domingo, 6 de janeiro de 2013

POEMA DO DOMINGO



Sambada pra dona Biu


Para Severina Leonardo de Barros, morta aos 106 anos no dia 2 de janeiro de 2012. Até 2011, era passista na ala das baianas da Escola de Samba Imperadores de Itabaiana.



Poema de carnaval escrito com paixão,
a vida da sambista passou em verde e rosa.
Transfigurou-se em paetês, confete e serpentina.
Ao som forte e lutador dos atabaques e agogôs,
lá se foi dona Biu repousar seu porte altivo
e a singela arte de viver intensamente.
Faceira, ousada e boêmia,
toda enfeitada de fitas,
dona Biu foi cantadeira,
Mestra de samba e função,
um século de régua inteira
despertando a atenção,
rezando o credo da alegria
em tantas procissões momescas
de sua Escola de Samba.
Quando a escola sair,
em saudade incontrolável
os menestréis e passistas
em suas sacras memórias,
sem lamentos ou tristezas,
lembrarão da velha Biu
de um passado bem vivido.
No agudo, médio e grave
da corneta vil da vida,
dona Biu tocou geral
no grau mais silencioso
e no mais alto escarcéu.
Biu, Rainha das baianas,
aceite meu triste adeus,
boas entradas no céu.

Fábio Mozart

sábado, 5 de janeiro de 2013

Militante feminista pede lei para atender à mulher vítima de violência


Sonia e Rosane Almeida representam as mulheres na Câmara de Itabaiana


A professora Irene Marinheiro, do Movimento de Mulheres 8 de Março, de João Pessoa, disse que vai encaminhar às vereadoras Rosane Almeida e Sônia, de Itabaiana, pedido para apresentarem projeto de lei que cria uma "central de atendimento à mulher vítima" no Município de Itabaiana. “Fui professora durante muitos anos na cidade, tenho uma relação de amizade muito grande com o povo itabaianense e parabenizo a todos pela eleição de duas mulheres ao Parlamento local”, disse Irene.

A professora Irene explicou que o projeto já existe em outras cidades, e consiste na implantação de um serviço telefônico gratuito. O Anteprojeto tem por finalidades denunciar situações de violência, fornecer orientação sobre os direitos femininos, além de fortalecer a política nacional de combate à violência à mulher. Ela esclarece ainda que, com a Lei Maria da Penha, muito já se conseguiu a favor da mulher, e a implantação da central de atendimento, que servirá para ajudar as vítimas de violência no Município e para esclarecimentos sobre os direitos da mulher, vem para dar uma maior segurança e apoio às mulheres que sofrem violência. 

PESQUISA
Segundo levantamento da Fundação Perseu Abramo, seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. Machismo (46%) e alcoolismo (31%) são apontados como principais fatores que contribuem para a violência. 91% dos homens dizem considerar que “bater em mulher é errado em qualquer situação”. Uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”. O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados. 

Ainda conforme a pesquisa, 66% das brasileiras acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou, mas 60% acreditam que a proteção contra este tipo de agressão melhorou após a criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

Realizado em 2011, o levantamento indica que o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha cresceu nos últimos dois anos: 98% disseram já ter ouvido falar na lei, contra 83% em 2009.

Histórias macabras do mundo da escravidão no Ingá



Cicatrizes de flagelação de escravo


Estou lendo o livro “Ingá, retalhos de história, resquícios de memória”, do professor Alexandre Ferreira, uma obra que surpreende pela qualidade do texto e pelo detalhamento histórico. Já vou na página 95, e aí dei uma paradinha pra escrever o que me impressionou: nesta altura do livro, Alexandre menciona o que para muitos é lenda, fato ocorrido na Fazenda Mata Nego, em Ingá.

A historiadora Miriam da Luz e Silva colheu depoimento de Maria de Lourdes da Conceição, filha de escravas que viveu nessa propriedade no século dezenove. Ela lembra antiga história que sua avó contava sobre a então próspera fazenda, tocada por dezenas de escravos. O dono da fazenda era Ludovico de Melo Azedo, um sujeito aparentemente muito azedo e desumano, conforme se vê adiante. Esse senhor de escravos usava um método radical para se livrar dos seus escravos velhos e doentes: mandava matar o desgraçado.

