domingo, 8 de setembro de 2019

POEMA DO DOMINGO



Otto Cavalcanti nunca falha
com seu pincel feito navalha”
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Anarco poeta
Otto te ilustra
E descompleta
__
De todas as cores
uma reflexão
sobre nossas dores
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Óleo sobre tela
vida sub tinta
belo sob tutela
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Do Brasil à Catalunha
nossa incivilidade
acabrunha
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Hispano brasileiro
pictoricamente
um estrangeiro
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Música e movimento
robótica e natureza
seu alimento
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Orgulho catalão,
o mestre em sua terra
cromatiza solidão
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Em coletiva
a individualidade
rediviva
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Pintor colorista
estrangula a vida
dúbio chargista
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Cavalheiro da arte
fez da essência
mote e estandarte 




 




Exposição de OTTO CAVALCANTI




No dia 5 de setembro fizemos a abertura da exposição de Otto Cavalcanti no Casarão dos Azulejos, em João Pessoa. O pintor Thiago Alves, conterrâneo de Otto, falou sobre as características da obra de Otto Cavalcanti, focando na ideia da poesia da pintura dentro do espaço, cor, linha e forma do objeto visual.

Otto nasceu em Itabaiana e faleceu em Barcelona, Espanha, no dia 2 de julho de 2019. Artista visual com forte aceitação no universo artístico da Europa, Otto foi nomeado cavalheiro do Estament de Cavallers Hospitalaris de Sant Jordi, em novembro de 2013, em reconhecimento à sua longa carreira profissional e sua relação cultural com a Catalunha. Foi cavaleiro da Placa Principal da Ordem Hispânica Imperial de Carlos V (Informações do seu blog pessoal). Em sua terra  natal, Itabaiana, não encontrou nenhum espaço para expor sua arte aos seus conterrâneos.

Depoimento da amiga Maria Luisa Pujol: “Otto Cavalcanti é um grande artista gráfico, cartunista e um pintor colorista muito imaginativo, inquieto e inovador. Ele se mudou em várias linhas de trabalho, sempre buscando a perfeição que ele sabia que jamais alcançaria, porque considerava o inimigo da ação e seu trabalho artístico não tinha prazo de validade. Como pessoa, ele era otimista, de uma alegria contagiosa, extrovertido, simples, uma alma livre, com grande senso de humor. Ele dividia o coração entre Itabaiana, sua cidade natal na Paraíba, Barcelona e o Mediterrâneo”.

sábado, 7 de setembro de 2019

Neste Sete de Setembro


Senhor da terceira idade
Neste Sete de Setembro
Com atrofia no membro
Chora com grande saudade
Do tempo da mocidade
Quando vivia feliz
Com energias viris
Gritando: viva o Brasil!
Hoje a pátria está senil
Engolindo abacaxis

Retratado: Bento Júnior - Retratista: Marconi Araújo



terça-feira, 3 de setembro de 2019

MULTIMISTURA no Podcast - 30 de agosto de 2019



MULTIMISTURA migrou para o Podcast no Anchor, um arquivo digital que aceita sordidez e espurcícia. Sejam bem vindos à nossa nova bodega de despautérios.
BLOCO 1

BLOCO 2

BLOCO 3

BLOCO 4


O dia em que João Agripino entupiu o general


João Agripino Filho nasceu em Brejo do Cruz, na Paraíba, fruto da família Maia que, dizem, era mais braba do que cascavel de resguardo. Foi governador da Paraíba, indicado pelos generais da ditadura em 1966. Independentemente de seu intenso envolvimento com os milicos golpistas, não prestava continência fácil pra chefete militar. Se você presta serviço a um regime absolutista, o bom senso diz que deve ser flexível e submisso. Com o “mago” não era assim que a banda marcial tocava, segundo leio aqui no livro de Biu Ramos, “Agripino, o mago de Catolé”.
Numa ditadura, devem os cidadãos castrados dos seus direitos elementares ser obrigatoriamente humildes e ordena a sabedoria que eles tudo façam para não contrariar o guarda. Eleito governador, João Agripino fez visita de cortesia ao general Euler Bentes.

---- Lamento que o senhor esteja cercado de alguns corruptos – disparou logo o general.

---- Sei de quem o senhor está falando – rebateu Agripino. – O senhor se refere a Pedro Gondim e Severino Cabral, não é isso?

Confirmada a cisma do general, João Agripino explicou:

---- Com relação a Pedro, realmente ele realizou despesas sem dotação orçamentária mas, posteriormente, essa falha foi corrigida dentro do prazo legal. Quanto a Severino Cabral, ele foi prefeito de Campina Grande, e como homem de instrução primária, resolveu comprar uma padaria para doar pão aos pobres, sem pedir autorização da Câmara. Mas, ninguém pode acusa-lo de ter botado um tostão no bolso e eu não considero que isso seja corrupção.

O general Euler Bentes, no seu desenho mental de rígida honradez militar, não concordou com o governador. Foi nessa ocasião que Agripino investiu na jugular castrense:

---- Se o senhor general acha que tem corrupção nesses casos, deve considerar os ex-chefes do Grupamento de Engenharia em João Pessoa como corruptos. Fui da Comissão de Orçamento do Senado Federal e nunca aprovei a liberação de um centavo para a construção de casas para militares. E aqui tem uma vila militar, dinheiro que deveria ser empregado na construção de pontes e estradas.

O general agravado ficou vermelho feito a simbologia comunista, que detestava, fez meia volta volver e saiu do recinto.

Garante Biu Ramos que João Agripino foi um político diferente e fez um governo diferente. Figuras girassoláicas da atualidade afiançam que o mago de Catolé tem tudo a ver com o mago de Jaguaribe, mas, “dá-se os causos”, como diria Doutor Penico Branco. O indomável rebento dos Maia gostava de peitar os fardados. Agripino apoiou o golpe militar, mas não sentia muita simpatia pelos possantes e beócios generais no auge do autoritarismo fardado. Em seu livro, Biu Ramos narra um confronto perigoso. Um grupo de estudantes resolveu apoiar a candidatura de João Agripino, o que irritou o Exército. Proibiram a passeata da galera porque “era proibido estudante fazer política”. João mandou um recado ríspido para o general Euler Bentes: “Se quer dissolver a passeata, venha pessoalmente, mas venha armado porque eu também estou armado e um de nós dois ficará ali, na praça”. O general não apareceu na praça de guerra.



domingo, 1 de setembro de 2019

POEMA DO DOMINGO




Dormece o disco-jóquei
no abandono
roncando em estéreo e mono
em alto e bom sono.