sábado, 8 de agosto de 2009

Márcia Ribeiro, um exemplo a ser seguido


Márcia Ribeiro (à esquerda) lutava pela causa feminista

A extinta vereadora Márcia Ribeiro, de Itabaiana, cujo desaparecimento trágico provocou profunda consternação no povo do Município, deixou vários exemplos. Um dos mais edificantes legados é de que a democracia, para sobreviver, precisa de pessoas de coragem. A dimensão da postura política de Márcia só aparece intregralmente agora, com seu desaparecimento, quando Itabaiana percebe, atônita, que ficou sem a única voz oposicionista na Câmara de Vereadores. Sem entrar no mérito das suas posições políticas, todos sabem o quanto é difícil exercer a função de oposição numa cidade do interior. As pressões são enormes, o desgaste é grande, as tentações então... Se Márcia conservou sua posição, sinal de que respeitou o desejo coletivo de que seu mandato estivesse a serviço do contraditório, da contestação que produz novas luzes no cenário da democracia.

Sua firmeza escreveu uma bela página do legislativo itabaianense. Cumpriu em vida, com espírito público, uma missão importante, a de bem representar a mulher no parlamento. Ampliou seu raio de ação para todo o Estado, ao ser escolhida para a presidência da secção feminina do seu partido, o PL. Ela não mediu esforços para prestigiar a mulher e as minorias discriminadas. Combateu o bom combate ao postar-se a favor de uma luta institucional contra as drogas, levando o Parlamento a se engajar na batalha contra os entorpecentes, mal que ronda os lares de todos os brasileiros.

Era uma representante ilustre da nova safra de políticos itabaianenses, de mentalidade moderna e progressista. Por onde passou, deixou sua marca de competência. Suas atitudes polêmicas na política de Itabaiana foram gritos de guerra contra a “ordem consensual”, assumindo-se como algo novo na atividade política da província.

Que seu exemplo inspire as novas gerações.

(Crônica publicada em agosto de 2006, no Tribuna do Vale)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A MEDIOCRIDADE AO ALCANCE DE TODOS

O deputado pastor Nivaldo Manoel propõe projeto de Resolução determinando que antes de começar as sessões na Assembléia Legislativa da Paraíba, os deputados façam a leitura de um trecho da Bíblia e uma reflexão. No Brasil de tantas idiotices legislativas, a Paraiba sai na frente nessa espécie de jeguice religiosa. Nossos deputados são os primeiros a tomar uma decisão desta natureza.

Em muitas câmaras, as sessões começam com a invocação da proteção divina. Algumas colocam a Bíblia permanentemente na mesa e outras iniciam as sessões com a leitura de um versículo. Mas a história da reflexão é novidade. E é antidemocrático, ao menos no que se refere à discussão de projetos que interessem às minorias, sejam religiosas ou qualquer outra. Os deputados e vereadores se pegam com a Bíblia, travam o debate e não deixam aprovar projetos em favor, por exemplo, dos homossexuais. Se o Estado é laico, não há porque privilegiar uma religião.

O primeiro parágrafo do artigo 19 da Constituição diz: "É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios, estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público".
Portanto, o uso de símbolos e a realização de cultos estabelecem uma aliança entre o Estado e uma religião, que acaba sendo privilegiada em detrimento das demais.

O projeto já é motivo de chacota em todo o país. Um sujeito metido a humorista daqui da Paraíba já descobriu os temas das primeiras reflexões. Os deputados Quinto de Santa Rita, Ranieri Paulino e Gervázio Maia Filho irão refletir sobre Provérbios 4:1, que diz: “O filho sábio ouve a instrução do pai”. Já Nivaldo Manoel e outros semi-alfas da Assembléia deverão explorar o tema de Provérbios 13:13: “O que despreza a instrução perecerá”.

Os vereadores de Caicó, no Rio Grande do Norte, estão às voltas com um dilema mais terrestre. Acusado de ser gay, o vereador Paulo Roque quer ser submetido ao exame de conjunção carnal via reto para provar que não tem nenhuma “prega quebrada”. O vereador Miltão aproveitou para requerer que a medida fosse estendida para todos, incluindo os radialistas que acusaram o vereador. A grita foi geral, todo mundo de costas para a parede, protesto unânime contra o “exame da goma” generalizado.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Os poemas de Augusto dos Anjos servem de tema para a peça “O Banquete Final”, a partir de pesquisa na obra do poeta Augusto dos Anjos. É uma coletânea de poemas de Augusto dos Anjos, com trechos da fortuna crítica do “paraibano do século XX”, entremeados aos versos dos livros “Pátria Armada” e “Lira Desvairada”, de minha autoria.

