domingo, 2 de junho de 2013

POEMA DO DOMINGO



 
Não vire a página

Venha em sinal de paz
com passo tão leve e doce
apresentar os seus desejos
e sua alma secreta.

Venha com flor entre os dentes
menos auto-consciente
com explosão consentida
da memória afetiva.

Venha com os velhos tempos
de bons momentos privados
expressar sua emoção
sem desencanto ou tristeza.

Pela brilhante pintura
de um passado gozozo
sem pendências e sem ranços
construir um amanhã

com a saudade do ontem
sem choro ou redemoinho
relendo o santo rosário
sem mistérios dolorosos.


F. Mozart



Blogueiro de Itabaiana denuncia hospital por omissão de socorro




Tenho um amiguinho em Itabaiana que abriu seu blog, como é moda fazê-lo, para brincar de jornalista, poeta e filósofo.  Sim, e para ser paparazzo de si mesmo.  Este meu coleguinha é um rapaz muito inteligente, artista de talento que um dia vai ser reconhecido, uma figura, enfim, que nos dá esperanças na hora de imaginar como vai ser o Brasil daqui para uns anos, com essa juventude tão alienada. Ele não é um ser alienado.  Tem uma ótima capacidade de criar raciocínios independentes e originais, apesar de sua pouca idade.

 Antes de falar sobre o blog do meu amiguinho, e aproveitando a deixa da palavra alienação, cito aqui frase do poeta Lau Siqueira: “Quando vejo algumas programações musicais do São João na Paraíba percebo que alguns gestores querem agradar o povo com veneno.” 

Voltando ao tema desta croniqueta, leio no blog do meu amigo a seguinte matéria:
“Mais uma grave denúncia contra o Hospital Regional de Itabaiana dá conta de que uma jovem grávida de nove meses foi levada ao hospital. Ela chegou se queixando de fortes dores, mas o médico de plantão alegou que não poderia atender à mesma pelo simples fato de que ela não havia feito a ficha. O esposo da paciente alugou um carro e levou sua mulher para João Pessoa. Nas proximidades de Cajá, a gestante entrou em trabalho de parto dentro do veículo. Ainda bem que o bebê e a sua mãe não tiveram nenhum problema. Trata-se de caso lamentável de omissão de socorro, são pessoas do tipo desse médico que acabam com a credibilidade do serviço público”.

Louvável a atitude do companheirinho de dar publicidade a um fato dessa gravidade. Valeu o repúdio. Entretanto, na esfera da informação jornalística, sua matéria é um vácuo geral. Faltaram informações básicas: quem é o médico, qual o nome da parturiente? Quem é seu esposo? Quando isso aconteceu? Alguém foi ouvido sobre o fato relatado? 

Ressaltem-se os altos níveis de liberdade de expressão alcançados com o advento da internet. Jornalista, blogueiro, jornalista amador ou até mesmo “postante” (do inglês, Post), isso não importa, o que vale é escrever! Mas, fica aqui uma dica aos coleguinhas que postam notícias: dar uma olhadinha em algum manual básico de jornalismo.

Sim, antes que esqueça, o colega de Itabaiana chama-se Lucas Martins. 

sábado, 1 de junho de 2013

Rock, ciranda e maracatu no “Alô comunidade”




Tudo isso ao vivo, no lançamento do CD “O princípio básico”, do cantor e compositor Escurinho (foto), hoje, 1º de junho, no programa “Alô comunidade”.

Escurinho deu fé que a comunicação é o princípio básico, e é nessa vertente que o também percussionista produziu seu novo trabalho. Nada melhor do que falar do seu CD e tocar suas músicas em um programa temático sobre comunicação popular.

Este é o terceiro disco solo do músico pernambucano radicado desde os anos 70 na Paraíba.
ALÔ COMUNIDADE é um programa sobre rádios comunitárias produzido pela Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares e transmitido pela Rádio Tabajara da Paraíba AM (1.110). 

INÍCIO: 14h

PRODUÇÃO E APRESENTAÇÃO: Dalmo Oliveira, Fábio Mozart, Beto Palhano e Marcos Veloso.

