quarta-feira, 9 de setembro de 2015

ETC & ETC




ÉTICA MALEÁVEL

“Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus. Romanos 13 -1”. (Citação postada por um assessor de prefeitura bombardeada por denúncias de irregularidades. Em contrapartida, o mesmo assessor mete o pau no Governo.)

IGNORÂNCIA
Atualmente, qualquer aluno médio que saiba diferenciar ''mais'' de ''mas'' já pode ser considerado acima da média.

FACEBOOK
"Facebook é onde você mente para os seus amigos. Twitter é onde você conta a verdade a estranhos." - Scott Levy

REDAÇÃO
"Já sei namorar, já sei beijar de língua, agora só me falta aprender redação. Aliás, o que é redação?". - (uma aluna em Mari).

CADÊ?
Em junho de 2013, milhares de pessoas saíram às ruas no Brasil por transporte público decente e a preço justo. Outros manifestavam-se por direitos sociais, por um Brasil mais justo. Onde estão essas pessoas agora?

CIVILIZAÇÃO
Eu soube que em Aracaju tem um Museu da Gente Sergipana, coisa fina. Só por isso, considero Aracaju mais civilizada do que João Pessoa que nem tem museus. E não conheço Aracaju.

POEMETO
Não há rascunho perfeito.
aceite a segunda versão
a terceira...
enquanto há fôlego
enquanto há caminho
enquanto há chão
há segunda chance.
(Poema anônimo que vi em um blog)

PONTE PRETA REVISITADO
“O sol nasce pra todos, a sombra, pra quem é mais esperto” - Stanislaw Ponte Preta.

FESTIVAL DE BESTEIRAS
Em 1965, o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem enviava seis ofícios a um juiz nos quais o chamava de “meritríssimo”

É BRASIL
Um pastor homofóbico, célebre por afirmar que os africanos descendem de um ancestral amaldiçoado por Noé, assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

É BRASIL (2)
A Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta Mikhail Bakunin como suspeito das ações violentas em manifestações de rua de 2014. Bakunin foi um anarquista russo morto em 1876,

QUASE DIARIAMENTE
Sonsinho avisa que Madame Preciosa atende diariamente às terças e quintas em seu consultório astral.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Mais um livro de poemas para minha coleção


Tenho aqui uma pilha de livros para ler. Estou organizando a biblioteca, separando os livros por temática. Como tem poeta nesse Brasil velho de guerra! Devemos ter mais poetas do que leitores, conforme levantamento feito pelo ilustrado Maciel Caju. Quanto à qualidade dos trabalhos, vai desde a notação clássica de sonetos de razoáveis a péssimos, até cordéis estilosos, malucos. Tem os ótimos, como o Lau Siqueira, de quem vou receber seu último alfarrábio hoje à noite, na Usina Energisa. “Livro arbítrio” é o título da última safra poética desse gaúcho paraibano, artista da palavra de grande vigor e habilidade.


Os poetas vivem como podem. Soube que na avenida Paulista, em São Paulo, batalham lado a lado dois poetas meio malucos. Um deles, Erinaldo Melo, é da Paraíba e saiu daqui com seus cordéis, pra imitar a saga do “homem que virou suco”, personagem do filme de João Batista de Andrade, com  José Dumont. Erinaldo é autor de versos como este:

Cai a tarde morena,
I as ave piuu.. age
Encontra ‘seda amena,
Vive camaradagi;
Sabiá tomem é assim,
Sonhando desde cedim.
A noite cala imege
Silençu di istrela,
Lua no céu dá trela;
Dotô num mi inveje.

Esse “zé da Luz” enviesado quer ser reconhecido pelo seu empreendimento literário nas calçadas de São Paulo. Seu irmão de arte e extravagância, poeta Samuel Salles, não chegou ainda ao estágio industrial de reprodução dos seus versos, mas é vizinho de calçada. Na Avenida Paulista, ele escreve os poemas em cartolina, cola no chão com fita adesiva e bota seu chapéu ao lado. Os que passam, alguns jogam moedas, outros conversam com o poeta. Ele conta que virou poeta depois de levar meia dúzia de chifres de uma ingrata morena. Dessa dor amorosa nasceu o pendor para a poesia. Sua trova fraseada fala de amor perdido, arruinado pelas intempéries do caráter humano:

Se eu pudesse reinventar o amor
ele seria incontrolável
como o ímpeto de um tufão
capaz de varrer os mares.
Seria absoluto como o talento de Mozart
e seria grande como todas as galáxias reunidas.

Essa poesia de rua é quase assim uma poética do avesso, que informa a presença inquietante do poeta periférico no mundo, também a postura e a personalidade do diferente, do que incomoda o status quo, porque não se encaixa nem no processo industrial, social e político, tampouco agrada aos críticos com seu discurso lunático. E o que é a poesia senão o registro do desconforme e a expressão do insólito? 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015


8:00h – Partindo para Mari, antiga Araçá, viver mais uma ficção na minha vida de faz-de-conta. Gravar vinhetas para uma rádio web.