Ao fazer uma composição das duas formas de arte, poesia e teatro, o espetáculo pretende chegar a uma performance teatral simples mas que alcance o objetivo principal: enquanto o teatro se encarrega da ação e dos gestos, a poesia traz em si a carga de dramaticidade, densidade e síntese textual de que o teatro necessita.

Na verdade, teatro e poesia sempre estiveram juntos desde os tempos remotos da história da humanidade. Poetas eram também chamados de dramaturgos na Grécia antiga.
A angústia e opressão sofridos pelo homem são explorados no texto: a poesia de Fábio Mozart, que não contemporiza com a injustiça social, e o universo poético de Augusto dos Anjos, desenvolvendo temas que expressam a aflição e conflitos íntimos da humanidade.

A montagem deste espetáculo pretende ser um contraponto ao teatro prosaico que se pratica atualmente na Paraíba. Não é um simples recital de poesia, é a cenopoesia levada às últimas conseqüências.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O FANTÁSTICO E SURREAL MUNDO DA IGNORÂNCIA




Otto Cavalcanti, para quem não sabe, é um destacado artista plástico, representante das vanguardas das artes na Espanha, com reflexo em toda a Europa. Atualmente ele vive em Barcelona. Desde os anos 60, circula entre Londres, Paris e Madrid, expondo suas obras na maioria dos museus e instituições do velho continente.

Otto Cavalcanti nasceu em Itabaiana, Estado da Paraíba, em 1930. Depois de muitos anos longe de sua terra natal, Otto resolveu visitar Itabaiana no ano passado. Comovido com a realidade itabaianense, de pobreza material e cultural, Otto procurou a Prefeitura e pessoas influentes da cidade, com a idéia de instalar uma fundação para divulgar sua obra e fomentar a produção artística dos jovens. Sua esposa ficou pasma ao saber que na cidade não existe nenhum museu, biblioteca ou qualquer equipamento público ligado à disseminação da cultura.

Diante da quase absoluta falta de interesse dos seus conterrâneos por suas idéias, Otto desistiu da fundação. O conceito mais próximo de cultura que se tem por aqui é ligado a esses grupos musicais chamados “forró de plástico”, promotores do emburrecimento da população. Cinema de qualidade, bom teatro, acesso a livros é quase uma piada para a juventude. Imagine uma exposição de quadros de Otto Cavalcanti. Pois o pintor trouxe da Espanha alguns quadros, para expor. A obra de Otto Cavalcanti é um mergulho no vasto universo pessoal do artista, um mundo que reflete as personagens e vivências brasileiras, ecos de sua adolescência na próspera Itabaiana dos anos 40. Suas telas apresentam um estilo fantástico e irreal. Pois a atual geração de itabaianenses não deu a mínima bola para as aquarelas de Otto. A obra exposta ficou às moscas. Desiludido pela falta de reconhecimento em sua terra natal, Otto voltou para a Espanha, onde é chamado de “El gran Maestro brasileño”.



Já em Pernambuco, o deputado José Marcos fez um apelo ao Ministério da Cultura, através da Mesa da Assembléia Legislativa, no sentido de estudar uma fórmula “para manter contato com o premiado pintor paraibano Otto Cavalcanti, radicado na Espanha, visando a possibilidade de uma exposição dos quadros daquele artista nordestino nas principais capitais do Brasil, especialmente em João Pessoa (PB)”. Enquanto muitos querem ver a exposição de Otto, ele “veio para os seus que não o reconheceram”, parodiando a frase bíblica sobre o Judeu que foi escorraçado por seus patrícios.



O deputado pernambucano justificou sua propositura afirmando que “é comum valorizarmos o que é importado, deixando muitas vezes ao esquecimento e em segundo plano as pratas da casa". Essa prata, hoje com cabelos prateados e beirando os oitenta anos, recebe elogios dos maiores críticos de arte do mundo, incluindo Josep Maresma, da Associación Internacional de Críticos de Arte. Em Itabaiana, passou por lunático, com idéias absurdas de promover cultura, sem estar comprometido com o partido A ou B, sem dinheiro e sem ligação com os Big Brother da vida.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Félix Cachaça e Zé Dudu



UNIÃO
Em pé: Luiz Locoro, Noel, Edmilson, Zé Arruda, Jorge, Pedrinho e Topada. Agachados: Félix Cachaça, Dino, Everaldo, Peludo e Zé Maria.



Vendo as fotos do meu União de Itabaiana, enviadas pelo professor Edmilson Jurema para o blog Itabaiana Hoje, bate a recordação dos tempos do bom futebol itabaianense, onde a saudável rivalidade entre Vila Nova e União levava multidões ao “Severino Paulino” em tardes domingueiras memoráveis. Meu pai Arnaud Costa foi presidente do União nos bons tempos. O próprio Edmilson foi uma lenda na zaga desse time tão estimado. Jurema era o que se chama de “pau de dar em doido”, foice roçadeira que minava as pernas dos atacantes adversários, cão de guarda valente.

