sábado, 22 de agosto de 2009

Mensagem de Adeildo Vieira


O carteiro eletrônico deixou uma mensagem que faço questão de socializar com meus quatro leitores fiéis:

Caro Fábio Mozart,

meu irmão de idéias!...

Tudo em paz?

Você me emociona sempre quando leio (e sou assíduo leitor) suas incursões literárias que sempre se pautam nas belezas dos nossos jardins e terreiros. Você é o elo que mantém minha alma em Itabaiana, terra onde dei os primeiros passos em direção à vida. Vida que permeei com música na busca de um mundo mais justo e solidário. Além de sua literatura telúrica e emocionante, apenas meu pai me remete à pedra dançante que me intui ao bailado da vida. Pois é, falo dos ossos dele que estão sepultados nessa terra. Mas o mais importante é que a matéria dele já se misturou com os elementos minerais da terra; entretanto, se mantêm vivas as idéias que ele plantou no meu coração e que me atiram pro mundo. Até hoje as locomotivas conduzidas por Seu Edísio Vieira carregam vagões cheios de dignidade. Eu ocupo um dos vagões e aceno pra vida pela janela.

Você tem uma vitalidade invejável e a poesia no coração. É um dos nossos!
Obrigado pela lembrança e pelo carinho!
Sou um grande admirador seu!

ADEILDO VIEIRA

PS: Estão articulando mais um show meu em Itabaiana. Espero que tudo dê certo pra vivermos outra experiência emocionante, como aquela que vivemos em 2004. Espero vê-lo lá.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O JURUNA QUE DEU CERTO


Na década de oitenta, fez sucesso na mídia um índio semi-aculturado que atendia pelo nome de Juruna. Elegeu-se deputado federal, sendo o primeiro índio a exercer esse cargo no Brasil. Ele era cacique da tribo dos xavantes e ficou conhecido pela maneira como se relacionava com os brancos, sempre com um gravador em punho. “Não acredito nos brancos, eles mentem, por isso gravo tudo que me dizem”, afirmava o índio deputado.

Por essa época, na cidade de Mari, surgiu uma liderança política que veio da zona rural, agricultor semi-analfabeto, com traços de índio, com a naturalidade e espontaneidade das pessoas simples. Elegeu-se vereador e logo recebeu o apelido de Juruna. Era Antonio Gomes, entrando no jogo político com a idéia de ajudar seus companheiros agricultores de Taumatá e sítios vizinhos, os sofridos produtores rurais de Mari. Ele queria perfurar poços artesianos, procurar assistência técnica e recursos para o plantio, além de melhorar as estradas vicinais das fazendas e sítios da região. Sabia que na política era onde as coisas se decidiam, onde prevalecia a prática da barganha: quem tem mais votos tem mais espaços nas esferas do poder. Como vereador de oposição, pouco fez pelos agricultores, além de repercutir na Câmara Municipal com sua voz rouca e rascante, as denúncias de descaso da Prefeitura com o setor agrícola do Município.

Eleito um prefeito do seu grupo político, Antonio Gomes foi convidado para a Secretaria de Agricultura. Foi aí onde o homem mostrou sua capacidade e ganhou visibilidade para voos mais altos na política. Digamos que tomou gosto definitivamente pelo poder. Antonio cuidou da agricultura familiar, da questão ambiental e assistência técnica para os produtores rurais. Como líder rural, voltou-se para a organização das associações de produtores, possibilitando maior espaço para a comercialização da produção e valorização do agricultor, trabalhando fortemente na efetivação de ações técnicas e políticas através dos projetos de sua Secretaria.

A história de vida de Antonio Gomes mostra um homem determinado. Trabalhador como poucos, conseguiu amealhar bens consideráveis, produzindo e comercializando mandioca. “Tenho orgulho da minha origem, da minha história”, costuma dizer, satisfeito por ver que sua Taumatá avançou, está melhor do que no tempo de sua infância, e isso se deve muito a ele. E sua Mari também vem avançando, pois o Juruna vereador evoluiu para o político conciliador e esperto, que conseguiu enfim realizar o sonho, que era governar sua terra natal. Com pouco mais de quatro meses de gestão, o novo prefeito vem materializando essa relação de amor que tem com sua Mari, trabalhando duro para superar os imensos obstáculos em uma prefeitura pobre de um município pequeno.

