terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Vladimir Carvalho e o Rio Paraíba

O grande debate que se trava na cidade de Itabaiana hoje é sobre o rio Paraíba e a exploração comercial e mecânica da sua areia. Isso tem a ver com cultura, sim. Vamos então rodar um trecho de entrevista que o nosso cineasta Vladimir Carvalho deu para a revista Moviola, falando justamente sobre o rio Paraíba e sua importância histórica e cultural, na parte em que ele declara seu encantamento por tudo de sua terra, inclusive pelo velho rio.


(Trecho da entrevista Vladimir Carvalho)

(Essa entrevista está no programa Resenha Cultural, que vai ao ar no próximo sábado, dia 22 de janeiro, pela Rádio Comunitária Rainha de Itabaiana, às 15h30) Ouça em tempo real na internet no site radio87rainhafm.com

No domingo, dia 23 de janeiro, o conteúdo do programa estará nos blogs:
pccn.wordpress.com e radiozumbijp.blogspot.com

Livro de Fábio Mozart faz parte de programação de aniversário da Rádio Comunitária Araçá de Mari/PB


A Direção da Rádio Comunitária Araçá FM convida para a festa de aniversário de 13 anos da emissora. O evento será realizado nos dias 04, 05 e 06 de fevereiro do ano em curso e terá uma vasta programação, conforme segue abaixo:

PROGRAMAÇÃO DA FESTA DO 13º ANIVERSÁRIO

04/02/2011
- Apresentação do Coral São Sebastião – com gravação do Hino Mariense, as 20:00
Local: Salão Paroquial “Chico Mendes”;

05/02/2011
- Show de Calouros, as 20:30.
- Apresentação de “Artistas da Terra”, às 21:30;
Local: em frente à Emissora
- Exposição de Artes Plásticas do Artista Adriano Alexandre e dos seus alunos
- Lançamento de livros do escritor Fábio Mozart, da escritora mariense Severina Farias, a popular “Nica”, entre outros.
Local: Auditório da Escola Estadual Augusto dos Anjos

06/02/2011
- Apresentação de Rodas de Capoeira, às 15:00.
- Apresentação de Artes Marciais, às 15:30.
- Apresentação de Danças Típicas, 16:00.
- Apresentação de Violeiros e Emboladores de Coco, às 16:20
Local: Auditório da Escola estadual Augusto dos Anjos.
- Bingo Beneficente, às 17:00
Local: em frente à Emissora.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CONTOS FESCENINOS


Clube das mulheres cafajestes

Mulher cafajeste é como uma nota de cem reais. Todo mundo sabe que existe, mas pouca gente viu uma de perto. Mulheres cafajestes e homens acornalhados existem e de vez em quando se juntam para debater seus problemas de cama e chifre. Outro dia, no bar do Vatapá de Gala, Madame Preciosa, seu corno de estimação Sonsinho e uma dona por nome Maria Anunciada e Proclamada Jacinto Leite no Rego e Silva batiam animado papo sobre essas coisas de traição, sexo, poder e influência dos astros no amor.

Madame Preciosa, com sua eloquência em assuntos de psicologia sexual, defensora de todo e qualquer processo erotosocializante, afirmou que é uma mulher assumidamente “cafajeste”. O culto ao tipo “cafajeste” é mais normal do que aparenta até entre as mulheres. No caso da Madame, ela disse que assume esse papel mais como uma espécie de vingança sexista. Adora exibir seu parceiro Sonsinho, um ser desgarrado daquele tradicional modelo patriarcal.

O corno manso Sonsinho garante que jamais trairá sua companheira, seja ela quem for. “Quando um homem trai uma mulher, perde 90% do seu caráter. Só não perde outros 10% restantes porque não existe homem 100%”, esclarece ele com essa estranha porcentagem. Para ele, o homem é o único animal que sempre quer mais do que precisa. “Pra que procurar outra mulher se tenho em Madame Preciosa tudo o que um homem deseja?”, diz o cabrão, olhando embevecido para sua patroa.

Dona Proclamada desenvolve a teoria de que existem duas classes de mulheres: as que têm origem no judaísmo-cristianismo e as descendentes de outra mitologia, a grega. A estirpe judaica-cristã são as filhas de Eva. Como se sabe, Eva foi feita da costela do velho Adão e programada para ser subserviente ao homem. Ao mesmo tempo em que aparentam pessoas sacrificadas aos interesses dos homens, essas mulheres instigam-os para o mal e o pecado e depois acompanham sadicamente sua queda e aniquilamento. As mulheres gregas foram criadas a partir do cérebro de Zeus. Vindas da cabeça de um deus, são independentes, plenas e completas. Madame Preciosa seria uma mulher oriunda da cabeça dessa personificação masculina superior aos homens.

