sábado, 11 de janeiro de 2014

“Alô comunidade” divulga cantor paraibano, parceiro de Patativa do Assaré

Sérgio Túlio, cantor, poeta e compositor conhecido nos meios artísticos devido a sua atuação na MPB, realizou Shows em todo Brasil, participou de vários Projetos de importância nacional, destacando o Projeto Pixinguinha e o Pixingão da Funarte. Tem música em parceria com o poeta cearense Patativa do Assaré e o repentista Oliveira de Panelas. É o autor da ONG e do Projeto Malagueta, que trabalha visando divulgar o acervo histórico, turístico e cultural da Paraíba, escreveu o Livro de poesias "Antagonismo Cotidiano" em parceria com Marcos Rodrigues, onde foi exposto na 5a. Bienal Internacional do Livro no Ibiapuera em São Paulo-SP.

O programa “Alô comunidade” é transmitido pela Rádio Tabajara da Paraíba AM (1.110), podendo ser ouvido em tempo real pelo site da emissora.

O programa Alô Comunidade, além de receber artistas independentes, conta com a participação de estudantes, trabalhadores e demais pessoas comuns da comunidade. Espaço para todos, é a principal pauta do programa, que recebe representantes de várias comunidades. Nesta edição, teremos intervenção de Assis Firmino, Diretor de Cultura de Mari, e do ator e produtor cultural Geraldo Moraes.

HOJE, 11 de janeiro de 2014, o programa começa às 14h. Apresentação de Beto Palhano, Fábio Mozart e Geraldo Moraes.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Vaca atolada


A vaca foi pro brejo? Se foi, será que vai sair? Quando a vaca foi pro brejo, tava gordinha? Como estará a vaquinha agora? Será a vaca transgênica, de chocadeira, emprenhada por meios artificiais?

Em outubro de 2003, o então Presidente da República, Lula, disse que acabou o tempo das vacas magras. Gorda ou magra, será que a vaca foi pro brejo? Existem mil perguntas suspensas no ar, engasgada nas gargantas dos brejeiros, sobre essas vacas. Muitas vacas rechonchudas já estão perdendo a banha, e atoladas. Porque tinha um brejo no meio do caminho.

Caminhando no famoso brejo onde vicejam os roçados dos muito vivos, você pode notar que os vereadores, deputados e assemelhados vendem suas cabeças de bagres por um prato de lentilhas e dão uma banana pra quem reclamar porque quem come pimenta sabe o cu que tem. Nesses roçados, dá muito neobobo. Esses, os roceiros pedem que vão às favas porque só conversam abobrinhas e não sabem descascar o abacaxi da imoralidade pública que pra essa turma é chuchu beleza.

Sim, mas a vaca está realmente atolada no brejo. Daqui a pouco vão começar a exigir a conta, reivindicando a quem de direito seus direitos de mamíferos confiscados por Dick Vigarista.

Comenta-se que vão fazer uma “vaquinha” pra ver se tiram a vaca do brejo. Serão convocadas as “vacas de presépio”, aquele povo que não tem opinião alguma, apenas ocupa espaço e serve para adubar a famosa massa de manobra. O brejo é terreno úmido, com lama, fácil de afundar. A vaca foi procurar capim fresco... Pesada demais, afundou no lodo. Para sair, vai ser preciso pedir ajuda. Se eu vou dar uma maõzinha? Nem que a vaca tussa!

Em tempo: vaca atolada é um ótimo prato, com macaxeira e carne de charque.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Biu Pacatuba viaja para a França

Dandara é filha do radialista comunitário Beto Palhano

Esteve no Brasil o francês Cristhian-Guy, especulando investimentos na Paraíba. Ele que é gestor de importante escola em Paris, já comprou vários terrenos e pretende morar no nosso litoral. Quer construir uma escola para crianças carentes e montar uma oficina mecânica. O financiamento, em euros, será de organizações não governamentais da Europa.

Nesta quarta-feira, 8, o Cristhian-Guy embarcou para Paris levando na bagagem um exemplar do meu livro “Biu Pacatuba, um herói do nosso tempo”, como símbolo da cultura nordestina que ele quer conhecer mais profundamente, já que pretende morar aqui o resto dos seus dias a partir de 2016, quando se aposentar.

Escolheu afetivamente a Paraíba e quer dialogar com nossa gente, percorrendo as trilhas da poética popular que conta velhas batalhas pela dignidade. Biu Pacatuba, atrevido, vai se mostrar de corpo inteiro ao francês em sua “vanguarda popular” das Ligas Camponesas que abalou o mundo no começo da década de 1960. Sem falsa modéstia, digo que meu trabalho é uma obra indispensável para quem deseja conhecer mais profundamente essa parte da História da Paraíba. Tudo isso bem delimitado pela poesia popular do cordel, experimentando um diálogo permanente com a comunicação popular.

O livro vai ter visibilidade nas estantes da biblioteca de uma grande escola parisiense, depois de ser lido pelo Cristhian-Guy, assessorado pela intérprete Dandara Barbosa, que não é parente de Severino Barbosa, o Biu Pacatuba de Sapé, mas conhecedora da saga épica desse herói popular.




