quinta-feira, 13 de maio de 2010

Viva Zumbi!


No dia 13 de maio de 1988, foi abolida oficialmente a escravidão no Brasil. Mas passaram-se anos até que esse aleijão moral do País fosse definitivamente banido. Depois do 13 de Maio, foram precisos mais 80 anos até que os tribunais decidissem finalmente que a Lei Áurea estava conforme os ditames legais. Enquanto rolava a briga jurídica, nos confins desse imenso Brasil os negros continuaram sendo escravizados, o tráfico seguia sua lógica mercantilista.

Se a Inglaterra não pressionasse, o cativeiro teria mais longa vida. Depois que a regente assinou a lei, o Barão de Cotejipe estava entre os que foram cumprimentá-la. Ao beijar-lhe a mão, o barão teria dito: "Vossa Majestade redimiu uma raça, mas acaba de perder o trono". Não deu outra: a Princesa caiu com toda a Monarquia.

Antes, foram aprovadas algumas imposições contra a escravidão, entre elas a lei do ventre livre e a lei que concedia liberdade aos cativos maiores de 60 anos e estabelecia normas para a libertação gradual de todos os escravos, mediante indenização. Na verdade, a Lei dos Sexagenários voltaria a beneficiar os senhores de escravos, permitindo que se livrassem de velhos "imprestáveis". Era a nossa burguesia infame treinando para chegar à UDN, Arena, PFL e Democratas.

Os brasileiros descendentes de africanos, aqueles que têm consciência política, não festejam o 13 de Maio. Em 20 de novembro lembram Zumbi, o líder negro do Quilombo dos Palmares. Serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Nesse 13 de Maio, é bom procurar saber se nas escolas já foram incluídas disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira. É obrigatório, mas, igual à lei da abolição, pode ou não “pegar”.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Edmilson Batista


Meu pai Arnaud Costa foi companheiro e amigo íntimo de Edmilson Batista, falecido recentemente em Itabaiana. No terreno da política, os dois marcaram época nas fileiras do antigo PSD, depois MDB. Edmison foi um homem público cuja elevação de caráter o distinguia como cidadão digno de confiança e respeito.

Edmilson Batista foi um dos que gerenciaram em certa época o jornal oficial do município, nosso esquecido “A Folha”. Escrevia bem, sempre voltado para os interesses de sua Itabaiana, objeto do seu amor por toda a vida.

No fim das contas, grande parte daqueles cidadãos ilustres de um passado recente em nossa terra está desaparecendo, cumprindo o ciclo natural. Fica para as novas gerações o exemplo de amor pela terra onde nasceu e viveu e a ética no trato das coisas da política. Sim, porque já se disse que antes, a política era arena de homens de bem, e hoje é antro de gangsters, propensos à degeneração moral. Mas isso é outra história.

Fica aqui nosso adeus a Edmison Batista, nesse momento histórico em que se sai pelas ruas com uma lanterna na mão procurando um cidadão digno e honrado, imitando o grego Diógenes.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Peixe fresco, nem na praia


Porque esta vida
É sempre um desfilar safado de idéias
E neste jogo, eu não escondo o jogo
Tem sempre alguém
Vendendo o mesmo peixe
Dizendo que é fresco
Será que alguém já desconfiou
Como eu desconfio
Que sempre se repete, se repete, se repete
Mas pouca gente cria? (Ednardo)


Amigo meu me tem na conta de bom escritor, poeta, memorialista e cronista. Não concordo. Sou um escritor que ainda não existe. É trágico e engraçado, mas verdadeiro. Ando me construindo como escritor há uns 40 anos, quando comecei a editar jornais e escrever uns poemas tão ruins que não passam de crimes infanto-juvenis premeditados. Copiando o poeta Naldo Velho: “Crime premeditado/de quem assumiu a condição de poeta/e que sendo por natureza um tolo/fez da palavra um consolo/pois a sentença final é: culpado!”

Sobrevivo de imitar os textos dos outros, dos caras realmente bons, que sabem criar conteúdos mais ou menos originais. Desconfio, como o grande compositor cearense Ednardo, que todas as obras de arte são geminadas. Alguém que copiou de alguém, que copiou de alguém...

Tentei ser um poeta moderno, ultrarromântico e depois ultracínico. Mergulhei na poesia de protesto, escrevi um poema chamado “Pátria armada” que rendeu um livrinho magro e desidratado. Acabo de afundar nas rimas do cordel, com muito gosto. Ensinaram-me que não devia me meter em poesia popular, que é seara alheia. Trata-se de uma espécie de aviltamento da arte dos poetas repentistas ou de gabinete, como costumam designar o trovador que escreve os chamados folhetos de feira. Eles, os menestréis de rua, violeiros e versejadores do povo, que me desculpem, mas passei a gostar de construir sextilhas. Dou-me o prazer de fazer meus versinhos de pé quebrado, conforme aconselha Mário Quintana: “Todos deveriam fazer versos, ainda que saiam maus. É preferível para a alma humana fazer maus versos a não fazer nenhum. Qualquer poema é uma aventura, boa ou má”.

