sábado, 22 de agosto de 2015

Poetas de cordel lançam folheto na última noite do “Agosto das letras”


Os poetas cordelistas lançaram o folheto “A peleja de Sander Lee e Fábio Mozart na feira de Itabaiana” nesta noite de 21 de agosto, no Mezanino 2 do Espaço Cultural, em João Pessoa. Mozart e Sander pertencem à Academia de Cordel do Vale do Paraíba, cujo assessor de imprensa, jornalista Dalmo Oliveira, também esteve presente.

Foram lançados ainda os livros “O pôr do sol Literário na literatura paraibana”, de Helder Moura; História da Paraíba e Samuel Duarte, de José Octávio de A. Mello; Publicações da APL, de Itapuã Boto Targino e outros e  Rádio história e rádio jornalismo, de Gilson Souto Maior. 

Agosto das Letras – A Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) realizou o projeto de 14 a 21 de agosto. Foram oficinas, palestras, feiras, lançamentos de livros, mesas redondas, entre outras atividades de interação com público, escritores e editoras, voltadas aos variados segmentos da área. Três atividades formaram o evento: o 1º Encontro Regional Sobre Histórias em Quadrinhos, o Quadrinhos Intuados, que aconteceu de 14 a 16 de agosto, na Gibiteca e auditórios; a Semana Literária, de 17 a 21 de agosto, e o Seminário de Bibliotecas Públicas e Escolares, dias 20 e 21 de agosto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O palhaço que interrompeu Ariano Suassuna

Palhaço Dadá

“Nesses movimentos das frentes de direita e de algumas frentes de esquerda, virou costume uns se referirem aos outros como “palhaços” em tom de grave acusação, ou misturando-se a outros palavrões. Que bom seria que, além de tantas outras coisas, tirassem os palhaços “dessa história”... Uma das artes mais antigas, e feita por pessoas que merecem todo o nosso respeito! Quem dera boa parte de alguns desses idiotas fossem de fato palhaços! Deixem os palhaços fora disso!” - Valeska Asfora

Dadá Venceslau foi convidado pelo Governo do Estado da Paraíba para funcionar como mestre cerimônia de um evento no Teatro Santa Rosa, em João Pessoa, onde o escritor Ariano Suassuna daria uma de suas famosas aulas espetáculo. Dadá apareceu devidamente caracterizado como o palhaço Dadá. Suassuna começou a conversa e nesse papo lá iam duas horas de muita animação na plateia, mantida em estado de graça pela verve do folgazão das letras e dos cantos gerais do povo nordestino.

Impacientes, os organizadores chamaram Dadá no reservado e pediram:

--- Vá lá no mestre Ariano, leve mais água e aproveite para dizer que o tempo dele já acabou.

Assim fez Dadá Venceslau. Transmitiu o aviso ao pé do ouvido. O “homem espetáculo” não pensou duas vezes:

--- Digníssima plateia, esse palhaço ta pedindo para eu sustar a conversa. Eu atendo ou não ao palhaço?

A assistência foi ao delírio e o palhaço Dadá ficou procurando um buraco para se socar dentro. No final, o mestre revelou:

--- Gente, eu queria confessar uma coisa: meu sonho sempre foi ser palhaço. Supondo que essas risadas que vocês me ofereceram foram para minhas dissimuladas tiradas de bufão frustrado, quero dividir os aplausos com este palhaço mestre de cerimônia.

As palmas recrudesceram. O palhaço Dadá ganhou um forte abraço de Ariano Suassuna e saiu do teatro feito anjo habitante da parte do cosmos onde deus inventa prazer e júbilo.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Dança de sonho


Reisado dos quilombolas de São Martins, no Piauí


Sonhei caminhando em verdes prados. Eu seguia por um campo de sonhos, boniteza de flores, morros, árvores frondosas. Não era agreste nem sertão. Só que eu estava perdido, quase nu, com frio e fome.

Cheguei numa vila entre as serras, povo atrasado, casinhas de taipa, bonitinhas, bem cuidadas. Gente na feira, acho que era. Um chafariz e uma discussão. O responsável pelo chafariz ficou nervoso e começou a cuspir sem parar. Eu continuava com frio, agora quase vestido, e cansado. Havia um fusquinha velho, sem portas. Sentei no banco da frente. Cabeça pedindo sono, corpo pedindo pão. Rumo ao nada, eu temia ter que dormir ao relento. Fui acordado pelo dono do carrinho amarrando umas tralhas em cima do bicho. Saí procurando saídas.