11:00h – Almoçar em Tércio, um bar rigorosamente encardido e saburrento, mas com um tempero filé.

(Pausa para conversar fiado com Tércio, Ricardinho Ceguinho e outros parceiros antigos)

13:00h – Tentar agendar uma exibição do curta “Feminino plural”, filme que roteirizei e produzi, falando de mulheres na luta das rádios comunitárias. Meu aplicado discípulo Jacinto Moreno é o editor da fita.

14:00h – Conversas sem sentido com pessoas sem nexo. Talvez saia alguma ideia sem lógica.

15:00h – Passar ao largo dos desfiles babacas da tal “independência”, a essas alturas um enredo pra lá de desconexo nesse país temerário e desatinado.

16:00h – Começar a contagem regressiva, em tom farsesco, para o último dia de minha vida.

17:00h – Ver jogo das eliminatórias da Copa Europa de futebol. O futebol é um esporte cheio de verdades humanas e mentiras idem.

18:00h – Para sonhar com o mundo perdido da juventude, tomar refeição magra e beber remédios caseiros para males da idade.

19:00h – Retomar a leitura do livro “A ilha do dia anterior”, de Humberto Eco. Uma experiência literária com a imensidão dos mundos antigos.

21:00h – Dormir bem com alface. Um pé de alface contém, na área do talo, uma substância chamada lactucina; trata-se de uma espécie de calmante natural. A considerar as receitas da vó.




domingo, 6 de setembro de 2015

POEMA DO DOMINGO





O passar dos dias

quem me disser
que idade é defeito
não entende que o passar dos dias pode
na verdade
virar poesia.
depende do olho. depende do dia.
com rima ou verso quebrado
escrevê-los
e colocá-los
à vista
pelo prazer de estar viva.

Socorro Leadebal

sábado, 5 de setembro de 2015

FULERAGENS

Travesseiro da Madame Preciosa

“Engraçado a situação aqui na terra: uns querendo passar a perna nos outros, mas ninguém passa a perna em mim”. – Madame Preciosa, a cartomante carente.
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“O ideal era que o político só recebesse o salário mínimo, só pra ver como dói uma saudade”. – Ameba, o carbonário.
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No tempo do carro a álcool, Ameba estaciona no posto:

--- Enche, doutor?

--- Bota duas doses.

--- Vai aditivo?

--- Limão, mas sem casca.
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Cachaça paraibana é considerada uma das melhores do país. Já os nossos bebinhos não são lá essas coisas.
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"Dorzinha no fundo do peito, tomara que seja infarto, porque imagina se é amor por Madame Preciosa!" - Ameba, o rancoroso.
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Alguns optam por ser políticos, outros, ladrões – perdoem o pleonasmo.
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Cidadezinha aí tem uma Secretária da Falta de Educação. Pedi entrevista à madame que nem respondeu. Professor amigo meu conta que escreveu no Facebook: “a cúpula da Secretaria de Educação convocou reunião de emergência.” Foi chamado para se explicar na dita cuja Secretaria, porque lá traduziram “cúpula” por “quadrilha”. Durma-se com uma jegada dessas!
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Fontes luminosas bem informadas dão conta de que a Presidenta Dilma vai trocar o nome da Sudene por Sidane.
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Menas a verdade: aposentado não é feito puta em fim de carreira, que só toma no oiti. Neste mês não pagaram a parcela do 13º, mas eu tou com a moça atrás da orelha, pensando que mês que vem, vem o nosso caraminguá.
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Descobertas novas patologias psiquiátricas, como boiolitis moralistas (deputado pastor Feliciano), furor policofrênicus (Madame Preciosa), pseudoseriedadis bossalistas (deputados corruptos pedindo impeachment de Dilma) e prisão-de-ventre mentallis (Dilma Roussef).

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Vasco vai sair dessa. Se não for eu cegue! Epa, quem apagou a luz?

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REPÓRTER: Jota Júnior, o que o senhor tem a dizer das contas que foram reprovadas quando era prefeito de Bayeux?

JOTA JÚNIOR – Como? Não tou ouvindo nada. Alô, alô...

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Quando é mesmo o jogo da seleção canalhinha?

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Meu compadre Sonsinho manda dizer que não vem porque caiu em si, quebrando um braço e duas costelas.

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Um petista, uma tendência
Dois petistas, duas dissidências
Três petistas, três cargos comissionados
Quatro petistas, uma quadrilha.

(Tereza de Qualcutá)

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Sonsinho rezando: “Deus, me manda um sinal, mas manda desenhado porque eu demoro pra entender as coisas.”
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O cartaz na igreja UNIVERSAL diz:
"Se você está cansado de pecar, entre."
E alguém escreveu logo abaixo:
Se não estiver, me ligue.
Shirley: 9315.6874

Serviço completo!!!

