quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O verdadeiro Amigo da Onça


Dizem as lendas que Biu Penca Preta estava em um bar, mais mamado do que mãe de trigêmeos, mais folgado do que funcionário público, quando toca um celular esquecido em uma mesa. Biu atende:

--- Alô, amor! --- diz a mulher do outro lado da linha. – Estou fazendo umas comprinhas e vi um vestido maravilhoso. É uma pechincha, só 200 reais. Posso comprar?

--- Claro que pode – responde Biu.

--- Ah – continua a mulher -, na loja também achei um par de brincos mais lindo do mundo. Custam só 150 reais. Será que eu levo?

--- Boa idéia, querida!

--- E você não vai acreditar – diz ela, afinal. – Aquela TV LCD 3D está em promoção. Só mil e quinhentos reais. Sei que é pedir muito, mas...

--- Compre, não perca a chance – diz Biu.

Quando ela desliga, Biu pergunta aos presentes:

--- De quem é este telefone?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Itabaiana perde mais uma “pedra preciosa”.


Nel Ananias foi uma emérita professora sim, mas sua grandiosidade de pessoa humana não se limita a isso, vai muito além. Eu a conheci desde minha infância, já que outra grande mulher que a considero quase uma mãe de criação, Socorro Costa, era muito amiga dela e, eu estava sempre presente entre as duas.


Tudo que se puder imaginar de amizade, caridade, assistência social, cultura, amor ao próximo, alegria e amor a vida, isso era Nel Ananias.


Nel para Itabaiana representou aquela “Mãe” que muitos sonham em ter e na realidade ela foi de muitos, não biologicamente, mas por amor. Sua dedicação ao povo da cidade era ampla e irrestrita. Para ela não existia rico nem pobre, nem preto, branco, amarelo ou lilás, nem católico, evangélico, umbandista, espírita ou seja lá o que, ela só via o ser humano e o recebia de braços abertos. A prova disso era o portão de sua casa que nunca se encontrava fechado.

Nel Ananias partiu, mas não devemos ter saudade, porque “ Saudade” é uma recordação nostálgica de coisas passadas. Vamos ter sim,“ Lembrança”, que é uma recordação que não caracteriza nostalgia e sim um mimo por um presente que ganhamos, e Nel Ananias para nós Itabaianense sempre representará um presente ganho, que sempre se fará presente entre nós.


Nel Ananias descansa em paz, continuaremos presentes.


Orlando Araújo e Joana d'Arc (Jane)

HOMENAGEM ÀS MULHERES

Quem você acha que deve receber o Prêmio Leonilla Almeida este ano, na Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba?

No Dia Internacional da Mulher (8 de março) a Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba – Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, realiza reunião para entrega do Prêmio Leonilla Almeida, singela homenagem a algumas mulheres da comunidade, exemplos por sua trajetória de vida e determinação.

Na ocasião, exibiremos documentário sobre a professora Nel Ananias, recentemente falecida, e registro do Prêmio Leonilla Almeida do ano passado.

Neste ano, a metodologia da escolha das cinco mulheres homenageadas passa a ser mais democrática. Os internautas que acessam o blog do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar escolhem os nomes de sua preferência e enviam para o endereço: pccn.itabaiana@gmail.com

Um dos nomes já referendado para receber a homenagem é o da professora Rosane Maria de Almeida (foto), gestora escolar que se destacou pela sua atuação na luta por uma escola inclusiva, que atenda às crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais. Como diretora do Colégio Estadual Dr. Antonio batista Santiago, Rosane comemora a conquista do projeto de oferecer uma educação inclusiva de qualidade aos itabaianenses.

Leonilla Almeida foi uma combatente revolucionária, nascida em Itabaiana, presa em 1935 na Ilha Grande, no Rio de Janeiro, juntamente com seu esposo Epiphanio. O casal virou personagem do romance “Memórias do Cárcere”, do escritor alagoano Graciliano Ramos. O prêmio é uma forma de preservar a memória dessa mulher corajosa e sonhadora, que lutou pela igualdade entre as pessoas.

www.pccn.wordpress.com

Grupo teatral de Itabaiana prepara novo espetáculo para comemorar 35 anos


Muita batalha e amor à arte, esse é o segredo do Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana. O grupo completa 35 anos na estrada e está repleto de expectativas para 2011. Peças e novos projetos estão sendo alçados pelo grupo composto por 9 pessoas, que se reuniram hoje (6) no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar para gravar depoimentos para o documentário “A lista de Irene” e fazer leitura de textos. Segundo Fred Borges, um dos mais antigos componentes do GETI, da formação atual do grupo que nasceu em 1976 só resta Fábio Mozart, que está no elenco desde a fundação.