Conta a história que em determinado período, o número de escravos inabilitados para o trabalho aumentou bastante. O Ludovico teve uma ideia que só depois de muitos anos outro degenerado moral veio a repetir. Falo de Hitler em relação aos judeus e os famosos fornos crematórios nazistas. O fazendeiro desalmado ordenou que os negros velhos e moribundos encoivarassem o mato seco em torno das árvores de baraúna. Depois ordenou que os escravos velhos entrassem nessas coivaras e ateou fogo, matando a todos carbonizados. Por causa desse episódio dantesco o lugar ficou conhecido como Fazenda Mata Nego até hoje. “Morreram todos assados, agarrados aos troncos das árvores, tentando fugir das chamas que consumiam tudo ao redor”, lembra Conceição.

“Não se sabe com certeza se essa “técnica” de suplício mortal foi usada outras vezes pelo fazendeiro Ludovico de Melo Azedo. O fato é que a violência do ato marcou de tal forma a população do Ingá que até hoje, ao escutarmos o relato sobre o episódio, temos a sensação de ouvir os gritos e gemidos dos negros sendo consumidos pelo fogo. Os nomes e rostos dessas pessoas desapareceram com o tempo, no entanto seu martírio permanece vivo no imaginário do povo de Ingá”, escreve Alexandre Ferreira.

Entretanto, como a história é escrita pelos vencedores, o nome do latifundiário Ludovico de Melo Azedo é lembrado e homenageado em uma importante avenida da cidade do Ingá. Esse desatinado e crudelíssimo senhor jamais deveria ser lembrado com honra, porque cometeu crimes contra a humanidade.

Foi a própria desumanidade da escravidão que gerou movimentos de insurreição dos escravos. O caráter do colonizador, a própria mentalidade do europeu que veio para o Brasil forjaram a marca e a cara do tipo de escravidão que aqui se praticou e são as causas do país que temos hoje, injusto e altamente preconceituoso, apesar da falácia de “democracia racial”. As tragédias sociais não são obras do acaso.


  


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ponto de Cultura prepara grade de oficinas para 2013


Clévia Paz, Rosy Chaves, Fábio Mozart, Nalva, Orlando Otávio e Marcos Veloso (Foto: Rosival)


Os coordenadores do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar reuniram-se nesta sexta-feira (4) para elaborar a programação de 2013, quarto ano de desenvolvimento de atividades socioculturais e econômicas, voltadas a todos os públicos. Os resultados alcançados em 2012 foram satisfatórios e as perspectivas para este ano são ainda maiores.

Com foco na área cultural, o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar se destacou como um dos Pontos de Cultura mais atuantes do estado da Paraíba, atendendo cerca de 80 crianças e adolescentes, oferecendo, acima de tudo, possibilidades aos aprendizes de se tornaram mestres, como é o caso do artesão especialista em mosaico artístico Rosival Silva que, utilizando as técnicas aprendidas nas oficinas de artesanato, já ministra cursos e desponta como um artista de grande valor.

Em 2013, a equipe de coordenadores do Cantiga de Ninar promete surpresas e novidades à comunidade. As ideias estão amadurecidas e os planos serão executados com novas parcerias. O primeiro projeto a ser deslanchado é o “Livro na feira”, programado para ter início em 22 de janeiro.

As inscrições para as novas oficinas começarão em meados de fevereiro. Teatro, danças folclóricas, artesanato, cultura afro, música e audiovisual são alguns dos focos a serem explorados.

O projeto
O Ponto de Cultura é um projeto gerido pela Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba, com apoio do Ministério da Cultura, Programa Cultura Viva, que patrocinou os equipamentos de audiovisual, instrumentos musicais e equipamentos para as oficinas de artesanato. Neste ano, o projeto está buscando novos parceiros públicos e privados no município.

