Entre o Natal e o Ano-Novo terminei de ler o livro de crônicas "Meu livro é um Fracasso de Vendas", de Fábio Mozart. Lendo as primeiras crônicas já fui me conscientizando de que iria gostar muito. Bom, amo crônicas, na contramão da crítica tradicional e especializada que trata o gênero como subliteratura. Eu o classificaria mais como sob, no sentido daquilo que está abaixo, imediatamente abaixo, mas de fácil encontrar e, portanto, capaz de fazer modificar o olhar de quem procurar e ver.
Crônica para mim é algo que, no raso de suas águas de informações, encontra-se na profundidade característica de seu efeito sobre o leitor. Li muito a coleção "Para Gostar de Ler" onde grandes nomes como Drummond, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino me deliciaram, fazendo fortalecer meu humor diário. Depois, outros grandes nomes compuseram a coleção, como Luis Fernando Veríssimo e Stanislau Ponte Preta. Fizeram-me rir às gargalhadas com seu humor límpido ou áspero. Posteriormente vieram os autores internacionais e a divisão por temas: comédias, suspense, ficção científica etc. Li quase toda a coleção e aprendi com esses autores muito do que sei. Agradeço sempre aos grandes nomes que li por ter aprendido tanto. Quando lancei oficialmente meu primeiro livro de poesias e me propus a fazer um recital, uma de minhas sobrinhas me perguntou: "Tio, você vai recitar textos seus?" E eu respondi: "Não, de autores e autoras aos quais devo muito por haver sido eles e elas meus inspiradores."
Bem, voltando
ao tema central desta também crônica sobre Monsieur Mozart. O cara é de uma
largueza de conhecimento e informações espantosa. A cada crônica sua, as
entrelinhas de meu cérebro iam vestindo-se de espanto, sem exagero ou puxa
saquismo. O cara é fera no que faz, seja prosa, poesia ou jornalismo. Crônicas
como: "Querubins às vezes se manifestam", ‘No meio do Nada",
"Jerimum com G", ou "Uma Canção para Você" fazem a
percepção de um sensível leitor sentir o poder de argumentação, o humor e a
profunda sensibilidade desse cronista revestido de poesia. Suas crônicas
manifestam-se das mais variadas formas, vestidas de todas as nuances possíveis
de humanidade. Fizeram-me desmistificar aquele "Monsieur" sério (daí
o titulo) que conheci há poucos anos, com seu olhar perspicaz de observador que
é, com seu ar Sherloquiano de ser, seu clássico ar de imponência. Aquele
monsieur ficou pra trás, (com todo o respeito). Agora eu carrego dentro de mim
apenas o artista, o ator, o humorista, o sensível ser pleno de força e coragem,
apesar do lamento de temporalidade, (todos lamentamos), o amigo disposto a
fazer e refazer caminhos, furando bloqueios feito a imbaúba nascida entre as
pedras de seu quintal. O amigo ousado, aparentemente pernóstico, mas
essencialmente doce e focado. Depois deste livro cujo título criativo me
atraiu, saio tão modificado quanto quando li a coleção "Para Gostar de
Ler". Fábio Mozart sem dúvidas, está em pé de igualdade com meus famosos e
admiráveis cronistas com os quais me diverti e aprendi muito. Com ele? Monsiuer
Mozart? Idem!
Chicco Mello, 01/26

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