Entrei numa casa onde se brincava um teatro de bonecos de cordéis. Encantado fiquei com a manipulação dos bonecos e a intervenção de atores humanos. Coisa mágica mesmo. Os bonecos eram manejados por cordões no teto e no chão. Uma técnica que eu desconheço. Mergulhei nessa ilusão, sonhando que sonhava dominando tão singular capacidade de manipulação de fantoches.

Depois saí caminhando pelas ruazinhas, enquanto caía a noite e a chuva. Parei para ver um Reisado de crianças. Quando terminou a função, as pessoas fugiram com medo de mim. Ficaram três velhinhas de olhos e cabelos azuis.

--- Que cidade é esta? – perguntei.

--- É São Martins, Estado da Bahia – respondeu a mais velha das anciãs.

E o sonho ficou vazio. Antes, lembrei do meu compadre Zé Martins, eterno sindicalista de Mari. Acordei agora a pouco, peguei o computador e fui ver: encontrei uma rua São Martins em Feira de Santana, na Bahia, e em Natal, Rio Grande do Norte. Tem um cemitério São Martins em Bagé, no Rio Grande do Sul. Outra Rua São Martins fica localizada no bairro Marapicu, na cidade de Nova Iguaçu. Uma comunidade quilombola, na zona rural de Paulistana, no Piauí, também se chama São Martins. Lá se brinca o Reisado, “com o envolvimento dos moradores da comunidade e principalmente dos jovens quilombolas.” No sonho, as crianças do reisado eram brancas.

No Rio Grande do Norte tem a cidade serrana de Martins, “de belezas naturais ainda conservadas”.  Confere com o cenário do sonho.  

Enfim, vou ficar por aqui, desistindo de decifrar meu sonho. Só sei que vim de lá com essas impressões. Sonho é bom por isso. Leva-nos a outras temporalidades e enigmas.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015



Viajando um pouco em projetos sem futuro, mas com um presente animador. Estudando muito para manter a fama de criador de casos. Meus gatos continuam me ignorando, não sei porque. Um grande amigo está para chegar, depois de trinta anos ausente. Doente do coração, tomador excessivo de meropéia, esse amigo manda dizer que vai cometer o desatino de beber um litro de uísque paraibano em nosso reencontro. Uma espécie de suicídio consentido, o que em si é uma puta besteira.  

Estou pra lançar um livro de poesia, onde até a capa foi feito por mim. Uma obra prima de sutileza e arte finória. Apesar de acusado de irresponsabilidade, o autor já vendeu todos os exemplares da edição limitada, antes do lançamento.

O mundo é grande mesmo e existe muita gente pequena. Acabei de crer. Mas todos bebem, dançam, riem, choram e morrem. Para todos, vale a pena a festa. Convidado para uma reunião de madames poetas. Não é má ideia conhecer senhoras letradas e emperiquitadas. A juventude ta perdida e encontrada em cada esquina, a velhice sobrevive bonita e confiante, apesar dos tremores nas mãos e os dentes amarelos. A juventude não vai dominar o mundo antes de acabar com o último velhinho sapeca e debochado. E isso não ocorrerá jamais, minha cara patrícia.

O que mais para hoje? Sim, Não tenho pé chato, nem tornozelo fraco, mas estou incapacitado para o esporte de caminhar por causa de artrose nos joelhos. Só posso me deslocar de bicicleta. Ontem, fui ao Sesc em João Pessoa para me inscrever na oficina de cordel do poeta Sander Lee. O porteiro impediu minha entrada com a bicicleta/moleta/cadeira de rodas/bengala. Disse que é ordem da direção do Sesc: não dar acesso a ciclistas. Achei tão lindo e edificante!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Já encomendou seu “café suspenso” de hoje?