Apoio
Empresas e entidades podem apoiar o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar fazendo doações ou oferecendo serviços voluntários. Os interessados podem doar livros, material de consumo, oferecer oficinas ou contribuir por intermédio do Clube dos Amigos do Ponto de Cultura.

Contato: (83) 8725.4059

TIJOLINHOS DO MOZART




Oi nós da terceira idade dando show! Eu na Escola de Música para a Terceira Idade, tocando o contra-baixo. Luiz Fernando Veríssimo acha que, “de todas as diferenças entre o Homem e a Mulher, entre as psicológicas e as palpáveis, a mais importante é que a Mulher pode simular orgasmo e o Homem não”. Discordo, ou disconcordo, como diria aquele locutor de Mari. A diferença fundamental entre o homem e a mulher é que o sexo feminino não toca certos instrumentos.  Nunca vi uma mulher tocando trombone de vara, tuba e bombardão. Trompete já vi, mas não bombardão. Em especial as da terceira idade.

No Brasil, o crime compensa. Pelo menos no Judiciário. Sete juízes cocrruptos foram “condenados” à aposentadoria.

“Somente os ganhos ilícitos proporcionados pela organização criminosa, notadamente a participação nos ganhos proporcionados pelos cartórios, poderia permitir à juíza a nababesca vida de frivolidades documentada nas colunas sociais da imprensa da província” - (De uma Denúncia do MPF sobre recente escândalo envolvendo parte do judiciário de Maracajaguaçu)

Música “Toada de terreiro”, minha e de Orlando Otávio, inscrita no Music From Parahyba, edital da Funesc que vai selecionar vinte artistas para um CD/coletânea. Só não entendo o título do projeto em inglês. Deve ser pra rolar no exterior. Chique!

Boatos de que na Prefeitura de Itabaiana houve 'queima de arquivos'. Destruiram as provas.

PT virou um PMDB de "esquerda".

Prefeitos tomam posse, anunciam corte de gastos e se preparam para o carnaval, que ninguém é de ferro.

Depois de um ligeiro exame, descobri que tenho 57 anos, mas com saúde de 87.

Cortei o açúcar. Agora querem meu álcool. O que me restará no futuro?

E Maria falou a José que teria um filho concebido pelo poder do Espírito Santo. José exclamou: “Vai nascer um capixaba!”.

Fiz um cheque pré-datado sem previsão de fundos e paguei o que fiquei devendo em 2012.

Solução para prefeitos que reclamam de crise: liquidação e pagamento a longo prazo.

Dizem que Zola foi plagiado por Eça. Flaubert por Maupassant. Victor Hugo por Alexandre Dumas, pai. Vários por Shakespeare... Até Augusto dos Anjos plagiou D. Pedro II. Eu plagio até Maciel Caju. E quem quiser que tome...

Faltam poucos dias para seu velório. Você não pode ficar de fora.

O comércio lucrativo da política tem lugar até pra analfabeto de pai, mãe e parteira.

O único homem que compreendeu meu talento de escritor foi Sonsinho. Pena que seja analfabeto.

A vida costuma dar um tempo, mas não pára.

Houve um tempo em que política e bem comum eram irmãos de sangue... Hoje prevalece a anemia. 

 “Acho que está na hora de amadurecermos, já que estamos apodrecendo.” – José Walmir Ferreirinha. 

Para você que mandou uma mensagem chula, falando mal de mim que posso ser seu pai. (Sua mãe não tem certeza). Vá tomar lá onde é mão única. Ou melhor: enfie o dedo e rasgue em cruz. 

As cidadezinhas estão se tornando cancerosas, necrosadas com o tráfico e consumo das drogas. Daqui a dez anos, ninguém sai nas ruas por causa da guerra e dos zumbis do crak. 

Mundo virtual é algo assim como observar a existência de uma perspectiva voyeur. Conhecer a vida do outro, mas não propriamente conhecer o outro.