Dona Proclamada anda meio descompensada depois que deu com o pé na bunda de um namorado cafajeste. “Ele comeu Madame Preciosa sem combinar comigo”, confidenciou chorosa ao domesticado Sonsinho. Proclamada está em fase de abstinência total de sexo. Não aceitou o convite de Preciosa para um ménage à trois, tendo Sonsinho como o outro vértice do triângulo, variação praticada pelas melhores famílias. Anda lendo livro de uma tal Rozane Monteiro, que ensina: “Se o Dalai Lama e o Padre Marcelo podem viver sem sexo, eu também posso. Um vive rindo, outro vive cantando, não há de ser tão ruim.”

“O amor não tem nada de promíscuo”, garante Madame Preciosa, uma mulher que se entrega sexualmente com facilidade, tendo Sonsinho como cúmplice ou não. Gosta de citar soneto da poeta portuguesa Florbela Espanca:

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais este e aquele, o outro e toda a gente
Amar!Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada,
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar.

Carta do meu compadre Manoel Pedro

Na mesa de bar: Nado mago, eu de camisa violeta e Manoel Pedro (Mari-1998)


Radialistas Silvano Silva e Manoel Graciano, ou Manoel Pedro


Antigamente ele se chamava Manoel Pedro. Depois que se projetou no rádio do brejo da Paraíba, mudou o nome para Pedro Graciano. É um compadre de longas datas, amigo de farras, de teatro e de rádio comunitária em Mari.

Pasme o leitor, Pedro Graciano foi expulso de uma rádio comunitária porque ralava no cordão de um determinado grupo político inimigo do dono da rádio. Agora, esse mesmo dono da rádio anda de braços dados com o tal grupo.

Mas acho que para Pedro Graciano foi melhor, já que hoje faz carreira em rádio comercial, ganhando seu pãozinho com a voz e o talento com que foi agraciado pela natureza. Eis a carta do meu compadre:

Olá amigo Fábio Mozart!

Quero comunicar-lhe que todos os dias leio atentamente as suas postagens, que têm conteúdos culturais e filosóficos no contexto de diversas situações. Agradeço-lhe pela amizade sólida e contínua ao longo desses anos, que ilustra dia a dia o cotidiano deste modesto radialista, que por ironia do destino deixou de militar em rádio comunitária para ralar em rádio comercial. Hoje faço parte do quadro funcional da Rádio Rural AM de Guarabira.

Amigo Fábio, sinto saudades das atividades de rádio comunitária, pois devido a atitudes mesquinhas e medíocres da política partidária, estou fora desse universo radiofônico. Em 2008, expulsaram a mim e outros companheiros que democraticamente fizemos opção partidária. Hoje a emissora recebe essas mesmas pessoas do grupo político que defendíamos, sem problemas. Conveniências que existem em toda emissora de rádio, seja comunitária ou não.

Um abraço amigo Fabio Mozart.

Pedro Graciano

DEMOCRACIA NO AR


O LIVRO ESTÁ À VENDA ON LINE NO SEBO CULTURAL

www.osebocultural.com.br


Ou pelo email: mozartpe@gmail.com R$ 12,50 + despesas postais.

domingo, 16 de janeiro de 2011

DEMOCRACIA NO AR: A TRAJETÓRIA DA RÁDIO COMUNITÁRIA ARAÇÁ FM PELO OLHAR DE FÁBIO MOZART


Livro aborda o processo de criação da Rádio Comunitária Araçá FM, a instrumentalização de emissoras do tipo no país e o aprendizado da comunidade em torno de uma comunicação emancipadora

Manassés de Oliveira

manasses.manasses@hotmail.com

Guimarães Rosa afirma que “a coisa não está nem na partida e nem na chegada, está na travessia”. Foi a travessia empreendida pela comunidade de Mari para botar no ar a Rádio Comunitária Araçá FM que motivou Fábio Mozart a escrever o livro “Democracia no ar”.

De acordo com Marcos Antonio Veloso, no prefácio da obra, “Fábio Mozart é daquelas pessoas que têm a noção exata da convivência com seu semelhante, um amigo que realiza nos atos do dia-a-dia a prática de suas convicções éticas”. É preciso ética para fazer com que uma rádio comunitária seja, de fato, um equipamento cultural aberto à comunidade e livre de comercializações e preconceito de quaisquer tipos.

A Araçá FM foi idealizada num projeto encaminhado pela comunidade ao Ministério das Comunicações no dia 05 de janeiro de 1998. Em setembro do mesmo ano a emissora entrou no ar e, cinco meses depois, foi fechada pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Seis meses e dezessete dias após o fechamento, em 1º de março de 1999, a emissora recebeu o aviso de habilitação para uma estação do tipo no município de Mari.