O serviço público é um bom espaço para exercermos a essência do serviço de forma eficiente, de colocarmos em prática o que é o servir, principalmente no município, o lugar em que a gente mora e onde muitas vezes a pessoa a quem atendemos é alguém que conhecemos, alguém da nossa família. Mas também é uma vitrine às vezes cruel. Na impossibilidade de atender a todos, logo vêm as críticas, o mais das vezes injustas.

Entretanto, o sucesso de Antonio Gomes na política não ocorreu por acaso. Ele é persistente e gosta de enfrentar desafios. Na administração, não importa se a pessoa envolvida é a que limpa o chão ou o prefeito. O fato é que as coisas só vão funcionar bem se a gente se impuser desafios. Transformar o problema em desafio. Fazer algo notável uma única vez é fácil. Difícil é fazer isso de forma permanente. E para fazer isso é preciso ter motivação, uma coisa que Antonio Gomes tem de sobra, porque ele ama sua terra e seu povo.

Resta saber se, no final, o sonho de Antonio Gomes de governar sua terra não vai virar pesadelo

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amadorismo teatral na Paraíba




Paulinha e Neneu Batista em cena, no Coletivo Dramático de Mari

Soube que o ator e encenador Fernando Teixeira menosprezou a idéia de se reciclar a Federação Paraibana de Teatro Amador, sob o argumento de que teatro amador praticamente não existe mais, já que todo mundo que quer realizar uma apresentação paga deve ter a carteira do sindicato da categoria, e, portanto, é profissional. O espaço para teatrista amador ficou restrito às escolas e igrejas.

O argumento é discutível. Muita gente garante que, na Paraíba, só uns três ou quatro de meia dúzia vivem de teatro. O resto é amador, porque se ganha, é um cachê na vida outro na morte. Quem não vive da atividade não é, portanto, profissional.

A Federação teria muito espaço de atuação no interior, onde os artistas enfrentam as dificuldades inerentes ao fazer teatral, como falta de espaço, de técnica, de apoio em geral, e a entidade pode ajudar muito no desenvolvimento desse teatro incipiente que existe de fato nas cidades paraibanas.

O Grupo Massangana de Teatro Popular tem 36 anos de existência e ainda está atuante. O Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana comemorou também 33 anos, com novas montagens. O Coletivo Dramático de Mari (Codrama) espera apenas um empurrãozinho para voltar a atuar com o brilho do passado. E tantos outros pela Paraíba afora. O que falta é visibilidade. Organização para que a arte dos companheiros interioranos possa ser vista. Cadê os festivais de teatro amador? A Federação fazia isso, e hoje não existe mais.

Falta incentivo também para os dramaturgos. Tínhamos um banco de textos, criado por Marcos Veloso na Federação, levado pelo turbilhão da desorganização geral do movimento. Há muito tempo o Governo não realiza concurso de dramaturgia para incentivar novos talentos. O projeto de interiorização da cultura ficou no papel.

Acho que sim, que tem espaço para o teatro amador, e a Federação faz falta.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

MORREU MEU PARCEIRO FOFÃO


Nem o registro frio da imprensa mereceu a morte de Fofão. Um gaiato de Mari foi quem me informou: morreu Fofão, caído na rua, consumido por décadas de cachaça. Seu organismo quase que se acostumava com o álcool, mas, igual ao cavalo do português, morreu antes de se acostumar.

É certo que Fofão não foi um sujeito socialmente correto. Era um ébrio, um bêbado improdutivo. O gosto pela birita veio desde quando trabalhava como garçom. Bebendo os restos dos copos dos clientes, Fofão foi consumindo cada vez mais o álcool da cerveja, vinho, cana, conhaque e o que fosse, dependendo do gosto do freguês.