PELA INTERNET: http://www.paraiba.pb.gov.br/tabajara-am

Cego é aquele que não quer ler


Dona Cássia não enxerga bem, mas vê longe

Em 2009 eu montei a Biblioteca Jornalista Arnaud Costa, instalada no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Graças à ajuda de amigos, conseguimos muitos livros, algumas estantes e um computador patrocinado pelo Ministério da Cultura através do Programa Cultura Viva.
O objetivo era iniciar um projeto de incentivo à leitura em Itabaiana, cidade que não possui bibliotecas públicas, muito menos livrarias. A princípio, uma estudante assumiu a gerência da biblioteca. Depois que casou, foi cuidar de sua vida doméstica e deixou o projeto. Criamos o “Livro na feira”, para doar, vender, emprestar e expor livros na feira livre da cidade. Também não prosperou por falta de voluntários dispostos para a tarefa semanal de montar uma barraca na feira.
Maestros Antonio Maurício e Vital Alves

Assim seguíamos, experimentando o terreno incerto da promoção da cultura numa terra tão devastada neste sentido. O prefeito Antonio Carlos assumiu com o discurso de que daria apoio às ações do Ponto. Pedimos um funcionário municipal para nos ajudar, ficando à disposição da entidade. Promessa feita e ainda não cumprida.

O que eu não sabia, mas depois fui tomando conhecimento aos poucos, é que as ações positivas do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar começam a emitir sinais de energias positivas do inconsciente coletivo, porque, de uma forma ou de outra, estamos plantando sementes para uma cultura baseada na ética, no aprendizado das nossas expressões culturais mais legítimas e na solidariedade. Se não fosse assim, o maestro Antonio Maurício não sairia do Recife para dar aulas de teoria musical no Ponto de Cultura, assumindo todas as despesas de transporte. Achando pouco, ainda contribui com vinte reais todos os meses. Na sua atitude, coloca em primeiro lugar o gosto por ajudar jovens dispostos a estudar música e a fé na seriedade das ações desta associação.

Em uma reunião das coordenações do Ponto, foi colocado o problema de nossa biblioteca sem uma pessoa para gerenciar. Foi quando dona Cássia Meneses, mãe de uma das alunas do curso de violão, se colocou à disposição para assumir o cargo como voluntária, de quarta a sexta-feira no turno da tarde. Um detalhe: dona Cássia é deficiente visual, tem forte redução da capacidade visual em ambos os olhos, com caráter definitivo. Lê com dificuldade, mas gosta de ler.
  
“Perguntaram um dia a Bernard Shaw se ele acreditava que o Espírito Santo havia escrito a Bíblia”, contou o escritor Jorge Luiz Borges em uma palestra pública certa vez. “E Bernard Shaw respondeu: ‘Todo livro que valha a pena ser lido foi escrito pelo Espírito’.” Borges, quase cego total, percebia o livro como algo quase mágico. Mesmo cego - podia distinguir apenas o vulto de alguém à sua frente - ele seguia comprando livros. Assim é nossa nova gerente da biblioteca Arnaud Costa. Não tem o culto ao livro demonstrado pelo grande escritor argentino, mas a mesma obsessão por ultrapassar suas deficiências e ajudar a abrir caminhos através do livro. “Eu sigo brincando de não ser cego”, dizia Borges.

No Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, a gente segue brincando de não viver numa cidade onde o livro há muito que não faz parte da realidade e necessidade imediata do seu povo. Borges escreveu: “Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os outros são extensões do seu corpo.”
 

Religioso itabaianense visita o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar



O religioso itabaianense Frei Fernando (foto), que mora atualmente na Bahia, visitou ontem, sexta-feira, (31)  o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Recebeu o livro "Biu Pacatuba, um herói do povo paraibano", de Fábio Mozart, e disse estar feliz por constatar que sua cidade dispõe de uma ONG que cuida da cultura.

Frei Fernando mora em Candeias, próximo a Salvador, e está de férias na Paraíba. No Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, foi recepcionado por Marinalva Dionísio e pelos professores Antonio Maurício e Vital Alves. Conheceu os projetos da entidade, felicitando a todos pelo empreendimento. “Gostei muito dessa iniciativa em minha terra. Deixarei uma contribuição de cem reais para as atividades de vocês, e desejo que continuem persistindo na missão de levar cultura e educação para os filhos de Itabaiana”, disse o Frei Fernando.

Ele também é escritor, estando prestes a lançar dois livros: “Crônicas de minha alma” e “Onde, quando e como Deus nos fala?”, este último de poemas. “Estou tratando dos prefácios, quando estiverem prontos enviarei um exemplar para a biblioteca do Ponto de Cultura”, informou o Frei. 

www.pccn.wordpress.com