terça-feira, 15 de outubro de 2019

Você ta vendo tudo e não entende quase nada




Fui ver Bacurau, o filme mais badalado do momento, com o compadre velho Jacinto Moreno, caboclo se dizente entendedor da arte cinematográfica, ele mesmo produtor de mais de 50 vídeos de ficção. Na longa fila no Cine Banguê do Espaço Cultural José Lins do Rego, noventa por cento de jovens descolados. Raros coroas do tope do velho Mozart e do videasta Jacinto. Sem bronca, furamos a fila, eu amparado na bengala, Moreno na lei da prioridade para os “pezinhos no sepulcro”. Não frequento sala de cinema há um século. O som é muito alto. Ruído tão intenso que seus ouvidos deixam escapar palavras soltas nos diálogos. Deficientes auditivos se sentiriam confortáveis.

O filme começa com os créditos. Informa que Bacurau foi o primeiro no júri popular em um determinado festival. Jacinto Moreno soltou sua primeira avaliação: “júri popular não representa nada, o povo não entende de cinema”. Mais ou menos na mesma linha do raciocínio que garante que o povo não sabe votar, por isso vota em cavalos, papagaios, gambás e outras animálias. O próprio Moreno, eleitor de Jair Bolsonaro, não bota a carapuça na cabecinha nem que a vaca tussa e o burro relinche em inglês. Mas, vamos ao filme. Eu gostei, com restrições. Um troço realmente audacioso como obra de arte. Mistura tradições culturais nordestinas com modernidades. A violência campeia, nos moldes de “Django Livre”. O figurino, confesso que não entendi sua proposta, como de resto não alcancei a maioria dos signos e alegorias da trama. Os modelitos da população de Bacurau estão mais pra galera esportiva e descolada dos grandes centros. Nada a ver com o que veste o povaréu de um lugarejo perdido nos sertões nordestinos. Essa e outras inadequações à realidade deve fazer parte da mensagem além do conflito opressor e oprimido, evidente até pela trilha sonora com canções de Geraldo Vandré.

Na conversa com Jacinto após a exibição, teve confissão mútua de que não captamos uma parte do conflito: por que uma organização criminosa nazista americana iria empregar tantos recursos para eliminar a população de uma vila perdida nos confins do Nordeste do Brasil? As referências lógicas a gente captou, que ninguém é assim tão jerico. No enterro de uma vítima, a galera fazia a chamada dos mortos, citando Marielle Franco e outras figuras recentes tragadas pelo terremoto miliciano e pelo esquema geral da direita. As cabeças dos invasores expostas na calçada é uma alusão clara ao massacre dos cabras de Lampião. A união de marginalizados com “gente do bem” contra o inimigo comum foi mensagem claramente comunicada. O político tradicional foi exemplarmente punido, como manda o figurino um tanto equivocado da própria direitona que assumiu o país recentemente.

Nossos atores paraibanos tiveram poucas falas, mas foram bem. Meu compadre Buda Lira morre no fim, metralhado por um casal de bandidos americanos. Os pistoleiros alcançaram a pé o carro dirigido pela personagem de Buda em plena noite escura, guiados pelo GPS da inverossimilhança. Depois relaxaram com uma bela trepada, devidamente registrada pelo comandante nazista da operação em seu drone disco voador. Pornô cibernético hodierno. Enfim, são tantas as subjetividades que meu olhar fica assim em enquadramento “fora de campo”. É um filme que você sente necessidade de ver de novo. Como arte cinematográfica, achei acima da média. Em plano geral, Bacurau correspondeu às minhas expectativas. O compadre Jacinto Moreno garante que faria coisa melhor se tivesse os recursos financeiros disponibilizados para a produção de Bacurau. Eu dei a ideia: cinematografar um épico gospel fantasmagórico e delirante estilo Irmã Damares e tentar verba na nova agência de cinema com a marca de “Deus acima de tudo”. O velho Moreno fingiu que não entendeu a ironia e fomos tomar sopa de tomate.



domingo, 13 de outubro de 2019

POEMA DO DOMINGO




Sou defensor do cordel
Nunca quis ser o primeiro
Professora Manuela
Disparou tiro certeiro
Empregou a sua prática
E usou bem sua tática
Sobre o cordel brasileiro.

Cordel é conhecimento
Gravado no inconsciente
Professora Manuela
Como mestra inteligente
Cunhou a frase de efeito
Para marcar nosso pleito
E a cultura da gente.

