segunda-feira, 6 de abril de 2015

Mensagem da esposa de Otto Cavalcanti


A artista plástica espanhola Margarita Solaris, mulher do pintor paraibano Otto Cavalcanti, enviou a seguinte mensagem:

Estimado Fábio:

Nossa viagem de Fortaleza a Barcelona está programada para o final de abril de 2015, pois decidimos voltar a morar em Barcelona. Se houvesse oportunidade de um oferecimento econômico das autoridades paraibanas para Otto Cavalcanti poder residir na Paraíba, a troco de obras, voltaríamos de Barcelona para Itabaiana e João Pessoa.

Agora, decidimos enviar a você umas obras originais de autoria de Otto Cavalcanti. Confiamos em você, como pessoa com conhecimentos nas artes e o amor por Itabaiana e cremos que você saberá dar-lhe o melhor destino às obras para que representem a meu marido.

Gostaria saber seu endereço para o envio. Espero suas notícias, um forte abraço,

de Margarita e Otto



Margarita:

Infelizmente, o nível de civilidade de nossa população e suas lideranças políticas não os fazem perceber o valor da arte de Otto e a necessidade da preservação do seu acervo. 

Agradeço muitíssimo pela remessa desse material que irá para o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, em Itabaiana, entidade que cuida da cultura naquela comunidade.

Forte abraço, 

Fábio Mozart


Caro Mozart,

tenho 74 anos, vivo o mundo da cultura desde minha infância e sei que no final sempre a cultura sai vencedora, não importa quanto demore, e não sabemos se a gente vai estar vivo quando aconteça, mas vai acontecer.

Eu sei que Otto Cavalcanti, paraibano de Itabaiana, será um dia reconhecido como merece, na sua terra. As autoridades que mexem com cultura aqui em Fortaleza também são pessoas que usam a cultura para outros fins e não são conscientes do valor que ela tem. Dentre os milionários cearenses, como Ivens Dias Branco, oitava fortuna do Brasil, não tem nenhum que seja um grande nobre mecenas, que ame sua cidade como um  Medici fiorentino. Os milionários daqui são pobres pessoas. Mas, continuaremos criando, trabalhando em pro do que a gente acredita.

Admiramos seu trabalho, e gostamos de ficar ao lado de gente como você.

Enviaremos obra de Otto, com todo afeto, receba um forte abraço,
de Margarita e Otto. 





domingo, 5 de abril de 2015

Rádio Comunitária de São Luiz, no Maranhão, transmite o “Alô comunidade”



Fábio Mozart (esquerda) e Dalmo Oliveira entrevistando o produtor musical Carlão Melo, ontem (4) no Alô comunidade", edição nº 188

A Rádio Comunitária Cultura, de São Luiz, no Maranhão, enviou mensagem para a produção da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, anunciando que pretende firmar parceria para retransmissão de toda programação da rádio, incluindo o programa “Alô comunidade”, o único com a temática de radcom transmitido por uma rádio pública no Brasil, no caso a Rádio Tabajara da Paraíba. 

O link da Rádio Zumbi também foi adicionado no blog BNC Notícias, do Maranhão. “Ficamos muito felizes em fazer essa ponte, em prol da democratização da comunicação”, disse o blogueiro maranhense responsável pela mídia eletrônica da Rádio Comunitária Cultura FM. 

O programa “Alô comunidade” é produzido pelo Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, Sociedade Cultural Posse Nova República e Coletivo de Jornalistas Novos Rumos, e transmitido todos os sábados a partir das 14 horas pela Rádio Tabajara da Paraíba AM, com retransmissão através de doze rádios comunitárias e rádios a cabo, além da Rádio Web Comunitária Porto do Capim, de João Pessoa.

sábado, 4 de abril de 2015

CARLÃO MÉLO É MEU ENTREVISTADO DE HOJE

Frei Fernando não vai poder ir ao programa "Alô comunidade" de hoje, será substituído pelo meu compadre Carlão Mélo, que não é padre, mas sabe da missa mais do que um terço.
Apresentação de Fábio Mozart – Produção de Dalmo Oliveira e técnica de som de Maurício José Mesquita.
Começa às 14 horas deste sábado, 04 de abril.
OUÇA O PROGRAMA PELA RÁDIO TABAJARA DA PARAÍBA AM (1.110)
OU EM TEMPO REAL PELA INTERNET:

 

Neste sábado de Aleluia, “Alô comunidade” destaca Padre Ibiapina, um religioso iluminado

Para alguns pesquisadores, Padre Ibiapina está incluído na categoria dos iluminados, pessoas que sempre lutaram por um ideal de trabalho e fé. Foi ponte entre a Igreja e o povo pobre do Nordeste brasileiro, construindo uma obra missionária significativa e respeitada, partilhando água, alimento e abrigo com doentes, mendigos e retirantes.