Uma ideia que povoou meu imaginário de infância: só considerava escritor o cara que editava livros de capa dura. Conforme fui crescendo e vendo como se joga o jogo do rato, passei a ter a certeza de que o verdadeiro escritor é aquele que não paga para imprimir seus livros e ainda ganha dinheiro. Nunca mercadejei com minhas obras recalcitrantes, mas tenho o orgulho besta de afirmar que também jamais tirei dinheiro do bolso para editar meus cinco livros que aos trancos e barrancos vieram à luz. Mesmo porque, nem sou mágico para tirar capital excedente dos meus mal providos bolsos. Para ser mais exato, é no tesouro do Estado onde busco recursos para as publicações. O Governo financia meus livros, que são distribuídos quase de graça.

Creio que o Governo criou projetos de inclusão social dos escritores medíocres, e é nesses que me encaixo. Agora mesmo a União Editora lança um livro meu, o “Biu Pacatuba – Um herói do nosso tempo”, o que já é motivo de sobra para algum excesso de amor-próprio, algo creditável de valor e honra. O livrinho deve ter passado por algum crivo. Alguém apreciou e aprovou sua publicação. Algum mérito deve ter a obra que fala de lutas do povo e heróis anônimos.

O projeto gráfico é assinado pelo meu filho Helder Mozart. Elegi a poesia de cordel para falar de um homem notabilizado pela coragem e determinação na luta contra os senhores da terra. A saga de Biu Pacatuba, sua família e seus companheiros martirizados pelo latifúndio estará brevemente na caixa postal dos meus amigos e raros leitores, a custo zero. Enfrentei com destemor a construção de mais de 500 sextilhas para contar essa história, com paciência e, o mais importante, sem repugnância por estar copiando o estilo ou enredo de terceiros. Enfim, sou original entre os simples!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Hiato memorialístico


Em fevereiro de 1992, o jornal “A Folha” publicou crônica de minha autoria, onde exaltava este jornal, mais antigo em circulação no interior da Paraíba. Foi por ocasião dos festejos dos 65 anos do nosso jornal oficial. Eu dizia que num país que conta 40 milhões de analfabetos, a simples existência de um jornal do interior só é possível pela dedicação de uns poucos e pelos raros clarões de lucidez dos homens públicos. Na crônica, os votos para que “A Folha” se robusteça e vá em frente impávido. Aproveitando a efeméride, nós leitores temos que fazer carga positiva para o pessoal lá de cima, prefeito, secretário e demais responsáveis, para não deixar a peteca cair.

Com o tema “a verdade acima de tudo” escrito em latim no cabeçalho, “A Folha” participou de todos os grandes acontecimentos de nossa história. Teve seus dias de glória quando circulava semanalmente. Itabaiana nunca foi tão cultural, tão ciente dos seus valores como naqueles dias de apogeu do nosso jornal oficial. É preciso repetir até a náusea que temos 40 milhões de analfabetos e mais outros tantos vivendo em estado de pura pobreza. Naquela época de ouro havia um futuro. Hoje, diante do descalabro desses tempos sombrios de ignorância e menosprezo aos nossos valores culturais, dá aquela vontade de se agarrar ao passado, quando Itabaiana era comparada à própria capital em cultura e progresso econômico.

Continuando a crônica: “Estou escrevendo para você, leitor do ano 2.050. Aqui, em 1992, ainda sobrevive um jornal da imprensa matuta. Você certamente deve estar rindo de nossa fragilidade tecnológica, mas quero dar testemunho de que, numa pequena cidade do interior da Paraíba, o jornal “A Folha” articula um novo número após 65 anos de existência, sempre resistindo e mantendo a tradição de revelar novos valores como esse André Ricardo Aguiar, que está escrevendo como gente grande”.

Eu falava do poeta itabaianense André Ricardo Aguiar, filho do redator do jornal, Geraldo Aguiar. Trata-se de um talento em potencial. Seu microconto “Vida de circo”, publicada no nº 21 d’A Folha, é uma preciosidade. A literatura é o espelho de nossa sociedade e de nosso tempo. Se ainda existe um Ricardo Aguiar amadurecendo sua vocação neste jornal, a luta tem que continuar sendo travada porque vale a pena. A recompensa maior será a de celebrar o talento. Mesmo que “o circo dos nossos sonhos continue nos nossos sonhos, porque o circo está em crise e só falta pegar fogo”, como bem diz o Ricardo no seu conto antológico.

Hoje, dezoito anos depois de publicada esta crônica, um dos maiores patrimônios culturais de Itabaiana já não circula. “A Folha” espera passar a mediocridade desses tempos inexpressivos culturalmente para voltar a vingar, como uma plantinha resistente e renitente que já tem 83 anos de vida. Seria um hiato memorialístico a sua desativação, como bem escreveu o redator neste mesmo número de fevereiro de 1992.

domingo, 9 de maio de 2010

A mãe taurina


A cartomante Mãe Preciosa analisa para a Toca do Leão, com exclusividade, o signo de Touro - 21/04 a 20/05 – com referência à mãe, sendo hoje dia das genetrizes, conforme a linguagem formal do meu compadre Romualdo Palhano.
Quem tem genetriz nascida entre 21 de abril e 20 de maio, confira aí o perfil da mulher que lhe deu a luz.
A mãe taurina é aquela que se esmera para fazer uma comida gostosa e deixar a vida bela. Ela capricha na arrumação da casa, da mesa e da vida, além de dar uma forcinha na hora de atualizar o guarda-roupa dos filhos, ensinando-lhes como causar a melhor impressão possível.