“Para matar um pequeno burguês, basta adicionar um pouco de liberdade ao seu café matinal.” – Maciel Caju

“Na minha cidade não teve queima de fogos na passagem de ano. A prefeita roubou o dinheiro pra retocar a raiz do cabelo e espichar as pelancas.” – Irmã Zuleide. 

Botei a chave do meu GOL 2001 no altar do Bispo Macedo, mas o pastor me disse que, com essa oferenda, não arrumo nem um FIAT 147.

Bem-aventurados os que possuem carro velho, porque deles é o reino dos céus.

Estou me preparando pra comer carne de cobra com cachaça na fazenda do compadre Vavá da Luz, em Ingá. 

Saiu de casa dizendo que iria a uma “première”, foi descabaçar a namorada.

COLUNA DE ADEILDO VIEIRA




Já que não acabou, o samba continua!
Adeildo Vieira

Agora são sete horas da manhã, sábado, 22 de dezembro. Acordei sobressaltado e, desconfiando de que estava vivo, corri pra janela pra ver o mundo. Ainda bem que e vi um bem-te-vi cantando na antena de TV do prédio ao lado e um vizinho  murmurando no celular no andar de baixo do meu condomínio. Pois é, parece que ele não acabou. O senhor mundo estava inteiro. De tanto que foi anunciado, eu tinha medo da hipótese de Deus reeditar seu arrependimento na feitura do homem e promover um neodilúvio. E como seria fácil acabar o mundo, né? Bastava que fossem silenciados todos os celulares do planeta.
Como havia acordado aparentemente vivo, eu tinha medo de ser o novo Noé, aliás, com a proximidade do natal, talvez fosse eu o Papai Noé contemporâneo. No fundo, depois de dois casamentos, eu tinha mesmo era medo de saber quem seria a Mamãe Noé, pois poderia destruir a única possibilidade de renovar a humanidade discutindo uma relação. E o que me apavorava mais ainda era a fatídica pergunta: Teria eu performance sexual para repovoar a terra?
Passado o medo de atrasar o repovoamento do planeta, eu, já convicto de que os maias acertaram no calendário, mas erraram na previsão, fui assistir a TV, pois teria minhas dúvidas totalmente dirimidas quanto ao estado de (a)normalidade do mundo. De cara eu já vi a notícia de três assassinatos ocorridos naquela madrugada, acionados por escritório instalado dentro de um presídio.. Em outro canal vi uma igreja evangélica e sua aparente frustração por perder a oportunidade de apresentar concretamente a vida eterna a seus fiéis, ou, quem sabe, por não ter cobrado ingresso pra isso. Ah, o mundo não acabou. Num terceiro canal vi os craques de futebol ostentando suas fortunas e vi também os meninos do crack acabando seu mundo no leito da rua. Em seus sonhos pluviais, as crianças do sertão continuam empinando carros-pipa no céu na esperança de chuva. Em seus sonhos de poder, os políticos mantêm-se navegando os dilúvios da corrupção. Agora sim, eu tinha a certeza, definitivamente o mundo não acabou, tudo está na mais perfeita normalidade.
Mas daí um sentimento de revolta me tomou por inteiro. Convenci-me de que seria eu o mais negligente compositor do planeta, pois como é que eu fui capaz de perder a oportunidade de fazer um samba para este novo fim do mundo? Estaria hoje cantando a canção de uma nova era frustrada, como fizera Assis Valente em 1938. Imagina que perdi a oportunidade de fazer um samba para um amor eterno que se acabaria no mesmo dia. Ou estaria arrancando o mal pela Pura Raiz, na voz de Mirandinha, numa roda de samba que não daria um giro. Pois é, perdi o último trem das onze. Agora ficou a lição de ser menos irresponsável no próximo fim do mundo.
E pra continuar minhas elucubrações sobre o fatídico tema, me veio uma última pergunta. Já que o mundo não acabou, será que meu samba-de-fim-de-mundo constaria no repertório de algum sambista com sede de viver e com fome de respeito à cena cultural paraibana? Bom, aí seria o fim do mundo!