Lembro de todos os atletas das duas fotos, em épocas distintas do querido União Sport Clube, que hoje parece estar hibernando. Aliás, o futebol amador em todo lugar anda decadente. Quem gosta de futebol e hoje tem pelo menos 50 anos, deve recordar com saudade – e uma ponta de frustração – dos bons tempos do futebol itabaianense. Os cartolas eram mais competentes e dedicados. Botavam dinheiro do próprio bolso no clube, sem esperar retorno. Esses abnegados não existem mais. Os times medíocres de hoje são formados por rapazes que mal sabem os rudimentos do futebol, mas se recebem um elogio qualquer, já querem grana pra jogar no time. Nos antigamentes, craque era paparicado, mas não recebia dinheiro. Atleta mediano pagava pra jogar. A evolução decrescente do nosso futebol precisa ser repensada.

Mas hoje quero falar do maior ponta-direita do futebol itabaianense que vi jogar, o incrível Félix Cachaça, cujos dribles lembravam o imortal Garrincha. Nas tardes de domingo, quando jogavam Botafogo da Maloca e União, a torcida delirava com o embate desigual entre o perna-de-pau Zé Dudu e o ponteirinho Félix Cachaça. Rapaz humilde, Félix não humilhava seus marcadores de propósito, mas, igual a Garrincha, fazia questão de dar espetáculo, principalmente tendo um coadjuvante bufão.

Certo dia, Félix Cachaça driblou Zé Dudu umas três vezes e voltou da linha de fundo só para repetir os dribles e ouvir a risadagem da torcida. Cansado do seu papel de touro na arena, Zé Dudu arrancou o pau da bandeira do córner e tascou no lombo de Félix Cachaça. Resultado: o juiz Nivaldo da Praça expulsou Zé Dudu por “jogo violento” e também botou Félix Cachaça pra fora por “desrespeito ao adversário e atitude antidesportiva”. Nivaldo e Dudu já foram para o andar de cima. De Félix Cachaça nunca mais tive notícias.

http://www.fabiomozart.com/
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domingo, 2 de agosto de 2009

Ponto de Cultura não sai do "ponto morto"


Artistas da Sociedade Amigos da Rainha aguardam a instalação do Ponto de Cultura "Cantiga de Ninar"
Vou contar a via crucis da Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba em busca de verbas federais para montar o Ponto de Cultura “Cantiga de Ninar”, na cidade de Itabaiana. Conto para dar uma satisfação aos companheiros artistas itabaianenses que nos cobram esse projeto, um mecanismo de articulação entre cultura, educação e sociedade por meio de práticas culturais e educativas desenvolvidas com a participação da comunidade itabaianense. No nosso Ponto vão ser ministrados cursos de música, informática, teatro, cinema e cerâmica.

Em setembro de 2007, portanto há quase dois anos, o Ministério da Cultura informou que nosso projeto foi selecionado para a criação de um Ponto de Cultura. Na correspondência, eles pedem um catatau de documentos, prontamente enviados. Daí começou o jogo cruel e kafcaniano da burocracia. Já enviamos diversas vezes os documentos pedidos, as certidões com prazo determinado vão vencendo e a gente renovando, com mais pedidos de documentos, sem esperanças de um desfecho. Aprovado o plano de trabalho, ele entrou num corredor imenso de birôs de pareceristas, uns camaradas cuja tarefa é emitir opinião sobre projetos patrocinados com verbas federais. Cada parecerista dá um pitaco, encontra uma falha ou sugere uma modificação, e o processo retorna ao ponto de origem. Não anda de jeito nenhum. Acho que até o cachorrinho de estimação do Ministro da Cultura já deu seu parecer a respeito do projeto.

Um amigo meu acredita que tem a ver com a velha prática da burocracia: criar dificuldade para vender facilidade. Projeto que não tem intermediação de político ou não é amaciado com a velha propina, não anda. Ele conta o caso de um rapaz pobre, morador de uma cidade aqui do agreste paraibano, que prosperou repentinamente. Deu pra comprar prédios e mais prédios, erguer palacetes e outras demonstrações de enriquecimento. Soube-se que a irmã do dito cujo é chefe de um departamento de aprovação de projetos em Brasília. Toda verba que vai para as prefeituras tem que ter a assinatura dela. Junte-se a isso lavagem de dinheiro ilícito e se tem o mapa da mina.