Cada vez que esvaziava um copo, Fofão atentava contra si próprio, mas “sem perder a ternura jamais”. Foi sempre um rapaz cordial e educado. Após dias e noites de bebedeira, estava sempre com um sorriso no rosto largo, de bochechas proeminentes que lhe valeram o apelido. Seu grande amigo Beba do Violão lamentou a morte do companheiro por excesso de bebida, e foi curar as mágoas do seu jeito: enchendo a cara, tocando canções bregas com o eterno seresteiro dos cabarés, o imortal Heleno Boca de Rosa.

Faço aqui meu registro da morte do estimado amigo Fofão. Por encher a lata dia e noite, não o condeno. Fui seu companheiro de mesa no bar de Nelson, em Manoel do Bar, no bar Canaã, no Bar de Zezinho Kalai, na pensão de Maria Pintada e outros botecos menos votados de Mari. Os puritanos e falsos moralistas não podem condenar o barato de Fofão. Alcoólatra, era um homem digno, cordato, sujeito do bem. Conheço camarada metido a direito que tem vícios inconfessáveis, mas é o primeiro a condenar um ser humano que, por infelicidade, entrega sua vida ao alcoolismo. Mas com dignidade. Tem nego que, quando bebe, fica brabo, ou revela sua porção mulher, ou vira um canalha da pior espécie. Fofão sempre foi um bêbado calmo, tolerante, humilde e sereno. Nunca o vi alterado, desrespeitador ou violento quando estava de porre, quase sempre.

O escritor cearense José de Alencar escreveu sobre a cachaça dos índios, no seu romance Ubirajara: “o cauim queima a boca do guerreiro, mas derrama a alegria dentro d’alma”. Assim, o alcool devorou o organismo de Fofão, mas não o tornou um sujeito amargo, pelo contrário.

Na foto do blog, da esquerda para a direita, Fofão, Beba do Violão e este brahmeiro que vos fala, tomando “a do almoço” no bar Canaã. Note-se que eu estou vestido com a farda de torcedor do glorioso Botafogo carioca, mais um motivo para comemorar.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Amarrando cachorro com linguiça


Quando eu chego a Itabaiana, fico mais perdido do que calcinha em lua-de-mel. Não conheço mais ninguém, os bebinhos do meu tempo já foram, a maioria, foi tomar goró no andar de cima, de modo que foi com alegria que avistei Biu Penca Preta sentado num boteco no mercado público, dando cabo da primeira meiota do dia, uma cachaça chamada “juízo final”, aquele caxixi falsificado e devidamente batizado que você toma hoje e amanhã todos os seus pecados já terão sido pagos. Fui logo atacando:

− Mas Biu, tu só vive bebendo!

E ele, cínico:

− Eu vou fazer o quê? Só tem uma igreja, o resto é bodega...

Explicou que estava fazendo sua parte para evitar a famosa gripe do porco.

− Se apenas limpando as mãos com álcool elimina o risco do vírus da gripe, ingerindo bebida alcoólica então, ele nem chega perto!

Ele disse que pensou em parar de beber este ano. “Mas eu sou brasileiro, não desisto nunca!”. E o esporte que pratica? Joga sinuca.

− Porque o médico recomendou a caminhada diariamente, olhando para o verde...

Na qualidade de grande conhecedor de bebidas alcoólicas, Biu garante que já foi até entrevistado pela rádio comunitária “Vai à Força” a respeito do assunto, na cidade de Vitória de Santo Antão, lugar onde quase ninguém ouviu falar de aguardente. Ele foi entrevistado sobre cerveja. O locutor perguntou:

− Senhor Biu, cerveja mata?

− Sim, sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com garrafas cheias, precisamente num ponto equidistante entre a tábua do queixo e o cocuruto, por trás da raiz do chifre esquerdo.

Suando mais do que cerveja de anúncio, o locutor acochou outra pergunta:

− Senhor Biu, a cerveja causa dependência psicológica?

− Não, porque 89,7% dos psicólogos e psiquiatras entrevistados preferem uísque.

− Cerveja engorda?

−Não. Quem engorda é você.

− A cerveja causa diminuição da memória?

− Lembro não, ó!

Depois ele passou a dar pitaco em todo assunto da atualidade. Grande amigo e puxa-saco dos vereadores de Itabaiana, garantiu que “a Paraíba tem três senadores, mas se bater os três num liquidificador, não dá um copo de vereador itabaianense”.

− Tá decidido: eu, Severino Penca, enquanto pessoa, a nível de ser humano, não vou mais votar nessa mundiça. Só voto pra vereador de Itabaiana, que é tudo gente boa.

Garantiu que Obama disse a Zé Cobal: “esse cara é um cara do caralho!”. Foi na reunião da Cópula das Américas.

Na sequência, passou a falar mal de quase todo mundo, despejando sua ira santa e avinhada sobre um monte de coisas. Depois que Biu se espalha, pra juntar fica difícil. Só não fala de um tal de Som, que é seu patrão. Contou que tem uma delicada cidade aqui perto que obteve surpreendente marca, informada através de pesquisa do IBGE. Estima-se, com grande porcentagem de acerto, que veado nesse lugar é que nem bujão de gás: na casa que não tem um, tem dois.

Sobre a crise mundial, Biu disse que tá com a gota serena. Até os pais-de-santo estão tendo que se adaptar a esses novos e difíceis tempos. Segundo ele, pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Gaia e Estatística) revelou um aumento de 15% no preço do kit-despacho no último mês. Por causa disso, os babalorixás estão cortando drasticamente os custos. “Pra se ter uma idéia da situação, no seu último despacho, Pai Sandu, que tem um terreiro no Açude das Pedras, só usou meia galinha preta, um quartinho de Pitu e velinhas de festas de aniversário. Ele já adiantou: se a coisa piorar, vai ter que usar só dois dedos de Pitu e trocar a meia galinha por um tablete de Caldo Knorr”.

No fim, Biu contou sobre um amigo dele que é muito enjoado. Falando de mulher, o bicho saiu-se com essa:

− Compadre Biu, mulher é troço esquisito: não gosta de pescar, não gosta de futebol, não sabe contar piada, não toma uma cachacinha... Olhe, se não tivesse xoxota eu nem cumprimentava!

Piadas do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Versos fesceninos



Poeta Heleno Alexandre

Registro em ata minha admiração pelos poetas repentistas. A sabedoria cósmica e humor arretado desses caras os tornam artistas excepcionais. Hoje quero falar de dois poetas desse naipe, Heleno Alexandre e Antonio Xexéu. Heleno é de Sapé, tem 36 anos, diretor de programação da Rádio Comunitária Sapé, produtor e apresentador do programa “Violas e Violeiros”. Já cantou até no Ceará, na TV Diário, no programa “Ao Som da Viola”. Na Paraíba, de vez em quando aparece no “Cantos e Contos” da TV O Norte. Mas o que gosta de fazer é apresentar-se em escolas públicas e comunidades carentes, levando a cultura popular para as novas gerações.

Antonio Xexéu é de Itabaiana, tem 53 anos, poeta de rua, como gosta de dizer. Pega a viola e sai cantando pelas feiras do Nordeste, com ou sem parceiro, com público ou sem, com dinheiro ou sem nenhuma grana. Admirador do grande Manoel Xudu, Xexéu um dia encontrou-se com Heleno em uma venda, na fazenda Taumatá. Depois de engolidas algumas lapadas de mel de abelha com cachaça de cabeça, os dois vates começaram a cantar safadeza, aqueles versos fesceninos, um bocado licenciosos. Heleno Alexandre é um sujeito erudito, escolado, longe do padrão dos poetas repentistas analfabetos do Nordeste. Ele faz questão de esclarecer que na Roma antiga que falava latim, os versos fesceninos eram populares, porque se acreditava que a obscenidade tinha o poder de afastar o mau-olhado.

Antonio Xexéu é também cantor da trova libidinosa, mas sem a erudição do companheiro. Afinal, “só terminou a cartilha do ABC e a tabuada”. Começaram a cantar um “trocado”, quando Heleno falou de suas façanhas masturbatórias:

Eu trabalho atualmente
Na Fazenda Santa Esther
Meu patrão tem uma mulher
Que é o satanás em gente
Quando ele está ausente
Ela chega no terreiro
Passa a mão no corpo inteiro
Aumentando o meu tesão
Eu vou me acabar na mão
Feito colher de pedreiro.

