segunda-feira, 18 de maio de 2026

Vinte anos da Toca

 


Em maio de 2026 estou celebrando os vinte anos do meu blog Toca do Leão. Há exatas duas décadas pedi ao meu filho que abrisse um blog para publicar minhas crônicas e poemas. Eu, analfabeto virtual assumido, queria apenas um canto onde pudesse guardar pensamentos antes que eles evaporassem. O blog cresceu, virou coluna no jornal A União, o único impresso da Paraíba, e todo domingo a Toca do Leão continua saindo por aí, tentando transformar pensamentos soltos em memória escrita.

Dentro dele nasceu a coluna “Tijolinhos do Mozart”, onde escrevo sobre o cotidiano: dias comuns, outros meio malucos, pensamentos reais e outros nem tanto. São textos simples, quase conversas comigo mesmo, sem precisar interromper ninguém. Nem sempre escrevo para ser entendido; às vezes escrevo apenas para não guardar tudo em silêncio.

Um blog pessoal é uma janela aberta para pensamentos que normalmente ficariam escondidos. Quando alguém escreve sobre a própria rotina, acaba revelando mais do que acontecimentos: revela medos, fragilidades, versões de si mesmo. A exposição não está apenas no que se diz, mas também no que fica escondido entre as linhas.

Talvez por isso eu tenha transformado a escrita numa espécie de terapia clandestina. Sou um sujeito carregado de inibição e nunca me confessei a psiquiatra nem psicólogo, mas desconfio que este blog seja minha tentativa silenciosa de cura. No conforto do computador, transformo ansiedade em crônica e vulnerabilidade em conversa pública.

Nesses vinte anos já fui censurado em grupo de WhatsApp, processado, ameaçado por malucos e colecionei intrigados. Pediram delicadamente que eu não publicasse mais os “Tijolinhos” em determinado grupo porque eu falava demais de política. Na verdade, o problema era outro: eles eram devotos do velho Bozó, personagem que no meu blog costuma apanhar sem piedade.

Os “Tijolinhos” acabaram virando um diário fragmentado da minha vida cultural, política e emocional. Misturo memória, humor ácido, comentários sociais, lembranças do interior da Paraíba, de onde vim, rádio comunitária, literatura de cordel, velhas fotografias, amigos mortos, envelhecimento e as ironias do cotidiano, tudo no mesmo fluxo narrativo.

Escrevo de maneira informal, como quem puxa uma cadeira para conversar diretamente com o leitor. Às vezes cito familiares, desafetos, frustrações profissionais e episódios antigos. Por isso, o blog deixou de ser apenas espaço de opinião: virou arquivo emocional, inventário afetivo de uma vida.

E tem quem goste. O editor Sérgio Ricardo Santos, do portal DiarioPB, republica os “Tijolinhos” no jornal eletrônico. De vez em quando, o sistema bloqueia temporariamente o IP por segurança, tamanho o número de acessos.

Vinte anos depois, continuo aqui, empilhando tijolos de memória para não deixar o silêncio cimentar os tempos em que não havia celular, havia infância.

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário