terça-feira, 4 de outubro de 2011

Há 35 anos era inaugurada a PB-54 que liga Itabaiana à BR 230




Inaugurada em outubro de 1976, nas gestões do governador Ivan Bichara e prefeito Antonio Santiago, a PB-54 foi construída para durar muito. 35 anos é muito tempo. Ademais, se compararmos às construções públicas de hoje, a exemplo da Barragem  Camará de Alagoa Grande, que, com dois anos de construída, foi levada pelas enchentes de 2004, destruindo casas e ceifando vidas.

 Há 35 anos era o tempo da honestidade e da responsabilidade. Era o tempo de interesses políticos voltados exclusivamente  para o bem estar do povo.

Na inauguração da PB-54. o prefeito Antonio Batista Santiago, o maior batalhador pela  construção da rodovia,  já se encontrava doente e, dias depois, viajou a Recife para tratamento de saúde, vindo a falecer no dia 22 de novembro.


NOTA DO BLOG: Trabalhei como operário na construção dessa estrada, pela firma Zenit Ltda., que faliu e nos deu o cano. Era auxiliar de escritório avançado, no trecho, comendo marmita fria e brigando com muriçoca, escorpião e boi brabo no mato. Nas sextas-feiras, botava uma velha pistola na cintura e saía pagando os ordenados dos peões no trecho, dinheiro vivo em envelopes, uma temeridade. Certa vez, quiseram assaltar o carro pagador, mas o plano foi abortado. O líder da quadrilha: um filho do delegado de polícia.

Espírito de porco não quer música de Fabinho na Mostra do SESC





Recebi ontem telefonema de Rosana Chaves, responsável pela Mostra SESC de Música Paraibana, comunicando que a composição “Toada de Terreiro”, de autoria deste que vos tecla e do compadre Orlando Otávio, seria eliminada porque alguém mandou e-mail denunciando que a música havia participado do Festival Acauã de Música Popular, contrariando o regulamento da Mostra.

De fato, nossa música foi inscrita naquele Festival, mas não apresentamos porque o intérprete não teve condições de defender nossa toada naquela competição. Lá vou eu incomodar meu compadre Laercinho, da Rádio Comunitária Acauã de Aparecida, para mandar urgente uma declaração confirmando que “Toada de terreiro” não participou do festival (fax símile acima).

Agora eu me pergunto: quem danado teria interesse em não ver nosso trabalho na Mostra de música do SESC?  O que só confirma o fato de que nessa terra tem gente pra tudo e ainda sobra um pra tocar o sino na catedral do inferno!

O fato é que na sexta-feira que vem estaremos no SESC Lagoa, em Jampa, às 19 horas, apresentando a “Toada de terreiro” e “Os quatro ícones do nordeste”, eu e Orlando Otávio, primo legítimo de Sivuca e herdeiro da forte estrutura poética e musical que está no DNA do povo de Itabaiana do Norte, minha pátria idolatrada salve salve amém!

Trabalhadores da comunicação comunitária ocupam programação em emissora pública

Da Paz, Aguinaldo e Flávio, da Rádio Comunitária Lagoa (Lagoa de Dentro/PB) que participa do projeto


É fato que o movimento de rádios livres e comunitárias da Paraíba teve uma vitória, ao encaixar um programa na Rádio Tabajara (1.110 AM), o “Alô comunidade”, transmitido todos os sábados às 14 horas, sob a responsabilidade da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, de João Pessoa, com mais seis rádios comunitárias do Estado. Apresentado por comunicadores das rádios participantes do projeto, sob a coordenação do jornalista Dalmo Oliveira e do radialista Fábio Mozart, o programa está no ar desde julho. Os objetivos são de abrir espaço para artistas que não têm lugar na mídia tradicional e realizar entrevistas com lideranças comunitárias sobre temas geralmente ligados à realidade das comunidades e, principalmente, debater o tema rádio comunitária.

O diretor de operação da Rádio Tabajara, Cristóvão Tadeu, foi quem deu o aval para a ocupação desse espaço na grade de programação da emissora oficial do Estado. Ele foi muito receptivo à ideia, acreditando que uma emissora pública não pode ficar alheia a um movimento de comunicação popular tão legítimo. Apesar da discriminação que sofrem essas rádios de baixa potência, a Tabajara aposta no projeto porque “a proposta da emissora no novo governo é tentar incluir os de baixo, os que não têm voz, dialogar com as culturas populares e trazer os perseguidos e criminalizados para que possam assumir seu papel de ouvinte e falante com a sociedade, sem restrição”.

ACOMODAÇÃO

As rádios comunitárias que estão no ar receberam o convite para participar do programa, mas a receptividade tem sido baixa. Poucas emissoras aderiram ao programa até agora. A proposta é de cada rádio ocupar cinco minutos semanais para noticiar os fatos de sua comunidade e realizar breves entrevistas com artistas e lideranças da região, tempo inserido nos 60 minutos do programa. Em contrapartida, a emissora deverá retransmitir o programa, gravado, em qualquer horário de sua grade. “Pelo que sei, é proibido rádio comunitária entrar em cadeia”, disse Severino Ramos, da Rádio Comunitária Araçá, de Mari. Já o coordenador do “Alô comunidade”, Dalmo Oliveira, tem a opinião de que não se trata de transmissão em cadeia e que essa é uma análise apressada e menos refletida. “Primeiro porque a geradora do programa é a Rádio Tabajara, que não é comunitária e sim uma emissora pública. Segundo porque, no momento em que você grava o programa e o retransmite em outro horário, desqualifica a questão da transmissão em cadeia”, ensina ele.

O radialista Fábio Mozart faz outra análise da aparente indiferença das rádios comunitárias em relação ao primeiro programa focado nessa categoria de emissora a ser transmitido por uma estação de rádio potente, de caráter público, que alcança três estados nordestinos. “O que deve ocorrer é que as rádios comunitárias que receberam sua outorga, ou são falsas comunitárias, por isso não teriam interesse em ocupar espaço na sua grade de programação com um programa de luta pelo movimento, mas que não dá lucro, ou por outra são rádios que se acomodaram, entidades que estão de certa forma fora do controle popular, rádios que não têm história de resistência”. Para ele, só os que ousaram, resistiram e transmitiram cultura e rebeldia têm consciência dessa luta e sua continuidade. Fábio cita a Rádio Comunitária Diversidade, do bairro Jardim Veneza, em João Pessoa, como uma autêntica comunitária que incentiva o movimento e está engajada em todas as lutas das coirmãs.



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eles cuidam com carinho de sua cultura




Diferente de nossa velha e tradicional Itabaiana, em Areia os administradores da cidade cuidam bem da cultura local. Zelam pela preservação dos valores culturais porque sabem que isso é primordial para o incremento da atividade turística. Pensam cultura no sentido de mostrar a identidade cultural local e formas de preservá-la, ou mesmo resgatá-la. Gestão de política cultural em Areia é levada a sério, não o arremedo de Secretaria de Cultura que temos por aqui, sem nenhum vintém de recursos próprios, sem  estrutura mínima e organização. 

Nesse mundo globalizado, nunca foi tão importante identificar e mostrar as diferenças culturais (étnicas, regionais, de nação, etc), antes não consideradas, mas que agora se impõem. Reconfigurado, o mundo torna-se, por um lado, global; por outro, local. Quem não entender isso, perderá o bonde da história. 

É notório que Itabaiana tem seu potencial turístico, marcado por uma cultura singular. Poucas cidades podem exibir com orgulho nosso rol de artistas consagrados, nossa importância na História do Brasil, nossa cerâmica sem igual e tudo o mais dentro da singularidade contextual dessa região, no coração do vale do Paraíba. Quem sabe, um dia alguém vai abrir os ohos e cuidar bem de nossa cultura, como fazem em Areia e em tantas outras urbes paraibanas.