Xexéu aproveitou a passagem de um casal de caprinos para cantar:

A cabra ensinou ao bode
A demonstrar compostura
Acabar com essa frescura
De comer cu, que não pode!
Eu faço barba e bigode
Disse o bodinho tarado
Já ficando aperreado
Com o cacetinho duro
Encostou no pé do muro
Dizendo: fode ou não fode?

Heleno tem dez anos que canta repente. Até escreveu um livro por nome “De repente...Dez anos”, que pretende lançar em breve. Antonio Xexéu publica folhetos de cordel com temas atuais e estórias que ele inventa. O último folheto ele escreveu em homenagem à prefeita de Itabaiana, dona Dida. Foi na última campanha política. O folheto começava assim:

Até quem não é daqui
Conhece a nossa prefeita
Uma mulher competente
Honesta e muito direita
Que plantou dignidade
E agora faz colheita.

Assim o poeta canta
Nessa nossa louvação
O mister de dona Dida
Na sua administração
Chamada “Um Novo Tempo”
De competência e ação.

Mas porém todavia, a prefeita não honrou o compromisso de pagar ao poeta, que por vingança espalhou uns versinhos maldosos:

Dona Dida e Antonio Carlos
Protagonizam novela
Ela falando mal dele
Chamando moça donzela
Ele esculhamba a prefeita
Não presta ele nem ela.

sábado, 15 de agosto de 2009

Viva Adeildo Vieira!


O ritmo alucinante da grande rede, com seus sites, blogs e milhares de fóruns de discussões virtuais, nos torna um grão de areia na praia. Isso me leva a escrever quase que só para minha tribo, um grupo restrito de pessoas. Conheço pessoalmente quase todos os que acessam meu blog. Tenho uma única premissa: compromisso total com o universo do meu leitor, que é o meu também. Vamos direto ao que nos interessa: uma visão pessoal das coisas de nossas províncias, principalmente Mari e Itabaiana, cidades onde passei a maior parte de minha vida, praticamente minhas fronteiras sentimentais.

Meu blog não tem contador de visitas, talvez seja lido por cinco ou seis pessoas diariamente. Em um site de literatura (www.recantodasletras.com.br) publico meus humildes trabalhos. Lá já fui lido por mais de duas mil pessoas de todo o Brasil. Mas na Toca do Leão, aqui é sala de reboco sem muito espaço e agitação, onde recebo os amigos do peito, os íntimos.

Entre essa meia dúzia de gatos pingados, tenho o poeta Gilberto Bastos, um artista da palavra que sonha com um mundo sem prepotência, um sujeito que cutuca o cão do sistema com vara curta. Gilberto é “um menino experimental que ateia fogo em santuários para testar a eficiência dos bombeiros”, segundo consta no seu espaço cibernético. (www.twitter.com/notraut)

Neste 16 de agosto, mando um alô para Wellington Costa, radialista de Cabedelo que está disputando eleição para conselheiro tutelar naquela cidade praeira. E um abraço especial para o compositor Adeildo Vieira, cabra bom e talentoso, nascido em Itabaiana, um sujeito que considero meu irmão, já que seu pai foi ferroviário, integrante da família dos trabalhadores na estrada de ferro, entre os quais me incluo. É que Adeildo está festejando aniversário, ele que é um dos maiores nomes de nossa cena musical. Louvemos o talento admirável desse itabaianense ilustre.

No meu livro “História de Itabaiana em versos”, citei Adeildo Vieira nessas sextilhas:

Outro também se destaca
Na lira itabaianense,
É Adeildo Vieira
Que a todo mundo convence,
Com sua arte engajada
Faz com que a gente repense

O jeito de estar no mundo
E pratica com fervor
A idéia do humanismo
Como catalisador
Da poesia mais pura,
Seja cantando o amor

Ou cantando a fé na vida
Com esse dom misterioso
De praticar sua arte
Em formato escrupuloso,
Onde a ética é a mensagem
De um cantar esperançoso.

www.fabiomozart.com
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