pilar que mora em João Pessoa. 

O amigo Artur Anderson, de Itabaiana, reclamando de fotos alteradas por IA que publico aqui. Ele diz que são “fotos destruídas por IA”.

Eu mereço o carão do leitor.

Dou razão a quem constrange pessoas por uso tosco de inteligência artificial.

"As pessoas deveriam voltar a ter vergonha de ser burras." – De um cara no Bluesky.

Sonhei que o aplicativo do Banco Itaú me avisava: “cuidado, você está sendo vítima de um golpe deste banco.”

Corda não se rompe no lado do mais fraco. Enforca.

“Eu noto que quem é dono apenas de cachorro, quer lutar pra ver quem tem o melhor cachorro do mundo.  Quem é dono de gato, além de amar todos os gatos do mundo, luta pra saber quem tem o gato mais filho da puta do mundo.” – (Mano Cat)

Aliomar Helena Tavares Cartaxo é neta-sobrinha da heroína itabaianense Leonilla Almeida. “Sinto-me orgulhosa de ser parente dessa mulher guerreira”, afirma Aliomar em mensagem à Toca do Leão.

Há uns 10 anos, eu juntava documentos e fotografias para escrever livro sobre a vida de Leonilla Almeida.

Em refrega jurídica, o advogado defensor da outra parte que me acusava disse à Juíza que meu blog Toca do Leão “é potencialmente perigoso para o Estado de Direito”.

Achei tão ridículo o exagero do doutor que nem fiquei ofendido. O advogado precisa garantir o seu, a parte contrária precisa de argumentos e a humanidade precisa urgentemente de humor sadio.

Sombrio o mundo da música no Brasil. Tirando os grupos de hip hop, alguns que sobraram sem pensar em fazer sucesso e ganhar muita grana, e os caras nas trincheiras de rádios comunitárias autênticas e raríssimas, nada se ouve.

É um silêncio em estado bruto, abafado pela música ruim e pela TV medíocre. O que resta é ruído.

O coleguinha Sérgio Ricardo, com quem divido ideias, planos e projetos, quase ia às tais vias de fato com dois sujeitos que ousaram falar mal da Rádio Barata no Ar. Acuso esses dois babacas por crime de inveja e preconceito idiota. Se bem que todo preconceito é idiota.

Na linha da acusação, apresento o padre paraibano Daniel Lima.

"Acuso Daniel Lima de, quando ouvia falar em 'socialismo cristão', afirmar com desdém que 'socialismo é socialismo, isto é safadeza de padre'". 

"Acuso Daniel Lima de ter-se disfarçado de jornalista e convivido durante um mês, no Rio de Janeiro, no Morro do Esqueleto, com favelados, malandros e bandidos." 

"Acuso Daniel Lima de ter varado uma madrugada até o nascer do sol, em companhia de Jommard Muniz de Brito, Wilson Araújo de Souza e outros irreverentes, percorrendo quilométrica discussão sobre filosofia e estética, regadas a bebida alcoólica." 

"Acuso Daniel Lima de ser matriz de comportamentos domésticos de péssima instrução para as crianças, como fritar ovo com óleo de peroba e passar bife no ferro de engomar." 

Esses relatos são atribuídos a Marcelo Mário de Melo, que diz ter colhido as histórias ao longo dos anos com vários amigos do padre Daniel. 

Em 2015, Vladimir Carvalho respondeu a um artigo que escrevi na Toca do Leão sobre o artista Pingolenço. Ele testemunhou o espetáculo do circo de Pingolenço na feira de Itabaiana. Eis o bilhete do mestre:

“Caro amigo Fábio Mozart: Você é o tipo do homem necessário nessa terra que é nossa, do coração. Comovi-me com a sua garimpagem encontrando essa jovem poeta inédita. Que beleza! No seu blog descobri que há esse livro sobre o velho Pingolenço, que conheci no meu tempo de menino, em plena atividade e por quem tenho, além da admiração, uma enorme curiosidade. Como faço para conseguir esse precioso documento? Grande abraço, Vladimir Carvalho - Brasília/DF”

Eu expliquei ao Valdimir que, na verdade, o livro de José Augusto de Brito oferece poucas referências sobre Pingolenço, apesar do título da obra. O que sei dessa personagem foi-me contado por meu pai, jornalista Arnaud Costa, já falecido.

Estou tentando escrever roteiro para um documentário sobre minha terra adotiva e pátria do meu pai, irmãos e filhos. O título provisório: “Itabaiana, terra de bamba”.

Não sei se teremos condições técnicas para inserir trechos de ficção, mas se for possível certamente Pingolenço estará no filme, fazendo graça no meio da rua e fazendo justiça entre os desvalidos.

Meu pai conta que Pingolenço morreu desvalido e humilhado. Foi no tempo da segunda guerra. Com a escassez de combustível, o óleo era muito valorizado. Vendia-se óleo combustível nas ruas de Itabaiana em uma carroça de boi. Pingolenço aparava as sobras que pingavam da torneira para queimar em seu candeeiro e foi por isso desmoralizado pelo dono. Seu coração não suportou o ultraje e parou.

Se conseguir transpor os obstáculos e produzir tal documentário, vou logo adiantando que será dedicado ao Vladimir Carvalho, honra e glória da terra de Zé da Luz e Abelardo Jurema.

No momento estamos em fase de captação de recursos via leis de incentivo à cultura, mas essas fontes estão cada vez mais escassas.

Tijolinhos literários para o poeta Rafael Vasconcelos, de Pilar.

 

VERSO DO DIA

 

Quem não gostou da Barata

Dessa minha gozação

Não sou dono da razão

Nem do chinelo que mata

Tire daqui sua pata

Vá abusar sua tia

A barata é rebeldia

Rainha da confusão

Soque a sua opinião

Muito obrigado e bom dia.

 

Antonio Xexéu