Eis que, de repentelho, dona Dilma se lembra da Paraíba mulher macho. E pra vocês inté mais, que eu vou me mandando que dona Dilma vem aí com jeito de quem quer me abraçar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sarau das Almas realiza performance no centro de Itabaiana


O projeto Sarau das Almas, do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, esteve nesta quinta-feira (3) no centro de Itabaiana, no Espetinho ao lado do Colégio Dom Bosco, com mais uma edição reunindo talentos das áreas de música, literatura e teatro.

Coordenado por Renaly Oliveira, Edglês Gonçalves, Rosival e Fred Borges, o Sarau das Almas tem como objetivo incentivar vocações artísticas, valorizar novos talentos e abrir espaço para todas as expressões de arte, além de animar a vida cultural e o lazer da cidade.

A programação já foi levada em bares e escolas, além de ter edições realizadas em cidades como Juripiranga e Mari, dentro da filosofia de intercâmbio cultural.

Eu só tenho a agradecer a todos os que fazem parte do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, que levaram o Sarau das Almas para o ”Spetinho”. Fiquei muito feliz em poder colaborar com a divulgação dos nossos artistas e de nossa cultura”, afirmou a micro empresária Josivania Maria . 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Considerações a respeito de uma web rádio metida a diferente

O velho Leão no papel de cuspidor de microfone na Rádio Tabajara da Paraíba, aquela que toca cultura

Amigos, o bom vivente não dorme nem à noite. Nada de cochilar que a vida é breve. Aproveite enquanto está inspirado pra continuar pedalando a bicicleta da vida. Mesmo sem momentos de glória, o ciclista essencial faz de sua existência um carnaval, depois transforma em um sarau e vai curtindo as apoteoses, às vezes displicente, afetadamente simples, sem abusar da presunção.

Mesmo limitado, prefiro não ficar esperando o tal do óbvio ululante – o perecimento. Enquanto der, vou por aí cuspindo fogo, dando choque de determinação em mim mesmo de vez em quando. Se deixarem, vou levando a bola, trocando passe com outros malucos. No meu jogo, driblo o lateral, passo pelo beque, engano o volante, boto a zaga no bornal, ultrapasso o goleiro, passo pelo gandula, pelo roupeiro, pelo massagista e dou um banho de cuia na diretoria do time adversário. Só não entro com bola e tudo porque tenho humildade e gol!!! (Como cantava o velho e bom Jorge Benjor).  E ainda tiro meu celular do bolso, aquele todo moderninho, faço uma selfie, posto no Facebook, recebo mil curtidas e corro pra galera.

Resultado: tou tirando onda agora de produtor de rádio web, com a nossa Web Rádio Zumbi que entra no ar dia 7 de setembro, pra comemorar nossa capacidade de botar banca, mesmo nesses momentos acidentais que nossa terra vem passando. Minha íntima intenção é produzir uma rádio que, de tão livre e espontânea, chame a atenção nesse oceano de rádios pela internet. Difícil, né? Pode até dar certo. Ou não. O fato de, a princípio, ninguém nos levar a sério, já é um bom sinal. Quem deu bola pra Santos Dumont quando ele garantia ter inventado um troço mais pesado que o ar, e que, no entanto, podia revolutear pelas nuvens? Se não der pedal, “é levantar a cabeça e partir pra outra, pensar no próximo jogo”, como diria aquele perna-de-pau, quase compreendendo e aceitando os mistérios da mediocridade.

Ou seja, estamos tramando uma grade de programação absurdamente genial, maluca e idiota. O carro chefe da programação será a “Reunião”, mesa redonda, quadrada ou retangular, com um mediador fraco e dois ou três sujeitos mal educados e pior informados falando de tudo, ou de nada. No meio, uma garrafa de puro malte escocês ou um vinho regular, para o cumprimento do tradicional costume da humanidade de se inebriar com os bons espíritos enquanto muda-se o mundo ou se predispõe para uma ressaca sem culpa. Depois, instala-se a fita cassete e o disco de vinil do rock experimental de Gilberto Bastos e sua banda “Venus in fuzz”, um som fugaz que se chamará “Peixe elétrico”. Por fim, e não finalmente, daremos lugar à assembleia dos crentes e incrédulos para veicular a conversa dos que querem, com justiça e educação, falar dos seus deuses e suas crenças, ou a falta disso. Eis o “Caldeirão dos mitos”, o único e verdadeiro programa ecumênico da rádio web no planeta terra. Sem falar no “Sarau das Almas”, com poesia, literatura e performances de artistas da quebrada, e a “Rádio Barata no ar”, um show de jocosidade inconsequente.

É pouco? Achamos que não, mas a dúvida permanece: teremos garra, talento e temeridade para sustentar uma grade de programação desse nível? Se eu não fosse tão cheio de pruridos e escrúpulos, diria que tudo é possível quando se tem um prodígio na equipe.