- O grupo foi atuante até 1999 e após um tempo parado, retomou as atividades em 2004 – conta Fred, ressaltando que a maioria dos integrantes são jovens apaixonados pelos palcos.

O grupo vai remontar uma peça de 1988, que conta a história de um delegado de cidade interiorana às voltas com o prefeito corrupto, o padre santo, o mestre da banda bêbado e outras personagens tipicamente interioranas. Trata-se da peça “Hoje a banda não sai”, de Marcos Tavares. Paralelamente, o GETI produzirá “O banquete final e outras autofagias”, texto/colagem de poemas de Fábio Mozart, Carlos Drummond de Andrade e Augusto dos Anjos.

Normando Reis, Jacinto Moreno, Val, Fred Borges, Zé Severino, Giuzeppe, Edglês Gonçalves, Joelda Fidelis, Lucas, Das Dores Neta, Clévia Paz, Marcos Veloso e Fábio Mozart formam um dos grupos mais longevos da Paraíba, e um dos únicos (além do TECA de Cabedelo) a ter um livro narrando sua trajetória, de autoria do ex-getiano Romualdo Palhano, recém lançado em Itabaiana. (O teatro na terra de Zé da Luz.)

Segundo Normando Reis, um dos mais antigos componentes, manter viva a cultura brasileira, a tradição e a importância do teatro, é o principal objetivo do grupo, que luta para que o teatro se torne cada vez mais acessível a todos.

- Não ficamos restritos a uma única linguagem, buscamos abordar temas de interesse geral e que tenham como foco a cultura popular brasileira – afirma.

O grupo foi o responsável por fundar a Sociedade Amigos da Rainha do Vale do Paraíba e o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nosso adeus à filha do “sabiá das matas”

Nel Ananias com meu livro "Biu Pacatuba"

A roda de evolução humana fica mais atolada com a ausência de pessoas do gabarito da professora Nel Ananias, que nos deixou no domingo passado. Com a minha limitada capacidade de entender certas coisas, acho que em nosso país machista e patriarcal, quando uma mulher se destaca em qualquer área da sociedade, é sinal de que essa mulher é especial.

Nel Ananias foi uma espécie de animadora social e incentivadora cultural. Sempre foi uma apaixonada pela sua terra. Mesmo doente, no final da vida, comparecia a todo evento cultural a que era convidada. Gostava de prestigiar os seus conterrâneos. Seu círculo de amizades era grande.

Durante nossa curta jornada nesta vida, temos a ânsia de deixar nossa marca. Seja construindo ou reconstruindo, as pessoas do bem cuidam da casa, que é sua comunidade. Nesse esforço de dar melhor forma ao seu meio, de ajudar na melhoria da vida dos seus conterrâneos, a pessoa judiciosa e sensata utiliza as oportunidades da milenar sabedoria. Sábio é aquele que deixa, além de saudades, amigos e obras pelo bem comum. A professora Nel Ananias foi uma criatura sábia.

No final do ano passado, visitei Nel Ananias em sua casa. Dediquei a ela um exemplar do meu livro “Biu Pacatuba”. No dia 4 de fevereiro último, a vi pela última vez. Foi na Associação Atlética Banco do Brasil, em Itabaiana, no lançamento do livro “O teatro na terra de Zé da Luz”, de Romualdo Palhano e do CD “Há braços”, de Adeildo Vieira. “Estou lendo seu livro ‘A voz de Itabaiana e outras vozes’ e adorando”, disse-me ela.

Nel foi uma espécie de jornalista informal. Sua casa era ressonância dos assuntos mais palpitantes da comunidade itabaianense. Muito prefeito, delegado, escrivão ou diretor de qualquer coisa vinha confidenciar a ela seus problemas e obter conselhos. Esse grau de dependência dos mandantes locais às deliberações dessa espécie de conselho informal do Município representava o respeito e consideração que todos tinham para com Nel Ananias. Ninguém foge dos valores trazidos pela família. Seu pai, Antonio Ananias, foi um homem respeitado e temido, espécie de delegado e juiz de paz, além de cantor muito apreciado pela voz de “sabiá da mata” como definiu Zé da Luz em um dos seus mais famosos poemas.

Envio minhas condolências à família enlutada de nossa confreira Nel Ananias.

