terça-feira, 29 de outubro de 2019


No dia do livro, o jovem Mozart continua vendendo seus livrinhos na feira que esses tempos/acidentes ainda não arrebataram a sensibilidade, apesar do instante anacrônico de falta de liberdade e segurança.






domingo, 27 de outubro de 2019

Vavá da Luz lança folhetos de Fábio Mozart nas Itacoatiaras do Rio Ingá


O poeta Walter Goes, conhecido como Vavá da Luz, lançou os folhetos “Dicionário Vavá da Luz de Safadeza e Ideias Afins” e “A verdadeira história das pedras de Ingá”, do cordelista Fábio Mozart, neste domingo, 27, no monumento arqueológico conhecido como as Itacoatiaras do Rio Ingá, na cidade de Ingá, Paraíba. Os folhetos apresentam o próprio Vavá da Luz como personagem jocoso e irreverente explicando de forma divertida os segredos das inscrições rupestres e registrando palavras fesceninas da língua portuguesa.
Vavá da Luz e Fábio Mozart são associados da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, entidade que congrega poetas “de gabinete” em atividade no Nordeste. Os folhetos estão sendo comercializados no Museu das Itacoatiras e em lojinhas de artesanato, à disposição das dezenas de turistas que diariamente visitam o local.
Em janeiro de 2020, Walter anuncia lançamento do seu primeiro livro, “O livro proibido de Vavá da Luz”, contendo todos os seus trabalhos em prosa e versos que terá edição de Fábio Mozart e diagramação de Sérgio Ricardo Piaba. Vavá é Secretário de Turismo de Ingá e considerado um dos mais ativos agentes turísticos da Paraíba.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Carnavalesco utiliza folheto de Fábio Mozart para arrecadar fundos para bloco



Sem conseguir patrocínio, o bloco “Os Cuecas” prepara o carnaval de 2020 contando com ajuda de amigos. O artista visual Sérgio Ricardo é um dos responsáveis pelo bloco e tem buscado fontes de financiamento para as camisas e a orquestra. “Não ta fácil, em 2020 será o carnaval do sufoco, mas ainda temos energia para botar o bloco na rua”, afirmou Sérgio. Uma das alternativas para obter recursos financeiros é a venda do folheto “Memórias de um sargento de anti-milícia”, do cordelista Fábio Mozart, uma homenagem a João de Deus Rafael, um dos fundadores dos Cuecas, falecido recentemente. “Vamos vender os folhetos aos amigos e investir no bloco”, comunicou Sérgio.

Os pequenos blocos de rua em João Pessoa não contam com recursos e apelam para a criatividade para conseguir sair no carnaval de rua de 2020. “O Folia de Rua sempre promete ajuda mas, ao final, somos enganados”, disse Sérgio Ricardo. As agremiações apelam para o financiamento coletivo, arrecadação em shows e patrocínio de pequenas empresas. Para Sérgio, financiar o Cuecas com folheto que homenageia João de Deus é uma forma de reverenciar o amigo, “porque o bloco é a cara de João e estávamos devendo essa homenagem artística e literária”. Geralmente, os blocos pagam para desfilar. Segundo Ricardo, ele financia com recursos próprios mais da metade dos gastos do Cuecas todo ano.

Juntamente com o folheto, o Cuecas vai vender camisas alusivas ao carnavalesco João de Deus “para tentar levantar a verba necessária”. Sérgio Ricardo comentou que cada ano é uma manobra diferente para conseguir recursos para o bloco, “mas a gente usa a imaginação e garra pra não deixar a peteca cair”. Ele acredita que o espírito carnavalesco e libertário de João de Deus Rafael está ajudando na luta pela preservação da tradição do Cuecas.

Fábio Mozart, autor do folheto “Memórias de um Sargento de anti-Milícia” disse que o conteúdo tem tudo a ver com a essência do boêmio João de Deus e com sua vocação para a alegria. “Tenho satisfação em contribuir para o bloco fundado por João de Deus e ao mesmo tempo homenagear esse folião que foi meu amigo”, afirmou.


domingo, 20 de outubro de 2019

POEMA DO DOMINGO



Cordel pra Geri

Dalmo Oliveira


Se rolar revolução
O General é Geri
Batalhando na trincheira
De Guarabira a Mari
Flor de cânhamo a bandeira
Curando quem se ferir.

Se rolar revolução
Contra essa fome medonha
Gerimaldo é Capitão
Pra não se passar vergonha
Pajé curando feridas
Com meizinha de maconha.

Se rolar revolução
Eu aposto no “cubano”
Derrubando toda cerca
Pra libertar o humano
No lugar de bala, beijo!
O amor seria o plano.

Se rolar revolução
Clarim toca Melodia
Djavan e Bob Marley
Tinha festa noite e dia
Pedro Osmar, Mercedes Sosa
Um som que não se media.

Se rolar revolução
Sou inimigo do rei
Amigo das raparigas
Liberdade nossa lei
Até poema faria
Para louvar nossa grei.

Se rolar revolução
Na Parahyba do Norte
Chama Geri da Mangueira
Ingerindo água forte
Garrafa é pau da bandeira
Alegria o passaporte.

