quarta-feira, 1 de agosto de 2012

COLUNA DE ADEILDO VIEIRA


Unidos Venceríamos!

Entendendo o projeto de cultura do SINDIFISCO-PB

Adeildo Vieira

Existe um poder avassalador que mora na cabeça do ser humano. É o poder de acreditar, que quando associado ao poder de querer fazer pode gerar grandes ações transformadoras. Agora vamos imaginar se esta superposição de poderes tiver ainda o poder estrutural como suporte, aquele a que chamamos de financeiro, o poder de ter dinheiro, pra ser mais claro... Resultado imbatível!!!  Bom, é o que se espera de instituições que existem com o único fim de promover transformações. São governos, sindicatos, ONGs, OSCIPs, e tantas outras organizações públicas e privadas que têm o cofre cheio, mas que, infelizmente, acabam demonstrando pobreza nas idéias. A muitas falta o querer, a outras soma-se o não acreditar, o que é ainda mais triste.

A arte e a cultura talvez sejam as áreas campeãs no campo do não acreditar das organizações. É que existe uma cultura de não acreditar na cultura, aliada a uma ignorância sobre a importância do fazer artístico-cultural para uma sociedade. No ramo sindical, por exemplo, há sobre o fazer cultural uma mescla entre compreensão panfletária, defendida pelos velhos sobreviventes da ditadura, e uma visão recreativa, bailada pelos novos revolucionários na era democrática. Só que entre Vandré e Zeca Pagodinho, tem vencido o segundo. Nada contra o pagode, mas o fato é que ele nunca vem sozinho, há sempre um churrasco e uns barris de chopp pra acompanhar. Bom, eu até gosto dessa mistura, mas o fato é que as entidades sindicais bem que poderiam ampliar suas ações, pensando cultura de uma forma mais comprometida com a dita transformação social, abraçando a cultura brasileira em suas diversas manifestações que, além de botar pra dançar, também nos levam ao deleite pela reflexão poética e pela visitação lúdica ao nosso umbigo brasiliano. E isso é transformador. Depois a gente cai no samba, no côco, no frevo, no maracatu, que ninguém é de ferro! Com ou sem chopp.

Mas chamo a atenção para uma entidade sindical que tem compreendido a importância da cultura para a sociedade. Trata-se do SINDIFISCO - PB – Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado da Paraíba, que desenvolve, há mais de cinco anos, o projeto SINDICULTURA, promovendo a circulação de atividades culturais de vários gêneros por todo o estado. O mais interessante é que não há apelo popular no desenvolvimento do projeto, pois entre comédias e dramas teatrais circulam também shows cantados e instrumentais e outras propostas artísticas com o que há de melhor na nossa cena cultural. Há nesta ação sindical um misto de compromisso com a formação de público para a produção cultural paraibana aliado ao respeito com que são tratados os artistas contemplados no projeto. É um caso em que uma entidade de trabalhadores cumpre o papel de muitas instituições de cultura. Podemos dizer que a compreensão do SINDIFISCO-PB sobre a cultura tem sido transformadora, com resultados que serão colhidos a longo prazo, como toda ação necessária que se arvora a desafiar o olhar vesgo das multidões.

Há muito que eu sonho com o advento de um projeto intersindical de cultura, orquestrado por entidades de trabalhadores que compreendessem a importância de ações culturais e artísticas para o crescimento do cidadão e da sociedade. Um projeto que consorciasse recursos financeiros, movendo estratégias capazes de fazer girar as engrenagens da cultura em favor do desenvolvimento humano. Seriam os trabalhadores organizados montando um futuro à luz de um passado escrito pelos Centros Populares de Cultura da UNE dos anos sessenta. Claro que o momento é outro, com a iridescente luz da democracia apontada aos nossos olhos. Mas democracia (ainda mais esta, que escraviza produzindo ignorância) não pode ofuscar os olhos de quem é capaz de combater a estupidez cultural que tem assolado nosso país. Vale mesmo é citar o exemplo do SINDIFISCO – PB, que bota a arte e a cultura no seu devido lugar.


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