ITABAIANA ESTÁ DE LUTO

Clévia Paz entrevista dona Nel Ananias

Morreu Ivanete do Nascimento Pena Lins

Seu nome é Ivanete do Nascimento Pena Lins, mas todos a conheciam por Nel Ananias, uma professora emérita da cidade de Itabaiana. Escreveu o livro “Momentos de minha vida”, onde narra uma viagem que fez aos Estados Unidos.

Nel Ananias faleceu ontem, (6) e deixa abatida a sociedade itabaianense.

Sempre presente nos acontecimentos sociais e culturais de sua terra, Nel Ananias compareceu pela última vez a um evento público no lançamento do livro “O teatro na terra de Zé da Luz”, de Romualdo Palhano, e lançamento do CD “Há braços”, de Adeildo Vieira, no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, no último dia 4 de fevereiro.

Foi também no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar que Nel Ananias gravou seu último depoimento, falando de sua Itabaiana de antigamente e dos vultos ilustres que aqui nasceram.

Em homenagem a Nel Ananias, convidamos os amigos para a exibição desta reportagem com ela no próximo sábado, dia 11 de fevereiro, no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, na Rua Floriano Peixoto 136.

Informações: 9165.6741

O que se esperar de uma pedra que dança, senão o balé da esperança?


Como diria o compositor Gonzaguinha: “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá”! Eu sou um cara que tem esperança na humanidade. Enquanto existirem pessoas que desembolsam o pouco dinheiro que têm pra editar seu livro de poesia ou mesmo enquanto pessoas se encontrarem pros saraus poéticos, eu vou continuar acreditando que o mundo tem jeito. Aliás, acreditar que o mundo tem jeito é o único jeito de se continuar acreditando no mundo. A outra opção é se deixar levar pelo projeto de desesperança propagado pelas mídias todos os dias.


Semana passada eu fui a um evento em Itabaiana, terra da minha gênese cultural, pra celebrar o lançamento de dois livros do meu amigo de infância Romualdo Palhano e também do meu mais novo cd “Há Braços”. O Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, entidade catalisadora de sonhos hoje instalada na cidade, é que produziu o evento e ainda criou homenagens meritórias à contribuição cultural deste modesto compositor e do pós-doutor em teatro, Romualdo, pelo reconhecimento de que, mesmo tendo militado culturalmente em outras paragens, somos declaradamente frutos daquela aldeia que nos deu forma e conteúdo. O outro homenageado, o advogado e ex-vereador de Itabaiana, José Ramos, tem, este sim, os pés fincados na realidade cotidiana da nossa cidade.


Não foi apenas um encontro com o passado, apesar de ter encontrado amigos que há muito não encontrava, de ter colhido nos olhares deles o mesmo brilho que eu manifestava quando assistia aos eventos culturais na minha infância. Este também foi um encontro com o futuro, com a esperança de dias melhores e com a terna alegria de reconhecer o presente promissor talhado pelos militantes do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Esses militantes são, em sua maioria, os fundadores do grupo teatral que fez e continua fazendo história na Rainha do Vale do Paraíba. Falo do GETI – Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana, criado em 1975 e que, mesmo atravessando as intempéries históricas do nosso país, jamais deixou de acreditar no coração de mãe que bate na terra de Sivuca. São esses artistas que, junto aos sonhadores da nova geração, me enchem de alegria e compromisso com um amanhã de novos GETIS.


Quero voltar à Itabaiana pra ajudar neste plantio de esperança. Voltar muitas vezes e levar meus companheiros, os conspiradores da concórdia e da esperança. Vamos estimular as propostas de formação em andamento por lá. Acredito que estamos num novo momento histórico que fortalecerá um trabalho que há muito vem sendo feito de forma solidária e por muitas vezes solitária, sem apoios necessários para o bom alastramento da proposta. Pra mim, Itabaiana está na rota dos intercâmbios entre as cidades paraibanas como uma das principais articuladoras, ainda mais sabendo que será a 12ª Regional de Cultura da recém-criada Secretaria de Cultura do Estado. Entendo isso como a colocação de mais gás num foguete que já ganhou muita altura.


Os trinta e cinco anos do GETI é uma minha “lição de rua”, como diria o saudoso poeta Lucio Lins. Penso em sua trajetória sempre que bate o desânimo muitas vezes orquestrado pela realidade. Sua história, relatada saborosamente pelos livros de Romualdo Palhano, me fazem curvar diante dos companheiros militantes culturais de Itabaiana, que são tantos, mas que saúdo em nome de Fábio Mozart, o cronista do passado e do presente da nossa Rainha do Vale do Paraíba. Na verdade, Mozart está mesmo é escrevendo o futuro!


Adeildo Vieira