O tradicional cordel
Tem nova nomenclatura
Escrito por quem entende
Para a geração futura
O cordel é brasileiro
Mesmo não sendo primeiro
Se afinou sua textura.

Quando publicar cordel
Bote: “Cordel brasileiro”
Sendo essa nossa marca
No Brasil e mundo inteiro
É profundo e redundante
Mas também muito marcante
Gorrión é o primeiro.

O cordel é nossa história
Já diz o velho Sinfrônio
O Nordeste com o folheto
Em perfeito matrimônio
É um casal que se entende
Um ao outro compreende
Não divide o patrimônio.

Nosso Cordel Brasileiro
Tem sua simbologia
Carrega no inconsciente
Toda nossa autonomia
E nesse DNA
Transporta o céu e mar
Com humor e alegria.

Como humilde praticante
Dessa manifestação
Bento Júnior agasalha
O amor à tradição
Guardando a sete chaves
Os segredos dessas naves
Que voam pelo sertão.

Numa aeronave doida
Viaja Fábio Mozart
O Estado da Paraíba
Uma é ver outra é contar
Essa herança portuguesa
Melhorou, tenho certeza
Esmerou o seu cantar

Quando se nordestinou
E bordou a poesia
Com o signo do sol
Do amor e da alegria
O cordel é brasileiro
Mas o Nordeste é primeiro
Que lhe deu a primazia.

BENTO JÚNIOR


sexta-feira, 11 de outubro de 2019





Meu notável Clube Náutico Capibaribe foi campeão brasileiro da Série C. Para os invejosos que acham isso irrelevante, só lembrar que o Barcelona jamais foi campeão da Série C, nem o Real Madrid.

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Deputado Celso Jacob, do MDB carioca, foi de lascar o cano, disse que “Filha da empregada só serve pra se comer”. Deputado Celso Jacó disse isso pra reclamar que o MDB só serve pra se abrir pra Bolsonaro e não ganha nada. Com isso ele confessa que já comeu a filha da empregada e não pagou a pensão. Celso Jacob além de safado, é do MDB. O que é outra safadeza grossa. 

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Operação Calvário crucificou o secretário. Foi o Secretário de Turismo da Paraíba, Ivan Burity, entrou em cana acusado de altas transações propinadísticas nos jardins do girassol. O secretário foi fazer turismo na penitenciária, com vistas para o pátio. 

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O locutor Nilvan Ferreira falou grosso, disse que Ricardo Coutinho tem medo de ir no programa dele. “Quero que você venha aqui, sentar nessa cadeira pra eu perguntar as coisas que você não responde. Esse neguinho aqui não tem medo de você não, Ricardo Coutinho! Você ainda me paga por ter mandado pegar minhas camisas Lacost original na minha loja! Jacaré no seco anda, mas em rio de piranha crocodilo nada de costas!”
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Bolsonaro disse que vai impedir a vitória da esquerda na Argentina e vai melar o impeachment de Trump nos Estados Unidos. Se brincar ele cassa o diploma de santa da Irmã Dulce. 
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BOLSONARO garante que é irmão do nordestino. Ameba mandou dizer a Bolsonaro que quando Luiz Gonzaga disse que o jumento era nosso irmão, não estava se referindo a ele. Oras bolas!
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O cara tem tanto pecado e tanto diabo no couro que Edir Macedo disse que só tira o cão do couro dele com pagamento no vencimento. Não dá pra parcelar.
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O otário botou no Facebosta: “meu pênis é minha vida!”  Aí a mulher dele comentou: “tua vida é curta!”
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Bolsonaro convocou o alto comando do Exército pra concentrar tropas na fronteira com o Equador que ta havendo uma treta por lá. Só que o Brasil não tem fronteira com o Equador. Os generais estão decidindo quem vai contar isso a Bolsonaro.
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Sobre o laranjal do PSL, Moro explicou que, quando políticos deste partido desviam dinheiro, agem sob violenta emoção e por isso devem ser perdoados.
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Sílvio Santos é o único pedófilo do Brasil que pratica pedofilia ao vivo na TV e é aplaudido. Ele faz concurso de menininha mais bonita, tudo de maiô, e perguntou a uma criança de 9 anos: “o que você acha mais excitante: dinheiro, sexo ou poder?” É tanto que agora, quando se canta “Sílvio Santos vem aí”, a criançada foge na carreira!
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Vereadora Eliza Virgínia, de João Pessoa, inventa o Setembro Marrom. Ela confessou que ofereceu uma arma a uma pessoa depressiva que queria se matar.
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Pato Donald Trump engana Bolsonaro e indica Argentina no lugar do Brasil no OCDE, que quer dizer Organização Criminosa de Desaceleração Econômica. Não era amor, era cilada!
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Bozó revela: “eu sei quem mandou me dar uma facada. Ele pediu pra não divulgar o nome dele.”  