Café suspenso nasceu em Nápoles e se espalhou pela Europa. O que vem a ser esse café suspenso? É uma ação de caridade baseada na confiança. O sujeito entra num restaurante, pede dois cafés. Toma um e deixa outro pago para algum morador de rua. O mendigo chega e pergunta: “Tem café suspenso?”
Também se encomenda um sanduíche, um almoço para quem não pode pagar. Legal, não? No Brasil, o café suspenso certamente não pegaria. Problema de má educação. Lance cultural, diriam. Nosso famoso “jeitinho brasileiro” logo desmoralizaria o arranjo. Certamente teríamos mais demanda do que doadores para o “café suspenso”. Isso se o dono do boteco não sonegasse a doação.
Casal paulista passou por João Pessoa e armou uma estante para troca de livros. Você deixa um livro já lido e pega outro, sem burocracia, na base da confiança. Os usuários, quando não deixam almanaques ultrapassados, revistas da Avon ou livros sem valor algum, simplesmente não repõem o livro que pegam.
Em Itabaiana, passei às mãos de mototaxista 200 convites para serem distribuídos. Paguei adiantado. No dia do evento, não apareceu ninguém. O cara “comeu” o dinheiro e não fez as entregas.
Neste momento da política nacional em que tudo está perplexo e confuso, onde uma minoria clama a volta da ditadura para combater a corrupção, como se o próprio regime de força não fosse imensa deturpação da probidade social, é imperioso que cada um encomende seu “café suspenso” de cada dia e passe a ver no outro, mesmo sendo adversário de ideias, um irmão necessitado de acatamento e atenção. Sei que é complicado, mas, ao menos pequenos gestos cotidianos de humanidade já seriam interessantes nessa rede de simpatia pelo indivíduo. E sinceridade, um pouquinho de consciência, um tantinho assim de retidão e decoro já seria um ótimo “café suspenso”.   

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

TOU PORRAQUI COM DILMA, ENTRETANTO, NÃO SOU IMBECIL


O sonegador de impostos Roberto Cavalcanti, dono do jornal Correio da Paraíba, mandou seus editores estamparem essa manchete na véspera dos protestos contra o Governo Federal. A intenção clara era indispor os aposentados contra a presidente e engrossar o caldo do protesto com os velhinhos. O lance foi orquestrado. Muitos jornalões publicaram essa manchete no sábado, 15.

Na ânsia de defender seus interesses de classe, esses empresários da comunicação esquecem as normas básicas e os princípios éticos do jornalismo. “Dizem que o jornalismo está em crise, mas, a crise é dos veículos e seus editores”, garante a jornalista Larissa Rocha no Observatório da Imprensa.

Voltando à matéria do Correio da Paraíba, na página de economia a manchete tinha outra configuração: “Parcela do 13º não está garantida – Governo Federal discute uma fórmula para que aposentados e pensionistas não fiquem sem benefício”. Na matéria, o vice-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Paraíba, Dinarte Maia, declara: “ninguém está levando em consideração essa possibilidade, porque ela não existe”.

Portanto, eis aí de que forma a mídia faz o trabalho sujo de insuflar e sustentar a ideia de crise, estimulando o ódio da população contra os governantes. Dando amplo destaque a um fato que não tem nenhuma base na realidade, o jornalismo marrom é colocado a serviço da onda que quer corroer as bases do Governo e desacreditar a Presidente Dilma.

Como eu não tolero ser manipulado, vou esperar para receber a parcela do 13º em setembro. Embolsando essa merreca, imediatamente vou cancelar minha assinatura deste jornaleco da Paraíba, um braço do fascismo da imprensa, manipulador de mentes fracas como seus programas policialescos da TV e do rádio e seus comunicadores de aluguel. Como diria meu compadre Fred Borges: “Me poupe!”

sábado, 15 de agosto de 2015

POEMA DO DOMINGO




o brasil não é o meu país: é nossa esquizofrenia.
é o medo de sempre
doendo e até anestesiando.
é o gozo de sempre
roçando e até nos enganando.
é o carnaval no futebol das religiões.
é o terror de outrora
ainda agora despedaçando
mentes e culhões.
é a demora no jeitinho de esperar sem desespero.
são os rasgos de genialidade
no mar de tanta imbecilidade.
é tudo que nos divide
nos sacaneia e
nos diversiona.

o brasil não é o meu país: é meu abismo.
o terreiro de minhas, nossas contradicções.
é o meu câncer coletivo
e a força luminosa da escuridão.
é o nosso discurso interrompido
sufocado e
arrebatador.


Jomar Muniz de Britto