No centro desse polígono fica a estação ferroviária do Triângulo, onde trabalhei por 13 anos como telegrafista, bilheteiro e agente de esplanada.
Essa estação foi uma das estruturas ferroviárias mais importantes da Paraíba. Na verdade, quando se fala no “Triângulo”, estamos falando não apenas de uma estação, mas de um grande complexo ferroviário e entroncamento de linhas, ponto estratégico para as viagens entre Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
O complexo era bastante grande. Além da estação propriamente dita, havia oficinas para locomotivas e vagões, depósitos, almoxarifado, escritórios, caixa-d'água e outras instalações ferroviárias.
Lembro que faz mais de quinze anos que a Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz pede à prefeitura de Itabaiana a cessão de um espaço no Triângulo, hoje abandonado, para sede da entidade.
A antiga estação de Itabaiana, inaugurada em 1901, não deve ser confundida com o complexo posterior conhecido como Triângulo. A estação antiga ficava associada ao núcleo urbano, onde hoje funciona um hotel; o Triângulo era o grande pátio de entroncamento e operações ferroviárias.
Ontem foi o dia do ferroviário. Tijolinhos para meus colegas ferroviários, na pessoa do companheiro José Cleofas, do Sindicato da categoria, que ajudei a fundar.
Já gostei, não gosto mais: ficar bêbado com os amigos, tocando violão de mesa de bar e poetizando embriagadamente.
Ainda aprecio: conhecer uma cidade nova, escutar minhas músicas da trilha sonora da vida, ler um bom livro, perceber que as coisas boas não acabam nunca e que ganhe as eleições um político que defende algumas bandeiras que me são caras.
Sim, e escrever uma boa crônica ou um poema. E comer pirão de mocotó de boi.
Por falar nisso, eleitor tabacudo é mais perigoso que barbeiro com soluço, muleta com rodinhas e mocotó de ontem.
Plano econômico da oposição pretende desvincular as aposentadorias e o BCP do crescimento do salário mínimo. Medida trava renda de 28 milhões de beneficiários e atinge comércio.
Resumo: se o tal Flávio ganhar, a galera da terceira idade vai dançar. Pior que eles não têm a mínima consciência disso.
Tenho mais de setenta anos e vou votar pelos velhinhos e velhinhas aposentados.
A deputada Júlia Zanatta disse que, se Flávio não ganhar, Eduardo Bananinha não pisa mais no Brasil e Jair vai apodrecer na cadeia.
Declaro que não preciso desse tipo de incentivo para votar no Lula.
É verdade que o eleitor do Flávio não liga pra corrupção nem pra infidelidade. O eleitor dele não liga pra nada, exceto tirar o Lula. O problema deles é o voto dos indecisos.
Macumbeiros e macumbeiras estão com Lula. Católicos também. Uma boa parte dos evangélicos vai votar no PT. Espíritas seguem o cortejo dos eleitores de centro esquerda. Ateus e agnósticos seguem a estrela.
O rapaz crente e biscateiro repete as acusações contra Lula e se diz empreendedor. Não vou dizer a minha opinião sobre isso, mas tenho uma.
Às vezes eu fico olhando para os quatro gatos que vivem às minhas custas e penso: o gato é um predador muito eficiente. A evolução o fez absolutamente incrível na arte de sobreviver. E tudo isso para esses vagabundos passarem o dia todo dormindo no sofá, esperando a pessoa botar comida nos potes deles.
Não é teoria da conspiração, mas os evangélicos de resultado pretendem mesmo formar o país do Evangelistão. O projeto segue. Tentam dominar da presidência da república ao conselho tutelar, passando pelas forças de segurança.
É ateu defendendo santa, igreja católica defendendo estado laico e evangélico defendendo jogo de azar. O país pirou e a gente não percebeu.
“Os ateus são mais humanistas, menos preconceituosos, amam Deus de verdade. Vocês fundamentalistas querem a morte de quem não pensa como vocês. Xô satanás!” – (Xico Sá)
Somos todos anti-heróis da canalhice, no fundo.
Françualdo Alves, ex-candidato a vereador de João Pessoa, se apresentava como cordelista e poeta.
Cordel é poesia? Por ser um estilo popular, está abaixo da poesia erudita? Por que homens de projeção social têm vergonha de escrever cordel, e publicam sob pseudônimo?
“O Cordel é muito mais que a poesia, é o uma árvore que abriga toda uma cultura. Fazer essas comparações é uma coisa muito pequena.” – (Ostenio Nunes)
Na real, entre 10 "cordelistas", sete empobrecem a rima, quebram o pé da métrica e embolam a oração na redondilha maior da picaretagem.
Fanatismo sebastianista no Hino a João Pessoa: "João Pessoa / João Pessoa / Bravo filho do sertão / Toda pátria espera um dia / a tua ressurreição.
Este quadro de Otto Cavalcanti chama-se "Itabaiana ao redor do sol".
O pintor Otto Cavalcanti deveria ser matéria obrigatória nos bancos escolares de sua terra natal, pela importância dele no cenário artístico do país e do mundo. No entanto, é simplesmente ignorado, atitude condizente com nosso grau de civilização e educação.
“Os egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor”. - (Sonsinho, no seu TCC de jornalismo)
Muita calma nessa hora, senão a coisa piora. Não sei onde li: “a vida é uma merda. O que a gente faz com a merda é o que constitui a diferença.”
"De tão azarado, acho que quem me trouxe foi o urubu e não a cegonha." – (Ameba, o caipora)
Corrupção também é cultura: a palavra jabaculê tem origem africana, e seu sentido original é “oferenda para que os maus espíritos não interfiram na harmonia da comunidade”.
O jabaculê das rádios comerciais é, portanto, uma “oferenda” para que o esquema do lixo da indústria cultural continue a rolar nas ondas do rádio, em detrimento da música de qualidade. Mas cabe a pergunta: e rádio comunitária também não “come” jabaculê?
Pode até ser, mas é um tanto complicado, porque a indústria da música não se interessa por pequenas rádios que só alcançam uma pequena cidade ou um bairro. O negócio deles é macro, no atacado, envolvendo grandes redes de rádio e TV.
Tijolinhos para Mané Calça Preta, in memoriam, locutor de rádio poste nos anos 70 na cidade Itabaiana. E para o radialista Arnaud Costa, meu pai, que faria aniversário em 29 de setembro. E Lula já!
VERSO DO DIA
Ando com uma bengala
Com ela escoro uma perna
Pra não cair em buraco
Nem desabar em caverna
Sou o dono da bengala
Ninguém manda em minha fala
Corno nenhum me governa.
Pinto de Monteiro