Se rolar revolução
Beleza de contraponto!
Uma refrega festiva
Gente dormindo no ponto
A tropa toda arriada
Carnavalesco confronto.

Se rolar revolução
Mestre Geri vai ligeiro
Para Alagoa Grande
Acender todo terreiro
Levantar todo quilombo
Como um general festeiro.

Se rolar revolução
Durruti é inspiração
Um anarquista espanhol
“Abaixo cerca e nação”
Mas, num levante maneiro
Paz e amor, crueza não!

Se rolar revolução
Eu me mando abaixadinho
Do Geisel pra Jaguaribe
Beber mé com arrumadinho
Junto ao mestre Pedro Osmar
Celebrar com peixe e vinho.

Se rolar revolução
Comandarei as meninas
Pras bandas da Borborema
Fazer festa nas Boninas
Frevar em Campina Grande
Furar couro das felinas.

Se rolar revolução
Todo dia é feriado
Trabalhar só por prazer
Patronato cancelado
“Mais valia” não valendo
Peão sendo deputado.

Se rolar revolução
Gerimaldo era Ministro
Wilhelm era inspiração
No bar fazendo registro
Sem Supremo Funeral
E sem decreto sinistro.

Se rolar revolução
O regime é anarquista
Bakunin sendo o guru
Metendo o pau em fascista
Toda rádio era pirata
Abaixo a Globo golpista!

Se rolar revolução
Nossa Bíblia é o cordel
O diário oficial
Também no mesmo papel
Carnaval o ano inteiro
Em cada esquina um bordel.

Se rolar revolução
Com o Nordeste independente
A nossa força armada
O cantador de repente
Vaqueiro era o coronel
Gerimaldo era o tenente.

A cartilha, a poesia
Constituição da gente
Ninguém seria obrigado
A ser católico ou crente
Mas teria que ter fé
Na nossa arte candente.

Se rolar revolução
Eliminamos o chefe
Sociedade de classes
Seria apenas um blefe
O velho Geri lidera
Do pintor ao magarefe.

Se rolar revolução
Cuspiremos no Estado
Cagaremos na bandeira
Deixaremos de ser gado
Mulher sendo igual ao homem
Viva o povo libertado!

Se rolar revolução
Gerimaldo é o Papa
Destruindo o monopólio
Da fé, extinguindo mapa
O trabalho coletivo
Vence o sistema no tapa.

Se rolar revolução
A ordem é ser feliz
É o poder popular
Apontando a diretriz
E Gerimaldo na frente
Descascando abacaxis.

Se rolar revolução
Mesmo que seja no sonho
O meu amigo Geri
Transforma o viver bisonho
Numa eterna festança
Com muito prazer, suponho.

Se rolar evolução
É o esforço coletivo
Que dá o tom da pisada
Mantendo o ideal ativo
Anulando hierarquia
E o trabalho passivo.

Se rolar revolução
Gerimaldo toma uma
Talagada de brejeira
Fica leve como pluma
E vomita poesia
Caretice desapruma.

Se rolar revolução
Meu amigo Gerimaldo
Deixar de ser um civil
Vindo buscar o respaldo
No quartel “Bar de Carrá”
Eliminando seu saldo.

Se rolar revolução
Autogestão é a meta
Ordem é coletivizar
Até barba de profeta
Só não pode se meter
Na expressão do poeta.

Se rolar revolução
Transfiro as propriedades
Do rancor e desamor
Para longe das cidades
No inferno dos cristãos
Com suas ansiedades.

Se rolar revolução
Mudo o nome “João Pessoa”
Voltando a ser Parahyba
Porque melhor assim soa
Sem pobreza e violência
Nossa Senhora abençoa.

Se rolar revolução
Será a vez dos plebeus
Já dizia o velho Proudhon
Para os crentes e ateus
Que a podre burguesia
É a maldição de Deus.






quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Jornalista de Itabaiana vai assinar coluna no jornal A União


O jornal A União, pertencente à Empresa Paraibana de Comunicação, vai ganhar novo colunista a partir de domingo, 20. O jornalista Fábio Mozart assume a coluna Elejó, que passa a se chamar “Toca do Leão” e se dedicará a contar as coisas do cotidiano, refletindo a vida social, cultural e costumes da Paraíba. Mozart substitui o jornalista Dalmo Oliveira, que respondia pela coluna, mas que atualmente está radicado em Maceió, Alagoas.

Fábio Mozart começou no jornalismo aos quinze anos de idade em Itabaiana, quando editou o Jornal Alvorada, seu primeiro mensário. Em 2020 comemora cinquenta anos de jornalismo, período em que fundou vários jornais e foi repórter do extinto jornal O Norte, de João Pessoa, na década de 1970. O Jornalista tem passagem por várias emissoras comunitárias. Foi fundador da Rádio Araçá, de Mari e publicou vários livros, entre eles “Democracia no ar”, sobre o movimento de rádios livres e comunitárias na Paraíba. Atualmente ancora o programa “Alô comunidade” na Rádio Tabajara da Paraíba. “Espero corresponder e contribuir com o prestigiado espaço d’A União, já que considero uma honraria estar no rol dos colaboradores deste importante órgão de imprensa, em meio a tantos bons escritores redatores das várias colunas”, salientou Mozart.