FOTO MEMÓRIA – Em 2017, equipe
do programa Multimistura da Rádio Zumbi. Da esquerda para a
direita, Dalmo de Xangô, Beto Palhano (in memoriam), Mailton Santos (visitante,
da Rádio Alternativa de Gurinhém), Fábio Mozart, João de Deus (in memoriam) e
Marcos Veloso (in memoriam).
Hoje, o placar tá 3x0 contra a vida. Três já se foram, e sobramos eu e o outro sobrevivente, olhando um pro outro como quem diz: “E aí, quem vai primeiro?”
Virou praticamente um bolão macabro. A gente não aposta mais em futebol, nem em eleição… agora é em quem vai dar baixa no CPF primeiro. O prêmio? Uma coroa de flores e a chance de não ter que pagar a conta do bar.
Aparentemente, ninguém dá mostra de apavoramento. Porque, convenhamos, se a morte já levou três, a gente não tem medo. Tem é curiosidade. É tipo reality show: quem será eliminado no próximo episódio?
No fim das contas, a própria Rádio Zumbi faleceu. Saiu do ar.
O bloco Raparigas de Chico cresce exponencialmente. O número de raparigas multiplicou, já tem rapariga na fila de espera. A Rádio Barata vai formar o bloco Gigolôs de Chico, pra encaixar nas Raparigas de Chico. Aguarde novidades desse bloco, o mais novo fuzuê no mundo da prostituição carnavalesca.
Aqui em João Pessoa não tem carnaval. Só prévias. E o bloco das Cuecas se uniu com o bloco das calcinhas, com apoio do bloco das ceroulas e desapareceu no fundo da folia.
Esses blocos apresentam muito improviso, descontração e outros hábitos primitivos, bizarros e ridículos. Meu bloco é o bloco da Rola Cansada. Esse circo dos horrores da meia idade é o famoso concentra, mas não sai. Se sair, não retorna.
A gente deve sempre ouvir os conselhos dos outros. Por exemplo, meu amigo Ameba, eu sempre presto muita atenção no que ele diz. E sempre faço o contrário do que ele aconselha. Tem dado certo.
Em 2018, Rosilene Gomes, ex-Presidente da Federação Paraibana de Futebol, foi condenada a cinco anos de reclusão por furto qualificado. Mas, cadê que teve manifestação pública de apoio a dona Rosilene, uma mulher que deu sua vida pra ver a bola rolar, e como rolou bola na Federação de Futebol!
A pena: ficou no regime semiaberto. Um dia abre, outro dia fecha. É a prisão pisca-pisca.
"O
crime compensa e recompensa. Todo rico é um ladrão ou filho de larápio." –
(Ameba, com a febre do rato)
-Qual seu maior defeito?
-Eu me meto nas conversas de
outras pessoas.
-Essa pergunta não foi pra você.
-Ah tá, perdão.
O “joão-pobre” (Serpophaga nigricans) é uma ave passeriforme da família Tyrannidae. Jamais esteve sob risco de extinção.
Em um ato de reconhecimento, agradeço imensamente a Sérgio Ricardo Santos, Thiago Alves, Clévia Paz, Fabiana Veloso, Das Dores Neta, Nini Soares e demais membros que estão na luta pelo soerguimento da Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz, entidade que fundei em 1976 em Itabaiana.
Sociedade Zé da Luz morreu? Para os tolos, sim. Mas, mal sabem eles (os babacas) que tudo não passa de uma estratégia nossa que, do alto de nossa sapiência, demos um passo para trás para podermos dar vários para frente, no futuro. Quem viver, brilhará conosco.
Em um ato apoiador, concordo em gênero, número e degrau com a atriz Djanira Meneses, de Solânea, que protesta diante da violência contra as mulheres. Ela será líder de uma caminhada, essa sim, decente, em fevereiro, exigindo políticas públicas, proteção às mulheres e punição aos agressores.
Em um ato fantasioso, imagino um país que não precise presumir que um rapaz é bandido só porque ele usa boné, bermuda, mora nas quebradas, tem andar de marinheiro e veste preto básico na pele.
Em um ato sensível, por mais duro que possa parecer, o velho Leão foi a Mogeiro se despedir do camarada Marcos Veloso, porque a morte sempre tem uma certa carga de lirismo.
Em um ato obstinado, vou cumprir minha pauta de produzir o programa Estação Cultura na próxima quarta-feira (amanhã), na Rádio Comunitária Solânea FM.
Em um ato estético civilizatório, vou terminar a produção da segunda edição do livro Artistas de Itabaiana, para lançamento em fevereiro. O tempo passa e eu continuo sendo aquele cara sonhador que acredita nessas empreitadas culturais. Porque, se não for utopista não é poeta.
Não tenho certeza de que sou poeta, mas voluntarioso e persistente sei que sou.
Tem bolsonaristas afirmando que Lula mandou drones lançadores de raios pra jornada eletrizante do deputado Chupetinha no domingo.
Deu na Barata Press: o ativista alcoolista Zé Barata realizou uma grande marcha revolucionária, uma caminhada épica de sua casa até o Bar de Mané do Bar.
A marcha, que durou exatos 7 minutos e 32 segundos, foi acompanhada por três curiosos, um cachorro e um carro de som emprestado da associação de moradores do Conjunto Habitacional Sonho Meu e Pesadelo Teu.
Ao chegar ao destino, Zé foi surpreendido por uma forte chuva com raios que os partam e a cara feia de Mané do Bar. “Tá bom, Zé, mas paga a conta da semana passada primeiro”, disse o proprietário do estabelecimento.
Nada mais havendo a tratar, finalizo os tijolinhos de hoje, 27 de janeiro, Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, sem esquecer que os ciganos também foram vítimas de genocídio na Europa em meados do século 20. E os ciganos continuam a sofrer.
Tijolos libertários póstumos para Pedro Fazendeiro, itabaianense que foi assassinado pelo Exército por lutar contra as injustiças sociais de sua época. Homem simples da terra, transformou sua experiência no campo em força política, organizando trabalhadores e desafiando estruturas de poder.
E
nos Estados Unidos, até quando tavam matando só a galera com tom de
pele mais escura, não era fascismo. Mas agora é.
VERSO DO DIA
Tudo é uma questão
de peso e medida:
o tamanduá é feliz
com a boca cheia de formiga.
(nenhum protesto na repartição
a não ser os de estima
e consideração.)
Sérgio de Castro Pinto

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