Depois, seu prazer é exibir os rebentos com orgulho. Se não toma cuidado, transforma-se em mãe coruja e, com o passar do tempo, torna-se possessiva. Ela faz até cara feia quando suas belezuras saem pelo mundo destruindo corações.
Segundo os astros que não mentem jamais, a mãe taurina é sociável, amável, compreensiva, elegante e voltada para o mundo. Ela educa seus filhos por meio do diálogo e do respeito à diferença, com uma atitude despojada em relação às outras mães do Zodíaco.

Ela recebe seus amigos muito bem, encoraja você em suas andanças pelo mundo. A taurina conquista pela conversa. Educação, bons modos, cosmopolitismo e capacidade de controlar os sentimentos são suas armas no papel de mãe.

Para presenteá-la, prefira objetos de arte para que ela possa mostrar aos amigos que você tem bom gosto e sabe entender sua alma sensível.

Já os filhos taurinos são desconfiados, vingativos, obsessivos, rancorosos, vagabundos, frios, cruéis, antiéticos, sem caráter, traidores, orgulhosos, pessimistas, racistas, egoístas, materialistas, falsos, maliciosos, mentirosos, invejosos, cínicos, ignorantes, fofoqueiros e traiçoeiros. Enfim, um canalha completo. Só ama sua mãe e a si mesmo. Aliás, alguns deles não amam nem a mãe. Conheço um que é capaz de vender a mãe e não entregar, só pra vender de novo. São imprestáveis e deveriam ter vergonha de ter nascido. Pelo mapa de Mãe Preciosa, taurinos são tiranos por natureza. São ótimos nazistas ou fascistas. Uns filhos das putas.

Preciosa pegou pesado! Desconfio que é por causa de uma antiga despeita com seu empregado Sonsinho, que é do signo de Touro e tem uma mãe que é uma “mãe de leite”.
Tema de hoje: “Eu amo a sua mãe”, canção breguíssima com Lindomar Castilho.

sábado, 8 de maio de 2010

Seria José Bezerra filho de Itabaiana?


Na nossa busca incansável dos valores da terra, que a atual geração tem o dever de reconhecer e destacar, pinçamos o nome de José Bezerra, que é para a cultura paraibana um extraordinário homem de teatro, além de jornalista. José Bezerra é autor da peça “Enquanto não arrebenta a derradeira explosão”, um marco da dramaturgia paraibana.

Não afirmo peremptoriamente que José Bezerra seja itabaianense, mas desconfio que Itabaiana seja seu berço a partir de crônica publicada no jornal O Norte, de 8 de setembro de 1992, onde o jornalista Benedito Maia transcreve um diálogo com o ex-governador Ernani Sátyro:

“Todos os dias, ao ver um dos seus assessores de imprensa, o jornalista e dramaturgo Gilvan de Brito, o governador perguntava:

─ Amigo velho, como vai Itabaiana?

─ Não sou de Itabaiana, Governador. Quem é de lá é o seu fotógrafo José Bezerra.

─ Muito bem, amigo velho.

E no dia seguinte, ao ver Gilvan, perguntava:

─ Amigo velho, como vai Itabaiana?”

Daí a dedução sobre a “pátria” deste homem de teatro. A verdade é que José Bezerra cultivou um teatro de alta qualidade, com alguns textos de sua autoria publicados com patrocínio do Estado, quando a Paraíba se dava ao luxo de financiar a cultura.
Uma das mais ricas e complexas formas de arte, o teatro teve em José Bezerra um criador indispensável para a evolução do universo cênico na Paraíba. Hoje, José Bezerra já não escreve nem atua plenamente, e infelizmente seus textos desapareceram de nossos palcos tão pobres de forma e conteúdo. Mas aqui fica a incógnita: seria José Bezerra filho de Itabaiana?

Sobre o assunto, recebo mensagem do companheiro teatrista Osvaldo Travassos Sarinho: “Mozart, acho que o Zé Bezerra de Ernany Sátiro é outro. O nosso cineasta dramaturgo, diretor, ator, cantor, escritor e bancário do BB aposentado deve ter nascido no bairro da Torre. Pelo menos sua infância se passou assistindo as "fitas" do Cine Metrópole, segundo seu último romance. Um abraço a ele extensivo a você”.

ISSO SIM É LIÇÃO DE VIDA!


Muito Obrigado pelo Ensinamento...Sr. HAROLD

Uma filosofia de vida!

"Muitas pessoas me perguntam: ‘O que os velhos fazem quando se aposentam?’
Bem, eu tenho sorte de ter uma formação em engenharia química, e uma das coisas que eu mais gosto é transformar cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas em urina "


Harold deverá ser uma inspiração para muita gente.