quinta-feira, 13 de novembro de 2014

ATENÇÃO ITABAIANENSES DA GERAÇÃO 60


Não percam amanhã, 15 de novembro, o programa “Alô comunidade” da Rádio Tabajara AM, onde teremos a honra de receber como nossos convidados os rapazes que foram os precursores do rock em Itabaiana nos anos 60: Brasinha, Zé Maria Almeida Filho, Zé Orlando e Vilinho, para um bate papo que promete ser interessante sobre reminiscências itabaianenses e sobre arte em geral.
O programa começa às 14 horas deste sábado. Pode sintonizar a Rádio Tabajara AM pelo site da emissora ou pela Rádio Web Comunitária Porto do Capim:


Ganzá de Ouro ensaia aboio pra festa de São José

Orlando Otávio e Fábio Mozart, parceiros em várias composições do repertório do Ganzá de Ouro

Será no dia 6 de dezembro a apresentação do grupo Ganzá de Ouro, do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, no já tradicional Festival do Aboio em São José dos Ramos. “Vamos inaugurar figurino e apresentar novas músicas autorais, na base do xote, baião, xaxado, coco e ciranda”, informou Orlando Otávio, cantor e compositor do grupo que prepara seu primeiro CD.

Idealizado pela pesquisadora Laura Maurício, doutora em oralidade e escritura, o Festival do Aboio é antes de qualquer coisa uma louvação à tradição do aboio, extremamente respeitada pelos homens do sertão. “O sentido dessa realização é mostrar às pessoas que uma parte de nossa cultura que está em extinção. O vaqueiro não tem mais os campos, o mundo da tecnologia e a nova configuração do mundo alteraram muito o ambiente de trabalho, mas o canto, o aboio, tem valor imenso para a cultura do nosso país e do Nordeste”, defende a estudiosa. Segundo Laura, mesmo com as tradições quase extintas por completo, alguns vaqueiros, principalmente de São José dos Ramos, continuam montados em seus cavalos e seguindo os costumes.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Pilar reverencia patrimônio cultural de Itabaiana


A Escola Municipal Manoel Alves de Araújo, de Pilar, organizou um pelotão onde destacou o prédio do antigo Instituto Nossa Senhora do Carmo, do professor Eugênio Lauro Maciel Monteiro, fundado em 9 de janeiro de 1908 na cidade de Itabaiana. Este educandário ficou conhecido no Brasil e no mundo através da obra do escritor pilarense José Lins do Rego, que dedicou um livro inteiro, “Doidinho”, à sua vida estudantil na cidade de Itabaiana, perpetuando a casa na literatura brasileira. De lá, José Lins foi estudar no Colégio Diocesano Pio X, na capital Parahyba, em 1914.

O Colégio do professor Maciel consistia em dois casarões que ainda hoje se mantém de pé. Num deles funciona a Loja Maçônica Duque de Caxias, e o outro, ao lado, serve de sede para o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Neste, os alunos internos do Instituto Nossa Senhora do Carmo tinham seu dormitório e refeitório e onde se realizavam as cerimônias religiosas em uma capelinha que hoje não existe mais.

Quem me falou do desfile cívico de Pilar e da homenagem ao casarão, cenário dos verdes anos do grande escritor paraibano, foi o diretor da Escola Manoel Alves de Araújo, o historiador Mário Augusto, autor de um livro sobre Pilar.

A casa que inspirou uma das mais importantes obras literárias do Brasil, ou o que resta dela, precisa urgentemente de um trabalho de reforma e processo de tombamento. Temos a sorte e o azar de ocupar aquele prédio histórico com um projeto cultural que sobrevive sem recursos, graças à abnegação de meia dúzia de itabaianenses. Sorte porque é num ambiente com essa carga histórica onde nos inspiramos para promover cursos artísticos, mostras e outras atividades ligadas à literatura; azar porque atuamos dentro de uma realidade restritiva e dependente, onde os chamados poderes públicos atuam, ou não, sobre velhas estruturas baseadas no populismo inconsequente, nas quais a sedução e o engano escondem a falta de compromisso com coisas essenciais para a vida de uma comunidade, que é o respeito ao passado e à cultura.