A verdade é que não sei, de fato, porque o nosso projeto não anda. Enquanto isso, até o próprio Ministro da Cultura, Juca Ferreira, considera a lei Rouanet, de incentivo à cultura, “imperfeita, perversa e pouco democrática”, por privilegiar grupos e artistas do eixo Rio-São Paulo, em detrimento de artistas menores da própria região e do resto do país. Diz a matéria que a idéia é simplificar a burocracia e democratizar o acesso aos recursos do Ministério da Cultura. Como de boas intenções o inferno anda cheio, a gente fica com o pé atrás, desconfiado que só cachorro que cai de mudança. E lamentando que um projeto de tal natureza, pelas suas implicações e benefícios que traria para o povo de Itabaiana, sofra tal retardamento por ocultos e não confessados motivos.

sábado, 1 de agosto de 2009

UM POETA AQUÁTICO


O rio Paraíba em época de enchentes. Ao fundo, a ponte velha de Itabaiana.

Nenhum poeta de Itabaiana cantou mais sua terra do que Eliel José Francisco. O afamado vate matuto Zé da Luz tem belos poemas sobre seu universo itabaianense. Os poetas modernos, a exemplo de Orlando Otávio, lançam mão da temática autóctone. Eu próprio escrevi um cordel com 380 sextilhas sobre a história de minha pátria adotiva. Entretanto, Eliel vence pela quantidade, sem nunca haver publicado um livro em sua vida. Quase todos os dias, Eliel se debruça sobre uma folha de papel almaço e escreve com letras de imprensa um poema de amor e saudade alusivo à sua Itabaiana querida. E isso ele faz a mais de trinta anos, quando foi morar no Recife, perseguindo o sonho de se especializar na língua inglesa. Hoje é professor aposentado, de inglês, na rede pública de Pernambuco.

Eu e Eliel fomos crianças e adolescentes juntos em Itabaiana dos anos 60/70. Lembro de Eliel dedicado ao estudo do inglês, uma obstinação extraordinária, dessas que fazem as pessoas se incluírem nessa designação geral de “malucos”, porque “quem tem idéia fixa é doido”, conforme o ditado popular. Lembro dele agarrado à gramática inglesa na beira do rio, dia e noite estudando e praticando uma pronúncia improvável, porque não havia com quem falar o idioma de Shakespeare. Até que apareceu um cidadão americano na casa da professora Nel Ananias. Eliel foi prontamente designado como intérprete.

Outra especialidade de Eliel era o salto acrobático da ponte do rio Paraíba em época de cheia, o nado livre e destemido rio abaixo, para sair na saboaria de Zé Tavares ou mais embaixo, após o cemitério. Uma temeridade a que os jovens lançavam suas vidas perdulárias. Sei que Eliel teve seus momentos de herói nesse esporte de brincar com o rio furioso, imitando o grande Tarzan das telas do cine Ideal nas noites de terça-feiras, quando a gente aproveitava a sessão dupla das séries inesquecíveis.

Além dessas recordações, tenho pastas contendo centenas de poesias de Eliel. Uma pasta intitulada “Itabaiana” guarda a produção dos seus poemas de amor e saudade itabaianense. O poeta sempre enviava pelo correio, de sua casa em Paulista, Pernambuco. Há mais de dois anos deixei de receber os seus poemas. De alguma forma eu me sinto responsável pela guarda de um material valioso, e até me culpo por não ter me empenhado mais para divulgar a obra de Eliel.

Nesta era de explosão da informação, com a internet, poucos itabaianenses leram um poema dele. Penso em criar um blog só para divulgar seu trabalho. Escrevi uma carta ao poeta sobre a necessidade de publicar sua incrível produção. Estou esperando a resposta. Ele não usa computador, prefere escrever à mão. Enquanto aguardo o carteiro, inauguro Eliel como autor publicado na grande rede:

A VIAGEM

Se encurtasse a distância
Dos idos da minha vida
E se eu voltasse à infância
Na Itabaiana querida,

No meu rio Paraíba
Com certeza eu pularia
Descendo de lá de riba
Rumo à saboaria.

Da saudosa antiga ponte
Abraçaria os pilares
Como quem abraça um monte
De navios sobre os mares.

Acenaria às imagens
Que vejo nos sonhos meus,
Fotografando as paisagens
Num fluvial gesto de adeus.

Seria a maior viagem
Que ali um dia eu faria,
Trazendo farta bagagem
De rara cenografia.

E no acalanto das águas
Com destino ao oceano,
Eu afogaria as mágoas
Do meu próprio desengano.

AQUARELA

Revendo a minha cidade
Percorro canto por canto,
E cada canto é um pranto,
Cada pranto, uma saudade.

É a saudade do encanto
Dos cantos da mocidade
Por onde a felicidade
Caminhava tanto e tanto!

São ruas, becos, vielas,
Das cores das aquarelas
Mais coloridas da vida,

De uma terra tão humana,
Tão rica, tão soberana,
Itabaiana querida!

Eliel José Francisco

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