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Por que chamam nosso Presidente de Biro Liro?

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O deputado Luciano Bivar é Presidente do Partido Segura a Laranja, PSL, e ta brigando com Bolsonaro por causa do cofre do partido que tem 739 milhões pra gastar no laranjal. A briga não é ideológica coisa nenhuma, é por dinheiro e muito. Esse Luciano Bivar é mais sujo do que os banheiros do Rock Rio depois da festa.

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Eleição de conselho tutelar virou eleição de vereador de ponta de rua. Teve de tudo: compra de votos, distribuição de cesta básica, promessa de emprego, boca de urna, pressão nos empregados, terror nas igrejas pentecostais, o diabo!

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O pastor pregava: “se não votar na irmã Zuleide Deus vai castigar, você vai virar petista e vai pras profundas dos infernos!” Aí os crentes e os profissionais da política tomaram conta da eleição do Conselho Tutelar e é mais uma instituição desmoralizada nesse Brasil acanalhado. Acabei aceitando a ideia de que conselheiro tutelar deveria ser escolhido por concurso.  

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Outro eleitor de Bolsonaro tuitou: “Falhei, não se falha mais nisso”

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Outro post imoral: “Com o cu em regime fechado, Dallagnol pede semi aberto pro Lula”.


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Neymar deu show de prepotência. Disse que deve ser sim, privilegiado na seleção, porque leva o time nas costas. Deve ser por isso que ele cai tanto...


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Bolsonaro não vai a Roma pra canonização da irmã Dulce pra agradar os evangélicos e a sua mulher que é pentecostal. O Twitter infame: “Quem tem boca suja não vai a Roma”.

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O jogador Roberto Carlos disse que o treinador Vanderley Luxemburgo saiu do Real Madrid porque não deixava os jogadores beberem.  Lei seca no vestiário, os caras chutaram o velho Luxa. Diz que até bafômetro rolava no Real Madrid.

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Primeiro Ministro da Etiópia ganha o Nobel da Paz. Diz que ele tinha treta com Bolsonaro, por isso ganhou. Abiy Almed fez as pazes com a Eritreia, que também odeia Bolsonaro. Eritreia, pra os ignorantes, é um país que fica no chifre da África. Dizem que a briga entre Etiópia e Eritreia foi por causa de chifre, mas não procede. Mais um fake News.
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Salário mínimo vai ser de R$ 1.039. O pastor Malafalha disse que o salário mínimo do governo Bolsonaro é santo porque faz milagres. O cara paga as contas e ainda sobra pra o dízimo.
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Em Teófilo Otoni, Minas Gerais, deficiente visual tenta vender drogas a policial e acaba preso. Foi traído pelo seu cão guia que era um cachorro policial! Não se pode confiar em meganha, nem mesmo quando ele late e abana o rabo!
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A ex-manequim, ex-prostituta, ex-drogada e atual irmã evangélica Andressa Urach disse que chegou a dormir com 7 homens em uma mesma noite. Ela foi resgatada pela religião. Agora só dorme com um homem, que pode ser o pastor ou a ovelha. Andressa só foi ultrapassada pela Branca de Neves que dormia com sete anões bem dotados.
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Na cidade de Palmas, o vereador Lúcio Campelo disse que é a favor da pedofilia. Ele é fã de Sílvio Santos.







quarta-feira, 9 de outubro de 2019


A escritora itabaianense Edna Paiva requisitou meus préstimos para apresentar seu novo livro no dia 25 de outubro, na Câmara Municipal de Itabaiana. A obra tem o título de “Sivuca, o mito – De Itabaiana para o mundo”. Justo no dia do meu aniversário, um alento de inspiração e influxo para falar desse que é reconhecido como mestre da arte musical no planeta, nosso conterrâneo.