Apresentação de Fábio Mozart – Produção de Dalmo Oliveira e técnica de som de Maurício José Mesquita.

Começa às 14 horas deste sábado, 04 de abril.

OUÇA O PROGRAMA PELA RÁDIO TABAJARA DA PARAÍBA AM (1.110)
OU EM TEMPO REAL PELA INTERNET:


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sociedade dos poetas broxas

Rosângela Veríssimo: "Nasci pra ser águia"

O caso se deu na capital da Parahyba do Norte, numa dessas academias de letras formadas por pretensos intelectuais que querem foco em si, para brilhar pelo menos entre eles. Geralmente, trata-se de um amontoado de babacas, uma espécie de sociedade dos poetas putos porque ninguém reconhece sua genialidade, ou associação dos escritores de meia idade, meia fama, meio quilate e meia boca. Coisas do tipo, intelectuais respeitadíssimos e respeitadores das normas que regem a sociedade, homens e mulheres probos, enfim, grêmios que confirmam o que garantiu Albert Einstein: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.”

Para prosseguir e sem perder o pique na citação de Google, Rudyard Kipling disse que “a mulher mais idiota pode dominar um sábio. Mas é preciso uma mulher extremamente sábia para dominar um idiota.” Aqui não se trata de uma mulher idiota, e sim de uma senhora muito inteligente que mora na cidade de Mari, casada com um homem de alto gabarito, ela sendo uma dessas senhoras que apreciam brilhar nas rodas sociais com sua elegância e vivacidade. Gosta de compor música, de brincar carnaval e rabiscar poemas. Apresento-vos minha comadre Rosângela Veríssimo, a poeta que um dia ingressou numa dessas academias, com suas boas maneiras e seu jeito franco de ser. De cara, recebeu a simpatia dos simpáticos e o olhar enviesado dos reacionários, ou dos acadêmicos mais invejosos. Aquela mulher exuberante e comunicativa, de certa forma, apagava um pouco a vela bruxuleante de alguns colegas. “Eu nasci para ser águia”, costuma dizer Rosângela, atraindo a inveja dos corujas.

Foi numa sessão de declamação de poemas que Rosângela recitou seu trabalho intitulado “Profano”:

Me ame, mas me desrespeite
Me deite e deixe o seu corpo
Arrancar
do meu peito
Aquele grito contido
De tão reprimido.
Faz do chão nosso leito
E sem preconceito
Destrona a madona
E te deleites
Ao melhor do prazer.

Ficará entre nós
Todo bom despudor
Desse jogo impuro.

Se queres assim,
Eu, cá por mim
Não vejo pecado
No desejo carnal.
A lei: vale tudo
No amor conjugal.

Explorar emoções
Dentro do casamento
Também é sensual
Trata bem deste amor
Sempre tão maltratado
É porque o profano
Não macula o sagrado.

É insípido o puro.
Vale ousar no tempero
E respeito demais
Sempre é exagero.
És o meu convidado
A quebrar esse gelo.

A poesia foi dedicada ao marido, que ouviu, orgulhoso, a declamação de Rosângela. No entanto, as madames e os varões, a maioria, sentiram uns comichões íntimos. Uns, de desejo, outros, de pruridos moralistas. Naquela “casa de arte” jamais se viu tamanha ousadia. O formigamento deu asas ao secreto desejo de cortar as asinhas de quem não trilha pelo estabelecido e consensual. A poesia foi considerada imoral e proibida de constar nos anais da casa. A poeta foi censurada oficialmente e informada de que não poderia declamar poemas com tais e tão claros conteúdos eróticos, em respeito à tradicional família, aos bons costumes e blá blá blá. “Mandei aquele povo à merda e nunca mais voltei lá”, confessa Rosângela.