AABB – Retificação de Nelito


Essa moderna máquina de calcular era usada por Nelito quando entrou para trabalhar no Banco do Brasil, agência Itabaiana do Norte



Mozart:

Em 31 de outubro de 1966 foi lançada a pedra fundamental da sede própria da AABB em Itabaiana. Na realidade, a AABB foi fundada em 1964 por Emilson de Lucena Formiga, que aproveitou uma “leva” de novos (e jovens) funcionários que assumiram naquele ano, a partir de setembro. Aproveitou no sentido de completar o número legal de sócios exigido pelo estatuto, ditado pelo Banco do Brasil.

As jovens da cidade também aproveitaram essa “leva” de rapazes solteiros. Lá casaram Nelito, Ailton Parrá, Fernando Aquino, Edvaldo Trindade, Flávio Barbosa, Josué Roque, Célio Gomes e o próprio Zezinho, que era da cidade, com as mais belas e prendadas moças da terra. Segundo Valdemir Almeida, Valdo, foi ele quem conseguiu “colocar” essas meninas que estavam todas encostadas. Havia os casados: Marcílio de Paiva, Onofre José, Alberto Paiva de Aguiar, José Alfredo Ribeiro e José do Nascimento Barreto. Teve nego que era noivo em outra cidade e abandonou a noiva, desistindo do casório, perdendo móveis e utensílios já comprados. Renato Augusto Pereira da Silva chegou e saiu solteiro, mas perturbou muito...

Depois eu conto mais sobre os bancários de Itabaiana.

Nelito



BRASIL, UM PAÍS DE QUASE TODOS!
 
- Uma cozinheira da prefeita de Itabaiana ganha como supervisora escolar.

- Um vereador em Itabaiana ganha R$ 3.000,00 para comparecer durante duas horas semanais na Câmara, com direito a seis meses de férias anuais.

- Um ferroviário aposentado, que saiu da empresa como Chefe Especial de Estação, telegrafista de primeira classe (eu mesmo) ganha um pouco mais que dois salários mínimos.

- O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00,  equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos, sendo que uma garota de programa cobra cem reais por hora.

- Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa
do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

- Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

- Um jogador de futebol como Neymar ganha por mês o equivalente a toda a folha salarial de uma prefeitura de porte médio.

- Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos,  mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um  cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado,  que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

O pior é que aceitamos essas coisas como se fosse normal ou que nada tem jeito. Perdemos a capacidade de nos indignar.

(Mensagem recebida e reciclada)


Índios tabajaras e potiguaras invadem cidade dos brancos na Paraíba





Foi na cidade de Areia durante o Festival de Arte. Quem testemunhou foi minha secretária não remunerada Clévia Paz, que agora tá toda ancha e vaidosa no papel de ajudante de ordem de Chico César, o cantor gestor da cultura da Paraíba e grande mentor do Festival. Remanescentes das nações Tabajara e Potiguara realizaram caminhada pelas ruas da histórica cidade brejeira, abrindo o Festival.

Faz tempo que índio não quer mais apito. Índio quer (e merece) respeito. A cultura indígena foi parcialmente eliminada pelo branco invasor. Atualmente, apenas algumas poucas nações indígenas ainda existem e conseguem manter parte da sua cultura original. Na Paraíba, o que restou da cultura indígena sai pelas ruas dançando nos caboclinhos do carnaval ou vai abrilhantar festa de branco. Nas aldeias, os potiguaras sobrevivem em Baía da Traição e Rio Tinto. Quase que totalmente aculturados, submetidos à pressão do colonizador, são pálidas figuras do que eram os guerreiros mágicos das selvas do litoral nordestino no século XVI. 

Cultura é uma coisa muito sólida. Destruíram minha aldeia, tingiram de vergonha meu canto e minha dança, ridicularizaram meus bonecos de pau e barro, esconderam minha poesia, rebaixaram meus heróis, demonizaram meus deuses, isolaram minhas esperanças mas eu ainda grito. Feito os potiguaras e tabajaras da Paraíba, igual aos negros quilombolas, ainda saio nas ruas tocando meus tambores e dizendo: “saibam todos que aqui viveu um povo feliz e sábio que um dia vai voltar “num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico... e revelará aos povos o que sempre esteve oculto, mesmo sendo óbvio” (Caetano Veloso)