Grato pelo chamamento, nobre Edna, mas, infelizmente tenho que declinar do convite, porque a viúva do artista paraibano entrou com ação judicial contra minha pessoa, alegando que ofendi sua honra em determinado artigo publicado no meu blog sobre disputa judicial do acervo do mestre. Estando em demanda judicial, prefiro me abster de manifestações envolvendo o nome do Sivuca.

Recebi notas de apoio de vários artistas e jornalistas paraibanos, entre eles nosso conterrâneo, o músico itabaianense Adeildo Vieira, que declarou: “Não senti nenhuma forma de molestação à figura da compositora, muito menos à obra do mestre Sivuca, no texto em questão. Fábio Mozart é um ativista cultural da maior importância para nosso estado. Suas matérias contribuem para o debate público e para os avanços do pensamento cultural do nosso povo. Trata-se de uma figura que precisa de apoio para que, junto aos nossos companheiros itabaianenses, possa se fortalecer na realização dos projetos que têm colocado Itabaiana num lugar de respeito no cenário cultural da Paraíba”.

Cumprimento a nobre escritora Edna Paiva, desejando êxito nessa sua nova proeza intelectual, para honra e glória da cultura paraibana.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Xaréu, o último boêmio





Xaréu é um peixe do Nordeste. Quando é pescado, o xaréu ronqueja uma canção de protesto, atritando os ossos da faringe. Talvez por não ter uma voz muito suave, Xaréu ficou conhecido por esse epíteto pisciano. O violonista Xaréu foi o Yamandú Costa de nossa geração na cidade Itabaiana do Norte, agreste da Paraíba. Aprendeu a tocar o instrumento mais tocado no mundo, o violão, adaptando a versatilidade harmônica e melódica do “velho amigo pinho” ao seu jeito particular de acompanhamento e solo. Perito na arte de tirar som da viola, Xaréu também carregava o dom de fazer amigos. Foi um artista marcante na terra de grandes músicos como Sivuca e Severino Rangel que é o Ratinho do “Saxofone por que choras”.

Pratiquei o pecado da omissão quando deixei de citar Xaréu no meu livro “Artistas de Itabaiana”. O desmemoriamento foi tão grave que deixei também de fora Vladimir Carvalho, ícone do cinema nacional. O mestre Xaréu ensinou muita gente a tocar violão. Gostava de dar concertos na difusora de Manoel Calça Preta no bairro do Cochila, executando velhas valsas de Dilermando Reis nas noites enluaradas do bairro proletário. Xaréu era uma pessoa generosa, como todo mestre da cultura popular, porque ele tinha consciência da importância de disseminar sua arte. Lindo era ver tocando juntos os mestres Biu da Rabeca e Xaréu, o mais das vezes acompanhados por Artur Fumaça, outra cobra criada no violão da terra de Sivuca. No pandeiro, pulsava o ritmo afro do compadre Chico do Doce e seus compassos do candomblé. Essas expressões tradicionais de arte quase extintas em nossos interiores, engolidos pelas baboseiras da indústria cultural.

O Google me ensina que “xaréu” também é um ritmo tradicional do Recôncavo baiano, “canto de puxada de rede”. Não deu pra entender se a rede se refere ao instrumento de pesca ou o apetrecho de dormir, tão caro aos baianos. Seja como for, a matéria garante que o “xaréu” reúne composições musicais que fogem do lugar comum, “atiçando o imaginário do público”.

Quero compor uma biografia mais significativa do mestre “Xaréu”, ouvir os últimos boêmios que lembram dele e do seu violão vibrante, para uma segunda edição do “Artistas de Itabaiana”. Sei que foi uma referência musical e boêmia de Itabaiana dos anos 60/70. Reza a lenda que Xaréu tocou a noite toda no cabaré do Carretel, acompanhando Nelson Gonçalves. O dono do bar pegou o autógrafo do cara que foi uma das vozes mais populares do Brasil. Nelson assinou no violão de Xaréu. Zé Bodega, proprietário do boteco, pendurou essa relíquia na parede e lá permaneceu enquanto o taverneiro esteve batendo o coração. Meu pai foi testemunha dessa farra histórica. Ele comprovava a fama de Nelson Gonçalves, “um cantor que ficava melhor depois do quarto uísque”, quando o cançonetista se desaperta de sua timidez e o romantismo baixa no centro.