Em nome de Itabaiana e dos seus valores, que ainda resistem, agradecemos a Pilar, especialmente ao professor Mário Augusto, pela homenagem ao nosso patrimônio cultural, talvez um dos mais importantes da cidade, essencial dentro da necessidade coletiva de conquista da identidade.



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Trabalho artístico e cultural é reconhecido pela 12ª Gerência de Educação em Itabaiana


“A Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba – Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, é uma entidade civil sem fins lucrativos de caráter cultural e social que colabora na elaboração e execução de políticas públicas na área da cultura”, declarou Maria de Fátima Silva, Gerente da 12ª Gerência Regional de Ensino, com sede em Itabaiana.
Para a professora Rosinha, como é chamada carinhosamente pelos alunos e companheiros de profissão, o Ponto de Cultura também é uma instância permanente de intervenção da sociedade civil nas questões relacionadas aos direitos humanos, “sendo constituída de pessoas cuja idoneidade moral está acima de qualquer suspeita”.
De minha parte, obrigado pelas boas referências, dona Rosinha. Parando para refletir que ninguém é bom em si mesmo. Nosso trabalho é fruto da dedicação de alguns companheiros e companheiros que eu sempre faço questão de citar. Só as pessoas generosas e serenas conseguem olhar para além de si mesmo e ver as virtudes dos outros. Em nome do Ponto e das pessoas que contribuem com sua manutenção, agradecemos a Rosinha, porque uma autoridade na área da educação estadual dar esse testemunho é importante para o progresso de nosso projeto. 


domingo, 9 de novembro de 2014

Somos todos imortais


Orlando Otávio é cantor e compositor do fervente e fervoroso Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, ´poeta que faz dupla com seu irmão, Agenor Otávio no mister de cantar afinado com suas sofrências e seus amores itabaianenses. Ele diz que bebe nas fontes de Sivuca, de quem é primo carnal, e manda bem no cordel, sendo o dito cujo Orlando já eleito imortal da Academia Paraibana de Literatura de Cordel, a ser inaugurada com as bênçãos dos vates Sander Lee, Vavá da Luz, Heleno Alexandre, Biu Salvino e outros que se enquadram no papel de cordelistas, igual ao compadre Josafá de Orós, um dos principais xilogravuristas vivos da Paraíba do Norte, embora nascido no Ceará, o poeta Esperantino de Orobó, Pernambuco, e Francisco Diniz, de Santa Rita.

Quero aqui preservar a produção de quem cultiva a poesia popular, chamada literatura de cordel. “Quando Deus quer, até o diabo ajuda”, confirma meu compadre Vavá da Luz, mestre do verso fescenino, um lado muito apreciado do folheto. Lá do Rio Grande do Norte vem chegando banhado na franqueza e na bonomia, meu estimado amigo Bob Motta, outro que vai assinar o livro de fundação da Academia. Sem dogmas e sem fé, acredito na força de vontade e no amor pela literatura popular do meu estimado pastor Antonio Costta, outro que vem de Pilar para sentar na cadeira do grande mestre Manoel Xudu.

De Itatuba vem outro grande cantador cujo nome agora me foge à memória. Precisa mais? Precisa, pra dar quórum e prestigiar os que ainda se expressam através da arte do cordel, o qual vem perdendo seu local, seu leitor e seu ouvinte. Precisa manter aquele sentimento de pertença a um grupo, o desses homens e mulheres com suas rimas e seu humor, seus sentimentos mais puros voando com suas asas quebradas pelos céus límpidos de um Nordeste que talvez não exista mais, em choque direto com as contradições do poder midiático que nos ignora.

Recentemente, um vereador de Itabaiana quis levar meu livro “História de Itabaiana em versos” para o currículo escolar da cidade, para despertar a vontade da juventude de ler e gostar de cordel. Seu projeto foi derrotado. Faz parte do jogo onde a gente aprende e desaprende. Que me importa o descompromisso dos outros, se a faísca da poesia sempre nos olha amorosamente e pede que a gente mire a parte principal de la vida? 