Os pormenores dessa história estão registrados no livro de Fábio Mozart. O texto faz uma reflexão objetiva sobre o processo de criação da Araçá FM e reconhece a importância da participação da comunidade em torno de um projeto de comunicação comunitária.

O livro aborda ainda a falta de uniformidade de propósitos do movimento das rádios comunitárias na Paraíba e denuncia a mercantilização e a apropriação dessas estações por pessoas que usam laranjas para camuflar suas práticas ilegais.

Essa abordagem do autor configura o caráter independente de sua obra. Embora as rádios comunitárias sejam mecanismos de promoção da cidadania em pequenas localidades, muitas delas, são instrumentos de proselitismo político e comercialização de espaços no conforto da impunidade do interior do país.

Pesquisa coordenada por Vinício Lima e Cristiano Lopes, intitulada “Coronelismo eletrônico de novo tipo (1999-2004): as autorizações de emissoras como moeda de barganha política”, e publicada pelo Observatório da Imprensa, afirma que “As rádios comunitárias, na sua maioria, são controladas, direta ou indiretamente, por políticos locais – vereadores, prefeitos, candidatos derrotados a esses cargos, líderes partidários – vindo num distante segundo lugar o vínculo religioso, predominantemente da Igreja Católica”.

Reside aí a importância do livro “Democracia no ar”. Marcos Antonio Veloso, ainda no prefácio da obra, afirma que Fábio Mozart “passou a ser um ponto de referência na escrotidão que domina o meio. Conheço safado metido em rádio comunitária que já tem até rede de emissoras, controladas por ele em nome de laranjas”.

Veloso se refere às distorções verificadas nas práticas das rádios comunitárias no país. Ações que Fábio Mozart mostra como sendo um problema a ser denunciado e enfrentado.

A obra que também traz uma coletânea de matérias publicadas em jornais do brejo paraibano e da grande imprensa dá especial atenção à participação do povo na gestão da Rádio Araçá FM e na luta pela sua manutenção: “Esse movimento, irreversível, assumiu de vez a responsabilidade do aperfeiçoamento de nossa sociedade e a democratização da informação, da cultura e das formas de relacionamento das comunidades em todos os rincões brasileiros, promovendo identidade cultural local, estimulando a solidariedade entre os cidadãos e provocando a autoestima das pessoas”.

“Democracia no ar” é um livro importante, que serve de base para estudantes, comunicadores populares e pesquisadores num espaço onde as publicações são raras e, muitas vezes, sem conteúdo crítico em relação às práticas negativas adotadas em muitas rádios “comunitárias” do país.

Marcos Antonio Veloso]

“A imensa tragédia da imbecilização em massa, levada a cabo pelas TVs e rádios comerciais, talvez seja a mãe de todas as outras mazelas sociais que infelicitam o nosso povo. É contra isso, basicamente, que luta a rádio comunitária defendida por pessoas como Fábio Mozart”.

Cicilia Peruzzo] “(...) uma rádio comunitária, para ser assim caracterizada, mais que se circunscrever a uma localidade e falar das suas coisas, não pode ter fins lucrativos, ao mesmo tempo em que deve ter programação comunitária e gestão coletiva, ser interativa, valorizar a cultura local e ter compromisso com a cidadania e a democratização da comunicação”.

Muniz Sodré]

“A verdadeira comunicação só ocorre na comunidade”.

Roger Silverstone]

“Precisamos constantemente de que nos lembrem, nos reassegurem de que nosso sentimento de pertencimento e nosso envolvimento valem a pena

Compadre Ricardo Ceguinho vai badalar meu livro na rádio Araçá


Meu compadre Ricardo Alves é fã do velho Fabinho e eu sou seu admirador. Esse nosso namoro é amor antigo, como as sandálias Havaianas. Mas vejam bem: não se trata de afrescalhamento, que eu e meu compadre Ricardo somos espada! Ele é de Mari, comunicador da Rádio Comunitária Araçá. Mandou o seguinte bilhete:

Amigo Fábio Mozart,

Um abraço deste companheiro de luta e muito obrigado pelo livro que você me presenteou. Vou ler com muito gosto e guardar as informações culturais que esse meu compadre publicou sobre as coisas de nossa terra.

Quero anunciar que a nossa Rádio Comunitária Araçá vai comemorar treze anos. Vai ter show de calouros, exposição de artes plásticas, capoeira, artes marciais, violeiros e bingo beneficente em frente à rádio.

No dia 5 de fevereiro vai ter lançamento dos seus livros “Biu Pacatuba” e “Democracia no ar”, este último contando a história de nossa rádio comunitária. Na ocasião também será lançado o livro de nossa escritora Severina Farias, a popular Nica, que você conhece bem.

Sim, e vai ter também apresentação do coral São Sebastião, que conta com a bela voz de nossa amiga Ozaneide.

Esperamos você por aqui.

Um forte abraço,

Ricardo Alves