No começo do século, Eliel José Francisco veio de Paulista para visitar Itabaiana, sua querida terra natal. Chegou trazendo debaixo do braço um catatau de versos que traduzem seu bem querer nativista, invocando o passado e tomando cachaça nas barracas do Carretel e do Cochila.
“O passado é uma carga pesadíssima, e para carrega-lo tem que tomar cachaça com caju e pitomba”, acreditava o poeta Eliel. De vez em quando ele sentia a urgência de visitar Itabaiana, ver seu rio Paraíba onde nadou feito piaba nas cheias de antigamente.
Como nas epopeias antigas, Eliel queria perpetuar em seus poemas, por todos os tempos, o destino de um povo sem muito destino. “Minha poesia é ‘Os Lusíadas’ do pé-rapado, do fuleiro que toma cana e leva tapa da polícia, do zé-ninguém que leva chifres da mulher e se vinga no mel podre da ponta de rua”.
Professor de inglês, Eliel José Francisco falava mesmo é a língua da Maloca, do Cochila e do Apertado da Hora. “Passei a escrever versos fesceninos, porque em geral o povo gosta de sacanagem”, explica o poeta. “A prova disso é que votam sempre nos mesmos políticos filhos da puta”, raciocinava.
Fiz uma compilação dos poemas de Eliel e publiquei “Eliel, o poeta fluvial”, pela Editora Zé da Luz. Como quase ninguém gosta de ler, muito menos poesia, foram poucos os leitores dessa antologia do meu amigo poeta, que morreu em 2015.
Pastor garante ao seu rebanho (gado de corte) que Deus é de direita.
"Já o Papa diz que o comunismo é todo baseado no cristianismo. O fato é que política e religião, quando se misturam, dá fezes". (Comentário no Skyblue)
"O mal é contagioso, mas o bem é contagiante". MC Bill
"Salmonella é o Salmo preferido da irmã Damares" - (Ameba, o sacrílego)
Bilhete de Sonsinho para a namorada, em inglês: “I love you como nunca I loviei ninguém”.
Quase
nada que se diz aqui nessa bosta de programa é verdade, mas poderia ser. Zé
Barata e Sérgio Baiacu são personagens fictícios que fazem paródias de si
mesmo, como jornalistas de ficção. Dizendo ainda que este programa foi eleito
três vezes consecutivas como um dos maiores dejetos jornalísticos da América
Latrina.
"Mais falso do que esse prefeitinho, só família em festa de fim de ano". - Ameba, o sarcástico.
Silvia Federici é uma filósofa e ativista feminista, cuja tese central é que o capitalismo não se sustenta apenas na exploração do trabalho assalariado, mas depende estruturalmente do trabalho reprodutivo não remunerado, realizado majoritariamente por mulheres.
Se as donas de casa pararem, o sistema capitalista cai. O capitalismo desvaloriza e torna invisível o trabalho doméstico.
No dia 31 de outubro é comemorado o dia desta “superescrava”, que luta diariamente para manter a ordem familiar e o funcionamento da residência, sem ao menos receber salário ou tirar férias.
O ar condicionado que torturava Bolsonaro já entrou nos arquivos da Comissão da Verdade?
Se o Brasil fosse um país sério, teria Rádio Barata no Ar todos os dias em todas as rádios da nação.
O Cão Canjiquinha, no gozo de suas atribuições, não aceita cancelamento do pastor Sóstenes Cavalcante e da irmã Damares.
"Fui remover o pendrive do computador e apareceu escrito: 'remover com segurança'. Mas eu não tenho nenhum segurança, nem vigia, nem porra nenhuma aqui. Posso remover sozinho ou é perigoso?" (Sonsinho)
"Você é a letra X da palavra 'amigo'" - (Sonsinho)
"A Paraíba está precisando de poetas. Ela tem tudo: do lixo marginal ao oficial, menos poetas." (Arturo Gouveia em 2017)
"Se eu tiver te incomodando avisa, pra eu continuar." - (Ameba, o desprezível)
Os ladrões do INSS, incluindo os pastores, descobriram o truque do capitalismo: é mais fácil tirar um real de 100 milhões de aposentados do que tirar 100 milhões de uma pessoa só.
E eu não espero que os maus sejam punidos e os bons recompensados. E nem as coisas vão começar a dar certo quando chegarem ao fundo do poço.
Quando a vida me faz uma sacanagem, começo a botar as pessoas em julgamento. Jamais se deve fazer essa maldade.
A vida nos pregando peças e a gente envelhecendo mais amargo.
Ninguém pode matar as ilusões das pessoas. Penso nisso lendo desatentamente as poesias vazias de um amigo comum, que pensa que é poeta.
Até Michel Temer achava que era poeta. Usurpador vampiresco da nobre arte de fazer poesia.
O tempo passa e um belo dia você descobre que tem apenas poucos anos de vida útil. Aí não adianta filosofar. A velhice se instala de vez e você, com a perspectiva de viver cada vez menos, vai se despedindo da vida com um assombro quase sereno, resignado.
O leão reina em seu território e depois morre. É inevitável. Para mim, o sujeito morre no momento em que deixa de ter liberdade total de pensamento e controle dos seus atos.
Missionário Valdomiro criou o trízimo: 10% para o pai, 10% para o filho e 10% para o espírito santo.
O americano Bob Dylan ganhou o Nobel de literatura por ter escrito muitos livros falando da beleza da rosa, aliás, da manga rosa.
Já o escritor maldito Charles Bukowski não teve a mesma sorte.
Acreditava que a vida não tem um propósito definido, mas que a arte e a escrita podem dar algum sentido à existência. Mas, era bom mesmo de copo. Bebeu até a última gota.
Merecia o Prêmio Nobel do Niilismo e da Cachaça Pitu, aquele uísque vagabundo americano.
O melhor livro de Bukowski é Misto quente, que em Portugal saiu como Pão com Mortadela. O niilista Sérgio Ricardo pretende ler o poeta cachaceiro neste ano.
Niilista é quem não acredita em Deus, moralidade, verdade e até mesmo na linguagem. Manda tudo se lascar e fica só na dele, indiferente e alcoolizado.
Como diz Sonsinho: “"Um beijo pra vocês e ostensivo a toda sua família".
Um tijolinho radical para o niilista
Robson Albuquerque, de Itabaiana e outro para dona Mad Mana Vieira, de Olinda,
que faz aniversário hoje. E para meu neto Ravi que faz 11 anos.
VERSO DO DIA
Ah, essa arte cruel de juntar versos
Desfolhando imagens e aventuras
Formatando o vigor das amarguras
Com desejos por rigores submersos
Sentimentos ambíguos, controversos
Enche-lhe a alma de marcas e fissuras
E com saudade vai tapando as rachaduras
Dores herdadas dos amores mais perversos
Sua cota de saudade é sem medida
Seu labirinto do sofrer é sem saída
Seu contato com o prazer é tão sutil
Sempre ferido sem jamais poder ferir
Só sendo mãe pra dizer, ver e sentir
Que a dor maior foi um poeta que pariu.
Marcello Piancó

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