Minha amiga Rosângela deixou de ser imortal, mas continua pop. Ser pop é diferente de ser popular. Ser pop é ser mais você, é ser confiante no seu valor e nas suas limitações, mas sempre procurando ocupar seu lugar no mundo com simpatia e coragem, sem dar bola para os banais. Toda mulher veemente e expressiva estará sempre se achando amante de Zeus Pai Todo-Poderoso, e dando as cartas. Artistas como Rosângela estão sempre dispostas a rezar com suas mãos postas, confessando todos os seus pecados e a glória de cada um deles, como fez no poema censurado pelos “imortais” de meia tigela.



Encerrada a campanha do cimento



Deixei muito cabra bom chupando pirulito, os compadres que não acreditaram que eu conseguiria bater a meta de alcançar 25 sacos de cimento doados por camaradas do Facebook em apenas um dia. Consegui. Tenho mais de mil amigos no Facebook, a maioria deles conheço pessoalmente. Nesse mundo à parte, que é o virtual, moram pessoas de verdade, que me conhecem e sabem de minha constante luta “pela difusão da cultura e por um mundo melhor”, como é o lema da Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba, fundada por mim em agosto de 1977, portanto com uma história respeitável nesses 38 anos de luta.

Pois bem. Agora vamos continuar a campanha para levantar recursos para o restante do material. Eis a lista:

LISTA DE MATERIAIS PARA REFORMA DA NOVA SEDE DO PONTO DE CULTURA CANTIGA DE NINAR

25 sacos de cimento
12 metros cúbicos de areia
80 metros de madeira ¾
40 metros de madeira de linha (para tesouras)
30 kg de cal
100 metros de fio 12
1 caixa completa de energia
2 refletores
5 lâmpadas fluorescentes
2 galões de tinta a óleo

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Para encerra por hoje, uns tijolinhos da Semana Santa:

·      *   Amanhã, o Cristo será falsamente crucificado em cada rincão desse país catolicão.

·       *  Cristãos já se preparam para mamar o velho vinho Carreteiro de 20 litros com tira-gostos de corvina.

·        * Na Paixão de Cristo ao ar livre, Sonsinho foi escolhido para interpretar o jumento que carregou Jesus em Jericó.

·        * Maciel Caju quer ser Maria Madalena na Paixão de Cristo, revelando seu lado mulher dama. Madame Preciosa lutou pelo papel, mas perdeu por excesso de fofura.




quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ponto de Cultura Cantiga de Ninar exibe filmes paraibanos

Professor João Paulo Lima, de Juripiranga, foi o palestrante na noite de cinema no Ponto de Cultura

Ontem à noite, no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, tivemos sessão de cinema, com exibição de três filmes paraibanos, um deles produzido em São José dos Ramos por jovens daquela cidade. O outro, “Sons de Sophia”, tratava de uma menina deficiente auditiva. O terceiro filme comoveu muito a pequena plateia, cerca de trinta pessoas, que esteve no Cineclube Vladimir Carvalho. Trata-se do curta “Ilha”, com o excelente ator Fernando Teixeira. Um pai que cuida do filho autista em uma zona rural. É um filme delicado e que possui instrumento instrutivos para a didática e o coração. Uma professora, presente na plateia, disse que tinha um filho autista e se identificou com o drama, muito bem colocado na obra.

Alguns adolescentes do curso de violão do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar assistiram aos filmes, um tanto espantados com a linguagem e o ritmo das obras, habituados que estão com cinema comercial. O que viram na noite de ontem marcou, de alguma forma, aquelas mentes jovens. No fim, debate onde se viu que precisamos mostrar mais filmes alternativos para a galera, convidar mais gente, buscar outros espaços para exibir cinema de qualidade. Troca afetiva de conceitos, presença de gente que pensa e tem sensibilidade, como o ator Fred Borges, debate com o professor e cineasta João Paulo Lima, que falou sobre vivenciar cinema e fazer essa arte, desde a produção de roteiros até a edição. Existe uma lista de possibilidades de se fazer cinema barato. Os intentos são muitos. E ver cinema, refletir sobre esta arte.