sábado, 1 de agosto de 2026

TIJOLINHOS DO MOZART

 

Na foto, da esquerda para a direita, o brincante Nélio Torres da Folia de Reis, o declamador Quelyno Souza e o músico de Cabo Verde, Maurício Makaperkum.

Entrevistei Maurício Makaperkum no ano passado. Ficamos amigos. Por causa dele, torci pela seleção de Cabo Verde na Copa. Ele é deficiente visual.

Na quinta-feira, na Academia Paraibana de Letras, durante o Pôr do Sol Literário, o cantor cabo-verdiano Maurício Makaperkum perguntou por mim ao amigo Quelyno. Ele recebeu diploma de honra ao mérito cultural.

Quelyno disse que eu estava em tratamento de saúde. Maurício mandou áudio: “Mozart, tudo bem consigo? Desejo melhoras, breve recuperação a si e ao amigo Sérgio Ricardo, que produz consigo, para que todos nós que acompanhamos o seu legado possamos desfrutar do melhor da produção cultural do Mozart”.

Pediram-me para ler meus poemas em público. Tive receio. Rajadas de versos nitroglicerinados não casam bem na roda dos escarnecedores.

"Às vezes ouço falar que a literatura “é uma atividade de elite”. Não vamos ofender deste modo a literatura ou a atividade literária. Numa sociedade cujas elites são perversas, boçais, obscurantistas, analfabetas, violentas e assassinas, dizer que assim é a literatura é ofendê-la, é ofender a nós todos." – (Roberto Bozetti)

Inteligência Artificial é o plágio do plágio do plágio do plágio da cópia.

Não existe nada de novo e original neste mundo, como enfim constatou o poeta do livro de Eclesiastes.

Jorge Luiz Borges copiou Homero, Shakespeare copiou os carcamanos, até Augusto dos Anjos copiou D. Pedro II, por que a IA não pode copiar Fábio Mozart?

"O que se deve buscar num livro de poemas, além de poemas, claro? Deboche, riso, trivialidade, ironia e astúcia mal comportada." – (João de Deus, leitor do meu livro "Laranja romã e outros poemas")

Como estará hoje Maricá, que há nove anos adotou frota pública e quebrou o monopólio do transporte público com tarifa zero?

Na Paraíba, a experiência com a Setusa não deu certo porque os empresários são proprietários dos cargos públicos. Ou comodatários.

Petista e socialista é tudo fogo de vista. Socialista é Madame Preciosa que dá a quem quiser e não a quem der mais.

“Jamais compreendereis a terrível simplicidade de minhas palavras” – (Mário Quintana)

Uma coisa me intriga: por que condenam tanto a rapariga?

Deus foi claro: as raparigas chegarão no céu primeiro do que os padres e freiras. (Mateus 21:31)

O poeta Zé da Luz é um dos que não conseguiram morrer. Tornou-se eterno com sua poesia humilde. Ariano Suassuna é outro.

No corpo humano existem mais bactérias do que células humanas. No cérebro de Sonsinho, 70% é matéria fecal. Um fenômeno da natureza.

“Liberdade é ter as chaves de todos os presídios e escolher onde vai morar.” – (Daniel Zanforlim)

“Não vá nunca em busca da felicidade. Ela vem sozinha. Se você for atrás, ela se esconde”. – Frase de um porteiro filósofo.

Polícia não mata pobre. Esse é que se envolve no tal “auto de resistência”.

Parabano casa menos, e taxa de divórcio cresce. Povo tá criando juízo!

Instituição de caridade me pede roupas velhas. Se eu doar, fico nu!

“Quando eu for porto, ancore, desça, venha passear em mim, com calma, devagar, vasculhando-me a alma tim-tim por tim-tim.” – (Chico Bizerra)

Onde achar produtos in natura com economia de até 90%? Na feira de Jaguaribe, depois das 17 horas. Tem madame que fica com vergonha de pegar a boia, manda a empregada.

Araruna não é terra só de político carreirista e mentiroso. Lá nasceu o poeta Quito Dias no dia 22 de outubro de 1922.

Quito adorava rádio e poesia matuta. Seus ídolos: Zé da Luz e Zé Limeira. Publicou diversos livros, entre os quais Nordeste em fogo (1957). Trabalhei com Quito Dias em Itabaiana.

Meu pai já foi vereador, secretário de prefeitura, dirigente de futebol, advogado sem diploma, gerente de trânsito, escritor, animador de escola de samba, comentarista esportivo, locutor de programa saudosista, motorista, bodegueiro e gráfico.

Se você olhar em volta, vai ver que somos todos vendedores. Estamos sempre vendendo alguma coisa. Vende-se ilusões como Madame Preciosa ou aquele pastor da igreja “pegue pague”, ou ainda o candidato que promete o mundo e o fundo, mas acaba por dar apenas o que tem.

A velhinha do pano de pratos é uma velhinha que vende panos de pratos nas ruas de João Pessoa, óbvio!

Ela chegou pra mim e falou, com cortesia: “O senhor me desculpe dizer, mas tenho na minha frente um coroa muito do charmoso, que deve ser uma pessoa bondosa, caridosa e muito feliz. Obrigado pelo senhor existir nesse mundo! Não quer ajudar a velhinha comprando um paninho de pratos pra dar ao seu amor em casa? Custa só cinco reais.”

A arte de vender ao alcance de todos.

Li e recomendo “Peste e cobiça – a inveja e o ódio tramam contra o amor no alvorecer do século XX”, do escritor paraibano Tião Lucena. É mais uma aventura sertaneja descrevendo tragédias que envolvem política, poder e sexo, sendo que, de todas as tragédias, a da alcova é, de longe, a mais terrível, conforme Tolstoi.

Depois de ler “No tempo das coisas singelas”, do mesmo Tião Lucena, e devorar este “Peste e cobiça”, comungo com a opinião da escritora Clotilde Tavares: “Como parar de ler Tião Lucena? Impossível. Tião é polêmico, desbocado, atrevido, corajoso, indecente e engraçado. Não se pode ficar indiferente ao que ele escreve. E, uma vez começada a leitura, não é mais possível parar”.

Esta é a maior virtude e habilidade de um bom escritor.

Na pandemia, galera não tomava vacina porque diziam que virava jacaré. Hoje, tomam injeção falsificada para emagrecer.

Madame Preciosa teve uma ideia: na próxima pandemia, é só espalharem a fake news que a vacina emagrece e todo mundo vai tomar sem problema.

Tijolinhos agradecidos para todos os que se dispõem a dar atenção às merdas que escrevo, quando há tantas outras coisas no mundo para se prestar atenção.

 

VERSO DO DIA

 

Muito em breve

mas não tão breve assim

meu coração fará greve

e falarão bem de mim

 

F. Mozart

 

 

 

 

 

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