Timbaúba do sapato


Este é o velho Teatro Recreio Benjamim, em Timbaúba, onde eu vi pela primeira vez uma peça de teatro e me encantei com essa arte à primeira vista


Minha terra natal, Timbaúba, já foi considerada a capital nordestina da indústria de sapatos. Quando eu morei lá, essa indústria estava em plena expansão. Muita gente chegando para trabalhar na efervescente atividade. Chegou o novo Promotor de Justiça, jovem e mulato. Sentou na cadeira do barbeiro Galvão que pegou logo a conversar com o cliente, como é do feitio desse povo da navalha:

--- O senhor não é daqui. É sapateiro solador ou apalazador?

--- Sou o Promotor Público.

Chegou um gaiato:

--- Galvão, tem quantas pessoas na minha frente?

--- Só o cidadão aqui.

--- Negro não é gente! Todo negro me deve um cruzado – disse o pernóstico.

Quando findou de fazer a barba, o Promotor levantou-se calmamente e jogou uma prata no chão.

--- Pegue a moeda e me dê o troco.

O cara sem entender.

--- Você disse que todo negro lhe deve um cruzado, então tire o troco.

O cara tentou se desculpar, mas para seu azar ia passando um soldado de polícia. Chamado pelo Promotor, o soldado conduziu o otário pra cadeia, por desacato à autoridade. E olhe que naquela época não se falava em lei contra o racismo.

Outra de Timbaúba. Uma dona rica de Itabaiana foi para Paris e voltou exibindo com a empáfia dos novos ricos um sapato super chique que comprou numa loja de luxo na capital da França. Coisa refinada, artigo de grife vindo do primeiro mundo, custou uma fortuna. Até que, pelo uso, o selo da loja ficou gasto e, por baixo, apareceu a marca: “Made in Timbaúba – Brazil”.




terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CULTURA POPULAR

Josa dos Índios

Nascido em Itabaiana, Josa dos Índios foi mestre de caboclinhos. Sua brincadeira fez época nos carnavais da cidade, os Assombrados da Floresta, bloco de caboclinhos muito original.

Atualmente, Josa não brinca mais. Por causa do alcoolismo, praticamente vive inativo em sua barraquinha na beira da linha em Itabaiana.

Morreram mestre Zé Leiteiro e mestre Mocó. Parece que o mestre Agostinho também não mora mais neste mundo. Se eu fosse vereador de Itabaiana, fazia uma lei beneficiando essas figuras que merecem um tratamento melhor da sociedade, porque representam uma cultura de resistência. O artista popular é visto como um objeto exótico, uma figura alheia à nossa realidade.

Se algum órgão público tivesse o cuidado de preservar a nossa cultura de raiz, não deixaria abandonadas essas figuras, tanto do ponto de vista artístico quando institucional. O Governo federal dispõe de uma verba para ajudar esses mestres da cultura popular que vivem na pobreza. É a Lei do Patrimônio Vivo, sancionada em 2008, que prevê a contemplação de mestres que tenham prestado serviços à cultura há mais de 20 anos. Para isso deveria servir o Conselho Municipal de Cultura. Fica a dica, como diz o zé mané do Facebook.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

AFINANDO A ALFAIA

Na vida temos fluxos, refluxos e defluxos, gosta de dizer o velho Sonsinho, sem saber o que significa esse palavreado. Na sua especialidade, é um usurpador sem culpa, um inocente que consegue por algum tempo enganar sua plateia, dando uma de erudito, artista, poeta ou sábio. Assim sou eu, da mesma laia, querendo confundir o burrico com o asno, mas no fim aparece o jumento de orelhas abanando, como é costume e uso comum aqui na terrinha. Tem muito burro posando de poeta, tem muito cretino vestindo roupa de benfeitor da humanidade.
Hoje num tou bom, vou logo avisando aos meus dois ou três leitores. Não amanheci bom de corte. Todas as ilusões do sentido e do espírito se desmancham no ar quando a gente ta ruim de corte. Problemas familiares. Mas é o caso: o teu canto desfaz a tua dor, cantou o poeta. Vou treinar para fazer percussão e viola num encontro de artistas que vai se dar no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, dia 18 de janeiro, um sábado. Já tou afiando a alfaia. Elemento posto em tormento em meio à alegria alheia se redime. Vamos à sambada que a noite é d’água.
Não tem herói nem poeta, não tem artista nem nada. Perdida a força do que se achava bom, tirado o santo do andor, vamos caminhar em terra de homens carentes, mulheres idem com os pés inchados na rude batalha do viver/sobreviver nessa merda de mundo. Quando se toca a alfaia, ouve-se a força do profano e do sagrado e um som distante ecoa nos ouvidos de um homem sem esperança que constrói seu canto com o barro podre da depressão. Do alto de sua verborragia maluca, Sonsinho mira os pseudos eruditos e manda todo mundo lamber sabão.





domingo, 5 de janeiro de 2014

POEMA DO DOMINGO

ESTATUTO DO TEMPO

tudo é eterno
e efêmero

independe 
do ermo

menos do barco
mais do remo

o resto
é novelo

fio tênue
num imenso 
rolo

(que tolo)

Lau Siqueira