POEMA DO DOMINGO


Cordel do Novembro Azul

E também chegou Novembro
Que de Azul é chamado
O mês todo é dedicado
A outra causa maligna
Não é causa feminina
É uma causa masculina
E que nenhum homem gosta
Depois dos 40 anos
O doutor vai ver seu Ânus
Pra tocar na sua próstata!
Então o Novembro Azul
É para essa prevenção
É para incentivar ao homem
E chamar sua atenção
Se este órgão esta crescido
E ver a situação
Se vai ter o toque do dedo.
Só dói a primeira vez
Mas depois de levar três
Se acostuma e passa o medo!
E tem o PSA
Esse exame é pra testar
Se vai usar o tal dedo
É onde esta o segredo
Se a próstata esta alterada
E se está inflamada
Vem o toque do doutor
Você não sente uma dor
Se ficar bem relaxado
É só uma conferida
Se a próstata estiver crescida
O jeito é ser operado!
Enfeitam-se de azul
Quando chega esse mês
É quando o homem é visto
Com carinho e sensatez
Tudo mundo veste azul
No Brasil de Norte a Sul
Faz-se uma grande corrente
Para banir o preconceito
Mas se o toque for o jeito
O dedo você nem sente!
E esse Câncer de Próstata
É um câncer alentado
Quando você vem notar
Ele está bem avançado
Por isso que a prevenção
É a maior solução
Para se detectar
Não tema o Urologista
É nosso especialista
Para diagnosticar!
Então o Novembro Azul
Vamos tentar dá um basta
Neste câncer que no mundo
É o segundo que mais mata
Pois preste bem atenção
A urina e a ereção
Isso não pode falhar
Pois vamos fazer a ficha
Pra gente cuidar da “Bicha”
Para depois não broxar!

Orlando Otávio


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sobre o trabalho voluntário


Normando Reis (esq.) e o blogueiro, em programa de rádio na cidade de Itabaiana


Agradecemos todos os monitores do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar que ajudam no projeto cultural da Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba sem nada pedir em troca.

Você nunca foi voluntário em um projeto cultural ou social? Não sabe o que está perdendo. Mas só funciona se você estiver emocionalmente envolvido. Acreditar naquela ideia, conectando-se com o sentido daquelas ações. Senão vira um processo burocrático, um trabalho qualquer, e pior, sem remuneração. Portanto, todo voluntário é uma espécie de sacerdote da religião da boa vontade, do acreditar na energia da troca, da gentileza, no ver lógica e utilidade no seu trabalho em favor de alguém. 

No Ponto de Cultura Cantiga de Ninar a gente consegue montar esse processo criativo e acolhedor.  Os aluninhos de música e seus monitores, com suas limitações técnicas e materiais, têm uma ligação muito forte com os mestres. Eles compreendem o sentido de engajamento dos monitores.  Fica assim uma espécie de educação “personalizada”. Ninguém ali está dando seu tempo por dinheiro, e sim por companheirismo e vontade de ensinar. Os amigos e amigas que limpam o espaço nos finais de semana, que catalogam os livros da biblioteca e ajudam nos eventos, têm aquele projeto como uma conquista pessoal que demanda investimento numa coisa chamada afeição pelo outro. Isso é bom pra saúde em geral. Quem diz são os especialistas:  a atuação voluntária aumenta a expectativa de vida para quem auxilia o próximo, evita doenças graves como as do coração e o câncer, previne o estresse e a depressão.  

Para ser voluntário em um projeto cultural comunitário, não precisa ser especialista em nada. Basta apenas ter motivação e vontade de ser solidário.  E identificar-se com a causa. Portanto, se você tem tempo disponível e boa vontade, a gente tem um lugar no Ponto de Cultura onde aplicar a sua disposição. Apareça!

Hoje mesmo, e em todos os sábado, um professor sai de São José dos Ramos para ensinar espanhol sem remuneração alguma, apenas atraído pelo seu espírito cívico e interesse pessoal em difundir a língua de Cervantes. Trata-se do professor Normando Reis, aposentado ferroviário e ator de teatro amador. No Ponto, ele ensina espanhol e faz parte do grupo de teatro.  É assim, estabelecendo laços de confiança mútua e solidariedade, que a gente fica mais fortalecido.